A comida comprada por Cristina serviu tanto o almoço quanto o jantar da casa de Álvaro, que não precisou se preocupar durante à tarde com o que comeriam à noite.
Após colocar a filha para dormir no horário de sempre: às oito da noite, já que, mesmo que pudesse ficar acordada até mais tarde, não havia muito a se fazer, não tinham tevê, tampouco um computador ou um dispositivo móvel, mas, sim, ela tinha de acordar cedo para ir à escola, e após verificar que a sonolência do idoso pai havia o conduzido novamente ao sono, Álvaro foi à casa de Rosemarie.
Poucos passos eram necessários para se chegar ao outro lado, isto é, à casa de Rose, como a chamava desde o dia que ela mesma falou:
— Pode me chamar assim também, okay?
Após ouvir batidas na porta e a voz de quem aguardava ansiosamente, Rosemarie abriu a porta e, trajando um vestido fino e leve, já aparentava pronta para ter uma boa noite de sono.
— Boa noite!
— Boa noite!
— Desculpe incomodá-la a esta hora...
— Imagina... No que posso ajudá-lo?
— Gostaria de algumas aulas particulares. Ouvi dizer que a senhora é uma ótima professora.
— Ouviu é? — sorriu e lançou-lhe um olhar de provocação.
Rosemarie deu uma vagarosa voltinha em torno de si mesma diante de Álvaro à porta, sentindo o clima esquentando para o que, de início, era apenas uma brincadeira.
— E então, continuo sendo ótimo para o senhor?
— É perfeita, digo, perfeita para me ensinar a ler e escrever.
— Entendo... Por que não entra? Ficar fora de casa a esta hora é imprudência.
— Sabe? Eu não queria lhe incomodar, então acho melhor eu ir embora...
— Deixa disso, Álvaro! — Ela o puxou pela gola da camisa e, após ele entrar, fechou a porta.
De costas, questionou-a: — É assim que uma professora trata os seus alunos?
Ao virar o corpo, a resposta foi a súbita aproximação dela, envolvendo os braços no pescoço dele e sussurrando ao seu ouvido: — Meus alunos não, mas o meu aluno sim.
Álvaro ficou surpreso com o quanto de fogo havia naquela mulher de corpo delineado. Ao tocar na cintura dela, sentiu que as mãos podiam deslizar livremente, pois haviam ganho a liberdade de amaciá-la.
Com a delicadeza com a qual se acaricia uma rosa, ele a tocou.
Terno eram os seus movimentos com as mãos a percorrer as áreas há tempo tocadas por um homem: da cintura para as coxas.
Ela ergueu a perna enquanto o beijava, roçando coxa contra coxa. A dele, porém, estava presa ao interior das calças.
Da coxa dela, ele levou as mãos aos seios sob o fino vestido e sem sutiã e ousou-se apalpá-los de todas as formas que sentia conhecer, pois, apertava, massageava, excitava o mamilo com leves e delongados puxos entre o dedo indicador e o médio, fazendo-a gemer de prazer, que, no entanto, ainda era pouco para saciá-la da fome carnal.
— Vamos ao meu quarto.
Indo à frente, ela o puxava com certa pressa adolecentica. Ele, porém, a freou, justificando a necessidade de antes desligar as lâmpadas dos cômodos por onde passavam, pois, demasiado era o valor da energia elétrica, principalmente naquela região, onde cobravam até pela iluminação pública quando só havia um ou outro poste elétrico funcionando.
— Preciso usar o banheiro primeiro — disse ele.
— Precisa mesmo?
A expressão dele não deixava dúvida alguma.
— Seja rápido então — ressaltou, inquieta, roçando um pé no outro. — Vou estar te esperando ali, no meu quarto — apontou a porta entreaberta do cômodo.
Álvaro foi ao banheiro, desaguou na privada a urina embranquecida, deu descarga e, ao lavar as mãos na pequena pia, teve a impressão de ver mais que o próprio reflexo no pequeno espelho diante dos olhos.
Por isso, ficou a observar a própria imagem, sentindo a sensação de sempre, a de não conseguir se lembrar bem de um traço próprio da infância e da adolescência.
Era, pois, como se já tivesse nascido adulto, se não fosse o álbum de fotografias da família, estaria até então acreditando até certo ponto nesse pensamento. Se há algo que um espelho não pode apresentar a nós é o futuro e o passado, este lembramos, e aquele projetamos, mas, quanto a lembrar memórias antigas, Álvaro não era capaz. Os danos do trágico acidente eram permanentes.
Do pai, ele recebeu as informações que não lhe havia mais na cabeça, porém, sentia um vazio nisso, pois ouvir a história não é o mesmo que vivê-la.
Para apaziguar os pensamentos e aliviar o peito acelerado, já que tantos sentimentos estavam a se misturar, ora parecia estar naquele banheiro e ora em lugares diferentes, murmurou consigo mesmo:
— Já demorei o suficiente aqui.
Foi então que lhe veio um pensamento relembrando o compromisso ao amanhecer, mas disso não se esquecera, talvez nem se quisesse não iria conseguir, pois, como poderia esquecer aquele rosto sério que se fez sorrir diante de si, apesar de ter sido inesperado e estranho, havia algo naqueles lábios finos, algo misterioso que Álvaro ainda tentava decifrar, na própria mente.
— Estar lá às sete horas.
Ignorando esse último pensamento, saiu do banheiro, dirigindo-se ao quarto...
"Vazio?"
Não a viu e, surpreendido, assustou-se quando Rosemarie saiu de trás da porta, dando-lhe um baita susto seguido de uma bronca, como fazem as professoras ao aluno que não cumpre a ordem.
— Por ser desobediente, terei de lhe aplicar uma advertência.
Rosemarie estava tão empolgada com a fantasia, que iniciou de nada menos do que de uma brincadeira boba. Mas ignorando isso, ela o empurrou sobre a cama. Álvaro sentou-se no aconchegante e largo leito de onde a viu curvar-se diante do guarda-roupa para pegar um pequeno chicote. Ui!
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 31
Comments