Após algumas horas de voo, já é de madrugada quando chegamos no Brasil. Durante as horas que ficamos no avião, conversei com o Gustavo, o porquê do meu medo.
Quando descobri a traição do Renan, fiquei tão decepcionada que não contei o real motivo do rompimento do noivado. Meus pais foram contra e eu, para evitar estresses, disse que não estava preparada para casar e logo depois fui pra Paris.
Agora que sei que o principal motivo do Renan querer casar comigo era somente pelos negócios, não sei o que ele foi capaz de dizer pra se justificar.
Assim que desembarcamos, o Sr. Ulisses, motorista da família do Gustavo, já está nos esperando. Gustavo me pede para dormir no apartamento dele, e eu não me oponho por não querer aguentar os sermões dos meus pais agora.
Chegamos no apartamento, largamos nossas bagagens e vamos tomar banho juntos. Ele entra primeiro no box e eu vou buscar uma roupa na mala. Volto pro banheiro, tiro minha roupa e antes de entrar fico admirando aquele lindo corpo molhado, ele sorri ao me ver.
— Vai permanecer aí, ou prefere entrar para compartilhar o banho comigo?
— Ambas as opções têm seu charme.
— Então eu prefiro que você se junte a mim. - Ele sugere, me lançando um sorriso antes de me molhar.
— Bem, acho que você venceu, amor.
Entro no box e auxilio Gustavo durante o banho, e ele faz o mesmo por mim. No entanto, com seu jeito provocativo, nosso banho termina deixando meu corpo relaxado e as pernas um tanto instáveis.
O cansaço é tamanho que quase adormecemos assim que nos deitamos. Ao despertar, noto a ausência de Gustavo ao meu lado, o que me leva a acreditar que ele tenha ido para o hospital. Ao ver o celular, me surpreendo ao constatar que já são quase 10h.
Realizo minha rotina de higiene e me encaminho até a cozinha. Conforme alertado por Gustavo, não me surpreendo ao encontrar Kátia.
Ela é encarregada de manter o apartamento sempre organizado e impecável, garantindo que tudo esteja em ordem para qualquer eventualidade com Gustavo. Durante o tempo em que ele fica em Paris, ela costuma vir uma vez por semana. Mas devido à incerteza do retorno, Gustavo acertou para que ela viesse todos os dias.
— Bom dia. — Ela me cumprimenta com um sorriso amigável. — Srta. Fernandes, correto?
— Bom dia. — Retribuo o sorriso. — Sim, mas pode me chamar de Alice, por favor.
— Alice, apenas Katia, por gentileza. Gostaria de tomar café? Acabo de voltar do mercado.
— Combinado. Gostaria sim, estou faminta. — respondo ao me sentar à mesa. — O Gustavo já foi para o hospital?
— Sim, ele saiu um pouco depois da minha chegada. Me pediu para ir ao mercado comprar algumas coisas que vocês gostam e logo partiu.
Sorrio, me mantendo em silêncio, enquanto ela prepara uma pequena mesa com alguns pães, bolo, queijo, presunto, café e suco. Conversamos um pouco enquanto desfruto do café da manhã. Após terminar, sigo até o quarto e envio uma mensagem para Gustavo.
- Bom dia, meu amor. Como está seu pai?
- Bom dia, dorminhoca. Infelizmente, na mesma, em coma. A Katia já está aí, acredito que ela tenha preparado seu café.
- Eu estava com tanta fome que fui lá antes de falar contigo. 😅
- E eu aqui preocupado, mocinha. Quais são seus planos?
- Vou encarar meus pais. 😕Já avisei que estou aqui.
- Qualquer coisa, por menor que seja, me avisa e eu vou correndo até você.
- Obrigada, isso é muito importante. Beijos.
- Sempre estarei ao seu lado, princesa. Me avisa quando for embora que te busco, já estarei com o carro. Beijos.
Abro minha mala, escolho uma roupa e vou tomar um banho. Em seguida, envio uma mensagem para minha mãe. Com uma expressão entediada, visto uma camiseta, short jeans e tênis, e logo estou pronta.
Pego minha bolsa, carteira e celular, me despeço de Katia e solicito um táxi. Logo estou a caminho da casa dos meus pais para o almoço.
O motorista me deixa no portão da casa, efetuo o pagamento e saio do carro. Permaneço ali, diante da porta, até reunir coragem e tocar a campainha. Uma coisa é conversar ocasionalmente com minha mãe, minha irmã ou meu pai pelo WhatsApp, outra é ter que encará-los face a face.
Quando aceitei a proposta da Mariana de ir para Paris, não hesitei por um instante, pois sabia que isso significaria me libertar da toxicidade de minha mãe e da indiferença de meu pai. A única pela qual sinto dificuldade em expressar sentimentos é minha irmã mais nova.
A porta se abre e a tia Janaína me recebe de braços abertos, demonstrando grande alegria. Tia Janaína cuidou de mim e da minha irmã enquanto minha mãe estava ocupada com compras, salões de beleza, festas de socialites ou viajando. Enquanto isso, meu pai, quando não estava nos clubes de apostas, estava trabalhando.
— Que saudade de você, minha menina. - Diz ela, me abraçando e me beijando, empolgada.
— Sinto saudades também, tia Jana. - Respondo, segurando as lágrimas.
— Você está ainda mais linda do que quando partiu. Seu olhar é diferente!
— Estou feliz, estou em paz, e... estou apaixonada!
— Fico aliviada em vê-la bem. Vamos! Vou servir o almoço agora.
Entramos abraçadas e em breve avisto meus pais sentados no sofá, com a Amanda, minha irmã, descendo as escadas. Amanda tem 16 anos e também fica radiante ao me ver.
& Maninhaaaa! — Ela se aproxima rapidamente e me abraça.
— Que saudade, pirralha!
— Achei que nunca mais ia te ver.
— Está enganada! — digo ao soltá-la. — Estou aguardando você completar 18 anos para ir morar comigo em Paris.
— E nos abandonar, como você fez, Alice? — Minha mãe nos interrompe, num tom de desdém, ao levantar- se do sofá. — Mamãe estava com saudades da filha desnaturada.
— Não abandonei ninguém, mãe. Fui viver minha vida, respirar novos ares. Também estava com saudades.
— Foi viver sua vida e esqueceu de seu compromisso. — Meu pai fala sem nem se dar o trabalho de me cumprimentar.
— Boa tarde para o senhor também, papai.
— Será que agora você pode nos dar uma explicação razoável para ter abandonado seu noivo? — Ele fala se levantando e vindo em minha direção.
— Ele não se explicou, papai?
— Sim, nos contou que você os viu conversando sobre o casamento de vocês e interpretou mal. - Minha mãe relata a versão dele.
— Então, fique com essa explicação. — respondo, sem a mínima vontade de iniciar uma discussão. — Vim tentar almoçar com vocês, mas acho que já perdi o apetite.
— Ah, não, maninha! Fica e almoça comigo, por favor.
— Fique, Alice. Sua decisão já está tomada e você entregou o Renan de bandeja para Denise. — Meu pai fala enquanto se senta à mesa.
— Não lamento por isso, papai.
— Vem! — Amanda me puxa para sentar, findando a provocação.
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Atualizado até capítulo 63
Comments
Amélia Rabelo
claro que o safado ia se fazer de vítima
2024-10-10
2
Rose Carvalho
não entendo porque ela omitiu os pais a verdade
2023-09-01
8
Rosi Lopes
Na vdd ele não mentiu né? Só omitiu o fato dessa conversa ter acontecido enquanto ele estava enterrado até o talo na amiga dela 😅😅😅😅😅😅
2023-07-16
1