Já se passaram alguns dias desde que almocei com Gustavo naquele dia. Desde então, não tivemos nenhum tipo de interação que não fosse estritamente profissional, embora ele tenha sugerido outro encontro.
Compreendo que ele não esteja pronto para se envolver, mas eu também tenho todo o direito de não me envolver também até que ele esteja.
A última coisa que quero é me envolver com alguém que tem receio. Já cometi o erro de me apaixonar por ele, e agora cabe a mim tomar cuidado para não sair machucada dessa história.
Hoje, como combinado, é dia de nos reunirmos no barzinho. Opto por uma roupa menos formal, tomo meu café e sigo em direção ao ponto de ônibus. Ao chegar, já encontro Seu Pierre e Oliver lá.
— Bom dia, Senhorita Alice. — Ele me cumprimenta com entusiasmo.
— Bom dia, Alice.
— Bom dia, Oliver. Bom dia, Seu Pierre. Parece mais animado hoje, Seu Pierre.
— Sim, estamos indo buscar a minha senhora.
— Que felicidade, Seu Pierre! — digo, empolgada, e ele abre um sorriso agradecido. — Finalmente, ela estará em casa com a família.
— Estamos transbordando de alegria. Amanhã faremos um jantar para comemorar. Seria uma honra tê-la conosco para conhecer minha senhora.
— Agradeço muito o convite, Seu Pierre, mas acho que me sentirei um pouco envergonhada em ir, já que não conheço ninguém.
— Eu te faço companhia, Alice. Será uma honra.
— Oliver, talvez a sua namorada, pode não gostar dessa ideia. — respondo, sem graça, ao notar seu olhar fixo em mim.
— Não tenho namorada. Vamos, vai ser divertido!
— Por favor, Srta. Alice! — seu Pierre completa, com os olhos brilhando na expectativa. — Será um prazer apresentá-la à ela!
— Me passe o endereço e eu irei. Também acho ótimo conhecer a sua senhora, Seu Pierre.
O ônibus chega e embarcamos. No caminho, passo meu número de celular para Oliver, combinando que ele me envie a localização quando voltarem do hospital. Conversamos mais um pouco e, logo, me despeço deles antes de descer.
Na empresa, começo minha rotina habitual. Troco algumas palavras com Leticia antes de subir e depois reviso a agenda do Gustavo.
Em seguida, vou até sua sala para informá-lo sobre seus compromissos do dia. Às vezes, isso muda um pouco, especialmente quando ele está na filial da Bernardine'S ou em alguma reunião externa.
Sexta-feira segue tranquila e não fugimos da nossa rotina habitual. Olho a agenda dele, anoto os recados e preparo o café expresso sem açúcar, exatamente como de costume.
Dirijo-me até sua sala, bato duas vezes na porta e entro, entregando-lhe o café enquanto revisamos sua agenda.
Desde que ele tomou a decisão de não se envolver, tenho agido quase no automático, apenas para evitar criar expectativas sobre a possibilidade de uma mudança de ideia.
Evito olhar nos olhos, evito falar sobre qualquer assunto que não seja estritamente profissional. Assim vamos levando, completamente no automático. No fim do expediente, porém, Gustavo pareceu incomodado com minha postura.
— Sr. Bianchini, meu expediente terminou. — digo, do mesmo modo robotizado dos últimos dias. — Posso ajudá-lo com mais alguma coisa?
— Alice, quando você vai parar de agir como se tudo isso fosse apenas uma relação entre o CEO e a secretária?
— Porque é exatamente isso que somos, Sr. Bianchini. — respondo, sem esconder meu descontentamento.
— Você sabe como me sinto em relação a você. Já faz duas semanas que você está me evitando.
— Conhece minhas condições. Estou esperando o momento certo para estar pronta. Até quando, não posso afirmar, mas isso não significa que devo aceitar ficar com você hoje e, no dia seguinte, estar distante. Quem quer evitar se machucar sou eu.
— Eu entendo, e concordo com você. — ele afirma, abrindo um sorriso sem graça . — Mas sinto sua falta.
— Suas intenções estão mudando?
— Estou tentando.
— Então, Sr. Bianchini, com sua licença. Ainda preciso me arrumar para sair com meus amigos.
— Podemos jantar amanhã?
— Já tenho um compromisso para amanhã. Vamos deixar para uma próxima oportunidade, Sr. Bianchini.
— Não tenho o direito de te pressionar, Srta. Fernandes. — ele diz, voltando a atenção para o computador. — Está liberada.
Saio do escritório dele e corro para o banheiro, onde me tranco e deixo as lágrimas fluírem, sem saber ao certo por quanto tempo.
Eu o aceitaria do jeito que ele estivesse disposto, mas ficar sem a garantia de que ele um dia estará pronto significa arriscar me machucar, da mesma forma como Mariana o machucou. E isso é algo que eu definitivamente não quero.
Após receber uma mensagem de Gabi me procurando, saio da cabine do banheiro e retoco a maquiagem para esconder o rosto inchado.
Percebo o quanto demorei quando noto que a maioria das salas já está vazia. Espero o elevador para descer e me juntar ao restante do pessoal, quando de repente Gustavo se aproxima e entra no elevador comigo.
Quase chegando ao andar do estacionamento, ele aperta um botão e o elevador para.
— Gustavo, eu realmente não es...
— Shiii. — ele me interrompe e me beija.
No início, tento resistir, o empurro um pouco, mas eventualmente acabo cedendo e retribuindo o beijo. Confesso que estava com saudades dessa boca.
Infelizmente, nosso momento é breve, afinal, nenhum funcionário quer que o CEO fique preso no elevador por muito tempo. Logo, o interfone toca, nos interrompe e o elevador volta a se mover.
Assim que as portas se abrem, um técnico pede desculpas pelo ocorrido, e ele sai sem dizer uma palavra. Eu sigo até a recepção e me encontro com Gabi e Leticia, que perguntam sobre o motivo do meu sumiço, e em seguida seguimos em direção ao pub habitual.
Fico praticamente à parte enquanto Leticia se aproxima de Guilherme e Gabi parece envolvida com Rafael. Minha surpresa surge quando recebo uma mensagem do Oliver, já que havia quase esquecido que ele me enviaria o endereço.
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Atualizado até capítulo 63
Comments
Amélia Rabelo
acho que ele só vai afirmar esse namoro depois que ele ver ela com o Oliver e sentir ciúmes dela
2024-10-09
4
Claudia
certíssima. Um cara que não sabe se quer realmente ficar com ela.passaram quase a mesma coisa. tem q ter cautela
2022-11-14
23
Tamires Coelho
Amo esses clichês.
2022-10-16
1