Brasil? Que diabos de lugar era esse? Meus pais iriam mudar de novo, para um lugar longe de Brighton, ou Coleraine. Eu não iria ir, eu tinha medo do desconhecido. Na Inglaterra eu custei ter coragem de sair de casa e me sentir acolhido, eu tinha medo do que as pessoas diriam de mim, e como eles reagiriam ao saber que não sou nativo, alguns ingleses odeiam imigrantes, mas por sorte todos me acolheram bem, não me chamava de amaldiçoado ou me ameaçavam a jogar no mar, nem me tratavam feito um servo, eu era tratado feito gente e não um bicho, isso me deixou confortável, apesar de que ainda me sentia sozinho quando meus pais não estavam, eu me sentia muito acolhido pelos meus amigos da vizinhança, pelos meus tios de Liverpool e eu amava a praia, era tão gostosa a água no verão, parecia uma banheira gigante de água morna à noite, era uma delícia sem igual.
_ Por que temos que ir para lá? Aqui é tão legal, as coisas, os mercados! Lá não é legal, é feio, estranho, o que vamos fazer lá? (Eu olhava para meus pais, cabisbaixo, eu nem sabia onde é e como era isso, e não queria ir para lá).
_ Lá é maravilhoso, é onde que seu pai e eu viajamos! Tudo é ótimo, as pessoas são receptivos! (Minha mãe falava comigo empolgada).
_ Pena que te ensinamos o idioma errado, no Brasil não se fala espanhol, mas você irá se adaptar rapidamente! Você é inteligente, Dío! (Meu pai passava a mão na minha cabeça alegre)
_ Mas por que temos que ir? Vocês já viram lá, isso já não está bom? (Eu comecei a me desesperar, como eu ia ver Henry a distância?).
_ Lá é um ótimo lugar para turismo, iremos fazer um ótimo negócio morando lá! Não é isso que você quer? Que sejamos felizes e prósperos? (Minha mãe dizia a mim, mostrando as minhas juras de natal).
_ E-eu quero, mas não quero ir embora! Não vou ver mais os meus amigos! (Eu fiquei triste, eu já havia perdido Liam e Darci, agora iria perder Henry).
_ Quando virmos visitar os seus tios aqui em Liverpool, podemos visitar os seus amigos! (Meu pai conversava comigo calmamente).
_ Mas eu gosto tanto de Henry, não quero ir embora! Eu gostava de Darci e Liam, vocês prometeram me levar para os vê-los e nunca fomos os ver, eu sinto falta deles ainda! Por que vocês fazem isso? Por que não me falam nada e nem perguntam o que eu sinto? Sempre me fazem perder meus amigos e sempre nos mudamos! Eu estou sem fome! (Eu fiquei triste e saí da mesa, depois fui pro meu quarto desconsolado de novo, iríamos jantar em família, mas eu perdi o apetite de novo).
Fiquei mal na cama, olhando o tempo passar, e vendo minhas fotos com Henry e das nossas viagens escolares. Só saíamos nas excursões escolares, não ficávamos em público, e nem nossos pais sabiam da nossa relação.
Eu gostava dele, e pensava que nunca mais iria achar alguém feito ele de novo, igual quando perdi Darci. Por isso eu deveria fazer algo, então desci as escadas correndo e passei pelos meus pais na sala que me encaram assustados enquanto falavam alguma coisa e fui até a garagem.
_ Onde está indo a esta hora, Díoman? Está tarde, volte para dentro, é perigoso sair nesta hora! (Minha mãe me olhava eu pegar a bicicleta e enchendo os seus pneus).
_ Vou no Henry, temos que arranjar um jeito para continuarmos conversando! (Eu dizia isso, mas na minha cabeça eu iria morar com ele).
_ Faça isso amanhã, temos mais uma semana aqui! Nossa casa ainda está sendo regularizada no Brasil! E provavelmente, a dona Abigail deve está se preparando para dormir! (Minha mãe dizia próximo à mim).
_ Mas mãe, são 19h30m ainda! Henry dormi tarde, eu não vou demorar! Eu juro! (Eu a encarei tão melancólico).
_ Vá, mas quero o senhor aqui antes das 21h! Não quero que você atrapalhe a Abigail a dormir, ela já está de idade! E se você demorar, o seu pai vai te buscar! (Então eu sorri para ela animado e subi na bicicleta).
Eu iria fazer uma surpresa a Henry, eu não havia o avisado que iria lá, eu estava indo de última hora, então fui o mais depressa possível, queria aproveitar todo o tempo com ele.
Quando cheguei na casa da dona Abigail eu bati à porta, e como sempre ela me atendeu, e eu lhe dei um beijo no rosto. Dona Abigail gostava de mim, ela era muito simpática.
_ Eu gosto tanto quando você vem aqui, Díoman, você deixa a casa alegre! Fiz chá, você quer? (Ela me olhava sorrindo).
_ Não, obrigado! Eu não quero incomodar! (Eu a olhei a vendo andar lentamente até a sua poltrona).
_ Como está Katherine e Matthew? Lembro dos dois, na época em que eram pequenos e corriam na rua, loucos para verem a praia e cortavam caminho aqui! Eu sabia que eles eram feitos um para outro, viviam juntos brincando e fazendo bagunça! (Dona Abigail era uma velhinha muito legal).
_ Deve ter sido uma época esquisita, vê-los fazendo bagunça! Eles são tão formais, com as regras da casa! Brigam comigo quando faço algo errado! (Eu dizia sorrindo, meus pais eram legais também, mas às vezes irritantes).
_ Os seus avós também brigavam com eles! Toda criança é assim, isso é bom, traz alegria! Você é alegria para todos! Aqueceu os nossos corações depois da morte de Bernard! (Ela falava calmamente me olhando).
_ Bernard era mais novo ou mais velho que eu, dona Abigail? (Eu a perguntei curioso).
_ Ah, tem tanto tempo que ele morreu! Ele tinha três anos, eu me lembro dele! Era um garoto lindo, mas Deus o quis em seus braços! Vocês iriam se dar tão bem juntos! Você têm quantos anos, quinze?Penso que ele faria quinze ou dezesseis anos hoje, se estivesse entre nós! (Ela dizia distante aquilo).
_ Eu tenho treze anos, ele é mais velho que eu! Do que ele morreu? (Mamãe não gostava de falar do meu irmão, eu sentia receio de perguntar-lhe o que havia acontecido).
_ Aquela doença que atrofia os ossos, muitas crianças morreram daquela maldita doença! Sua mãe ficou devastada vendo Bernard adoecer, mas não sabíamos o que era! Quando descobriu ele estava tão magrinho, e frágil! Ficamos devastado com aquilo! Era polielite, polielise... não lembro o nome, mas é perigoso pegar! (Ela ficava tão concentrada dizendo aquilo).
_ Você acha que a mamãe só me adotou para substituir o Bernad, dona Abigail? Às vezes ela me trata tão estranho, parece que sou uma criança despreparada para o mundo! Eu sinto que sou um substituto do filho dela! (Eu me sentia assim, quando ela me super protegia, e me obrigava a estudar muito do seu lado, ela não gostava que eu saía de casa sem me comunicar).
_ Oh! Díoman, não fale assim! Sua mãe te ama do seu jeitinho, ela nunca iria substituir Bernard e jamais substituiria você! Ela só faz isso, por medo de te perder também! Ela nunca faz nada que te prejudique, sua mãe só é precavida e receosa, eu também seria assim se fosse ela! Você é muito precioso e seu irmão também era, ela está certa em te proteger, hoje em dia as coisas andam tão esquisitas e devastadoras, muitas coisas ruins andam acontecendo com as crianças e adolescentes, e é bom que tem pais que se preocupem com seus filhos, Katherine é uma ótima mãe! (Dona Abigail tinha um jeito de falar que me contagiava, e eu a olhei atencioso).
_ Eu gosto da senhora, dona Abigail! Você é a minha avó favorita! (Aí eu abracei ela, amava aquela velhinha, mesmo ela não sendo nada dos meus pais, ela me tratava tão bem e eu fazia o mesmo, eu sentia ternura por ela, gostava de ouví-la, e às vezes me sentia dentro de suas histórias antigas).
_ Você também é meu neto querido! (Aí ela me olhou sorrindo com o seu chá na mão).
_ Henry está? Preciso falar uma coisa com ele! (Dizendo aquilo apressado, fiquei confuso em relação aos meus pais).
_ Veio ver o meu neto? Ele disse que ia ver um amigo no galpão, se ele não estiver lá, deve estar no quarto dele! É tão bom saber que Henry faz amizades com pessoas boas feito você, eu tenho medo de algumas amizades dele, são jovens esquisitos que meu neto traz aqui, talvez você o convença de não os trazê-los mais! Sinto que Henry se transforma quando fica perto de pessoas que não traz paz nesta casa! (O quarto dele era como se fosse uma kit net grudada na casa da dona Abigail, e ela dizia tão apreensiva e preocupada, mas infelizmente eu não podia fazer muita coisa, Henry não era alguém fácil de conversar, ele era amável quando queria e arisco quando lhe desse vontade).
_ Obrigado! (Assim saí de lá e fui até o galpão, mas lá não tinha ninguém, então fui até o quarto de Henry e ouvi vozes, com certeza ele estava com seus amigos, mesmo assim eu tinha que conversar com ele e dizer que eu estava querendo ficar com ele na Inglaterra. Então bati na porta suavemente, mas não tive resposta, no entanto eu conseguia o ouvir.
E com pressa abri a porta, e aí eu o vi com um dos seus amigos praticamente sem roupas se beijando, estavam tão concentrados naquilo, que só depois de alguns segundos me viram na porta e se assustaram.
Henry estava beijando outro e provavelmente iriam fazer uma orgia, se eu não tivesse chegado naquele instante. Eu amava tanto Henry, iria fugir com ele, mas Henry me traía com outros, e ele me enganou de uma forma fria, me senti na Irlanda no momento que o vi beijando aquele cara que estava em cima dele. Senti um amaldiçoado, rejeitado, um idiota carente, eu era um objeto de fetiche e nada mais que isso, eu o olhei engolindo a seco, talvez as minhas angústias e revoltas foram engolidas junto das minhas lágrimas que eu segurava de forma rígida em meu rosto.
_ D-Díoman, não é nada disso que você está pensando! (Quando ele disse aquilo eu bati a porta e saí andando cabisbaixo).
Eu sentia tanta coisa naquele momento, senti que fui enganado, usado, e só servia de brinde para Henry, minha alma foi mutilada, mas eu não chorei, sentia raiva, mas não chorei, e com aquela frustração segui meu rumo procurando a minha bicicleta e dando adeus dona Abigail, ela não tinha culpa que seu neto era um palhaço idêntico ao maldito homem vermelho, um desgraçado feito a Cait, que arruinava a minha vida todos os dias naquele orfanato, onde eu era jogado naquela sala imunda cheia de ratos e tinha um cheiro horrível de urina, parecia que os demonios dormiam lá dentro para atormentar as crianças, mesmo quando as freiras iam nos dar suas bençãos, eu sentia aquele lugar cheio de demônios nos vigiando, os duendes jamais fariam gracejos naquele lugar que deveria ser de vida, mas parecia fúnebre, nem tia Sile se salvava naquela imundice irlandesa, eles me odiavam e aos poucos fui perdendo a graça de suas superstições, perdi a confiança das bençãos das freiras, e sentia um leve ódio de São Patrício ao ver Henry seminu com aquele rapaz, Sai Patrício não tinha misericórdia de mim, por mais que eu tentasse, São Patrício me desprezava, e eu comecei a sentir um pouco de falta de esperança dele ou estava perdendo a minha fé sobre sua coragem e milagre, Henry me dava os nervos, eu iria esquecê-lo, eu estava possesso até sentir um puxão do meu braço.
_ Não é nada do que você está pensando! Foi um erro, eu não sei o que deu em mim em fazer isso! Fiquei com tanta saudades sua que fiquei com qualquer um da rua! Eu te amo! (Ele tentou me beijar e eu o rejeitei e continuei andando sem dizer nada).
_ Não me ignore! Você não falou nada que iria me ver, eu não te esperava chegar daquele jeito! (Ele insistia em falar comigo e colocou as mãos em mim novamente).
_ Quanto tempo? (Eu o perguntei arrancando suas mãos de mim).
_ Como assim? (Ele me olhava como um idiota).
_ Quanto tempo você está mentindo para mim? Quanto tempo fica com ele? Se é eu que não sou eu o amante! (Eu fiquei furioso).
_ Eu já tinha dito que estava louco por você e não estava aguentando mais! Agora você se faz de vítima! Nunca te traí, presta atenção no que você está falando, o errado daqui é você, por me fazer esperar tanto, não sou de ferro Díoman , tenho desejos como qualquer um, e você é um saco cheio de luxúrias, me provoca e vai embora, feito uma putinha de esquina... (Quando ele disse aquilo algo subiu na minha cabeça e eu dei um soco em sua boca, ele sangrou, eu nunca havia batido em alguém e aquilo me fez me sentir perdido, eu havia me perdido dentro de mim).
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Atualizado até capítulo 71
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