O poço

5 meses haviam se passado, eu já estava acostumado a usar aquele linho caro no corpo, e por incrível que pareça, eu havia aceitado que nunca mais iria ver Darci, mesmo insistindo em voltar a minha antiga escola, e mandá-lo chupar batatas, por dizer que eu nunca iria ter uma mãe!

Mesmo assim eu ainda queria brincar com Darci, sentia falta dos seus cabelos ruivos cor de terra voarem contra o vento, enquanto fugíamos da mãe dele, pois ela sempre dizia que eu iria trazer maldição para sua família e que São Patrício, jamais iria nos perdoar se algo acontecesse com ele, ela falava que eu era uma perdição e não queria eu próximo ao seu filho, eu não a entendia, mas sabia que ela não gostava de mim.

Eu não gostava da mãe de Darci, mas eu gostava dele, éramos amigos, e era incrível quando nos dias quentes de verão, corríamos até a parte do rio para tomar banho com os patos escondidos, a tia Aghna não nos deixava sair do orfanato, mas na hora da aula, fugiamos no intervalo pelo buraco da cerca, perto da escola havia o rio onde os patos se banhavam na primavera e verão, tudo era divertido e agora iria acabar, devido ao egoísmo de Katherine!

_ Se ficar birrento, vou te colocar no pensamento, está me ouvindo?E você sabe que o seu amiguinho está lá te esperando! (Bran vivia implicando comigo, principalmente quando Katherine saía, ele sabia que eu tinha pavor de ratos e ele insistia em chamar aquele bicho nojento de meu amigo).

_ Mas eu não quero ir! Quero ver Darci, estou com saudades dele Bran! Não quero mudar de novo com a Katherine! (Já era a terceira vez que iríamos nos mudar, eu estava cansado daquilo).

_ Para de ser ingrato, ela ainda está sta escolhendo o melhor lugar para você crescer, já que sua história é bem repercutida por todo o país! Isso impossibilita qualquer um de viver por muito tempo em um lugar bom! E você ainda não a chama de mãe, talvez esse seja um sinal de jogarmos você na rua e parar de amaldiçoar a família! (Eu sabia que as crianças às vezes me xingavam e se afastavam de mim por causa de seus pais, mas era injusto eu mudar de novo por causa disso).

_ Manda as pessoas irem embora e me deixa aqui! É só comprá-las e depois jogar elas para o homem vermelho comer! (Eu fechei a cara bem sério quando disse aquilo e olhei para Bran, eles viviam falando em comprar coisas com dinheiro).

_ Vou falar para sua mãe, o que você disse! Você vai ficar de castigo com o cara lá de baixo com o seu amigo, por falar crueldades assim! (Bran era tão mal comigo iria me jogar na rua se eu não chamasse Katherine de mãe, e eu iria queimar no inferno com o homem vermelho).

_ N-não! A mamãe vai ficar brava, eu não quero que as pessoas sejam devoradas pelo homem vermelho! (Eu fiquei com medo, Katherine brigava comigo quando eu fazia coisas erradas ou falava besteiras).

_ Já era pequena maldição, infelizmente vou ter que contar! Sabe como as coisas são por aqui, você é a criança e eu o adulto responsável! (Ele dizia fazendo um riso cínico).

_ Desculpa, Bran! (Eu o olhei triste).

_ Peça desculpa as pessoas, não a mim! Elas estão lá no poço provavelmente, já que você as invocou para a morte! (Assim Bran disse friamente comigo, e eu o encarei espantado).

_ Eu não queria fazer isso! Como faço para tirá-las de lá, para Patrício me perdoar? (Eu dizia desesperado e com medo).

_ Patrício nunca vai te perdoar! Você é amaldiçoado, não esqueça disso! Você deveria ir com o homem vermelho, já que são iguais! (Assim Bran me pegou pelo braço e me colocou nas costas).

_ Eu não sou mal, Patrício gosta de mim também! Eu não quero ser igual o homem vermelho, Bran! Eu sou bom! (Eu dizia desesperado com Bran, eu não queria ser amaldiçoado).

_ Pare de mentir! Garoto idiota e mentiroso, pessoas assim são levadas pelo homem vermelho, tá me ouvindo? (Nisso ele levou-me para fora reclamando de novo).

Eu tentava me soltar, mas Bran era forte e tava me tirando de casa a força, fiquei assustado com aquilo, queria minha mãe naquela hora que ele falou que ia me jogar no poço com as almas acorrentadas nele.

_ Me solta Bran, eu estou com medo! (Eu dizia assustado vendo o poço).

E quando chegamos, ele me virou de ponta cabeça e começou a rir, enquanto eu me agarrava nele com medo de cair, pois lá era escuro e eu não conseguia ver o fundo dele e eu sabia que lá estava cheio de ratos, que era pior que o homem vermelho.

_ Eu não vou ser mal, por favor me coloca no chão! Eu prometo que não vou ser mal! (Desesperado eu fiquei pálido com a metade do meu corpo dentro do poço).

_ Você é amaldiçoado, São Patrício não gosta de você! Jamais vai lhe dar sorte, ou algo do tipo, então por que não acaba com o seu destino de uma vez? (Bran dizia aquilo em um tom irônico).

_ Eu vou ser bom, ele vai gostar de mim! (Eu tremia de medo vendo a escuridão do poço).

Assim Bran começou a me balançar, cantando que almadiçoados devem ser lançados no poço, eu fiquei assustado, e comecei a chorar, aí ele me puxou para fora do poço novamente, e arrumou os meus cabelos enquanto eu lacrimejava e tremia palidamente o olhando.

_ Ei, não seja medroso, você é homem! Era só uma brincadeira, seu medroso! Olha não conta para sua mãe, sobre isso, e eu não conto que você queria comprar pessoas para o homem vermelho comer! Se não eu te jogo ali de verdade! (Ele me arrumava, enquanto eu ficava paralisado de medo o encarando afirmando o que ele dizia).

Neste momento, minha mãe chegou da rua e me viu abrindo seus braços para me abraçar, e eu tava tão espatifado que não conseguia nem andar, pois tremia muito. Assim ela olhou estranho para gente e veio correndo até mim.

_ O que houve meu amor? Por que está assim? (Ela passava a mão em meu rosto atenta).

_ Eu quero ir para casa! (Assim a abracei forte e escondi meu rosto nela).

_ O que aconteceu aqui, Bran? (Minha mãe falou muito preocupada com Bran).

_ Seu brinquedo caiu no poço, mas não conseguimos pegar! Aí ele ficou assim, mas já disse que isso não é nada demais! (Bran falava calmamente com Katherine, mentindo para ela).

_ Foi isso que aconteceu, Díoman? (Ela me olhava nos olhos preocupada).

_ Foi, mamãe! (Cabisbaixo eu a respondi com medo afirmando).

_ Qual brinquedo caiu lá dentro? Eu lhe dou outro! (Minha mãe falava passando a mão no meu rosto, enquanto uma lágrima escorria dele).

_ Era uma bola! Estávamos brincando aqui fora e a bola caiu no poço, aí Díoman pensou que você o deixaria de castigo por causa disso, mas depois, com a sua permissão, comprarei outra bola para ele! (Bran dizia tão sério, que parecia verdade).

_ É só uma bola, meu amor? Não precisa chorar por causa disso, não irei brigar, devido a um brinquedo! (Ela me dizia tão calmamente, e eu enfiei minha cabeça em seu torço).

_ Quero ir para casa, mamãe! Não quero ficar aqui! (Eu não queria ficar perto de Bran ele mentia e era mal, eu também era mal, eu fiquei chateado por ser mal).

Assim ela me levou para dentro e me deu banho, posteriormente fomos comer, mas eu estava sem fome, na hora de dormir foi pior, eu não conseguia dormir, eu sonhava o tempo todo com o poço e com as almas acorrentadas lá dentro, junto com o homem vermelho.

Haviam se passado três dias e eu tinha constantes pesadelos, e dormia com minha mãe, pois eu estava tendo crises de pânico a noite, e ela cuidava de mim atentamente.

_ O que aconteceu no jardim? Você perdeu uma bola lá mesmo? (Ela me acariciava, enquanto eu a olhava com os olhos fundos e tristes).

Eu afirmei com a cabeça que sim, sentia medo de ser jogado no poço e viver com as almas lá dentro.

_ Você não quer ir ver seu pai na Inglaterra? Está com medo da viagem? (Ela me indagava calmamente).

_ Eu quero ver o papai! (Eu só o via por fotos e conversava com ele por celular).

_ Então por que está triste, Díoman? Não quer me contar o que aconteceu? Você sabe que sou sua amiga! (Assim a mamãe pegou em minha mão atenta).

_ Por que São Patrício me odeia? O que eu fiz com ele? (Eu dizia triste aquilo, gostava tanto de São Patrício e ele me odiava).

_ Quem disse isso? São Patrício ama a todos! (Ela ficou indignada com a minha fala).

_ Mas eu sou amaldiçoado! São Patrício não gosta de pessoas como eu! Eu sou igual o homem vermelho, não quero ser igual ele, mamãe! (Eu a olhei aborrecido, todos diziam isso, por isso iríamos embora para a Inglaterra).

_ Mas Díoman, você não é o homem vermelho, nem amaldiçoado! Você é como Finn McCool, um homem inteligente! (Assim ela me olhava séria e pensativa).

Assim a olhei e fiquei quieto, estava triste de novo, tinha medo do poço e de dormir sozinho, na escola as pessoas se afastavam de mim, quando os seus pais me viam, eu não entendia o motivo daquilo. Eles murmuravam e me olhavam com ódio, eu não conseguia fazer amigos, todos tinham medo de mim, eu queria ver Darci e Liam, ele conversava comigo e brincávamos juntos o tempo todo no orfanato e na escola, depois que a mãe de Darci o adotou, eu quase não via, somente na escola que interagimos, e depois que Katherine me adotou, ela mudava tanto, mais tanto de casa que agora eu não via mais Darci com seus cabelos ruivos fique voavam contra o vento.

Era divertido nadar no rio, e pegar as minhocas para pescar, ou enfiavamos o pé dentro da areia e fingiamos estar imóveis para enganar os peixes e pescá-los, Liam era ótimo fazendo aquilo, Darci era péssimo, ele sempre tremia como a água feia descendo dos pedregulhos, ele não conseguia ficar muito tempo imóvel para apanhar o peixe, ele sempre tremia e espirrava muito depois, assim a tia Aghna descobria que estávamos matando aulas para ir para o rio novamente e podia nós três no quarto das ordens, era tão ruim quando íamos para aquele lugar escuro com bichos peçonhentos lá dentro, e o pior de tudo que nem pescavamos, pois a gente era péssimo em pegar peixes, mas eles passavam pelas nossas pernas e sentíamos cócegas, e quando abaixavamos para apanhá-los, eles nós notavam e fugiam apressadamente nos fazendo cair na água e se molhar todo, acho que isso ajudava a tia Aghna a descobrir que estávamos no rio, pois chegavamos espirrando e ensopado feito a corça quando era época de caça.

_ O jantar está pronto, vem comer! Fiz o seu prato favorito! (Assim Katherine se levantou e a encarando fiquei cabisbaixo pensando nos meus amigos que haviam se afastados).

_ Não estou com fome! Estou cansado! (Eu olhei para o armário e apontei para ela pegar o cobertor para mim, eu não tinha altura para pegar o cobertor, nem com a cadeira eu o alcançava).

_ Eu vou comprar a bola para você amanhã, antes de irmos ver o seu pai, aí você vai escolher a bola que quiser, mas não fique triste, você tem que comer, você está muito magro! (Ela sempre me olhava atenciosa, e olhava meus olhos bem atenta com a tesoura nas mãos, meus cílios estavam embolando de novo).

_ Por que eu sou assim? Isso dói! (Era horrível quando eles embolavam, mamãe sempre tinha que cortá-los para eu não me machucar).

_ Tira os dedinhos para eu cortar! Eles são assim, por que você é assim! (Meus cílios cresciam tanto, eles eram diferentes dos normais, eu tenho tricomegalia, pessoas normais colocam pestanas,as minhas já eram de nascença e não era nada confortável aquilo).

_ Eu estou com sono, posso dormir? (Eu a disse aquilo enquanto ela passava o pentinho neles vendo se já estavam bom).

_ Está cedo para dormir, depois que você comer, você pode ir para cama! Agora Bran e Ahana estão nos esperando para comer e é feio deixar as pessoas esperando! (A minha mãe falava séria comigo).

_ Eu não quero! Não quero comer com eles mamãe! Quero ficar aqui! Não estou com fome! (Eu comecei a chorar de medo novamente).

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