Aperto Melissa em um abraço tentando tirar aquela ideia de meu pensamento, mas não funciona. Só consigo pensar em como caí nessa armadilha do destino. Como fui me apaixonar pela filha do homem que meu pai fez tanto mal, mesmo que tenha sido sem intenção. Ficamos por um bom tempo, quietos. E eu fiquei pensativo até que ela perguntar:
— Seu abraço está tão bom. Você pode ficar comigo, mais um pouco? Estou com medo de ficar sozinha.
— Fico sim. Até você dormir, tudo bem?
— Sim, Ricardo. Obrigada!
Algum tempo depois, quando Melissa dorme, desço e encontro com o pai dela. Estendo a mão para ele que corresponde ao gesto.
— Eu a deixei dormindo. Não falei antes, meu nome é Ricardo!
— Obrigado! Meu nome é Elias! Você se parece muito com um amigo que eu tive.
E nesse momento olhando para ele, eu penso. “É porque sou filho dele” — Mas fingindo desentendimento, pergunto: — Pareço?
— Sim. Você é daqui?
— Não! Sou de São Paulo. — Respondo rapidamente.
— Hum! Deve ser apenas coincidência, então.
— Com certeza!
***
Acordo e não sinto mais aqueles fortes braços me protegerem. Rapidamente saio de meu quarto e sigo para as escadas. Quando começo a descer, bate um alívio ao vê-lo ali conversando com meu pai. Desço e vou direto abraçá-lo.
— Ei, você ainda está aqui?
— Sim, estava conversando com seu pai. Mas você estava dormindo.
— Cochilei apenas. Ainda não consegui dormir de fato. Você tem que ir embora ou pode ficar?
Ricardo olha para mim e depois para meu pai e me pergunta:
— Ficar?
— Sim, ficar. Dormir aqui. Por quê? Qual o problema?
Vejo-o ficar totalmente sem ação diante de minha proposta.
— É que… Eu não sei se posso.
Meu pai o tranquiliza afirmando para a minha felicidade.
— Por mim, pode ficar sem problemas, rapaz! Se ela se sentir melhor para dormir, pode ficar sim. Estando debaixo do meu teto, não há problema!
— Obrigada, pai! Vamos Ricardo?
— Sendo assim. Ok. Eu fico.
Num ato impensado, puxo Ricardo pela mão e subimos para o meu quarto. Quando chegamos, me deito em minha cama e digo a ele que não me encara. Até imagino o porquê. Mas sou persistente.
— Deite-se aqui comigo, por favor.
— Melissa, eu…
— Ricardo, deite-se aqui! — Digo persistindo.
Ricardo aceita, deita-se ao meu lado e me abraça. Gosto daquela situação. Nunca fiquei tão próximo de um homem assim.
— Ricardo, seria muito abuso eu pedir que me protegesse?
Sinto aquele aperto gostoso se formar em minha volta novamente.
— Não. Estou aqui. Mas você me chamou apenas para conversar?
— Não. Na verdade, chamei para dormir comigo.
Ricardo engole em seco e pergunta:
— Dormir, dormir?
Entendo o que quer dizer e o tranquilizo.
— Ricardo, é para dormir mesmo, não é para transar. Algum problema nisso?
— Não, nenhum! É que pensei que…
Viro-me e o fito nos olhos.
— Não que eu não esteja sentindo nada nesse momento. Mas…
— Você assim. Nem imagina como me deixa.
Ele me beija de uma forma ainda mais apaixonada e olhando em meus olhos ele fala o que sente:
— Não sei se vou conseguir ficar aqui e não…
— Ricardo, eu não posso transar você agora.
— Por que não? — Pergunta ele espantado.
— Porque sou virgem!
***
Assusto-me e me levanto na mesma hora. Ainda mais essa agora. Ela se vira e percebe minha reação pelo meu olhar. Isso era para ser apenas mais um trabalho, eu tento repetir esse mantra. Mas não funciona. Engulo em seco e fico ainda mais assustado com o que ela fala depois.
— Não precisa se assustar, eu só não estou preparada hoje. — Diz ela levantando e se aproximando.
— Hoje? Suponho que você tenha que fazer isso com um homem especial e…
Vejo Melissa sendo incisiva quando fixa seus olhos nos meus, me puxa pela gola de minha camisa com gentileza me levando a me aproximar dela. Facilmente eu não iria se quisesse. Mas quem disse que quero ficar longe? Presto atenção quando ela diz:
— Eu já decidi! Você é esse homem!
— Eu? Como você sabe disso?
— Sim. É você! Quando nos beijamos algo mágico acontece. Não sei explicar. Mas nunca senti isso antes. É você! Estou decidida!
Mesmo querendo ficar. Resolvo ter um pouco de sanidade, desprendo-me dela e viro-me em direção a porta.
— Melhor eu ir embora, Melissa. Essa conversa está indo longe demais.
— Não, não vai! Fique comigo, por favor. Estou com medo de ficar sozinha. Vem me proteger.
Sinto tanta doçura em sua fala que ela me convence a ficar. Nós deitamos, tento esconder minha arma para que ela não perceba, mas acredito que já tenha visto, porém, nada comentou e eu também não.
Abraço-a com carinho para proteger e fazer com que ela se sinta amada naquele momento. Amada? O que estou pensando meu Deus? Aonde isso tudo vai parar? Tento afastar esses pensamentos e pego no sono junto a ela. Passamos uma noite bem tranquila, pois quando acordo, já vejo claridade entrar pela janela. Levanto, ela ainda dorme feito uma princesa. Uso seu banheiro, lavo meu rosto, quando volto, ela permanece dormindo, nesse momento ela sorri. Eu a admiro e logo minha sanidade novamente me lembra de que tenho que ir embora. Vários pensamentos me assolam. “Ficar aqui com você e não poder te amar, é um castigo para mim”. “Para que você está se metendo com ela?”. “Um cara de trinta anos, já teve várias namoradas, se meter com uma garota de vinte anos e ainda virgem”. “Ela é tão linda e está confiando tanto em mim.” “Mas ela é virgem”! “Eu não posso enganá-la”. “Mas os beijos dela”. “Vai embora agora Ricardo”! É exatamente o que faço. Saio e a deixo dormindo.
***
Acordo num sobressalto. Levanto-me e não o vejo ao meu lado. Logo grito desesperadamente:
— Ricardo!
Alguns minutos depois meu pai chega.
— Minha filha, por que gritou? — Pergunta ele muito preocupado.
O choro vem quase que incontrolável.
— Tive um pesadelo, pai. Muitas coisas envolvidas. O Ricardo era um dos mortos de ontem.
— Acalme-se! Ele está bem. Saiu quase agora.
***
Algum tempo antes, vejo Ricardo descendo as escadas e quando me vê tentar disfarçar sua pressa sendo educado.
— Bom dia, senhor Elias! Tenho que ir trabalhar. Por este motivo estou indo embora.
— Tudo bem, obrigado por ficar com minha filha. Vocês…
— Não. Fique tranquilo! Estou gostando de sua filha, sou um cara sério quando gosto de alguém. — Não sei por que ele disse isso, mas gostei.
— Tudo bem. Sem problemas.
— Preciso ir senhor Elias. Tenha um ótimo dia!
— Você também!
Subo pelo elevador dentro de minha casa para falar com minha filha, quando estou quase chegando, ouço seu grito.
***
— E foi isso que aconteceu filha. Ele está bem meu amor.
— Por que ele foi embora sem falar comigo? — Ela pergunta entristecida.
— Ele foi trabalhar, minha filha.
— Pensei que ia ficar aqui para me proteger. Eu pedi a ele.
— Você está gostando dele?
— Sim. Muito!
— Vocês já? Não gosto nem de pensar, mas é algo que terei que encarar.
— Não, pai, quando acontecer o senhor vai ser o primeiro, a saber.
— E pelo visto, como você já disse uma vez, parece que já fez sua escolha.
— Sim, pai. É ele! Fique ciente disso.
— Você não está se precipitando? Há quanto tempo o conhece?
— Quatro dias.
Fico com os olhos arregalados e chamo sua atenção.
— Melissa!
— Pai, é ele! Eu sinto. Eu sei! O senhor sabe que tive sempre instinto para essas coisas.
— Eu sei! Mas é preciso cuidado. Investigar.
— Pai, dessa vez não! Não investigue a vida dele, eu estou te pedindo, por favor.
— Faço isso para te proteger.
— Isso sempre me afasta de todos os caras que me envolvo. Não faça isso! Deixe-me conhecer ele naturalmente.
— Tudo bem, mas se precisar já sabe que vou fazer.
Ela concordando comigo por um instante.
— Ok. Preciso me levantar para irmos para empresa, hoje é sexta-feira e estou ansiosa para o projeto da faculdade.
— Hoje você fica mocinha! Muita emoção em menos de 24 horas.
— Ah, não, pai! Por favor!
— Descanse. Segunda, falamos sobre isso, entendeu?
Mesmo estando triste, ela concorda.
— Tudo bem.
***
Depois de algumas horas, no trabalho de Ricardo, penso nela novamente.
“Onde você está se metendo?”
“Se ela tiver algum envolvimento”
“Só ia me envolver com ela para descobrir mais coisas”
“Mas acredito que meus sentimentos estão me traindo”
Vitor chega, saio de meus pensamentos e pergunta a ele:
— Onde você estava? Já são 11 horas. Tínhamos uma reunião cedo.
— Desculpe-me Ricardo, perdi a hora.
— Novidade! Foi a algum lugar específico já que não teve aula?
— Não. Vi uma situação ontem com aquela menina que caiu no seu primeiro dia, lembra?
— Sim, a Camila.
— Isso. Vi umas meninas tratando ela mal. Falei com ela, ela chorou bastante e decidiu ir embora.
— E você ficou mexido com isso?
— Não gostei de vê-la chorando. Ia sair com a Fabíola, mas desmarquei.
— Por isso?
— Também. Não estava a fim. Deixei para amanhã. Fui direto para casa, me afundei no travesseiro e dormi até quase agora.
Ouço Vitor falar e depois volto a pensar em Melissa. Quando saí ela estava agarrada em seu travesseiro.
— Ricardo, você acredita que… Ricardo está me ouvindo?
— Sim. Estou. Tenho que te contar algo Vitor.
Vitor sentando-se em frente presta atenção no que eu digo.
— Diga, estou ouvindo.
— Meu pai tinha um parceiro de trabalho assim como nós. Eram muito amigos. Há 15 anos ele disparou uma arma, o cara ficou paralítico e…
— Hum, o que houve?
— Ontem convidei a Melissa para almoçar, para tentar arrancar algo sobre drogas na faculdade.
— Sei. Mas o que a Melissa tem a ver com seu pai e o amigo dele?
— Calma. Você entenderá. Quando perguntei, ela me disse que sim. Há dois anos houve um caso de overdose no campus e que ninguém soube se a droga veio de lá ou de fora. Esse é o caso. — Digo entregando uma pasta com o processo para Vitor.
Vitor lendo cada detalhe.
— Ok. Mas ainda não entendo o que tem uma história a ver com a outra.
— Ela me falou que o pai dela investigou, pois, ele é um ex-policial.
— Não vai dizer que o pai dela é…
— Calma, ainda tem mais. Nós nos encontramos a noite na faculdade, como não teve aula a levei até em casa. Chegando lá aconteceu um assalto, por pouco não revelei quem eu era. Se fosse preciso, eu ia ter que revelar. Vimos que três bandidos fugiram e quando entrei já havia dois mortos, o pai dela foi quem os matou.
— Seu pai saiu para uma ocorrência ontem com essas características, claro! Por isso que ele providenciou a retirada imediata dos corpos. Ele conhece o cara. Foi a mesma, sem dúvidas!
— Meu pai foi até lá?
— Sim! Mas você ainda não me confirmou se…
— O pai dela e o cara que meu pai deixou paralítico são a mesma pessoa!
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Atualizado até capítulo 43
Comments
Imaculada Abreu
o Ricardo tem que conversar com pai dele sobre isto.
2023-07-10
4
Leida Maria Alves de Lima
mais é muito coincidência esses dois ficar juntos, depois de tantos anos
2023-02-01
0
Adriane Alvarenga
É melhor ele falar agora do que esconder....🙄🙄🙄🙄🙄🙄
2023-01-29
0