Capítulo 19 — A rejeição

Saio daquele banheiro atrás de Camila a fim de alcançá-la antes de ela ir embora, pois depois de toda aquela situação, com certeza, ela faria isso. Ando um pouco a sua procura até que a acho sentada em um pequeno canteiro que abriga algumas rosas-vermelhas no pátio da universidade. Encontro ela chorando com a cabeça abaixada segurando seus livros. Arranco uma rosa e entrego a ela.

— Pode aceitar essa rosa?

Camila me olha, depois olha para a flor e pega a mesma, mas nada diz. Permanece com a cabeça abaixada, agora olhando para a flor. Sinto a oportunidade de me aproximar e sentar ao seu lado. Espero um tempo, respiro fundo e faço a pergunta que estou interessado nesse momento:

— Camila, por que você fez aquilo?

Ela chora ainda mais e tenho a sensação de que nunca fez aquilo. Ficamos mais um tempo quietos. Camila enfim me pergunta quebrando o silêncio.

— Vitor o que você pretende fazendo o que está fazendo comigo?

— Nada de mal. Por que desconfiar tanto de mim?

— Não chegue mais perto de mim, por favor. — Ela fala e me olha com raiva. — Foi por sua causa que bati naquela ordinária.

— Minha causa?

— Pelo que você fez, elas foram atrás e falaram coisas horríveis, eu simplesmente não aguentei.

— Pelo beijo? — Ela faz que sim com a cabeça.

Chego perto e a abraço. Ela chora em meu ombro e eu falo:

— Calma. Não fique assim, por favor, desculpe-me.

Ela me afasta, seca suas lágrimas e me olha com uma raiva ainda maior.

— Não chegue mais perto de mim. Eu não sou mulher para você!

— O quê?

— É isso mesmo, deixe-me em paz! Vou embora!

Camila faz menção de ir, mas não deixo e seguro-a pelo braço.

— Espere. Não vai assistir à aula?

— Não! Deixe-me em paz! Vai procurar uma mulher bonita. Volta para aquela mulher que você levou ao bar. Sei lá. Mas deixe-me em paz, ouviu? Eu não sou para você. Entenda isso de uma vez.

— Eu nunca tive nada sério com ela. Agora mesmo que não temos mais nada. Mas o que está querendo dizer quando diz que não é para mim?

— Não é perceptível para você? Deixe-me em paz! Solte-me!

Fico sem ação toda vez que a ouço falar assim. Solto seu braço e ela vai embora. Quando a vejo sair só consigo pensar em voz alta.

— O problema dela é maior que eu imaginava. Preciso dar um jeito nisso.

Vou para minha casa. Depois disso tudo, eu não consigo simplesmente pensar que nada aconteceu. Chego a minha casa e penso em um jeito de ajudar Camila. E assim fico durante toda a noite. Não durmo. Preciso de uma ideia certeira. Amanhece e permaneço com a mente acesa. Trabalho e fico alheio a qualquer assunto durante todo o dia. Ricardo percebe, mas nada fala. Chega à noite e ligo para ele que logo atende.

— Oi, Vitor! Fale.

— Não vou para investigação hoje, preciso resolver um probleminha pessoal, depois te conto.

— Tá, tudo bem! Quer ajuda?

— Não! Fique tranquilo.

— Ok, meu amigo.

Desligamos e saio para pôr em ação a minha ideia.

***

Sinto a voz do Vitor apreensiva. Aliás, ele ficou assim o dia todo e nada falou. Resolvi dar o espaço dele. Quando ele fica, sim, é porque está preocupado com algum assunto importante. E agora liga para dizer que não vai.

— Quem era Ricardo?

— Vitor disse que não vai hoje.

— Então vamos ficar também? Só hoje, vai. Você está cansado, eu também com esses últimos acontecimentos. Vamos ficar aqui? O que você acha?

— Tentadora essa opção Melissa.

— Tentadora né? — Responde Melissa levantando minha camisa e me beijando. Até que eu a pego e a coloco em meu ombro com a intenção de levá-la para cama. Ela rindo me pede:

— Ricardo, me coloque no chão. Está fazendo cócegas.

Chegamos até meu quarto, coloco-a gentilmente em minha cama e ela fala:

— Meu sentimento por você cada dia aumenta mais.

— Estou te desejando muito nesse momento, Melissa.

— Então vem. Estou pronta. Sou toda sua.

***

Tenho a ideia de ir falar com o pai de Camila. Não sei como será, pois, não o conheço. Mas imagino que se tem alguém que pode ajudá-la são as pessoas que ela ama e confia. Na mesma hora em que adentro o local, o avisto.

— Boa noite! Senhor Benício?

— Oi, meu rapaz, tudo bem?

— Comigo sim.

— Camila não está aqui. Deve estar na faculdade há essa hora.

— Eu sei! Vim falar com o senhor.

— Comigo? — Pergunta ele estranhando.

— Sim! — Enfatizo.

— Em que posso ajudar meu filho?

— Podemos conversar em um lugar mais calmo?

— Claro! Vamos ao meu escritório, por favor. — Diz Benício indicando o caminho.

— Certo. Vamos!

Quando chegamos, ele faz questão de me receber bem. Pelo menos é um bom começo.

— Fique à vontade rapaz. Pode se sentar.

— Ok. Obrigado.

— Em que posso ser útil?

— Eu não sei se o senhor está preparado para ouvir, mas preciso falar sobre a Camila.

— O que houve com a minha filha? Ela está bem? — Pergunta ele assustado.

— Acalme-se! Ela está bem! Sente-se.

Benício senta-se novamente e eu continuo.

— O que preciso falar sobre a Camila, pelo pouco que pude observar é que ela tem um sério problema e que ele não é de agora.

— Problema? Continue, por favor.

— Então… Deixe-me explicar.

Falo sobre tudo o que observei em Camila desde que a conheci. Cada momento de choro. Sobre o preconceito que ela enfrenta diariamente. Só não comento o fato que me fez tomar a decisão de vir aqui, a surra que ela deu na Carolina. Acredito que isso ela tem que falar. Depois que ele ouve tudo, põe as mãos na cabeça, fecha seus olhos sentindo-se culpado. Não queria que ele se sentisse assim, mas precisava fazer isso por ela.

— Eu não imaginava que minha filha sofria tanto assim, Vitor.

— Pois é! É a primeira vez que me deparo com esse tipo de situação e acredito que ela esteja precisando de ajuda o mais rápido possível. E é importante que ela seja ajudada por pessoas que ela confia.

— Claro, você está certo. Ela começou a engordar faz dez anos. Quando a mãe dela faleceu. Depois não parou mais.

— Então está aí o gatilho dela. Já é um caminho andando.

— Só pode ser! Até os doze anos era uma garota normal.

— Esse termo a inferioriza mais ainda. Ela é normal, obesidade é uma doença crônica com tratamento. E isso está fazendo mal ao psicológico dela.

— Você está certo! Tentarei ajudar minha filha. Vou observar mais e conversar com ela.

— Faça isso! O que eu puder, eu farei. Mas não diga a ela que eu estive aqui, tudo bem?

— Claro, você é um bom rapaz, meu filho. Obrigado por sua ajuda!

***

Vitor com um ar de apaixonado mesmo sem saber e passando essa imagem ao pai dela.

— Se eu conseguir ver um sorriso sincero nela, sem aquela dor, já será o bastante para eu ficar imensamente feliz.

Benício estendendo a mão para Vitor.

— Muito obrigado por sua ajuda! É de amigos assim que minha filha precisa.

— Fico muito feliz em ajudá-la. É uma amiga muito especial. Gosto muito dela.

***

Na faculdade, já em sala de aula, noto que Vitor, Ricardo e Melissa não vieram e presto atenção quando a professora faz o anúncio sobre o projeto.

— Então é isso, pessoal! Vocês são trinta e cinco alunos, preciso de grupos de até oito pessoas.

Será nosso projeto final de apresentação para toda a faculdade e para a empresa em questão. O aluno receberá sua nota individual e a do grupo. Para passar precisa de no mínimo nota sete individualmente e oito na apresentação com seus colegas. Todos os dias, discutiremos um pouco sobre esse projeto porque no final terá um prêmio que falarei mais tarde. Formem suas equipes.

Vejo Carolina com alguns arranhões em seus ombros, um em seu rosto e sua boca machucada ordenando seu grupo.

— Vocês aqui. Gaby, Elisa, Eu, Henrique, Cássio.

Cássio sugere colocar Melissa e ela concorda.

— Melhor colocar a Melissa, ela é muito inteligente.

— Ok! Melissa. Alguém sabe do Fernando?

Henrique fala a todos:

— Não apareceu mais.

Alguns minutos depois Carolina terminando sua contagem.

— Então para finalizar. Somos 3, 4, 5, 6 com a Melissa. Fechado aqui professora.

A professora pergunta a turma:

— Todos já formaram grupos? Já colocaram os nomes de quem faltou?

Todos respondem juntos:

— SIM.

Olho para todos e sou a única da turma que não fui escolhida por ninguém. Já esperava por isso antes da surra. Depois, então, é óbvio que ficariam contra mim. Mas tive motivo e não me arrependo mesmo a vendo machucada. Permaneço só e a professora pergunta:

— Camila, você está em qual grupo?

— Vou fazer sozinha, professora.

— Camila, se você perder a nota em grupo ficará mais difícil. Poderá ter que repetir essa matéria e isso não será bom para suas notas finais.

As três meninas más debocham de mim. Carolina fala para todos ouvirem.

— Não tem problema, ela sozinha preenche as oito pessoas.

Merda! Começou! Seja forte Camila. Não chore aqui. Fico muito triste novamente.

A professora fala em minha defesa:

— Parem já com isso! Não tem nenhuma criança aqui! Somos todos adultos. Que vergonha! E se continuarem já anoto menos um ponto. Comportam-se como crianças, têm que ser tratados assim também.

A turma para de rir imediatamente e eu digo à professora:

— Não tem problema! Dou meu jeito professora. Fique despreocupada.

— Ok. Qualquer mudança avise-me. Estarei aqui se precisar de ajuda.

— Obrigada! — Agradeço a ela pela preocupação.

***

Depois que acaba a aula, saio da faculdade e indo para casa, eu choro muito no caminho por ter que enfrentar mais uma rejeição. E o pior: pelo simples fato de mais uma vez não ter feito nada para que tudo isso acontecesse. A surra foi decorrência do próprio preconceito delas. Saio pela rua abraçada aos meus livros e chorando falo alto porque nesse momento ninguém ouvirá mesmo.

— Bem feito, sua ridícula! Já era para ter acostumado com isso. Ninguém gosta de você. Não gostam e nunca vão gostar. Aceite para doer menos. Eu me odeio!

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Comments

Ivanilda Santos

Ivanilda Santos

É assim que começa a mente suicida

2023-10-05

4

Imaculada Abreu

Imaculada Abreu

A Melissa poderia ajudar a Camila.

2023-07-10

0

Edna Batista

Edna Batista

pessoal é ruim hein?

2023-06-20

0

Ver todos
Capítulos
1 Capítulo 01 — A missão
2 Capítulo 02 — Quando te conheci
3 Capítulo 03 — O tombo
4 Capítulo 04 — Um anjo
5 Capítulo 05 — Amizade rompida
6 Capítulo 06 — Nosso beijo
7 Capítulo 07 — Convite
8 Capítulo 08 — Minha boca grande
9 Capítulo 09 — Tentativa de assalto
10 Capítulo 10 — Decidida
11 Capítulo 11 — Esperteza
12 Capítulo 12 — Nosso amor
13 Capítulo 13 — O dossiê
14 Capítulo 14 — Ameaçador
15 Capítulo 15 — Sobre preconceito
16 Capítulo 16 — Ele novamente
17 Capítulo 17 — Minha vingança
18 Capítulo 18 — O primeiro beijo
19 Capítulo 19 — A rejeição
20 Capítulo 20 — Amor de pai
21 Capítulo 21 — Amiga que defende
22 Capítulo 22 — Ela voltou
23 Capítulo 23 — Minha mãe
24 Capítulo 24 — Sarna para se coçar
25 Capítulo 25 — Sem vida
26 Capítulo 26 — Indignação
27 Capítulo 27 — Menina esperta
28 Capítulo 28 — O teste
29 Capítulo 29 — Doação de mãe
30 Capítulo 30 — Triste notícia
31 Capítulo 31 — Um tempo
32 Capítulo 32 — Reencontrando você
33 Capítulo 33 — Meu namorado
34 Capítulo 34 — Grávida
35 Capítulo 35 — Uma ameaça
36 Capítulo 36 — Meu filho
37 Capítulo 37 — O sequestro
38 Capítulo 38 — Liberdade
39 Capítulo 39 — Primeira vez
40 Capítulo 40 — Pedidos de casamento
41 Capítulo 41 — A apresentação
42 Capítulo 42 — O contrato
43 Capítulo 43 — Era para ser você
Capítulos

Atualizado até capítulo 43

1
Capítulo 01 — A missão
2
Capítulo 02 — Quando te conheci
3
Capítulo 03 — O tombo
4
Capítulo 04 — Um anjo
5
Capítulo 05 — Amizade rompida
6
Capítulo 06 — Nosso beijo
7
Capítulo 07 — Convite
8
Capítulo 08 — Minha boca grande
9
Capítulo 09 — Tentativa de assalto
10
Capítulo 10 — Decidida
11
Capítulo 11 — Esperteza
12
Capítulo 12 — Nosso amor
13
Capítulo 13 — O dossiê
14
Capítulo 14 — Ameaçador
15
Capítulo 15 — Sobre preconceito
16
Capítulo 16 — Ele novamente
17
Capítulo 17 — Minha vingança
18
Capítulo 18 — O primeiro beijo
19
Capítulo 19 — A rejeição
20
Capítulo 20 — Amor de pai
21
Capítulo 21 — Amiga que defende
22
Capítulo 22 — Ela voltou
23
Capítulo 23 — Minha mãe
24
Capítulo 24 — Sarna para se coçar
25
Capítulo 25 — Sem vida
26
Capítulo 26 — Indignação
27
Capítulo 27 — Menina esperta
28
Capítulo 28 — O teste
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Capítulo 29 — Doação de mãe
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Capítulo 31 — Um tempo
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Capítulo 32 — Reencontrando você
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Capítulo 33 — Meu namorado
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Capítulo 34 — Grávida
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Capítulo 35 — Uma ameaça
36
Capítulo 36 — Meu filho
37
Capítulo 37 — O sequestro
38
Capítulo 38 — Liberdade
39
Capítulo 39 — Primeira vez
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