O poço 1

_ Por que não quer comer de novo? Você nem fica em pé mais, só fica cansado e deitado na cama! Desde jeito vou ter que lhe levar ao médico! (Minha mãe enxugava as minhas lágrimas novamente levantando o meu rosto).

_ Mamãe, não desce, fica comigo aqui! Eu estou com medo do poço! (Eu dizia a abraçando novamente).

_ O poço de novo, meu filho! O que tem o poço? Iremos comprar a bola amanhã com Bran e... (Nessa hora eu a apertei desesperado, não queria ficar perto de Bran).

_ Não quero mamãe, eu não gosto de bola! Não quero sair, quero ficar aqui! Quero ver o papai aqui, não quero sair nunca mais! Tenho medo de ir lá fora! (Eu me encolhi nela novamente).

_ Mas você gosta tanto de brincar lá fora com seus amigos e com o Bran, vocês não brincam de bola, você gosta tanto de bola! Por que não quer brincar mais? O que está acontecendo? (Ela tentava me ver, mas eu me escondia nela desesperado).

_ Não posso contar, mamãe! (Eu dizia confuso envolvido em seus braços).

_ O que você não pode contar? Eu sou a sua mãe, sabe que eu sempre vou estar aqui para lhe ajudar! Não precisa sentir medo! (Ela me dizia docemente, mexendo em meus cabelos).

_ Ele disse que se eu contasse iria me jogar no poço junto com o homem vermelho e os ratos, para eu ser levado junto as almas acorrentadas para o cara lá de baixo! Eu não gosto de ir lá fora, eu tenho medo deles, tenho medo do homem vermelho, do rato e do poço! (Eu me escondia com medo).

_ Quem disse uma coisa horrível dessas? Não há nada lá fora, meu amor! Isso são contos horríveis que pessoas ignorantes inventam para assustar os outros! Tudo isso é mentira, e mesmo se fosse verdade, jamais deixaria alguém pegar-lhe! (Mamãe me olhava preocupada e séria).

_ Eu tenho medo! Não gosto do poço, ele é muito escuro e fundo! Eu quase caí lá dentro, eu morri de medo de cair lá! (Eu passava a mão na cabeça de desespero só de lembrar que quase foi jogado lá dentro pelo Bran, e não era a primeira vez que ele fazia aquilo, ele sempre fazia aquilo e dizia para eu não contar nada, eu havia prometido não contar nada, mas eu não gosto de mentir para a mamãe).

_ Mais o poço é alto, como que você quase caiu lá dentro? (Katherine falava tão gentilmente comigo, pegando o cobertor, que eu me sentia seguro novamente).

_ Bran me puxou pelo braço e depois me pegou e disse que ia me jogar lá dentro, como os outros amaldiçoados que estavam acorrentados lá, junto do homem vermelho! Aí ele ficou cantando aquela música de novo dos amaldiçoados, me balançando para cima e para baixo de ponta cabeça no poço, eu fiquei com muito medo de cair, então eu o agarrei muito firme! Mas fiquei muito triste porquê ele fez aquilo, eu gosto do Bran, mas ele foi mal e ele parecia o homem vermelho, mesmo ele dizendo que eu quem sou mal! (Eu ajudava a minha mãe a arrumar minha cama, enquanto falava calmamente com ela).

_ Bran fez isso com você? Ele lhe ameaçou e lhe humilhou? (Mamãe olhava tão revoltada).

_ Ele disse que era um segredo nosso! Não conta para ele que eu disse isso, se não Bran vai ficar bravo comigo, já que ele falou que isso era uma brincadeira, mas eu não gostei de brincar assim! (Eu fiquei aliviado ao falar aquilo, ao mesmo tempo chateado por ter quebrado a promessa).

_ Não se preocupe com isso, agora vamos comer para ficar forte e esperar o seu pai chegar para lhe ver! (Assim mamãe pegou a minha mão e descemos as escadas e fomos até a cozinha).

Ahana estava arrumando algumas coisas na copa quando chegamos, então ela começou ir buscar o jantar, enquanto minha mãe olhava pela janela o quintal, quando Ahana voltou, minha mãe cochichou algo no ouvido dela e ela saiu séria.

Nisso minha mãe sentou do meu lado, e ficou quieta me olhando comer, ela parecia aliviada ao me ver fazendo aquilo, então sorri para ela e mostrei que eu estava bem, fazendo um gesto de músculo e ela sorriu para mim, me mandando comer.

_ Katy, ele está vindo! (Assim Ahana havia voltado e falou séria com minha mãe).

_ Tome conta de Díoman para mim, quero que o alimente e o coloque para fazer as aulas de inglês! Ele está atrasado em sua aprendizagem, não quero que quando Matthew venha nos buscar, Díoman não saiba pronunciar e compreender nenhuma frase inglesa perfeitamente! (Katherine falando com os empregados, tinha uma entonação gentil e ao mesmo tempo superior).

_ Mais alguma coisa, Katy? (Ahana a perguntou séria também).

_ Não quero que ninguém me incomode em minha reunião, e nem depois, pois terei uma conversa séria que não deverá ser interrompida por motivo algum! Caso dê 21:00 horas e eu não tenha acabado meus afazeres, coloque Díoman para repousar e quero que você faça o mesmo quando ele dormir! (Mamãe era séria com todos, até comigo).

_ Sim, senhora! (Assim Ahana a respondeu).

_ Díoman, obedeça a Ahana, e faça seu curso e a lição de casa, depois que terminar seus afazeres, quero que se apronte para dormir! (Assim Katherine se aproximou de mim e falou séria aquilo).

_ Tá bom! (Falei meio triste, ela não ia me dar boa noite de novo).

Depois que comi, subi as escadas com Ahana e ficamos estudando inglês novamente, só que ao invés de somente ler, falavamos também, Ahana sempre conversava comigo em inglês e a maioria das vezes eu não entendia e ela me encarava séria e me mandava repetir novamente, só que correto, aquilo era um perfeito tédio!

Quando aquelas aulas de várias horas passavam, eu era liberado para fazer outras coisas, ou seja, dormir! Odiava as aulas extensivas com Ahana, ela cuidava de mim, mas servia mais como professora, e Bran que ficava comigo o tempo todo me ajudando nas coisas, ele era meu cuidador oficial.

Ahana tinha por volta de 28 anos, seus cabelos eram curtos e loiros, seus olhos castanhos escuros, sua pele pálida a deixava mais séria, principalmente quando se irritava e ficava vermelha feito pimenta, deixando sua veia da testa visível. Já Bran era pardo, com cabelos castanhos claros e olhos castanhos escuros, sua estatura era mediana, quase do tamanho de Ahana que era um pouco mais baixa que ele.

Mamãe Katherine, tinha cabelos pretos e compridos, seu olhar era sempre gentil e sutilmente sério, ela era baixa, mas impunha muito respeito na casa, mesmo sendo jovem. Já o papai Matthew, era alto nas fotos, seus cabelos eram feitos de soldados, ele era tão loiro que até seus cílios chegavam a ser brancos, eu ainda não o conhecia pessoalmente, só por fotos, e ele me conhecia por fotos também, a sua voz era tão adorávelmente doce, mesmo sendo rouca, eu gostava de Matt, mesmo sem ter vê-lo ainda, pois ele ia nos buscar para morar com ele na Inglaterra.

_ If you daydream, you'll never be able to understand Matthew when he talks to you, Díoman! Se você continuar sonhando acordado, nunca conseguirá entender Matthew, quando ele falar com você, Díoman! (Ahana conversava comigo e eu a olhava desesperado).

_ Sorry, I didn't understand what you said, Ahana! _ Desculpe, não entendi o que você disse, Ahana! (Eu falava dizia ela bem sério).

_ I know it's very new, but you have to pay attention in class! How will you be able to communicate with your father, this way? _Eu sei que é muito novo, mas tem que prestar atenção na aula! Como você conseguirá se comunicar com seu pai dessa maneira? (Ela falava calmamente comigo e eu a encarei sério).

_ Eu sei que ele vai ficar triste, se eu não entendê-lo, mas eu estou cansado, Ahana! Já tinha pedido a mamãe, mas ela me não me deixou dormir! Me desculpa por estar sonolento! (Eu falei com ela, estava com sono, mas ela era igual mamãe, bem exigente).

_ Díoman! What kind of language is this? I don't understand it! _ Díoman! Que tipo de lingua é essa? Eu não entendo isso! (Ela falou brava comigo).

_ Sorry, Ahana! I'm sleepy, can I sleep, please? Desculpe, Ahana! Estou com sono, posso dormir, por favor? (Essa frase eu já tinha decorado).

Aí ela olhou para o relógio bem séria, ainda eram 20h45m, então Ahana encarou-me novamente e pegou a agenda e as minhas apostilas.

_ Está muito cedo para dormir! Vamos fazer as atividades da apostila, quando você finalizar te deixarei dormir! (Assim ela me entregou o lápis e a borracha).

Posteriormente Ahana pegou as apostilas e me indicava as páginas que eu deveria estudar, eu lia aquilo e bocejava, as letras brincavam em minha frente e eu pestanejava as vezes. As horas não passavam e eu acabei dormindo em cima das apostila.

Eu sonhava com poço novamente, eu caía lá dentro e as pessoas me arrastavam até o homem vermelho, e desesperado eu gritava minha mãe assustado, e sentia que estava sendo sacudido novamente e a ouvia bem distante de mim, aí acordei assustado novamente com minha mãe do meu lado.

_ Eu fiquei com medo, mamãe! Eu tenho medo do poço! (Eu acordei assustado, acho que eu ainda sonhava quando a olhei confuso).

_ Díoman, não durma nas aulas! Deixe-me ver as suas atividades! (Era Ahana, e suas apostilas de novo, eu havia pescado).

_ Ahana, por favor me desculpa, mas eu adormeci... (Ahana quando franzida o seu rosto e aquela veia aparecia me preocupava, mas realmente eu não estava conseguindo me concentrar direito, e eu não conseguia dormir sem ter pesadelos e me sentia mal também, acho que São Patrício não gostava de meninos que não obedeciam os mais velhos).

_ Você só fez algumas, Díoman! Como a sua mãe vai se orgulhar desse baixo desempenho? Amanhã vamos estudar o dia todo para compensar essas atividades mal feitas! Agora se troque e vá para a cama, que já deu o seu horário de descansar! (Eu havia dado o meu melhor e mesmo assim ela achava que estava ruim, eu fiquei cabisbaixo pensando porque eu estava indo tão mal, papai iria ficar triste em saber que eu era burro).

Eu abri o guarda roupa e peguei o pijama de ceda que minha mãe havia separado para eu usar, ele era quente e macio, era completamente diferente dos que tinha no orfanato, para ser sincero não tinha nenhuma roupa com aquela textura no orfanato. Enquanto me vestia, Ahana fazia a cama, depois ela verificou se a roupa estava correta e me mandou dormir. Como de costume eu agradeci a Deus pela minha vida e família, pedi perdão por ser amaldiçoado e pedi a ele que eu fosse normal, se ele quisesse. Depois deitei e Ahana apagou a luz, eu acabei adormecendo bem rápido e senti que algo bom iria acontecer.

Pela manhã não vi Bran em lugar algum, mamãe disse que ele precisou arrumar algumas coisas com a sua família e por isso ele foi embora, mas ela iria arrumar outra pessoa para me fazer companhia e eu não ficaria só enquanto ela trabalhava.

Depois de alguns dias estudando muito, indo à escola, sendo excluído das atividades por eu ser amaldiçoado, eu cheguei em casa com Dylan e vi um homem bem grande na sala, eu fiquei muito acanhado quando o vi pela primeira vez e ele me viu também.

_ Is this my little, Díoman? How big you are! Do you know who I am? _Esse que é o meu pequeno Díoman? Como você é grandão! Sabe quem sou eu? (Eu sorri muito animado e fui até ele cuidadosamente até ele me pegar nos braços e me por no seu colo com um riso enorme no rosto).

_ Daddy!? Mommy, daddy is here to see me! Daddy, you really exist, it's not just a photo! Papai?! Mamãe, o papai chegou para me ver! Papai você existe mesmo, não é só uma foto! (Eu dizia confuso, animado, inverossímil, eu estava eufórico e perdido, eu o abracei forte, sua voz era um pouco diferente da do celular, eu o cheirei e o encostei várias vezes para saber se aquilo era verdade, quando mamãe chegou e me viu em seus braços agarrado feito um macaquinho nele, ela sorriu muito feliz, finalmente minha família estava completa e eu tinha certeza que agora São Patrício havia me escutado e me transformado em uma pessoa normal).

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