Era sexta e eu havia me encontrado novamente com Lucca, sua altura era um pouco menor que a minha, Lucca tinha por volta de 1,85m e eu 1,88m, eu sou muito alto! Seus cabelos eram cacheados e castanhos escuros, com algumas mechas amarelas, como ele era um atleta, seu corpo era definido, Lucca tinha 16 anos e eu 14 anos, ele era capitão do seu time de futebol do 2° ano do ensino médio.
Ele tem os olhos castanhos escuros e o seu jeito era um pouco atrapalhado e sério, o seu papo geralmente era voltado ao meio esportivo ele gostava de se gabar dos troféus que havia ganhando para a escola, e que no futuro iria fazer faculdade de Educação Física, queria se um bom tutor e ganhar títulos para a escola, como o nosso tutor fazia com ele. Eu gostava de ouví-lo, era muito interessante ficar do seu lado, e estando daquele jeito o tempo da aula passava mais rápido e era interessante estudar as matérias que eu não conhecia direito, devido às disciplinas serem completamente diferentes da Inglaterra e da Irlanda do Norte.
_ Eu só quero a borracha, eu risquei errado meu desenho, e roubaram a minha borracha! (Eu viajava no meu mundo e o Murilo no dele).
_ Você já gostou de alguém de verdade, Murilo? Sempre fala de Maria Alice, no entanto, ela uma rameira! (Eu o encarei bem sério, enquanto eu olhava o desenho dele e via que era aquela garota novamente).
_ Ela nem planta nada, como pode ser uma rameira? Maria Alice é incrível, um dia ela vai me notar e vai querer namorar comigo, depois casar e ter um lagarto de estimação! (Ele falava empolgado).
_ Lagarto? Que nojo! (Quem tem lagartos em casa?).
_ Meu pai tinha um lagarto, ele ficou muito bravo pois queria uma namorada, aí ele fazia sexo com tudo e ficava bravo se encostasse nele! Então o meu pai pegou uma lagartixa pra ele, e os dois fizeram sexo e ela botou ovos, aí nasceram vários lagartos bebês! Eles eram amarelos e tinham pintinhas marrons iguais as minhas! Mas o meu pai devolveu a lagartixa e os filhotes para o colega dele, e o colega dele deu um bebê pro meu pai, só que ele não podia deixar o lagartinho lá, porquê ele era macho também, então ele ficava brigando com o pai dele, aí o meu pai separou o filhote, porquê o pai dele arrancou o rabo do seu filho com uma mordida e quase o matou! (O Murilo falava coisas aleatórias às vezes, e eu sinceramente não o entendia).
_ Suas histórias são bizarras! Tem que parar de assistir filmes à noite e ir para cama cedo, para sua mente funcionar direito no outro sia! (Eu falei o encarando rigidamente).
_ Eu gostava do lagarto do meu pai, pena que ele morreu de velhice e só tem o filho dele agora, ele é igual o meu avô, ele é velho também! Só que é bem menos velho que o meu outro avô que já morreu, eu sinto saudades do meu avô que morreu, ele era legal, me dava comida quando eu ia visitar ele, e depois contava suas histórias de múmia! Agora eu tenho só um vô, mas minha mãe não deixa eu ir na cidade que ele mora para eu ver ele, porquê o meu pai mora lá também e ela diz que meu avô é um boêmio, mas ele nem gosta de plantas! (Ele dizia passando a minha borracha em seu desenho e me encarando)
_ Está a apagando o desenho todo, presta atenção no que você faz, boêmio não é a mesma coisa que botânico!(Eu apontava para ele, mas o Murilo era um cabeça de vento e nem viu que estava estragando o seu trabalho).
_ Eu gosto do meu avô, ele me ensinou a tocar bateria, violão, guitarra, ukulele, mandolin e teclado! A minha mãe não gosta quando toco muito alto, mas ela gosta de me ver tocando certo os instrumentos musicais, e o que eu mais gosto de tocar é o teclado, eu consigo tocar várias músicas nele, é divertido e me ajuda com as minhas crises às vezes! Queria ver meu avô de novo, sinto saudades dele, mas minha mãe não gosta de nada que vem da parte do meu pai! Meu avô tem uma cafeteira, ele cria muitas receitas e o que eu mais gosto é dos biscoitos dele! Você deveria provar um dia, mas tem que pagar para comer, se não meu avô vai à falência e ele é uma velho mesquinho e revoltado! Sabia que ele tem sardas iguais as minhas, só que as sardas dele são velhas igual ele...(Ele falava calmamente me encarando e apagando todo o seu desenho).
_ O seu desenho está sendo todo apagado! Preste atenção nele! (Eu apontava para o desenho, mas ele me encarava com uma cara de bobo e sorrindo).
_ Queria ver meu pai e meu avô de novo! Não gosto do namorado da minha mãe, ele é estranho, fica me olhando estranho, eu tenho medo dele! Gosto do meu pai, queria morar com ele com Hugo e com meu avô de novo! Eles sim, gostam de mim, não sei porquê minha mãe não gosta mais dele! Talvez a minha mãe brigou com ele por mi... (Ele dizia tão hiperfocado e estranhamente, que nem vimos a professora chegar e dar um tapão na mesa nos assustando).
Assim ela o pegou pelo braço e o levou até na frente o colocando em frente ao meio do quadro e o encarou friamente, levantando a cabeça dele para encarar toda a turma, que o olhava e ria.
_ Preguiçoso, não presta atenção em nada e vive atrapalhando a aula! Agora compartilhe conosco o que eu estava explicando para a turma, já que sabe de tudo e não precisa aprender mais nada! (A professora de português dizia muito irritada aquilo me dava medo).
_ E-eu... eu... eu não lembro! (Dava para ver o medo no olhar dele).
_ Não lembra? Mais agora vai lembrar! Vai ficar depois da aula, escrevendo a matéria no quadro negro para você fixar muito bem a matéria em sua mente vazia! Agora senta ali, e não abaixe a cabeça! Preste atenção na aula, ou você vai sair daqui só quando um responsável vier lhe buscar! (Assim ele foi posto na frente e todos riam dele de novo).
Eu sinceramente não achei a atitude da mestra correta, ainda mais na frente dos outros, com certeza o constrangeu e o assustou, mas isso era tão comum ali dentro, direto ele era posto na frente pela mesma professora, e sempre era seguido de uma zombação e um castigo com uma advertência de brinde. E mesmo assim eu ficava desconfortável vendo aquilo, principalmente vendo os outros rindo junto daquele fato, e naquele momento eu havia cooperado para sua advertência e penitência dada pela nossa mestra de português que era brava feito o homem vermelho contra Fin McCool.
Ele ficou tão acanhado lá na frente, sentia pena daquele sujeito maluco que falava coisas estranhas o tempo todo, misturando a vida real com a sua imaginação completamente ilimitada.
_ Você está bem? (O indaguei após a aula, eu havia o esperado para irmos embora juntos, ele ficou uns cinquenta minutos lá dentro escrevendo o dever que deveria ser feito na aula de português).
_ Eu odeio ela, um dia vou me vingar desse inferno! Vou explodir aquela bruxa e depois vou acabar com a vida de cada um que riu de mim, vou os fazer ver que não sou um idiota, vou crescer e vou humilhá-los da mesma forma que fazem comigo, todos vão se lamentar de rir de mim, e vão lembrar do meu nome até em seus pesadelos! (Vermelho ele chutava as coisas no chão, e estressado ele bateu o pé no portão e depois ficou o olhando sentindo dor, pois seu rosto apesar de vermelho demonstrava dor e começou a mancar).
_ Vai me humilhar também, e me fazer ter sonhos ruins com você? (Eu o disse sério por fora e rindo por dentro, ele praguejava e isso me dava medo, se os maus espíritos o ouvissem, com certeza o arrastaria para baixo sem dó e piedade, o colocariam para comer enxofre para o resto da vida e trabalhar em um fogaréu horrendo).
_ E você... Eu... você eu vou deixar você, porquê você já é estúpido e isso já é um castigo! E também, você é o único que fala comigo, e mesmo não gostando de falar com um esquisito feito você, eu gosto de ter alguém por perto para conversar! (Ele desfez seu rosto zangado e desviando o olhar ele olhava para a árvore e fez uma cara de curioso).
_ Não deveria praguejar tanto, o homem vermelho não perdoa quem praguejar e São Patrício não gosta de resmungão, ele se entristece com más palavras, e atos maldosos, você não é maldoso! (O disse bem sério, e ele fazia aquele rosto atento a mim, mas eu sabia que ele mal me ouvia, pois seu rosto era imóvel).
Eu olhava aqueles olhos castanhos e fiquei um pouco vermelho, ele era muito bochechudo e suas bochechas rosadas de raiva era engraçado, principalmente com aquele cabelo repicado me encarando feito uma boneca de louça, ele era tão pálido que o sol o batendo o fazia refletir e quase me cegar por uns instantes.
_ Você tem tatuagem! Que maneiro, se eu me tatuar vai ser bem aqui, no meu peito! Vou tatuar panda otário, é o nome da minha banda de um homem só, não conta para ninguém, mas quando eu sair da escola e fazer a minha banda, eu vou ficar famoso e as pessoas vão começar a gostar de mim, eu não tenho coragem de mostrar meu rosto, eu não gosto de quando as pessoas me julgam, eu me sinto triste, irlandês, mas eu quero ser músico e ter uma banda igual o meu avô, eu quero ser igual o Armstrong e toca fazendo as gatinhas me desejarem, já que elas ainda não conseguem ver o homem que sou! (Ele levantou sua blusa e ele era muito peludo, eu não conseguia disfarçar meu rosto envergonhado o olhando daquela forma toda peluda, eu queria sentir seus pelos em meus dedos e saber qual o cheiro que ele tinha, mas eu desviei meu rosto quando lembrei de Lucca, Murilo não era Lucca para eu desejá-lo).
_ Você não deveria pensar em fama por causa de garotas, elas são nojentas e ficam loucas para arrancar uma casquinha de bobos feito você! Sem contar que você vai querer dormir com elas e vai acabar as engravidando, e aí docinho, você vai ter que cuidar de vários bebês de várias mulheres diferentes, você vai gostar disso? Você nem vai saber de onde saiu criança, porquê você só pensa em mulheres o tempo todo e nunca pensa em alguém que talvez goste de você de verdade e queira fazer uma família com você, ter um gato e talvez uma criança para alegrar a nossa família! Mas você só fala de mulheres e de Maria Alice, e de toda essa besteiras, sabe de uma coisa, eu cansei de falar com você! Você é um idiota! (Eu surtei com ele desejando lascívias como sempre).
_ M-mas irlandês, eu nem disse isso... Eu disse que quero ser famoso e as gatinhas vai gostar de mim, eu nem quero ter filhos, e eu nem citei o nome da Maria Alice...(Lhe mostrei o dedo irritado, não queria falar com aquele branquelo idiota).
_ Seu anel é bonito, eu não uso anéis, eu tenho medo de perdê-los, mas nos seus dedos eles ficam bonitos! (Murilo pegou a minha mão, com um gesto a acariciou e puxou meu anel levemente tentando colocar em seu dedo, ele me encarou sorrindo e conseguiu enfiar meu anel em seu dedinho e me mostrou sorridente).
_ Seus dedos são muito magros! (Ele olhou meu anel animado e delicadamente o tirou de seus dedo e pegou a minha mão suavemente enfiando o anel nela novamente).
_ Eu tenho que ir embora... Vai para a casa! (Eu fiquei estranho, meu coração acelerou de novo e fui para casa pensando em como esquecer o que senti naquele momento, era algo que não deveria sentir mais).
A noite eu me empolgava para o dia seguinte, peguei uma roupa maneira e coloquei meus brincos, a minha mãe não gostava, mas agora ela não reclamava tanto, ainda mais depois da minha tatuagem que eu fiz, ela havia surtado, mas depois com muito custo ela aceitou aquilo em meu braço. Aí eu mandei mensagem para o Lucca, e conversamos sobre qualquer coisa, foi divertido, estava louco que chegasse o momento de nosso encontro, eu finalmente iria viver a minha vida e deixá-la ir para frente.
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Atualizado até capítulo 71
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