Depois de terminarmos o almoço, ofereci-me para pagar minha parte, mas Gustavo insiste em não aceitar. No final, cedo para não reerguer a ponte que acabei de derrubar.
Ele me deixa na porta do apartamento e, embora o convidei para entrar e tomar um café, ele gentilmente recusa, justificando que precisa voltar para a empresa.
— Obrigada pela ajuda, Sr. Bianchini. Prometo não dar mais trabalho como hoje.
— Sem problemas, Srta. Fernandes. Melhoras! E certifique-se de manter esse pé elevado hoje, afinal, amanhã você terá bastante trabalho.
— Dica anotada. Boa tarde!
— Boa tarde, Srta. Fernandes.
Gustavo acena com a cabeça e se vira para sair, enquanto permaneço parada na porta até ele entrar no elevador e ir embora. Sorrio satisfeita por ter conhecido um Gustavo um pouco diferente daquele que conheci no elevador. Pelo menos trabalhar com ele será mais tolerável.
Confesso que meu pé não doía tanto, mas, no fundo, queria aproveitar a situação para fazê-lo se abrir um pouco mais.
Aproveitei o restante do dia para organizar o apartamento e arrumar minhas roupas, que ainda estavam na mala.
...----------------...
Acordo pela manhã, sorrindo ao levantar e não sentir mais dor no pé. Sei que posso ter dado uma exagerada na situação, mas, no fim, perceber um pouco de humanidade por trás do gelo, fez valer a pena.
Aproveito que organizei as roupas esquecidas desde que cheguei aqui, e escolho um vestido preto de tecido leve. Ele é super confortável, com alças largas e fica dois dedos acima do joelho.
Arrumo meus cabelos e passo uma maquiagem leve. Estou pronta e, modéstia à parte, me sinto muito bonita.
Desço e pego um táxi. Preciso descobrir como chegar à empresa sem depender de táxi, ou meu salário será destinado somente para isso.
Ao chegar na empresa, cumprimento a recepcionista e subo. Desta vez, não encontro Gustavo me tratando mal no elevador, o que é um alívio.
Chego em minha sala e deixo minhas coisas. Consulto a agenda de Gustavo e vejo que ele tem uma reunião marcada daqui a 40 minutos. Organizo tudo e, após 20 minutos, vou até a sala dele para avisá-lo. Bato na porta duas vezes e a abro, seguindo o costume da empresa da Mariana.
Assim que a porta se abre, encontro Gustavo sentado em sua cadeira e uma moça que nunca vi na empresa, sentada em seu colo. Ele me olha assustado ao se levantar rapidamente, e a moça revira os olhos para mim.
— Não sabe bater na porta, srta. Fernandes? — Ele pergunta, rispidamente, enquanto arruma a gravata.
— Bati duas vezes, Sr. Bianchini. — Respondo, mantendo o olhar firme. — Vim apenas para avisar que sua reunião está marcada em 20 minutos e está tudo pronto. Com licença.
Saio dali e fecho a porta, sem dar a chance dele responder qualquer coisa. Dirijo-me à minha sala, tentando entender por que flagrar aquela cena me provocou tanto desconforto. "Deve ter sido pela situação com o Renan", penso.
Ao chegar à copa, sorrio ao ver que aceitaram minha sugestão de plaquinhas de identificação e finalmente encontro o que procuro. Após beber água, retorno ao corredor.
Lá, vejo Gustavo indo em direção à reunião e diminuo meus passos para chegar depois dele. No entanto, ele me percebe antes de entrar e decide me esperar na porta.
— Bom dia novamente, Srta. Fernandes. O pé está melhor? — ele pergunta, fingindo que nada aconteceu.
— Sim, Sr. Bianchini. Já estou pronta para outra. Agora, se me der licença, preciso voltar para minha sala.
Saio praticamente em disparada, deixando-o parado na porta enquanto me afasto. Não entendo minhas ações e tampouco o motivo do ciúmes. A última coisa que posso fazer agora é dar muita conversa para ele.
No restante do dia, procurei evitar qualquer contato desnecessário com ele, indo ao seu escritório somente quando era chamada ou quando precisava de sua assinatura em algum documento. Quando finalmente o dia chegou ao fim, agradeci por ter conseguido afastar aquela cena da minha mente.
Junto minhas coisas e me preparo para sair. Gabi me espera para descer juntas, e o encontramos quando saímos da sala. Ele nos cumprimenta formalmente, mas evito seu olhar, sentindo seus olhos sobre mim.
Suspiro aliviada quando entramos no elevador e Gabi logo percebe.
— Que clima estranho, aconteceu algo? — Gabi pergunta.
— Não, Gabi. Talvez ele não tenha gostado de eu ter ido embora mais cedo ontem.
— Mas ele não voltou ontem à tarde, Alice. Até pensei que ele tinha ido te levar ao médico.
— Ele me levou em casa e disse que precisava voltar. Quem sabe tenha se encontrado com alguma mulher. — Passo a mão na nuca ao perceber que a mulher na sala dele, provavelmente, foi o motivo pelo qual ele não voltou ontem.
— Pode ser mesmo. — Gabi concorda com um aceno de cabeça.
Nossa conversa logo é interrompida pelo elevador, o que é um alívio. Ela desce no andar do estacionamento e eu sigo até o primeiro andar.
Me despeço de Letícia, a recepcionista, e fico esperando um táxi passar na frente da empresa. Mas parece que todos eles foram extintos do mundo.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 63
Comments
Amélia Rabelo
o cara é do tipo galinha
2024-10-09
5
Vanusa Fernandes
Tem q fazer ele sentir ciúmes kkkk
2023-07-06
8
Vanusa Fernandes
Estou amando a história
2023-07-06
1