Capítulo 08 — Minha boca grande

Chegando a sala em que Ricardo está, vejo-o suspirar e estranho, pois Ricardo é a seriedade em pessoa. Nunca o vi assim, ainda mais em horário de trabalho.

— Que cara de felicidade é essa?

— Convidei a Melissa para almoçar e ela aceitou Vitor.

— Que progresso hein, meu amigo! Que progresso!

— Depois falamos disso. Agora é sério! O Henrique já me ofereceu, não abertamente, mas queria.

— Eu ouvi aquelas três meninas, Elisa, Gaby e a…

— Carolina.

— Isso! Ela. Ouvi quando ela falou que ficou louca com o Henrique na noite anterior. Que imbecil! Cair numa merda dessas!

— Sim. Verdadeiros imbecis. Começaremos a desenrolar esse novelo. Eles são tão inteligentes, se entregam sozinhos, Vitor.

— Um bando de babacas, Ricardo!

— Concordo plenamente.

***

Algumas horas depois que conversei com Vitor, chego para buscar Melissa e acredito que ela fica muito feliz, pois assim que me vê abre aquele lindo sorriso que só enxergo nela e que consegue me desfazer por inteiro, confesso.

— Oi, como você está linda!

— Oi, obrigada! Você também está lindo!

Nós nos cumprimentamos com um beijo no rosto e eu pergunto a ela:

— Você trabalha aqui?

— Sim e não! — Diz ela sorrindo sempre. — Vou acompanhar meu pai nesses seis meses. Não sei por que, mas eu já confio em você! Eu te encontro e vou contando minha vida inteira, eu hein!

— Sério? Qual a impressão que você tem de mim?

***

Paro, fito-o nos olhos e respondo brincando com ele:

— Você me passa uma imagem de uma pessoa misteriosa. Ainda não consigo saber o que realmente você esconde, mas você esconde algo, isso é certo!

Vejo-o ficar sem graça. Que bom, Melissa! Ponto para você. Logo após, brinco com ele:

— Hahaha. Peguei você agora!

— O que você quer dizer com isso?

— Foi só uma piada boba, Ricardo. Vamos almoçar?

***

Sinto um alívio e concordo com ela. Sorrio e abro a porta de meu carro para ela entrar.

— Vamos Melissa.

— Obrigada. — Diz ela entrando. Quando fecho a porta suspiro e penso. Essa foi por pouco, Ricardo.

No restaurante, enquanto estamos almoçando, Melissa pergunta:

— Ricardo, diga-me, o que te fez me convidar para almoçar?

— Gostaria de ficar mais perto de você. Posso?

— Pode claro! Quantos anos você tem?

— É uma entrevista?

— Não, só quero saber. Posso? — Ela pergunta sorrindo com seu rosto apoiado em suas mãos e estas apoiadas na mesa.

— Pode. Trinta, por quê? Sou muito velho para você?

— Hum… Deixe-me ver, você passa com 25 tranquilamente.

— Hahaha… Você é divertida.

— Falando sério. Eu não ligo para isso! Gosto de você.

Pego sua mão e ela sorri. Aproveito o ensejo e pergunto:

— E dos meus beijos, você gosta?

— Mais ainda. Eles são maravilhosos.

— Então posso beijá-la a hora que eu quiser?

— Hum, vou pensar no seu caso.

Ela continua rindo e eu a beijo. Que beijo bom. Como posso estar sendo enganado por meus sentimentos dessa maneira? Não era para ter sentimento, isso deveria ser apenas mais um trabalho e só.

***

Depois do almoço, indo para o carro, sigo a frente de Ricardo e ele segurando em meu braço gentilmente.

— Melissa!

— Oi, Ricardo.

— Posso te fazer uma pergunta?

— Duas com essa, não é?

— Engraçadinha.

— Faça!

— Você já soube de algum caso de drogas nos semestres passados?

Paro, viro-me totalmente para ele e primeiro penso por qual motivo ele está me fazendo essa pergunta. Sinceramente não entendo. Pensei que ele iria falar de nós dois ou me beijar. Mas sou direta e revido com outra pergunta:

— Por que você está me perguntando isso, Ricardo?

— Porque na outra faculdade em que eu estudava, houve uns dois casos de uso de drogas em sala de aula. Foi muita confusão e queria saber se nessa já teve. Só por isso, mera curiosidade.

Olho ao redor para me certificar de que não há ninguém por perto e respondo:

— Bom, só vou te falar porque aqui não tem ninguém.

— Sim, estou ouvindo. Confie em mim.

— Já houve uma morte por overdose de um rapaz, mas foi no segundo ano do curso. Faz dois anos. Uns dizem que ele conseguiu fora, outros dizem que foi lá dentro. Meu pai até me falou que a polícia investigou, ele soube com alguns amigos e… — Nesse momento, tampo minha boca, mas é em vão. — Caramba! Falei demais.

Ricardo cruza seus braços.

— Explique-se mocinha.

— Não sei nem por onde começar.

— Pelo começo é uma boa ideia.

— Não te conheço. Não sei se posso confiar em você.

Ele faz um carinho em meu rosto e isso me desconcerta.

— Pode. Confie. Não decepcionarei você.

— Tudo bem. Mas preciso que me prometa que não falará com ninguém, ok?

— Prometido! Fique tranquila!

— Meu pai é um ex-policial!

***

Arqueio meus olhos ao saber dessa notícia. Não estava esperando por esse detalhe. Imediatamente querendo me aprofundar mais na história sem que ela perceba, pergunto:

— Nossa, mas já é aposentado? Pergunto isso porque ele deve ser novo pela tua idade.

— Sim, ele tem quarenta e cinco anos, mas aos trinta…

O telefone de Melissa toca bem na hora que ela ia falar tudo. Discretamente enxergo que no visor está escrito pai e a ouço atender.

— Alô!

— Onde você está minha filha? Preciso de você aqui para assistir a uma reunião. — Estou tão perto de Melissa que escuto nitidamente seu pai falar e ela continua.

— Estou indo pai, dê-me trinta minutos que estarei aí.

— Ok. Aguardo você.

Ela desliga e logo depois se dirigindo a mim, responde sem graça interrompendo nossa conversa que ficará para outra hora, assim espero.

— Ricardo, eu preciso ir. Meu pai me quer na empresa. À noite podemos conversar ok?

— Claro, te levo agora! Vamos.

— Vamos, obrigada!

Entramos e seguimos de volta para a empresa do pai dela.

***

Chegando à empresa, agradeço a Ricardo:

— Obrigada Ricardo. Amei nosso almoço.

— Podemos repetir quando você quiser.

— Sim, podemos. Tenho que ir.

Quando Melissa faz menção de sair do carro, ele me impede e isso me causa calafrios. Mas tento não demonstrar e uso minha tática mais segura, sorrir e brincar com a situação sempre. Aliás, sempre que dá. Nesse momento é cabível.

— Ei, meu beijo.

— Meu Deus, que cabeça a minha, como pude esquecer?

Beijo Ricardo com muita paixão e logo após ficamos muito ofegantes. Olho para ele bem nervosa. Não me lembro de ter beijado dessa forma antes, mas Ricardo me leva para outro lugar. Ele me faz sentir outras emoções. Não sei explicar.

— Melhor eu ir Ricardo. Se ficarmos mais tempo juntos, não sei o que fazer.

— Fique tranquila, eu sei exatamente o que fazer.

Rimos bastante nesse momento.

— Preciso ir. Até a noite. Tchau, Ricardo.

— Tchau, Melissa.

***

Chego à sala em que meu pai está em reunião com o tal Rodrigo e o ouço dizer:

— Não, não Rodrigo! Quero uma ideia que não impeça as pessoas a participarem seja qual for sua limitação. Características físicas, deficiências. Ninguém pode ficar de fora. Nessa empresa aceitamos a pessoa pelo caráter dela e é isso!

Surge uma ideia em minha mente e eu interrompendo os dois peço para falar.

— Pai, eu posso sugerir uma ideia? Não sei se pode entrar em pauta, mas gostaria muito de ajudar.

— Diga minha filha, estou ouvindo.

— Poderíamos fazer um concurso na universidade, tema de escolha livre e a equipe vencedora, o professor responsável em questão escolheria uma pessoa para representar e esse seria contratado. Assim teremos várias escolhas, pela capacidade e não por influência de alguém. Minha ideia é muito ruim?

— Achei simplesmente ótima sua ideia. É isso! Coloquemos em pauta. Rodrigo resolva tudo com a Melissa. Quero essa ideia pronta para a semana que vem. Anunciaremos na universidade que você estuda minha filha.

***

Assim que a vejo, já penso.

“Essa mimada sai do nada para atrapalhar meus planos”. E a ouço dizer enquanto abraça o pai.

— Obrigada, pai, eu te amo!

— Também te amo minha filha. Como sempre você me dando orgulho.

— Obrigada!

E eu tenho que aguentar essa cena patética.

***

À noite, antes da aula, chego mais cedo e para tentar criar vínculos aproximo-me de Elisa, Gaby e Carolina.

— Meninas, eu posso me sentar aqui com vocês?

Elisa, Gaby e Carolina olham para mim com desprezo e Carolina de imediato responde:

— Camila, seu nome não é?

— Sim.

— Então, Camila, a resposta é clara. Óbvio que não! — Sinto meu coração gelar. — Estamos investindo em alguns rapazes e você vai atrapalhar nossos planos. Vê se você se enxerga garota. Use melhor seu espelho. Está precisando. — Carolina enche a boca e zomba com o fato de eu estar acima do peso. As três debocham de mim. Fico com meus olhos marejados e engulo em seco. Fico sem palavras. Nunca tenho palavras suficientes boas para falar na hora. Só depois é que elas surgem em minha mente fazendo-me ter raiva de mim mesma por não tê-las proferido na hora certa.

— Desculpem-me, não queria atrapalhar!

Carolina, ainda responde a mim para finalizar.

— Sai daqui e não se atreva a nos incomodar mais.

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Comments

Teresinha Galvão

Teresinha Galvão

queria que victor tivesse ouvido

2023-09-18

3

Clau...Clau

Clau...Clau

Que triste o bullying....

2023-04-06

0

Clau...Clau

Clau...Clau

Que resposta do Ricardo Kkkķkkk Eu sei o que fazer.... abana,....

2023-04-06

0

Ver todos
Capítulos
1 Capítulo 01 — A missão
2 Capítulo 02 — Quando te conheci
3 Capítulo 03 — O tombo
4 Capítulo 04 — Um anjo
5 Capítulo 05 — Amizade rompida
6 Capítulo 06 — Nosso beijo
7 Capítulo 07 — Convite
8 Capítulo 08 — Minha boca grande
9 Capítulo 09 — Tentativa de assalto
10 Capítulo 10 — Decidida
11 Capítulo 11 — Esperteza
12 Capítulo 12 — Nosso amor
13 Capítulo 13 — O dossiê
14 Capítulo 14 — Ameaçador
15 Capítulo 15 — Sobre preconceito
16 Capítulo 16 — Ele novamente
17 Capítulo 17 — Minha vingança
18 Capítulo 18 — O primeiro beijo
19 Capítulo 19 — A rejeição
20 Capítulo 20 — Amor de pai
21 Capítulo 21 — Amiga que defende
22 Capítulo 22 — Ela voltou
23 Capítulo 23 — Minha mãe
24 Capítulo 24 — Sarna para se coçar
25 Capítulo 25 — Sem vida
26 Capítulo 26 — Indignação
27 Capítulo 27 — Menina esperta
28 Capítulo 28 — O teste
29 Capítulo 29 — Doação de mãe
30 Capítulo 30 — Triste notícia
31 Capítulo 31 — Um tempo
32 Capítulo 32 — Reencontrando você
33 Capítulo 33 — Meu namorado
34 Capítulo 34 — Grávida
35 Capítulo 35 — Uma ameaça
36 Capítulo 36 — Meu filho
37 Capítulo 37 — O sequestro
38 Capítulo 38 — Liberdade
39 Capítulo 39 — Primeira vez
40 Capítulo 40 — Pedidos de casamento
41 Capítulo 41 — A apresentação
42 Capítulo 42 — O contrato
43 Capítulo 43 — Era para ser você
Capítulos

Atualizado até capítulo 43

1
Capítulo 01 — A missão
2
Capítulo 02 — Quando te conheci
3
Capítulo 03 — O tombo
4
Capítulo 04 — Um anjo
5
Capítulo 05 — Amizade rompida
6
Capítulo 06 — Nosso beijo
7
Capítulo 07 — Convite
8
Capítulo 08 — Minha boca grande
9
Capítulo 09 — Tentativa de assalto
10
Capítulo 10 — Decidida
11
Capítulo 11 — Esperteza
12
Capítulo 12 — Nosso amor
13
Capítulo 13 — O dossiê
14
Capítulo 14 — Ameaçador
15
Capítulo 15 — Sobre preconceito
16
Capítulo 16 — Ele novamente
17
Capítulo 17 — Minha vingança
18
Capítulo 18 — O primeiro beijo
19
Capítulo 19 — A rejeição
20
Capítulo 20 — Amor de pai
21
Capítulo 21 — Amiga que defende
22
Capítulo 22 — Ela voltou
23
Capítulo 23 — Minha mãe
24
Capítulo 24 — Sarna para se coçar
25
Capítulo 25 — Sem vida
26
Capítulo 26 — Indignação
27
Capítulo 27 — Menina esperta
28
Capítulo 28 — O teste
29
Capítulo 29 — Doação de mãe
30
Capítulo 30 — Triste notícia
31
Capítulo 31 — Um tempo
32
Capítulo 32 — Reencontrando você
33
Capítulo 33 — Meu namorado
34
Capítulo 34 — Grávida
35
Capítulo 35 — Uma ameaça
36
Capítulo 36 — Meu filho
37
Capítulo 37 — O sequestro
38
Capítulo 38 — Liberdade
39
Capítulo 39 — Primeira vez
40
Capítulo 40 — Pedidos de casamento
41
Capítulo 41 — A apresentação
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Capítulo 42 — O contrato
43
Capítulo 43 — Era para ser você

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