Faz pouco mais de um mês desde que cometi o erro de beijar Gustavo. Quando retornei à empresa no dia seguinte, estava preparada para enfrentar a demissão iminente. Surpreendentemente, Gustavo agiu como se nada tivesse acontecido. E tem sido assim desde então.
Na verdade, prefiro que seja assim, evitando qualquer mal-entendido. Não quero que ele tenha uma imagem negativa de mim.
Nesse último mês, também me aproximei mais da Gabi e da Letícia, e fiz amizade com o Rafael e o Guilherme, todos colegas de trabalho no mesmo andar e também brasileiros. Acho que a DomBian se destaca por oferecer oportunidades a quem busca uma nova vida aqui em Paris...
Combinamos de sair hoje para aproveitar a sexta-feira, então coloquei uma roupa na bolsa para trocar antes de sair da empresa.
Também aprendi como chegar à empresa de ônibus, então agora tenho que sair de casa um pouco mais cedo do que o normal. Mas pelo menos estou economizando um pouco mais para me estabelecer aqui.
Depois de me arrumar e decidir tomar café na empresa, desço e espero pelo ônibus. Ir para o trabalho no mesmo horário me faz pegar o mesmo ônibus quase todas as vezes, o que me fez conhecer o Sr. Pierre, um senhor extremamente simpático, respeitoso e cheio de energia.
Ele e eu compartilhamos o mesmo ônibus, ele vai todos os dias visitar sua esposa, que está internada em um hospital próximo à empresa. Há duas semanas, me atrasei um pouco e, ao me aproximar da parada, o ônibus já estava partindo.
Foi então que seu Pierre pediu ao motorista para me esperar. Desde então, começamos a conversar durante essa breve viagem até a empresa.
— Bom dia, seu Pierre. — Cumprimento-o com um aperto de mãos, que ele retribui calorosamente.
— Bom dia, senhorita Alice.
— Como o senhor está? Mande lembranças à sua esposa.
— Obrigado, certamente farei. A senhora parece mais animada do que o habitual hoje.
— Deve ser a empolgação da sexta-feira. — respondo com entusiasmo.
— Ansiosa pelo merecido descanso de amanhã?
— Sem dúvida! Além disso, vou sair com uns amigos hoje após o expediente.
— Aproveite! Não podemos viver apenas para o trabalho, não é mesmo?
— Com certeza.
Logo o ônibus chega, e embarcamos. Continuamos nossa conversa até o ônibus chegar à minha parada. Nos despedimos e desço para ir à empresa.
Letícia já está na recepção e, curiosamente, parece mais simpática do que o habitual.
— Parece que a animação da sexta-feira contagiou a todos hoje. — digo, num tom debochado. — Bom dia, Letícia!
— Bom dia, Alice. Estou muito empolgada. Quem sabe hoje eu não consiga perder a timidez e me aproximar do Guilherme? — ela responde, sem graça.
— Vou tentar te ajudar.
— Já estou ficando com vergonha só de pensar nisso!
— Não se preocupe, boba! Agora, deixe-me ir para não me atrasar. Até mais tarde.
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Um pouco antes do horário do almoço, vou até a sala dele para avisá-lo sobre a reunião da tarde, mas ele está ao telefone.
— Viu? Se tivesse casado comigo não estaria assim... — Gustavo fala num tom descontraído com alguém no telefone. — É brincadeira, Srta. Bernardine! Foi só para descontrair. Converse com ele e resolvam isso, afinal, vocês têm dois filhos juntos. Preciso desligar, a Srta. Fernandes está me esperando... Pode deixar que mando seu beijo. Bom dia e bom trabalho! — Ele desliga o telefone. — Diga, Srta. Fernandes.
— Sr. Bianchini, só vim avisar que está tudo certo para a reunião das 13:30. Pensei em te adiantar, já que podemos nos desencontrar por conta do almoço.
— Obrigado, Srta. Fernandes. A Sra. Rangel te mandou um beijo.
— Vou mandar uma mensagem para ela depois. Com licença, Sr. Bianchini.
Deixo a sala e reflito sobre a parte da conversa que ouvi... "Se tivesse casado comigo". Será que eles têm uma história juntos? Será que ele é o tal cara legal ao qual ela se referiu na nossa conversa? E será que ela é a responsável por "endurecer" o coração desse homem de gelo?
Balanço a cabeça, negando para mim mesma. "Você não tem nada a ver com essa história, Alice", penso.
Afasto os pensamentos, mesmo curiosa, e vou almoçar.
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Ao fim do expediente, passo pela sala da Gabi e a encontro em uma conversa animada com o Guilherme.
— Gabi, vou ao banheiro me arrumar e já venho. — digo, após alguns minutos de conversas despretensiosas.
— Tá bom, Alice. Vamos te esperar lá embaixo para irmos todos juntos. Não demora.
Sigo para o banheiro e troco de roupa, optando por algo mais confortável e menos formal do que a vestimenta que uso no trabalho. A maquiagem ganha traços mais marcados, e logo me adianto para não atrasar o restante do grupo.
De volta à minha sala, pego minhas coisas e me despeço daqueles que ficarão um pouco mais tarde. E vou em direção ao elevador.
No meio do caminho, encontro Gustavo. Mesmo que sua saudação seja formal, o olhar que ele me lança é capaz de tirar meu fôlego.
O elevador logo chega e desço. Gabi está à minha espera com Rafael e Guilherme. Letícia, que costuma sair um pouco depois do nosso horário, combina de nos encontrar no local.
Decidimos pegar um táxi e rumar em direção ao pub que tanto ouvimos falar pelos corredores da empresa. A noite promete ser animada, e a expectativa é alta.
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Atualizado até capítulo 63
Comments
Amélia Rabelo
será que ele vai atrás dela na festa
2024-10-09
3
Juliana Andrade
PRONTO, SEM ROUPA! 😅
2023-02-07
4
Katia Sousa
roupa feia
2023-02-07
1