Fico encantada ao entrar no restaurante e observar a majestosa Torre Eiffel à vista. Apesar de estar aqui há quase dois meses, percebo que não explorei Paris como deveria.
Quando vim para cá, minha única intenção era deixar para trás o que aconteceu comigo. Esquecer o Renan, a Denise, o noivado fracassado, as negociações de nossos pais... No entanto, ao focar tanto no trabalho e, anteriormente, ao chegar aqui, não encontrei ânimo para ser uma verdadeira turista.
Perco-me em meus pensamentos e mal percebo quando Gustavo retorna para a mesa, após atender uma ligação de trabalho.
— Encantada com a vista? — ele diz, trazendo-me de volta ao momento presente.
— Sim, muito! Só que me dei conta de que ainda não conheço Paris, acredita?
— Não se preocupe, podemos corrigir isso. Serei seu guia turístico pessoal.
— Será ótimo explorar Paris, a cidade do amor, com um cético como guia.
— Vou ignorar seu sarcasmo, Alice.
— É brincadeira, Gustavo. De verdade, ficarei muito grata se puder me acompanhar.
— Então é um acordo. Já escolheu o prato?
— Sim, já escolhi! Vamos fazer o pedido.
Gustavo chama o garçom e faz nossos pedidos, já que embora eu me arrisque um pouco com o francês, não falo fluentemente como ele.
Enquanto aguardamos nosso almoço, conversamos um pouco sobre nossas vidas, ou melhor, mais sobre a minha vida do que a dele. Sinto que, mesmo que ele tente, ainda há uma certa resistência em se abrir comigo.
Quando nossos pratos chegam, desfrutamos do almoço em grande parte em silêncio, ocasionalmente trocando alguns comentários. Pedimos a sobremesa e retomamos a conversa, desta vez, tento ser um pouco mais curiosa.
— Sei que você não gosta muito de falar sobre a sua vida, mas será que posso ao menos saber um pouco sobre como conheceu a Mariana? Sobre o início da história de vocês? — Pergunto, enquanto observo sua expressão, tentando captar qualquer sinal de desconforto.
— A gente se conheceu no aniversário de 18 anos dela — ele começa a falar, com sua postura relaxando um pouco. — Nossos pais eram sócios e eu estava prestes a assumir os negócios do meu pai, enquanto ela assumiria a empresa um pouco depois disso. O pai dela a apresentou a todos os presentes na festa, e eu também estava lá.
— Entendi. Já faz um bom tempo que vocês se conhecem, então. — Comento, percebendo um ligeiro sorriso escapar por um momento. — Mas aquela parte de "desejar por implicância" teve algo a ver com os negócios? Se não quiser responder, tudo bem.
— Não teve nada a ver com negócios. Naquele dia, o Lucas ficou com ciúmes quando me viu com a Mariana. Como ela costuma dizer, a gente tentava ver "quem mijava mais longe" desde a primeira vez que nos encontramos. Daí comecei a querê-la por pura implicância, pelo prazer do proibido. Mas não mandamos no coração, Alice. E o resultado, como você já sabe, é que ele ganhou e eu perdi. — Ele confessa, seu olhar vagando por um instante antes de encontrar o meu novamente.
— Sinto muito. Vocês, homens, têm uma certa competição, realmente. — Comento, tentando absorver a complexidade da situação.
— No meu caso, eu realmente a amei mais rápido do que imaginei. Já era uma guerra perdida, mas ainda assim ainda lutei. Quando ele vacilou pela primeira vez eu investi, mas em algum momento eu a assustei. Logo depois veio o segundo vacilo, no dia do primeiro casamento deles, e mais uma vez eu tentei. Aí sofri um acidente de carro e ela veio para Paris, ficamos juntos mesmo com a condição de não termos nada sério. Voltei para o Brasil com ela e namoramos, enfim, mas meu ciúmes estragou tudo e terminamos em definitivo. Ela ficava com o Lucas, vez ou outra, e numa dessas ela engravidou da Liz. Eles casaram e o restante você já sabe.
— Uau! Que história complicada. Eu não imaginaria nem a metade disso. Agora sei porque ela te considera tanto. Sinto muito que não tenha dado certo. — Expresso, com sinceridade, meu pesar pela dificuldade que Gustavo enfrentou.
— Tudo bem, queria que tivesse sido diferente. Mas eles se amavam, e eu sobraria de qualquer jeito. — Ele força um sorriso, mas percebo a melancolia em seus olhos. — Agora você entende um dos meus motivos para não querer me relacionar com ninguém?
— Entendo sim. Espero que se cure um dia.
— Agora que eu conheci você, também espero que sim. Mas só te peço paciência. Porque, embora esteja te achando alguém que valha a pena arriscar, minha razão não me deixa dar um passo à frente. Como disse, acho que não posso te dar o que você merece, não agora.
— Não se preocupe, Gustavo. Eu também não quero um relacionamento agora. — As palavras saem de mim com determinação, não quero dar a ele a impressão de que estou desesperada por isso. — Podemos ir?
— Não quero estragar nosso almoço, Alice. Posso te levar para dar uma volta?
— Claro! Vamos.
Gustavo pede a conta, e apesar dos esforços para disfarçar minha insatisfação, ele percebe e tenta mudar o clima com algumas piadas.
Finjo rir, mas não sei se consigo esconder completamente o que sinto. Assim que ele paga a conta, deixamos o restaurante.
Entramos no carro e em poucos minutos ele estaciona próximo à Torre Eiffel, me puxa pela mão e nos sentamos ali. Conversamos animadamente e, em um momento de doçura, ele me beija. Me permito retribuir, e juntos desfrutamos do momento sem nos preocuparmos com o que o futuro reserva.
Ao entardecer, ele me leva de volta para casa, e nos despedimos com um sorriso cúmplice. Passo a noite assistindo filmes e sou surpreendida pela campainha.
Ao abrir, deparo-me com Mia, minha vizinha de porta, que pede um pouco de açúcar emprestado. Pouco depois, ela retorna com um pedaço de bolo, e aproveito para convidá-la a entrar e tomar um café comigo.
Mia, aos seus 21 anos, é uma recém-chegada ao prédio. Embora nos conhecêssemos de vista, cumprimentando-nos ocasionalmente, nunca havíamos tido a oportunidade de conversar.
O gesto simples envolvendo açúcar e bolo nos proporcionou o espaço para iniciar uma amizade, algo que, nesse momento, sinto ser de grande importância para mim.
Mia.
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Atualizado até capítulo 63
Comments
Dinha
por que não tem foto da Alice
2024-12-09
2
Amélia Rabelo
show
2024-10-09
1
Kariny Kelly
não vi Alice ainda
2023-10-07
7