Chego correndo no meu primeiro dia de aula. Como sempre, peguei um engarrafamento do caramba e cheguei atrasada. Mas cheguei a tempo de responder à chamada. Para que foi correr? No mesmo momento em que entrei na sala, tropecei e caí na frente de todos. Enquanto todos riam de mim, senti uma mão forte me acudir e perguntar se estou bem. Quem se importa comigo assim? O primeiro pensamento que me vem à cabeça enquanto ele me ajuda é: Merda! Por que isso sempre acontece?
Reparo melhor nele e como se estivesse vendo um anjo respondo:
— Sim, Si… Sim… Estou… Bem… — Gaguejo com um novo brilho em meu olhar quando me deparo com aquele homem. Meu Deus, eu nunca vi um homem tão bonito em minha vida. Um verdadeiro deus grego. Sua tonta cai justo aqui. Pena que nunca terei oportunidade com alguém assim.
***
Meu nome é Camila. Tenho 22 anos. Sou bem gordinha. A última vez em que me pesei estava com 42 kg acima do peso ideal. Uso óculos e sinceramente me acho inferior a todos. Mas esse sentimento não nasceu de mim, e sim, de todas as rejeições que já passei na minha vida. Dizem que sou inteligente, mas do que adianta, se as pessoas só veem o que temos por fora? E eu não estou aqui para agradar a ninguém atualmente, nem a mim mesma, eu agrado. Quanto mais outra pessoa. Ouço aquele homem perguntar se estou bem e fico calada apenas o admirando. Ele novamente pergunta:
— Ei, está tudo bem? Perguntei e você não me respondeu.
Como sempre brincalhona, falo para tentar descontrair enquanto ele acaba de pegar meus livros e me devolver.
— Obrigada e desculpe-me por isso. Aqui não é curso de levantamento de peso, e sim, de administração, não é mesmo?
Ele continua olhando sério para mim. Minha piada não funcionou. Ai, meu Deus!
***
Diferente essa menina. Ela brincou até com o tombo dela. Não entendo o porquê, mas gosto do jeito extrovertido dela. Enquanto a ajudo a se levantar e entrego seus livros, falo:
— Como você é boba, menina! Pare com isso. Aqui estão seus livros, prontinho. Você se machucou? Posso te levar ao ambulatório.
***
A primeira vez em minha vida que caio e alguém me ajuda. As outras só ficaram rindo mesmo e olha que sou experiente em quedas. E é a primeira vez que se oferecem para me levar ao ambulatório, mas não abusarei da sorte. Esse homem lindo não tem tempo para cuidar de uma mulher feia como eu.
— Obri… Bri… Obrigada, sim. Quero dizer, não. Não me machuquei. Foi apenas um susto. — Digo ao ficar encantada com o cavalheirismo dele, pois nunca fui tratada dessa forma por um homem que não fosse meu pai. Dessa vez, ele me sorri e volta para o lugar em que estava sentado quando rapidamente se despede:
— Ok. Seja bem-vinda então. Meu nome é Vitor. Qualquer outra queda, se eu estiver por perto, te ajudo.
Que merda! Sinto meu rosto ficar vermelho quando ele faz essa piada sem graça. Ou será que entendi mal e ele só quer me ajudar mesmo?
— Obrigada mais uma vez Vitor.
Não o encaro e sento em uma cadeira. Direciono-me para uma que está vazia, próximo a uma menina muito bonita que vai com certeza se afastar assim que eu chegar perto. É o que todos fazem. Sento-me, ajeito-me e essa menina diferente do que pensei me estende a mão.
— Oi, meu nome é Melissa, seja bem-vinda!
Estranho, o que está acontecendo? Já é a segunda pessoa que fala comigo. Devolvo o cumprimento por educação.
— Como já deu para perceber. Camila, a desastrada. Obrigada Melissa!
Vejo-a sorri, mas não é de deboche, e sim, de uma forma carinhosa. Nesse momento a professora me chama também.
— Mocinha, hoje é seu primeiro dia?
— Sim, professora, estudava no interior, é meu primeiro dia na capital.
Com o barulho da turma, a professora pede silêncio:
— Silêncio, por favor! Preciso continuar a chamada.
Olho para Vitor, ele me sorri. Viro o rosto pensando. “Ai Jesus! Que homem é esse?”
***
No intervalo da aula, Henrique que está conversando com Cássio.
— Tem certeza que essa é a melhor?
— Estou dizendo. Confie em mim.
***
Fico em um canto conversando com Ricardo e o observo dois rapazes suspeitos. Aviso a ele:
— Ricardo, não olhe, mas tem dois rapazes, acredito que se chamam Henrique e Cássio, prestei atenção na chamada. Eles estão tendo uma atitude bem suspeita. Por mim eu os levaria agora.
***
Estou conversando com Vitor, o ouço me chamar bem ao longe, mas não consigo tirar meus olhos de Melissa. Aquela menina linda que conheci. Acordo de meus pensamentos quando recebo uma tapa no ombro vindo de Vitor e tento disfarçar.
— Acorda Ricardo, estou falando com você.
— Acalme-se! Sabe que não é assim. Prestarei mais atenção neles.
Vitor direciona seu olhar para Melissa, joga uma piada, mas nego veementemente.
— Percebi que você não para de trocar olhares com aquela moça bonita ali.
— Oi? Não cara, não mesmo! Fique quieto que ela está chegando.
***
Se até ontem não tinha muitos rapazes bonitos aqui, agora tem dois. O tal Ricardo que conheci e outro cara que está conversando com ele. O mesmo que ajudou a menina que caiu. Vou até a eles. Só assim, consigo falar com esse Ricardo novamente porque sejamos sinceros, tem homem que te encara e fica parado, nunca toma a decisão de chegar. Pois, eu sou mulher de chegar e perguntar mesmo. Não ficarei apenas em olhares. Aproximo-me dos dois e cumprimento.
— Tudo bem, meninos?
O outro se aproxima e em beija no rosto enquanto diz:
— Olá, tudo bem! Muito prazer, meu nome é Vitor!
***
Que palhaçada é essa, Vitor? Olho para ele com raiva quando ele se aproxima dela e a beija no rosto. Não gosto de sua atitude, parece que fez para provocar. Parece não! Ele fez isso. Como se eu não o conhecesse há 20 anos. O que é isso Ricardo? Ciúmes? Além de não conhecer essa menina, você está trabalhando. Pare imediatamente. Mas não consigo deixar de observar quando Melissa sorrindo para Vitor, diz:
— O meu é Melissa, Vitor! Muito prazer em conhecê-lo. — Diz ela muito sorridente e gostando do jeito extrovertido de Vitor.
Logo após, ela direciona-se para mim e sinto um calafrio. Não! Isso não pode acontecer. Não comigo.
— E você Ricardo, não vai falar comigo?
Estava sentado, mas instintivamente levanto-me e sendo ágil também faço questão de marcar o território beijando Melissa em seu rosto. Sinto algo mais inesperado ainda. Não sei explicar realmente. Nós nos afastamos, mas a minha vontade era beijar outro lugar, em sua boca. Acredito que Vitor percebe essa energia vinda de nós dois. Eu digo, nós dois, porque sinto algo em seu olhar também. Não estou sentindo isso sozinho. Depois que beijo em seu rosto, eu respondo a ela:
— Claro que vou Melissa. Falarei com você sempre que você quiser.
Ela sorri e isso é o mais importante naquele momento, vê-la sorrir.
***
Nossa nunca senti essa energia assim de alguém por um simples beijo no rosto. O que esse homem tem? Meu Deus! Amei esse beijo, mas deixe eu me recompor. Disfarça Melissa. Inicie uma conversa qualquer.
— E, nessa altura, estão gostando da turma, da universidade, rapazes?
Ricardo, olhando para Vitor, responde rapidamente:
— Para mim, é tudo novo aqui! Como disse, acabo de chegar de São Paulo.
— São Paulo, cara? — Pergunta Vitor em um tom que me faz pensar até que combinaram algo.
— Sim. Por quê?
— Eu também. Sou da capital e você?
— Também. Que coincidência!
Rio dos dois e me afasto.
— Com licença. — Digo e depois penso. Homens. Algo estranho no comportamento deles. Não Melissa! Não é nada, você que é desconfiada demais.
***
Observo Melissa se afastar e ouço quando Vitor debocha de mim:
— Noto que o amor está no ar.
— Claro que não! Se for assim, o que você foi fazer com aquela menina que caiu? Gamou na fofinha? — Pergunto dando-lhe tapinhas nas costas.
— Eu? Não, não, claro que não!
— O pegador de mulheres deslumbrantes vai terminar com aquela menina?
— Nem pensei besteira sobre ela. Só a ajudei.
— Sei Vitor. Além de não ter nascido ontem, já nos conhecemos há vinte anos. Então, não tente mentir para mim.
Vi quando sorriu para ela, por ela fazer alguma brincadeira infantil da qual você ama em seus momentos aleatórios.
— Estou dizendo, só ajudei uma menina que precisou naquele momento. Sorri para deixar ela mais tranquila, já que aqueles imbecis ficaram debochando dela. Não gosto que ninguém seja humilhado, seja a forma que for, exceto se merecer. Mas aquela menina não merecia isso.
— Tudo bem. Seu argumento é bom. Finjo que acredito.
***
Será que Ricardo tem razão? Não! Claro que não!
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Atualizado até capítulo 43
Comments
Lia Marinho
já tô gostando muito
2024-04-23
3
Shirlei Costa
enta que já começou o que nós gostamos as pregações 😌😏🤭🥵🔥
2023-09-08
2
Mágda Virgínia Rocha
Qual o problema dele ficar com ela?
Que preconceituoso!!!
2023-07-03
0