A manhã passa rápido, entre a digitalização de documentos e as dúvidas esclarecidas com Gabriela, a assistente administrativa que auxiliou Gustavo durante a ausência de uma secretária.
— Você vai pegar o jeito rapidinho, Alice. — ela diz, num tom simpático.
— Não é muito diferente do que eu fazia antes, mas sinto uma pressão maior aqui com ele.
— O Sr. Bianchini é bastante exigente. Tem aquele jeito ranzinza e não inspira muita confiança em mulheres, apesar da fama de conquistador. Mas, no fundo, é uma boa pessoa.
— Ah, pude perceber muito bem a sua "bondade" — respondo com um tom sarcástico, e Gabriela solta uma risada.
— Eu até pensei em ficar nessa vaga de vez, mas ele é um desafio.
— Vou ter que aguentar esse mau humor por enquanto, pelo menos até me estabilizar.
— Vai passar rápido, e logo você encontrará um emprego menos estressante e tentador — Gabriela sorri e se levanta. — Alice, podemos continuar depois do almoço? Estou morrendo de fome.
— Claro, Gabi. Desculpe por ocupar seu tempo.
— Não precisa se desculpar. Sei que faria o mesmo por mim. Já fui novata aqui também. Vamos almoçar?
— Pode ir na frente, eu só preciso finalizar essas duas folhas e logo estou lá.
Termino de digitalizar as últimas folhas e, em seguida, pego meu celular e me levanto para almoçar também. Ao sair da sala, tento lembrar onde fica a copa. Com certeza, uma plaquinha indicativa não seria má ideia.
Após a busca frustrada pela copa, decido abrir uma porta aleatória, tentando me orientar pelo pequeno tour que Sílvia me deu mais cedo.
A porta se abre e me deparo com aqueles olhos gélidos, interrompendo a reunião que Gustavo mantinha com um grupo de homens... "Com certeza, agora precisarei urgentemente encontrar outro emprego."
— Sr. Bianchini, peço desculpas. Estava à procura da copa e me perdi.
— Srta. Fernandes, da próxima vez, poderia ao menos bater antes de entrar — ele diz, num tom impaciente, aproximando-se para fechar a porta.
— Acho que placas indicativas seriam uma excelente ideia! — respondo, sempre rebatendo seu mau humor. — Mais uma vez, peço desculpas por isso.
Me viro rapidamente para sair, quase em passos apressados, e acabo tropeçando nos meus próprios pés. Por sorte, ele me segura, evitando que eu caia. Nossos olhares se encontram e sinto uma espécie de corrente elétrica percorrer meu corpo quando sua mão toca a minha.
Não tenho certeza de quanto tempo ficamos naquela posição, até que um dos homens sentados à mesa pergunta se estou bem.
Ele me solta e me endireito, mas ao dar os primeiros passos, sinto um desconforto no tornozelo e percebo que o torci. Gustavo nota.
— Está tudo bem, srta. Fernandes?
— Acho que torci o tornozelo, mas estou bem.
— Venha, vou te acompanhar até sua sala. — Gustavo me oferece apoio em seu ombro — Senhores, peço um minuto, por favor.
Estar tão próximo de Gustavo me deixa sem jeito, e pela primeira vez na vida, me vejo sem palavras. Fico envolvida pelo aroma dele e, após algum tempo, percebo sua gentileza.
Caminhamos até seu escritório e ele me ajuda a me acomodar em sua cadeira. Gustavo se abaixa e segura meu pé, sinto um leve desconforto e não consigo evitar uma leve queixa.
— Quer que eu te leve ao médico? — Gustavo inclina levemente a cabeça, os olhos demonstrando uma certa preocupação.
— Não precisa, não posso me dar esse luxo de ir ao médico agora, sou nova aqui.
— Srta. Fernandes, não teria nenhum tipo de problema.
— Realmente não precisa, Sr. Bianchini. Acredito que se eu ficar sentada daqui a pouco a dor passe, não se preocupe.
— Vamos fazer assim, — ele diz, aparentemente aceitando a minha decisão —, você vai para casa e amanhã volta a trabalhar normalmente, pode ser? Eu não vou precisar de você.
— Se não for te atrapalhar, pode ser. Vou pedir um táxi.
— Me espera aqui, vou terminar a reunião e volto para te ajudar a descer.
— Não precisa, eu vou descendo devagar. — digo, completamente sem jeito com sua gentileza. Ele se levanta, coça a testa e bufa ao revirar os olhos.
— Eu não estou pedindo sua autorização, Srta. Fernandes!
E com isso, o homem que até então estava sendo gentil volta a ser o mesmo iceberg de sempre. Ele se vira e sai, me deixando sozinha.
Observo seu escritório e é exatamente como ele, sério e sem emoção. A única coisa que emite um pouco de calor aqui dentro é uma foto de um casal em um porta-retrato sobre a mesa. Suponho que sejam os pais dele.
As cores deixam o ambiente sem vida, sem graça. Um pouco de cor não faria mal. Fico ali me perguntando como um homem tão bonito pode ser tão distante e frio. Será que ele é gay? "Afinal, quem é você, Sr. Bianchini?"
Fico tanto tempo tentando decifrar o homem por trás daquela casca que nem percebo quando ele volta. Quando me dou conta, ele está estalando os dedos perto do meu rosto.
— Srta. Fernandes, está tudo bem?
— Você é gay?
Falo tão naturalmente que só percebo que falei demais quando ele me olha confuso.
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Atualizado até capítulo 63
Comments
Graciete Barbosa Silva
essa Alice é sem noção kkkk fala o que pensa
2025-03-21
2
Neiry Janne
kkkkk k torceu o pé e perdeu a noção
2025-03-24
1
Rosangela Amorim
kkkkkkkk agora ele enforca a Alice
2025-03-20
1