Ashlyn

Eu já tinha 12 anos , quase 13, e morava na Inglaterra há 7 anos, foi completamente novo para mim aquele ambiente longe da Irlanda do Norte, no entanto, lá era incrivelmente melhor do que o meu país nativo!

Consegui fazer amigos, ninguém me chamava de amaldiçoado, e eu me sentia feliz com aquilo, os ingleses tinham alguns costumes estranhos feito o meu pai, mas com o tempo foi me adaptando e me tornando independente naquele lugar.

Meus pais trabalhavam em uma empresa de turismo, então viviam em constante viagem e reuniões, não era tão ruim, eu tinha Ahana, que me levava para todo lugar de acordo com minha agenda de estudos, era uma agenda exaustiva, mas nos domingos eu podia ver os meus pais e fazer uma atividade do meu agrado, e assim eu fazia, eu ia até à praia para ver o pôr do sol.

Minha mãe exigia que eu estudasse muito e fazia cursos extracurriculares, para que eu pudesse ser o que quisesse quando crescesse, mas confesso, as vezes eu achava aquilo um tremendo tédio, nem sabia o porquê ela havia me colocado em outro curso de língua, uma língua espanhola e outra francesa, aquilo fazia uma bagunça em minha cabeça, mas Ahana que era poliglota sempre me ajudava, mesmo sendo extremamente exigente com meus estudos, ela chegava a ser pior que minha mãe, de tanta cobrança que ela me impunha para aprender as línguas!

_ Sua prima de Liverpool vai vir lher ver, ela está morrendo de saudades sua Díoman! ( Minha mãe falava comigo empolgada, enquanto eu me arrumava no quarto).

Quando ela disse aquilo, o meu humor mudou do vinho para água suja! Mas ainda tinha esperança que não fosse aquela garota insuportável que me visitou durante alguns verões de Brighton.

_ Sabe, a Ashlyn! Eu sei que vocês se dão muito bem, será melhor ainda vocês se divertirem na praia, já que está quente! Ela ama a praia, a convide para ir na praia com você! Será divertido seu aniversário, passando um tempo com a sua prima! (Minha mãe dizia tão entusiasmada, eu me sentia horrível com aquele nome resoando da boca dela).

_ Ela não pode se divertir em Liverpool, não? Para quê, que ela vai vir aqui? Ela me aperta e fala demais! (Eu no aguentava ficar do seu lado, ela sempre me apertava, mexia em meus cabelos e sempre queria trançar quando eles ficavam grandes, sem contar as várias coisas de modas que ela me dizia, falando as novas tendências intermináveis de cois novas que acontecia no mundo, Ashlyn sempre queria impor essa cultura consumista em mim, que não a compreendo e nem me interesso por coisas como aquelas).

_ Eu já falei para você não falar assim das pessoas! Sua prima é ótima, e vocês ficam uma gracinhas juntos, ela gosta muito de você Díoman, então não faça cara feia para ela, enquanto ela vem aqui comemorar seu aniversário! (Aí minha mãe fez um rosto feio para mim, e depois ela passou pente no meu cabelo e estragou meu cabelo que já estava arrumado, eu não gostava de penteá-lo para trás ou de lado, eu gostava dele natural, se fosse pentear, que fosse apenas para desembolá-lo e não fazer um spray para deixá-lo duro).

_ Já que vai sair com seus colegas, coloque uma roupa mais bonita, esses trajes são tão esquisitos e simples, gosto que você fique elegante! (Assim minha mãe mexeu em meu guarda roupa e colocou uma roupa horrorosa e formal para eu vestir, aquele terno italiano).

_ Eu não gosto disso! É ridículo! (Eu gostava de roupas de crochê, iguais as de camponeses, eu amo cardigãs de crochê, meia manga ou manga longa, com cores neutras e uma calça larga, eram lindos, aqueles ternos italianos me deixava esquisito!).

_ Melhor que esse casaco estranho, parece velho, junto dessa calça larga! Coloque uma roupa mais arrumada, não quero que as pessoas maldizem de você! (Eu a olhei quieto e contrariado).

Depois vesti aquilo, contrariado, a minha mãe sempre me arrumava e não gostava que eu ficasse desarrumado por aí. Eu queria ir do meu jeito, queria ver o Henry arrumado do meu jeito, não queria ir igual um soldado da rainha, eu fiquei revoltado, vestindo aquele conjunto ridículo na frente dela, eu sentia vergonha de ficar só de cueca na frente dela, eu já não era uma criança, eu já era um adolescente.

_ Está bem melhor agora! Olha como você é bonito arrumado, não demore na rua! E liga para mim, quando chegar lá na casa de dona Abigail! Não gosto que você suma e não me dê notícias !(Ela me penteava novamente e eu a encarei emburrado).

_ Mãe, está estragando meu penteado! Já estou ridículo com isso, agora meu cabelo também! Estou ridículo, pareço um soldado de tão medonho que estou! (Eu me olhei no espelho, e eu estava ridículo! Me despenteei nervoso, eu estava parecendo um soldadinho de chumbo).

_ Díoman, você está lindo! Olha esse conjunto maravilhoso, combina com o cabelo arrumado, não desgrenhado! (Minha mãe era exigente e me arrumou novamente com o pente).

_ Está bem! (Aí eu tirei a mão dela do meu cabelo e peguei minha roupa e coloquei no saco discretamente).

_ Vai levar isso aonde? (Ela me encarava séria e eu a encarei de volta disfarçado).

_ Lavanderia! (A olhei sério e abri a porta do quarto).

_ Leve isso depois! Não é bonito levar isso na casa dos outros! É deselegante meu menininho, coloquei isso no cesto! (Então a olhei e coloquei a sacola no chão novamente).

_ Ok! (Eu disse para ela sutilmente, e ela se virou para outro lado e eu joguei a sacola pela janela).

_ Não demore na rua, sei que a dona Abigail é muito receptiva, mas não explore de sua boa vontade! (Aí ela me deu um beijo e eu dei tchau para ela, limpando meu rosto, minha mãe ainda achava que eu era pequeno).

Eu iria na dona Abigail, mas não vê-lá, iria ver o neto dela! Eu já tinha pedido à minha mãe para furar as orelhas, mas como esperado, ela não deixou, disse que era uma coisa horrenda e que homens descentes não se furam! Então deixei meus cabelos crescerem e ficarem bem grandes, ela queria que eu cortasse, mas eu não cortei, queria usar brincos fodões feito os Steven Tyler! Eu queria ser maneiro também, e iria fazer isso em comemoração aos meus 13 anos com Henry, neto da Abigail, ele havia dito que me daria algo especial e me transformaria em um homem de verdade, eu queria ser um homem!

E andando de bicicleta nas ruas de Brighton, de longe conseguia ver a estrada que me levava até Henry, ele morava próximo à praia, e eu morava há alguns quarteirões dali, estava louco para ver Henry! Por algum motivo eu o achava atraente, com aqueles cabelos castanhos claros.

Quando me aproximei de sua casa desci da bicicleta e mudei as minhas roupas, não iria aparecer horrivelmente para ele, vestindo aquele terno ridículo! Depois de vestir as minhas roupas, coloquei o terno na sacola, me arrumei um pouco, dei um suspiro e saí de trás da cerca do vizinho que eu havia escondido para me trocar e fui até a casa de dona Abigail, e bati a porta, nisso Henry atendeu e apertou minha mão empolgado me puxando apressadamente para dentro.

_ Eu pensei que você não iria vir! Você demorou para chegar! (Aí ele me pegou pelo braço e me levou para seu quarto empolgado).

_ Você tem certeza que não vai doer Henry? Se ficar feio? (Ele passava a mão em meu rosto, colocando meu cabelo para trás das orelhas atento, eu desviava meu olhar timidamente).

_ Eu já fiz algo que você não gostou e se arrependeu depois? (Ele sussurrava em meu ouvido e eu o encarava sério).

_ Não! (Eu o respondi sério, depois fiquei pensando em como ficaria aquilo em mim).

_ Se não quiser fazer, eu não faço! Mas você vai ficar incrível se deixar eu fazer em você! Tenho até um do jeito que você gosta, grande e chamativo, iguais os seus anéis! ( Ele me mostrava os brincos lindos, e eu fiquei doido para usá-los).

_ Me fura Henry, mas fura disfarçadamente, minha mãe ainda não sabe que vou fazer isso então quero que ela se zangue de novo! (Eu peguei na mão dele e coloquei a agulha nela, o olhando sério, minha mãe não gostava de ser afrontada, ela ficava furiosa e eu iria fazer algo que ela já havia negado, isso me deixava mais receioso, mas eu queria parecer maneiro e iria ser, assim como Henry dizia a mim, "que caras maneiros fazem coisas maneiras").

_ Tá bom, pequeno homem, vou te furar! (Aí ele colocou o gelo atrás da minha orelha, pegou a agulha esterilizada a apertando e furou dando uma leve ardida).

Pensei que ia doer muito, mas só senti uma picada e mais nada, logo em seguida ele colocou o brinco e pedi para que ele me furasse do outro lado também, queria usar o par de brincos perfeitamente nas minhas orelhas, e como eu já havia feito aquela proeza, então não valia a pena deixar o trabalho pela metade.

Eu me sentia tão bonito me encarando no espelho com aqueles brincos, queria mostrá-los para todo mundo, mas eles eram grandes demais, e se a minha mãe visse iria ser um problema enorme! Iria mostrar a ela só depois dos meus 13 anos, aí eu seria maior e ela iria entender tudo! Eu estava lindo com aquele brinco de cruz, parecia de prata, mas provavelmente era uma bijuteria como várias outras que Henry tinha e mentia dizendo que eram verdadeiras.

_ Não gosto que me chame de pequeno homem! Sou tão grande como você! (Eu dizia retirando os brincos com cuidado para não estragá-los).

_ Por que está tirando? Ficou incrível em você, este é meu presente para o seu aniversário! (Ele me olhava confuso, e eu o encarei sério).

_ Eu disse para ser discreto em relação a minha mãe, não falei? Quer que ela surte ao ver isso? (Eu dizia calmamente tirando o outro brinco os encarando apreciando cada detalhes falsos que ele tinha, seriam mais bonitos ainda se fossem verdadeiros iguais da minha mãe).

_ Mas sua mãe sempre nos atrapalha, que saco! Quando não é uma saída à tarde ou à noite durante a semana, é as jóias que lhe dou que ela se incomoda! Daqui a pouco você será acorrentado dentro de casa para fazer só as coisas chatas que ela te obriga a fazer todos os dias! (Ele emburrou e mexeu em seus utensílios revoltado).

Henry era revoltado com as coisas, ele tinha 15 anos, o seu cabelo era castanho claro, quase dourado, e os seus olhos eram caramelos quase âmbar. Eu gostava de Henry, ele era alto, bonito e seu estilo era de surfista, mesmo odiando sair de casa, ele vivia bronzeado e eu gostava dele, pena que ele era muito rabugento e ciumento, ele gostava das coisas do seu jeito, mas não é bem assim que as coisas funcionam e isso o irritava muitíssimo, ele vivia nervoso quando eu falava algo o negando ou mostrando que a minha reprovaria as suas falas ou atitudes, mas de uma coisa eu concordava, mamãe quase não ficava comigo durante o dia, eu havia alguns dias da semana à noite, e mesmo assim ela exigia muitas coisas de mim, ela me dava várias coisas inúteis para compensar o tempo que ficávamos afastados, e depois exigia várias coisas para eu ser alguém bem sucedido, mas o dinheiro não era algo que me chamava atenção, não sei se foi por causa da vida pobre que eu tinha na Irlanda, ou se ao ver coisas demais na minha frente, me tirava o gosto de ter dinheiro.

E o encarando, ele se aproximou de mim com algo nas mãos e depois me virou, me cheirando como de costume e depois me abraçou encostando seu rosto no meu ombro e olhamos para praia.

_ Eu quero ir pro mar, nadar com você, Dío! (Ele me olhava passando os dedos em meus cabelos ondulados delicadamente).

_ Também quero, mas não tenho roupa de banho! (Eu sorri para ele disfarçadamente).

_ E daí? Tou falando que quero nadar com você, mas não disse que era vestido! (As vezes Henry era esquisito).

_ E você vai como? Sem roupa? As pessoas vão rir de você, seu panaca! (Eu ri dele enquanto olhava o mar).

_ Foda-se, quero ir lá como Deus me fez junto de você, seu idiota medroso! (Aí Henry tirou a blusa em minha frente falando aquilo).

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