Voltando a conversa com Ricardo…
— E foi isso. Fiquei com muita raiva quando ela maltratou a Camila, ainda terminei com ela. Nunca tivemos nada sério, mas ao presenciar essa cena, não quero mais nenhuma ligação.
— E você está se apaixonando pela Camila?
— Claro que não. Impossível!
— Por que impossível, por que ela é gorda?
— Não, não é isso! Quando estou na presença dela, tudo desmorona. Dá uma vontade de protegê-la, de não deixar ninguém machucá-la nunca mais. Ela tem os olhos muito tristes. Com ela sorrio, eu sou de verdade, mas somos apenas amigos.
— Nunca te vi falar assim de ninguém. Acredito que você está se apaixonando.
— Não, é só minha amiga. Mas falemos mais de você. E a Melissa?
Ricardo estando bem feliz.
— Estamos namorando.
— Está sério assim?
— Sim, estou muito apaixonado. Acredito que essa semana foi a mais louca da minha vida.
Tio Carlos aparece e pergunta:
— Conte-me mais da sua namorada, filho.
Levanto-me para deixá-los conversando.
— Chegou minha hora de ir, preciso resolver algumas coisas.
— Tudo bem, meu filho. Até amanhã!
— Até amanhã. — Digo respondendo aos dois.
***
Vitor sai e fico encarando meu pai. Resolvo começar a falar de Melissa.
— Então! Ela é…
— Ela é?
— Mais cedo ou mais tarde o senhor vai descobrir mesmo. O nome dela é Melissa Ribeiro.
— Melissa Ribeiro. — Pergunta ele pensativo. — Melissa Ribeiro? Filha de Elias Ribeiro?
— Isso!
— O mundo dá tantas voltas e justo isso vai acontecer?
— Não esperava por isso. Não agora, mas aconteceu.
— Ela gosta de você?
— Sim! Eu também estou gostando muito dela. Mas ela não sabe que sou seu filho.
— E o pai dela sabe?
— Sim. Ele ia me investigar de qualquer forma, falei logo.
— Fez bem.
— Tem outra coisa.
— O quê?
— Ela está naquela foto que o senhor me passou com o grupo da faculdade.
Vejo meu pai se irritar e alterar sua voz, o que atualmente não me intimida, mas já esperava por essa reação.
— Falo para você não se envolver com ninguém e na primeira semana você já está apaixonado, Ricardo?
— Não era a minha intenção, mas estou apaixonado sim! Não vou me aborrecer com o senhor.
— Também não vou me aborrecer e estragar nosso domingo. — Ele pensa um pouco e o continua. — Sabe que isso pode prejudicar tudo, não é?
— Ela não vai atrapalhar!
— Se você está dizendo. A responsabilidade é sua! Depois não diga que não avisei.
— Tenho certeza!
— Espero Ricardo. Eu espero.
***
Saio da casa do tio Carlos, sigo para minha, tomo um banho e não sei por qual motivo, mas me arrumo para ir de novo ao bar onde encontrei a Camila. A vontade de encontrar com ela novamente. Quero dizer, encontrar não. De tentar me desculpar pela atitude idiota da Fabíola. Já sabia que ela era fútil, mas foi a primeira vez que a vi sendo preconceituosa. Saio de casa contente e sigo para o bar, quando chego, avisto Camila atendendo uma mesa com quatro rapazes. Ela sempre com um sorriso cativante, diferente de quando está estudando. Sinto até uma pitada de ciúmes. Eu disse ciúmes? Não! Ciúmes não! Só quero conversar com ela. Ela volta, não me vê e eu a chamo:
— Camila?
— Vitor?
***
Olho para aquele deus grego e meu coração dispara. Ele está com uma calça preta e uma camisa branca, realçando ainda mais tudo de lindo nele. Seus cabelos curtos e seus olhos cor de mel. Camila, que pensamentos são esses? Você está maluca? E o sorriso? É melhor você lembrar que ontem ele estava aqui acompanhado de uma mulher que realmente combina com ele. De boca fechada ela combina, tenho que admitir. Você que nunca irá ter chance. O que ele veio fazer aqui de novo? Anda, vai ficar parada? Vai logo até a ele. Minhas mãos estão geladas, meu coração parece que vai sair pela boca. Certeza que minha pressão abaixou nesse momento. Dê uma desculpa qualquer.
Aproximo-me dele e falo:
— Desculpe-me por não poder te dar muita atenção, mas isso aqui está fervendo hoje.
— É, eu percebi como você está ocupada quando você estava conversando com aqueles quatro rapazes da mesa.
— Não estava conversando, estava anotando um pedido. Qual o seu, por gentileza? Preciso trabalhar.
— Desculpe-me. Não queria falar assim.
— Ok. Desculpe-me também. Fui grossa. Desde que voltei do interior, tudo isso é muito novo para mim e…
— Você morava com quem?
— Com uma tia, única irmã de minha mãe. Estudei quase todo o curso lá, mas ela faleceu e voltei.
— Sinto muito.
— Tudo bem. Aconteceu! Agora, eu preciso atender, faça seu pedido que eu trago. — Digo de modo mais frio possível.
— Estou escolhendo.
— Ok, fique à vontade.
Quando faço menção de ir embora, Vitor, que até então estava com as mãos no cardápio, me para segurando meu braço. Por que ele faz isso? Não estou conseguindo nem respirar direito de tão ofegante que estou. Mas tento passar normalidade.
— Espera!
— Oi, fale.
— Quero te pedir desculpas por ontem.
— Você veio aqui me pedir desculpas pelo, o que sua namorada fez comigo?
— Sim, quero dizer, não! Ela não é minha namorada!
Imediatamente eu penso. Sério? Ainda bem! Mas brinco com a situação. É a única forma de eu levar a situação mais tranquilamente.
— Ah, sim! Será que estou em outro mundo? A mulher te agarra, te beija, quase dá para você aqui no meio do bar e você me diz que ela não é sua namorada?
Arregalo meus olhos pela tamanha merda que acabo de falar. Camila o que foi isso? Ele agora está rindo de mim.
— Você está com ciúmes, Camila?
Pronto, se estava apenas gelando, agora começarei a ficar nervosa realmente e deixar transparecer de algum jeito.
— Cla… Cla… Claro que não! Por que eu sentiria ciúmes de… De você? Que… Que ideia!
Ele cruza seus braços e ri de mim, gaguejando. É incontrolável. Toda vez que fico nervosa demais, isso acontece.
— Então por que você está assim?
— Assim como? Estou normal. Mas votando ao assunto. Sobre suas desculpas, não esquenta que aquilo foi muito pouco à vista que já passei. Agora pode soltar meu braço? — Tento desvencilhar o assunto.
— Claro, desculpe. — Ele solta. — Aqui você não é aquela garota fechada da faculdade, por quê? Percebi que está mais à vontade.
Aponto para o balcão onde estão minha irmã e meu pai.
— Você está vendo aqueles dois ali?
— Sim!
— Pois bem! São meu pai e minha irmã. Benício e Magda.
— Hummm. É ontem conheci seu pai.
Aquela lágrima incontrolável volta ao meu rosto. Sempre me emociona falar deles.
— Por incrível que pareça, aqui, nesse lugar fora do comum para mim, sinto-me em casa. Porque sou amada por eles, entende? Caso alguém tente me fazer mal, tenho alguém que me defenda e eu a eles.
Vitor limpando uma lágrima de meu rosto.
— Entendo perfeitamente e a cada dia admiro mais a tua força. Se precisar também estarei aqui para te defender.
Por que ele falou isso? O que está querendo? Sou tirada de meus pensamentos quando os quatro rapazes reclamam de seu pedido e eu digo que já atenderei. Estando bem nervosa, essa é a deixa que eu precisava para sair de perto dele.
— Posso te ajudar em alguma coisa, Vitor? Preciso atender.
— Pode. Quero uma bebida, por favor.
— Claro, qual você quer?
— A que você quiser.
— Desculpe, eu não bebo.
— Engraçadinha.
— Já volto Vitor.
— Obrigado. — Diz ele olhando agora diretamente para o cardápio.
***
Vou até o balcão, entrego os pedidos e minha irmã me questiona:
— Aquele homem lindo voltou?
— Ele é da faculdade!
— Mas voltou sem aquela bruxa, não é?
— A princípio sim.
***
Camila volta e pelo, o que entendi outro garçom foi servir aqueles outros. Ela me entrega uma bebida e faz novamente menção de ir embora, mas eu a interrompo.
— Aqui sua bebida, Vitor.
— Espere! — Ela se vira assustada.
— Oi!
— Podemos conversar? Gosto tanto de conversar com você Camila.
— Estou trabalhando. Aqui não vai dar.
O pai de Camila se aproxima e quando ele vê que estou segurando o braço dela pergunta:
— Algum problema filha?
— Não, pai, esse aqui é o Vitor! Um amigo da faculdade. — Ela diz, eu a solto.
Ele é bem direto e olhando fixamente em meus olhos, pergunta:
— Hoje você não trouxe aquela moça que humilhou minha filha, trouxe?
— Não, não senhor. Ela não vem mais aqui, pelo menos não comigo.
***
Uma pontada de alegria invade meu coração. Será que realmente não tem mais nada com essa mulher? Estranhamente meu pai, que sempre é desconfiado de tudo e de todos antes de conhecer, é simpático com Vitor.
— Então seja bem-vindo! Meu nome é Benício. Muito prazer. — Diz ele estendendo sua mão e
Vitor retribui o gesto.
— Muito prazer, senhor.
Rapidamente interrompo a conversa.
— Pai! Deixe-o sossegado! Ele quer ficar sozinho.
— Quero nada, eu quero conversar com você.
— Estou ocupada e não posso agora.
Meu pai se aproxima de mim, põe suas mãos em meus ombros me fazendo sentar.
— Está não! Pode conversar sim! Quem manda aqui sou eu.
— Está vendo Camila? Eu pedi antes. Está com medo de mim?
— Eu? Cla… Cla… Claro que não!
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Atualizado até capítulo 43
Comments
Imaculada Abreu
Gostei desta família
2023-07-10
4
Suzane Ribeiro Marreiros
Lindo esse Vitor 💜
2023-01-30
6
Adriane Alvarenga
Amando....❤❤❤❤❤❤ Vitor é um príncipe....
2023-01-29
2