Ashlyn 2

Chegando em casa, por sorte não havia ninguém, então fui diretamente para o banheiro lavar-me. Quando Henry me pegou pelo pescoço e largou, eu acabei caindo e me ralando, aqueles machucados doíam, junto com o resto do meu corpo, mas nada doía mais que meus pensamentos divididos em continuar assim, pois eu sentia que tinha alguém que gosta de mim e me zelava, por isso aquele ciúmes excessivo, ou ele não havia controle de si e me achava sua propriedade, coisa que eu não era e nem queria ser, pois Henry nervoso me assustava e eu ficava muito triste quando ele me tratava feito um brinquedo que quando quebrasse só fazia raiva em quem o tinha tentando consertar.

No quarto, vesti uma calça larga e uma camisa de gola alta, as marcas das suas mãos eram praticamente imperceptíveis para meu pai, mas minha mãe via tudo, então era bom esconder aquilo, sorte que ela aparecia as vezes e quase não me via com os pequenos presentes que Henry me dava, só duas vezes que ela me viu assim e inventei que havia caído com a bicicleta, mesmo ela insistindo em querer saber como fiz a proeza de me machucar com a bicicleta, acho que ela acreditou em minhas mentiras, e o meu olho, eu não conseguia escondê-lo completamente, mas um pouco de pó e jogando os meus cabelos para frente e ficando bem longe das pessoas eu conseguia disfarçar aquilo, por um tempo! Óbvio que eu não gosto de mentir, principalmente para a meus pais, mas tinha certas coisas que eu ainda tinha receio de contá-los, eu não tinha certeza ainda, mas mulheres não me atraíam e isso era mal visto pelas pessoas, eu já era um amaldiçoado, e agora eu não conseguia gostar de meninas, isso era revoltante eu tentei gostar, quando eu estava gostando de Henry tentava o máximo possível não me sentir atraído e ficava andando com algumas garotas para ver se eu gostasse de alguma, mas na verdade passei a me sentir como elas e não como meu pai, isso me frustou, então me afastei um pouco das garotas e tomei distância dos meninos, eu sentia medo de contaminá-los, muitas pessoas diziam que gente que gosta do mesmo gênero tinha a mentalidade fraca, e que isso contagiava a sociedade inteira, eu sentia medo de ser internado feito um louco, e sentia medo se alguém descobrisse aquilo, então eu pedia São Patrício misericórdia, e pedia Deus alguma luz, e acabei entrando em um buraco sem fim, Henry parecia gostar de mim e acabou que um dia enquanto estava na praia queimando na areia, ele me convidou para jogar e no fim da partida escondido entre as pedras tentando achar a bola que havíamos perdido, Henry me roubou um beijo, eu fiquei completamente esquisito e sem graça quando ele fez aquilo, eu senti nojo e felicidade, eu tinha onze anos e ele dizia que eu parecia mais velho e isso o atraía, por isso ele me beijou e disse que gostava de como o olhava, e isso me motivou a querer ficar do seu lado, ele não me fazia eu me sentir sozinho com as aulas e cursos chatos que minha mãe mandava eu fazer, por algum motivo aquilo me deu mais vontade de acabar os cursos para vê-lo e se eu fizesse tudo certo, meus pais não sentiriam ódio de mim ao saber que eu gostava de homens, talvez eles nem sentiriam nojo de mim, diferente de como as pessoas me olhavam na rua quando via Henry eeu juntos na rua discutindo feito um UFC.

Não era uma ideia extremamente boa o que fazia, mas era o que eu conseguia fazer pra disfarçar aquilo, e aproveitando o momento caótico, peguei os brincos de prata com pedra de ônix que havia comprado na joalheria e coloquei na orelha, não queria que meus buracos fechassem, e achava aqueles brincos incríveis, combinavam com os meus anéis, eu não sou de pedir coisas aos meus pais, mas eu estava tão vibrado nesses brincos que acabei os pedindo um trocado completamente sem graça, eu não tinha dinheiro para conseguir uma iguaria daquelas, o dinheiro que me deram era pouco e acabei vendendo um pouco das minhas coisas para completar o que faltava, meus pais me davam tantas coisas supérfles, que eu me sentia um consumista compulsivo.

E me arrumando descontraído, senti uma mão deslizando nas minhas costas, assim me assustei e me virei, era Ashlyn me dando um beijo no rosto, aquela garota era faladeira, mexeriqueira e havia chegado antes do esperado.

_ Díoman! Eu estava com tanta saudades dos seus cabelos ondulados! Será que ainda dá para fazer Maria Chiquinha? Hummm você está cheiroso, eu adoro o seu cheiro! Você é muito calado, eu amo o seu jeito descontraído de me olhar! A tia Kathy disse que você estava com saudades minha, ela falou que iria arrumar um quarto para eu dormir aqui, mas vou pedir ela para dormimos juntos, assim podemos ver séries e ouvir músicas durante à noite e acordar bem cedo para irmos na praia, estou doida para pegar um bronze com você! Nossa como você está gato, sabe que quando eu crescer, vou me casar com um homem lindo feito você! (Ela falava tanto e passava aqueles dedos sujos em meus cabelos).

_ Que legal Ashlyn, mas acho melhor você dormir em outro quarto, você não acha? (Eu sorri para ela, e ela me olhava eufórica).

_ Você é tão gentil, vou falar com a tia Kathy que você é incrível, e está louco para aprontar o quarto para nós dormimos nesta noite fantástica de séries e histórias! Igual aquela vez que fui à Londres fazer compras, e torci meu pé andando pelas ruas, nisso um carro quase me atropelou, eu fiquei tão irritada, pois quase que aquele carro levou minhas compras! O que você faria se estivesse nessa situação? (Ela não parava de falar nem um minuto).

_ Lhe atropelaria e dava ré para ter certeza que você foi atropelada mesmo! (Eu sussurrei aquilo).

_ O que você disse? Ah deixa para lá, você é homem não pensa em compras, só em esporte e caças! Sabe, você continua tão bonito como na última vez que te vi, eu fiquei pensando em você todos os dias, até quando eu tomava chá, eu lembrava de você! Tem uma xícara minha que tem seu nome, toda vez que eu encosto a minha boca nela, penso em você alegremente!, porquê me lembro no dia que você quebrou a xícara cara de porcelana da nossa avó na casa dela, como ela ficou estarrecida com aquele incidente que lhe ocorreu! (Ela dizia sorrindo cinicamente).

_ Se você não tivesse me empurrado, talvez a xícara da nossa avó estaria inteira ainda! (Eu disse sério a ela, enquanto acabava de me arrumar).

_ Ah, não! Você guarda ressentimentos desde dia icônico até hoje? Eu não te pedi desculpas por ter tropeçado em cima de você, aquilo foi um pequeno acidente! Jamais faria algo para lhe prejudicar propositadamente Díoman, eu gosto de você, por que faria uma maldade absurda dessa? (Ela mexia em meus cabelos novamente, enquanto eu colocava meus anéis de ônix).

_ Não sei, não faço a mínima ideia do que passa em sua cabeça para prejudicar alguém! (Eu a respondi sutilmente e acabei de me arrumar e me virei para ela).

_ Ah meu Deus! O que houve com o seu rosto? Está inchado, está horrível! Você tentou colocar pó para cobrí-lo? A tia Kathy sabe que você está assim? Olha como está todo machucado, isso parece que está na carne viva! Você se machucou hoje? O tio Matt se souber quem foi, vai dar uma surra nessa pessoa que te machucaram, não vamos deixar isso passar impune, Díoman! Vou avisar a tia Kathy agora mesmo, vamos pegar esse malfeitor e puní-lo... (Ela dizia enquanto tirava meu cabelo do meu rosto, nisso eu tirei a mão dela do meu cabelo).

_ Ashlyn, por favor, não diga nada a ninguém tá bom? A minha mãe já tem problemas demais, e eu só caí de bicicleta, isso não é nada demais, eu estou bem! (Eu dizia calmamente para ela, desviando meu olhar completamente sem graça).

_ Você caiu de bicicleta e ficou com o olho desse jeito? Isso parece briga de rua, não uma bicicleta, a não ser que ao invés do guidom, ela tenha um punho serrado pronto para atacar! E se eu fosse você, para disfarçar isso, colocaria uma base, ao invés de pó, porquê isso está chamando muito atenção e está piorando a situação, já que você quer escondê-la de seus pais! Onde já se viu meu priminho brigando feito marginal na rua! (Ela dizia aquilo me encarando atenciosa).

_ Eu não sei o que é isso! Só peguei a primeira coisa que vi na frente e, pois no rosto! (Eu a olhei um pouco melancólico).

_ Ah, como você é fofo fazendo um rosto assim! Vou te ajudar a esconder seu olho horrível, garoto rebelde! Em troca quero ver série com você, como fazíamos quando éramos menores, o que você acha? Estou com saudades de te ver fazendo caras e bocas, eu sempre acho graça disso! (Ela me olhava empolgada, eu sabia que as séries dela eram horríveis, mas queria disfarçar aquilo da minha mãe, então eu a encarei sério).

_ Só não coloca séries muito violentas, eu não gosto de ver coisas assim! E nem de hospitais, eu fico enjoado! (Ela gostava de séries bizarras, eu não gostava daquilo).

_ Que bom que você concordou, vou pegar minha maquiagem e trabalhar no seu rosto! Eu sempre quis trabalhar em um salão, quero criar minha própria empresa de cosméticos e ajudar mulheres dessarumadas a ficarem bonitas novamente! Isso aqui é a base, Díoman! Vou tentar misturar essas duas para ficar com o tom de pele parecido com o seu, já que sou mais branca que você! Mas não precisa ficar me olhando assustado, eu sei o que eu faço! (Ela misturava as bases e passava no meu braço, até encontrar um tom parecido com o meu).

Depois ela mexeu em meus cabelos, e os colocou para trás e começou a base delicadamente, eu sabia que o meu olho estava um pouco inchado, mas com a base dava para disfarçar um pouco aquilo, então fiquei aliviado, até a Ashlyn passar a mão na minha orelha e segurá-la curiosamente.

_ O tio Matt, sabe que você usa brincos? Ou melhor a tia Kathy, sabe que você furou as orelhas? Por que ela não gosta muito de coisas assim em homens não! Outro dia eu vi ela passando na rua encarando feiamente um cara por está usando um brinco de pedra, imagina ela saber que você furou a orelha! Ela vai ficar louca! (Ela dizia tão séria, que fiquei a ouvindo em silêncio).

_ Eu vou contar para minha mãe, quando tiver na hora certa, ela não precisa saber disso agora! (Eu falei um pouco receoso).

_ Sinceramente, se eu fosse você, tiraria isso de uma vez e torcia para que as suas orelhas fechassem, antes dela perceber o furo nelas! E torcia mais ainda, para que o buraco não inflamar, porquê se inflamar, você será um belezinha morto, pois dói horrores e às vezes da bolhas horríveis, que parecem que vão estourar, é uma coisa horrorosa! (Ela me encarava séria).

Eu a encarei em silêncio, não iria tirar meus brincos para nada, eles eram meus, e eu gostava deles daquele jeito, nas minhas orelhas, e se desse bolhas eu daria um jeito de mantê-los em mim).

_ Eu gostaria de me casar com você, mas você é tão teimoso e dificulta as coisas! Eu ficarei triste em saber que o meu gringo imigrante, vai ficar paraplégico, então gostaria que você fizesse algo por mim! Será divertido quando você não conseguir mais correr, vou poder te caçar e te ter no horário que eu quiser, e vamos ficar juntos para sempre vendo séries e fazendo modas, será muito divertido! (Ela me olhou e sorriu sinistramente).

_ Para com isso Ashlyn! Você sabe muito bem que isso nunca vai acontecer, e eu não gosto que você fale assim! (Eu a repugnei).

_ Estou brincando com você Díoman, eu não quero ter um romance com um imigrante que é da minha família! Muito menos te arrastar para uma área que você não gosta, se é que me entende! E você é como um irmãozinho fofo e bobo para mim, somos amigos confidentes! Eu te conheço e você me conhece! (Ela fez um gesto obsceno e eu sorri para ela).

_ Obrigado por me entender! Mas não conta nada para minha mãe, ela é complexa em conversar certos assuntos! (Eu a olhei sorrindo e fiquei pensativo).

_ Você ainda não contou para ela que gosta de homens? Eu penso até que você tem alguém, pois está se arrumando mais do que antes, e sinceramente, o seu look está impecável! (Ashlyn, já tinha me visto beijando um homem, mas ela guardava segredo e isso nos conectava).

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