Nos encaramos, deixando Silvia um tanto confusa com a atmosfera tensa que se formou.
— Vocês já se conhecem? — questiona ela, buscando entender a dinâmica.
— Não, Silvia. Tive o desprazer de encontrar essa moça no elevador. — a voz dele é áspera, mantendo uma postura defensiva.
— Desprazer? Você que me tratou com rispidez, eu só respondi à altura!
— Eu sinto muito por vocês dois. Sr. Bianchini, essa é a Srta. Fernandes. A secretária que a Sra. Rangel indicou para trabalhar com o senhor.
— Mariana sempre está me arrumando confusão. Pode nos deixar a sós, Silvia. Já mostrou para essa senhorita onde ela vai ficar? — ele pede, direto ao ponto.
— Sim. Boa sorte, Alice! Com licença.
Silvia se retira, fechando a porta atrás de si, e eu fico ali, encarando-o, ainda processando o fato de que vamos trabalhar juntos.
Percebo que ele é ainda mais implacável do que imaginei. Um verdadeiro iceberg, embora eu ainda não tenha me transformado em estátua de gelo. Ele se senta, mantendo o olhar sobre mim.
— Vai ficar em pé? Se sinta, srta. Fernandes. — ele dá uma ordem, sem rodeios.
— Ok! — respondo, um tanto irônica, cedendo e me acomodando na cadeira.
— Desculpe pela rispidez no elevador. Podemos começar do zero, já que serei obrigado a conviver com você? Prazer, me chamo Gustavo Bianchini.
— Tudo bem, me desculpe pela resposta. Não sou acostumada a ser tratada mal e ficar quieta. Me chamo Alice Fernandes.
— Srta. Fernandes, espero que se saia bem, porque não tolero erros e não tenho paciência para ensinar nada.
— Modéstia a parte, era bem elogiada pela Sra. Rangel. Acho que trabalho muito bem.
— Então, acredito, a Sra. Rangel é tão exigente quanto eu. Agora sem conversas. Vamos trabalhar. Te darei a manhã para se habituar a seu local de trabalho, a tarde espero que já tenha pegado o jeito. — ele se vira para o computador, indicando que a reunião terminou.
Eu retorno à minha mesa e começo a trabalhar, analisando documentos e a agenda desse homem irritantemente atraente.
"Por Gustavo Bianchini."
Desde que Mariana se casou, percebi que não teria mais a chance de reconquistá-la. Decidi então me dedicar ainda mais ao trabalho. Investi tanto nisso que sobrou pouco espaço para qualquer forma de relacionamento.
Tornei-me um verdadeiro conquistador. Fiz da melhoria e da disciplina minhas principais metas, mantendo-me inabalável em minha rotina. Qualquer contratempo me deixava de mau-humor.
E foi exatamente o que aconteceu hoje. Acordei cedo, corri, fiz minha rotina de musculação e tomei café. Quando estava prestes a sair, notei o pneu furado do meu carro, o que me custou alguns minutos de atraso, já que precisei voltar e trocar de roupa.
Cheguei à empresa fora do meu horário habitual e quase perdi o elevador. Pedi para quem estava dentro segurá-lo, mas a pessoa preferiu fingir que não ouviu. Mas consegui alcançar a porta a tempo de impedir que se fechasse.
Ao entrar, meus olhos encontraram uma figura de beleza impressionante. Antes que eu pudesse observá-la mais detalhadamente, retomei minha postura habitual, voltando a ser o homem frio.
A mulher ousada não hesitou em me responder com a mesma ousadia. Já fazia muito tempo desde a última vez que senti vontade de impor uma punição, mas o atrevimento dela despertou um lado adormecido em mim. Parece que ela não me conhece, e por ora, prefiro manter o silêncio.
Subo até meu escritório, tentando deixar para trás o incidente. Mariana me envia uma mensagem que me faz esquecer completamente aquela mulher.
📥Bom dia, Dom Bianchini. Ok, parei! Bom dia, Gustavo. Minha recomendação começa hoje. Seja educado e a trate bem. 😘
📤Bom dia, Srta. Bernadine. Não estou de bom humor, acabei tratando mal uma bela jovem no elevador. Vou tentar ser gentil, mas não prometo. 🤨
📥 Faça um esforço, a moça é legal e está passando por um mal momento. Não saia tratando mal as pessoas. Tenha um ótimo dia.
📤 Por que está acordada à essa hora?
📥 Estava amamentando o Lorenzo. A parte mágica da maternidade. Mas já vou voltar à dormir, daqui a pouco preciso trabalhar. ❤️
📤 Ainda bem que a paternidade está fora de cogitação para mim. Bom trabalho.
📥Te lembrarei disso daqui a um tempo, quando me contar que será pai. Preciso ir.
"Ah, Mariana. Não tenho mais vontade de casar, quem dirá ter um filho." Afasto meus sentimentos por ela antes que meu mau-humor se torne insuportável, e me concentro no trabalho.
Minha concentração é abruptamente interrompida pela entrada de Silvia e a presença persistente do elevador.
— Você?
— Só pode ser brincadeira — A mulher ousada responde com outra dose de rispidez.
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Atualizado até capítulo 63
Comments
Amélia Rabelo
esse aí vai casar ter filhos kkkkkkk
2024-10-09
5
Caroline Oliveira
estou no terceiro livro em dois dias e estou gostando das histórias msm sendo de pessoas diferentes
2023-11-17
5
Kariny Kelly
estou gostando TB muito muito
2023-10-07
2