Chegando a sala em que Ricardo está, vejo-o suspirar e estranho, pois Ricardo é a seriedade em pessoa. Nunca o vi assim, ainda mais em horário de trabalho.
— Que cara de felicidade é essa?
— Convidei a Melissa para almoçar e ela aceitou Vitor.
— Que progresso hein, meu amigo! Que progresso!
— Depois falamos disso. Agora é sério! O Henrique já me ofereceu, não abertamente, mas queria.
— Eu ouvi aquelas três meninas, Elisa, Gaby e a…
— Carolina.
— Isso! Ela. Ouvi quando ela falou que ficou louca com o Henrique na noite anterior. Que imbecil! Cair numa merda dessas!
— Sim. Verdadeiros imbecis. Começaremos a desenrolar esse novelo. Eles são tão inteligentes, se entregam sozinhos, Vitor.
— Um bando de babacas, Ricardo!
— Concordo plenamente.
***
Algumas horas depois que conversei com Vitor, chego para buscar Melissa e acredito que ela fica muito feliz, pois assim que me vê abre aquele lindo sorriso que só enxergo nela e que consegue me desfazer por inteiro, confesso.
— Oi, como você está linda!
— Oi, obrigada! Você também está lindo!
Nós nos cumprimentamos com um beijo no rosto e eu pergunto a ela:
— Você trabalha aqui?
— Sim e não! — Diz ela sorrindo sempre. — Vou acompanhar meu pai nesses seis meses. Não sei por que, mas eu já confio em você! Eu te encontro e vou contando minha vida inteira, eu hein!
— Sério? Qual a impressão que você tem de mim?
***
Paro, fito-o nos olhos e respondo brincando com ele:
— Você me passa uma imagem de uma pessoa misteriosa. Ainda não consigo saber o que realmente você esconde, mas você esconde algo, isso é certo!
Vejo-o ficar sem graça. Que bom, Melissa! Ponto para você. Logo após, brinco com ele:
— Hahaha. Peguei você agora!
— O que você quer dizer com isso?
— Foi só uma piada boba, Ricardo. Vamos almoçar?
***
Sinto um alívio e concordo com ela. Sorrio e abro a porta de meu carro para ela entrar.
— Vamos Melissa.
— Obrigada. — Diz ela entrando. Quando fecho a porta suspiro e penso. Essa foi por pouco, Ricardo.
No restaurante, enquanto estamos almoçando, Melissa pergunta:
— Ricardo, diga-me, o que te fez me convidar para almoçar?
— Gostaria de ficar mais perto de você. Posso?
— Pode claro! Quantos anos você tem?
— É uma entrevista?
— Não, só quero saber. Posso? — Ela pergunta sorrindo com seu rosto apoiado em suas mãos e estas apoiadas na mesa.
— Pode. Trinta, por quê? Sou muito velho para você?
— Hum… Deixe-me ver, você passa com 25 tranquilamente.
— Hahaha… Você é divertida.
— Falando sério. Eu não ligo para isso! Gosto de você.
Pego sua mão e ela sorri. Aproveito o ensejo e pergunto:
— E dos meus beijos, você gosta?
— Mais ainda. Eles são maravilhosos.
— Então posso beijá-la a hora que eu quiser?
— Hum, vou pensar no seu caso.
Ela continua rindo e eu a beijo. Que beijo bom. Como posso estar sendo enganado por meus sentimentos dessa maneira? Não era para ter sentimento, isso deveria ser apenas mais um trabalho e só.
***
Depois do almoço, indo para o carro, sigo a frente de Ricardo e ele segurando em meu braço gentilmente.
— Melissa!
— Oi, Ricardo.
— Posso te fazer uma pergunta?
— Duas com essa, não é?
— Engraçadinha.
— Faça!
— Você já soube de algum caso de drogas nos semestres passados?
Paro, viro-me totalmente para ele e primeiro penso por qual motivo ele está me fazendo essa pergunta. Sinceramente não entendo. Pensei que ele iria falar de nós dois ou me beijar. Mas sou direta e revido com outra pergunta:
— Por que você está me perguntando isso, Ricardo?
— Porque na outra faculdade em que eu estudava, houve uns dois casos de uso de drogas em sala de aula. Foi muita confusão e queria saber se nessa já teve. Só por isso, mera curiosidade.
Olho ao redor para me certificar de que não há ninguém por perto e respondo:
— Bom, só vou te falar porque aqui não tem ninguém.
— Sim, estou ouvindo. Confie em mim.
— Já houve uma morte por overdose de um rapaz, mas foi no segundo ano do curso. Faz dois anos. Uns dizem que ele conseguiu fora, outros dizem que foi lá dentro. Meu pai até me falou que a polícia investigou, ele soube com alguns amigos e… — Nesse momento, tampo minha boca, mas é em vão. — Caramba! Falei demais.
Ricardo cruza seus braços.
— Explique-se mocinha.
— Não sei nem por onde começar.
— Pelo começo é uma boa ideia.
— Não te conheço. Não sei se posso confiar em você.
Ele faz um carinho em meu rosto e isso me desconcerta.
— Pode. Confie. Não decepcionarei você.
— Tudo bem. Mas preciso que me prometa que não falará com ninguém, ok?
— Prometido! Fique tranquila!
— Meu pai é um ex-policial!
***
Arqueio meus olhos ao saber dessa notícia. Não estava esperando por esse detalhe. Imediatamente querendo me aprofundar mais na história sem que ela perceba, pergunto:
— Nossa, mas já é aposentado? Pergunto isso porque ele deve ser novo pela tua idade.
— Sim, ele tem quarenta e cinco anos, mas aos trinta…
O telefone de Melissa toca bem na hora que ela ia falar tudo. Discretamente enxergo que no visor está escrito pai e a ouço atender.
— Alô!
— Onde você está minha filha? Preciso de você aqui para assistir a uma reunião. — Estou tão perto de Melissa que escuto nitidamente seu pai falar e ela continua.
— Estou indo pai, dê-me trinta minutos que estarei aí.
— Ok. Aguardo você.
Ela desliga e logo depois se dirigindo a mim, responde sem graça interrompendo nossa conversa que ficará para outra hora, assim espero.
— Ricardo, eu preciso ir. Meu pai me quer na empresa. À noite podemos conversar ok?
— Claro, te levo agora! Vamos.
— Vamos, obrigada!
Entramos e seguimos de volta para a empresa do pai dela.
***
Chegando à empresa, agradeço a Ricardo:
— Obrigada Ricardo. Amei nosso almoço.
— Podemos repetir quando você quiser.
— Sim, podemos. Tenho que ir.
Quando Melissa faz menção de sair do carro, ele me impede e isso me causa calafrios. Mas tento não demonstrar e uso minha tática mais segura, sorrir e brincar com a situação sempre. Aliás, sempre que dá. Nesse momento é cabível.
— Ei, meu beijo.
— Meu Deus, que cabeça a minha, como pude esquecer?
Beijo Ricardo com muita paixão e logo após ficamos muito ofegantes. Olho para ele bem nervosa. Não me lembro de ter beijado dessa forma antes, mas Ricardo me leva para outro lugar. Ele me faz sentir outras emoções. Não sei explicar.
— Melhor eu ir Ricardo. Se ficarmos mais tempo juntos, não sei o que fazer.
— Fique tranquila, eu sei exatamente o que fazer.
Rimos bastante nesse momento.
— Preciso ir. Até a noite. Tchau, Ricardo.
— Tchau, Melissa.
***
Chego à sala em que meu pai está em reunião com o tal Rodrigo e o ouço dizer:
— Não, não Rodrigo! Quero uma ideia que não impeça as pessoas a participarem seja qual for sua limitação. Características físicas, deficiências. Ninguém pode ficar de fora. Nessa empresa aceitamos a pessoa pelo caráter dela e é isso!
Surge uma ideia em minha mente e eu interrompendo os dois peço para falar.
— Pai, eu posso sugerir uma ideia? Não sei se pode entrar em pauta, mas gostaria muito de ajudar.
— Diga minha filha, estou ouvindo.
— Poderíamos fazer um concurso na universidade, tema de escolha livre e a equipe vencedora, o professor responsável em questão escolheria uma pessoa para representar e esse seria contratado. Assim teremos várias escolhas, pela capacidade e não por influência de alguém. Minha ideia é muito ruim?
— Achei simplesmente ótima sua ideia. É isso! Coloquemos em pauta. Rodrigo resolva tudo com a Melissa. Quero essa ideia pronta para a semana que vem. Anunciaremos na universidade que você estuda minha filha.
***
Assim que a vejo, já penso.
“Essa mimada sai do nada para atrapalhar meus planos”. E a ouço dizer enquanto abraça o pai.
— Obrigada, pai, eu te amo!
— Também te amo minha filha. Como sempre você me dando orgulho.
— Obrigada!
E eu tenho que aguentar essa cena patética.
***
À noite, antes da aula, chego mais cedo e para tentar criar vínculos aproximo-me de Elisa, Gaby e Carolina.
— Meninas, eu posso me sentar aqui com vocês?
Elisa, Gaby e Carolina olham para mim com desprezo e Carolina de imediato responde:
— Camila, seu nome não é?
— Sim.
— Então, Camila, a resposta é clara. Óbvio que não! — Sinto meu coração gelar. — Estamos investindo em alguns rapazes e você vai atrapalhar nossos planos. Vê se você se enxerga garota. Use melhor seu espelho. Está precisando. — Carolina enche a boca e zomba com o fato de eu estar acima do peso. As três debocham de mim. Fico com meus olhos marejados e engulo em seco. Fico sem palavras. Nunca tenho palavras suficientes boas para falar na hora. Só depois é que elas surgem em minha mente fazendo-me ter raiva de mim mesma por não tê-las proferido na hora certa.
— Desculpem-me, não queria atrapalhar!
Carolina, ainda responde a mim para finalizar.
— Sai daqui e não se atreva a nos incomodar mais.
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Atualizado até capítulo 43
Comments
Teresinha Galvão
queria que victor tivesse ouvido
2023-09-18
3
Clau...Clau
Que triste o bullying....
2023-04-06
0
Clau...Clau
Que resposta do Ricardo Kkkķkkk Eu sei o que fazer.... abana,....
2023-04-06
0