Capítulo 03 — O tombo

Quando vejo aquele idiota chegar perto dela abraçando-a uma raiva que não sei explicar, aparece. Mas me contenho, pois, acabo de conhecê-la. Apenas fico incomodado por ela ter um namorado. Ricardo pare com isso agora. Trabalho! Somente trabalho. Demoro, mas retribuo o aperto de mão que esse imbecil me oferece e aperto mais do que o normal.

— Muito prazer.

Ele percebe algo diferente, solta sua mão da minha e nesse mesmo instante observo quando Melissa se afasta dele dizendo em alto e bom som:

— Posso te chamar no máximo de ex-ficante. Nós nunca namoramos. Você só pode estar louco!

Todos vaiam Cássio e eu fico feliz, pois posso agora me aproximar dela. Que boa notícia, essa!

Melissa continua falando a todos.

— Bom, está na hora! A aula vai começar! Vamos?

***

Chego depois que a aula começa propositalmente para que todos prestem atenção. Como se não soubesse a turma, bato a porta com um papel em mãos e finjo ser um aluno novo. Olho para Ricardo e o vejo querendo rir, mas ele se contém.

— Com licença. Essa é a turma 508, último período de administração?

A professora respondendo-me:

— Sim, pode entrar qual seu nome?

— Meu nome é Vitor, professora.

Esbarro em uma cadeira de propósito e todos riem. Peço desculpas.

— Desculpem, desculpem, não quero atrapalhar a aula.

***

Mais tarde, por telefone, Ricardo, rindo, me pergunta:

— Vitor, o que foi aquilo? Baixou o aluno desastrado?

— Baixou foi uma quinta série em mim. Efetuei um teste. — Digo rindo bastante.

Ricardo agora estando sério.

— Ok, amanhã você fica numa cadeira ao lado e vamos iniciar uma amizade.

Em minha personalidade mais debochada, respondo a ele:

— Nossa! Estou muito ansioso para te conhecer, meu amor.

— Tem horas que não dá para conversar com você, francamente!

— Relaxa, tem umas gatinhas lindas lá. Então, usarei meu disfarce com prazer.

— Ok, mas não desvie o foco da missão.

— Pode deixar!

Mudo completamente para um tom sério me lembrando do que temos que concretizar e pergunto:

— Agora é sério, Ricardo. Você chegou a desconfiar de alguém?

— Ainda é muito cedo. Mas só de me aproximar do alvo que é aquele grupo já é meio caminho andado.

— Isso é verdade! Vamos para mais uma então!

— Exatamente!

***

Chego de volta a minha casa, porque como foi o primeiro dia só tivemos a primeira aula. Encontro meu pai jantando. Vou até a ele, me agacho e falo quando o olho com aquela cara de preocupado.

— Já sei o que o senhor está pensando, pai. Mas não fique preocupado, eu sei me cuidar.

— Você só tem vinte anos, Melissa!

— Isso não me faz ser irresponsável senhor Elias.

— Eu não consigo cuidar de você como antes. Já faz quinze anos que estou assim.

Fala meu pai, que virou cadeirante. Eu com a intenção de acalmá-lo.

— Isso não limita seu amor por mim, limita?

— Não, minha filha! Claro que não.

— Então fique tranquilo, já disse! Sei me cuidar.

— Você pensa que sabe. Não gosto de você estudando a noite. Eu não posso te proteger.

— Pai, eu quero ficar na empresa durante o dia. Sei que o senhor me proibiu de trabalhar enquanto não terminar os estudos, mas estou no último semestre, eu mereço acompanhar os serviços para mais tarde assumir, não mereço?

— Merece. Mas a noite, a violência tende a aumentar, hoje em dia, esses traficantes, disfarçados de alunos.

— Só estou acompanhando a turma. As aulas foram direcionadas para o turno da noite, pois acabou o horário da manhã.

— Mude de universidade!

— Pai! Não é assim, por favor, entenda meu lado.

— Melissa, o que eu não faço para te agradar?

— O senhor confia em mim?

— Claro que confio!

— Então para que ter medo? Eu o amo muito.

— Também te amo filha!

Abraço meu pai porque ali é o lugar onde me sinto mais segura.

No outro dia, no café da manhã, chego à presença dele e vou beijá-lo em sua face. Todos os dias faço isso. O amo demais.

— Bom dia, papai!

— Bom dia, filha linda!

— Posso ir para empresa com o senhor?

— E as aulas de tiro e a defesa pessoal? Não são as terças?

Fico entristecida, porque de algum modo entrei nessas aulas para que ele sentisse orgulho de mim e não porque gostava exatamente. Aproveito o ensejo para finalizar esse assunto de vez.

— Quero muito falar sobre isso, pai.

— Fale, não esconda nada de seu pai. Estou aqui para te ouvir e te ajudar no que for preciso, Melissa. — Diz meu pai pegando em minhas mãos e fazendo-me um carinho.

Tomo coragem, me sento próximo a ele e olhando-o no fundo, de seus olhos, sou bem sincera.

— Não quero continuar, pai. Desculpe-me. — Abaixo minha cabeça envergonhada. Mas é isso, tenho que encarar a realidade.

Meu pai, que nunca havia imaginado algo do tipo por eu me dedicar tanto a tudo que faço.

— Por que minha filha? Você é uma exímia atiradora e também excelente na defesa pessoal. Não consigo entender.

— Foi só praticar pai, por isso me destaquei. Mas não são as minhas paixões. Fiz mais para agradar o senhor. Tente me entender.

— Você quer dizer que não gosta nem de um e nem de outro, é isso?

— Sim. Na verdade, tenho horror a armas. Sei utilizar muito bem, se preciso for o senhor sabe. Mas não gosto nem um pouco. Não quero isso para minha vida. Perdoe-me por decepcionar o senhor. — Digo a ele ainda sem encarar.

Meu pai, levantando o meu rosto, olhando-me com amor e apontando para sua cadeira de rodas, pergunta:

— Por causa disso, não é?

Olho ainda mais triste. Aquela cadeira já me trouxe tantos pesadelos que assumo a verdade.

— Sim, pai! Por isso.

Ele vira-se e voltando para sua posição inicial, tomando seu café, sem me encarar, diz:

— Ok, Melissa! Agora só falta você me dizer que no último semestre, o curso de administração também não serve.

Sou rápida em discordar dele. Porque isso não! Quero muito trabalhar.

— Não pai, pelo contrário! É meu sonho! Preciso me formar e assumir uma parte da empresa como o senhor me prometeu e sei que estarei apta para isso quando chegar o momento.

— Sim. Mas quero um segurança ao seu lado na faculdade.

Arregalo meus olhos. Segurança agora não. Não é possível. Sou bem incisiva quando discordo dele. Ainda bem que meu pai sempre respeitou minha opinião.

— Não mesmo! Ninguém na faculdade sabe que sou filha de um ex-policial e não quero que liguem um fato ao outro, pai. Nunca tive segurança, não posso ter agora.

Ele novamente olhando para mim, pergunta:

— Você tem vergonha de mim, Melissa?

Olho para ele com incredulidade. Como meu pai querido e amado pode pensar algo assim de mim?

— Óbvio que não! Nunca mais repita uma coisa dessas, ouviu? Amo você pai!

— Então, qual é o problema?

— Não quero segurança, porque vão começar a perguntar o porquê e eu terei que explicar todos os motivos, vão acabar descobrindo e aí, sim, o perigo aumentará para nós dois.

Vejo-o refletindo e acredito que ele concorda pelo jeito como me olha admirado.

— Você está certa filha! Minha menina já tem vinte anos e está virando uma linda mulher. Inteligente, responsável, às vezes teimosa demais. Mas ainda assim uma filha excelente!

Fico emocionada com tudo que ouço do meu pai lindo. Apesar de estar ali sentado sem poder se mover, ainda é um homem lindo em seus 45 anos. Tive a quem puxar. Após me emocionar, fico rindo com carinho.

— Ah, pai. O que é teimosia para alguns, para mim, é meu incrível jeito de ser.

Ele rindo bastante de mim nesse momento.

— É difícil aceitar.

Decido agir com mais seriedade para que meu pai me leve a sério também e para que ele se acalme.

— Sei me defender. Ter praticado esses anos me fez aprender muita coisa. Não vou me esquecer de uma hora para outra, só não quero prosseguir, entenda isso, por favor!

— Por hora você me convenceu. Como sempre princesa.

— Amo o senhor, vamos para a empresa?

— Vamos mocinha, você sempre vencendo a guerra.

— Eu sei.

Respondo estando sorridente e nós dois rimos bastante antes de irmos para a empresa. Chegando à empresa, meu pai me pede para ficar ao seu lado.

— Fique comigo e acompanhe-me durante o todo o dia. Começarei a te passar tudo o que eu faço.

Fico imensamente feliz por, primeiro, ter contado o que estava me angustiando e agora estar ali ao lado dele.

— Sim, como o senhor quiser pai.

***

À noite na faculdade, como combinado, sento-me próximo a Ricardo para iniciar uma amizade e observamos o restante da turma, que prestam atenção quando a professora começa a falar:

— Turma, silêncio, por favor. Realizarei a chamada.

— Aline.

— Presente.

— Ângela.

— Presente.

— Bárbara.

— Presente.

— Camila.

Um silêncio surge e a professora olha ao redor e novamente chama.

— Camila, tem alguma Camila aí?

De repente, uma menina surge correndo, do nada e ofegante, cai na frente de todos. Enquanto todos os outros riem, (menos Ricardo e outra menina) eu rapidamente me levanto para ajudar quando ouço aquela que caiu responder à professora:

— Presente. Sou a Camila professora, ai, meu joelho.

Chego até a ela e a ajudando, pergunto:

— Menina, você está bem?

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Comments

Ana

Ana

😂😂😂

2023-03-05

5

Doracila Picanço

Doracila Picanço

kkkkkk

2023-01-31

1

Leida Maria Alves de Lima

Leida Maria Alves de Lima

deve ser usuária de drogas

2023-01-31

0

Ver todos
Capítulos
1 Capítulo 01 — A missão
2 Capítulo 02 — Quando te conheci
3 Capítulo 03 — O tombo
4 Capítulo 04 — Um anjo
5 Capítulo 05 — Amizade rompida
6 Capítulo 06 — Nosso beijo
7 Capítulo 07 — Convite
8 Capítulo 08 — Minha boca grande
9 Capítulo 09 — Tentativa de assalto
10 Capítulo 10 — Decidida
11 Capítulo 11 — Esperteza
12 Capítulo 12 — Nosso amor
13 Capítulo 13 — O dossiê
14 Capítulo 14 — Ameaçador
15 Capítulo 15 — Sobre preconceito
16 Capítulo 16 — Ele novamente
17 Capítulo 17 — Minha vingança
18 Capítulo 18 — O primeiro beijo
19 Capítulo 19 — A rejeição
20 Capítulo 20 — Amor de pai
21 Capítulo 21 — Amiga que defende
22 Capítulo 22 — Ela voltou
23 Capítulo 23 — Minha mãe
24 Capítulo 24 — Sarna para se coçar
25 Capítulo 25 — Sem vida
26 Capítulo 26 — Indignação
27 Capítulo 27 — Menina esperta
28 Capítulo 28 — O teste
29 Capítulo 29 — Doação de mãe
30 Capítulo 30 — Triste notícia
31 Capítulo 31 — Um tempo
32 Capítulo 32 — Reencontrando você
33 Capítulo 33 — Meu namorado
34 Capítulo 34 — Grávida
35 Capítulo 35 — Uma ameaça
36 Capítulo 36 — Meu filho
37 Capítulo 37 — O sequestro
38 Capítulo 38 — Liberdade
39 Capítulo 39 — Primeira vez
40 Capítulo 40 — Pedidos de casamento
41 Capítulo 41 — A apresentação
42 Capítulo 42 — O contrato
43 Capítulo 43 — Era para ser você
Capítulos

Atualizado até capítulo 43

1
Capítulo 01 — A missão
2
Capítulo 02 — Quando te conheci
3
Capítulo 03 — O tombo
4
Capítulo 04 — Um anjo
5
Capítulo 05 — Amizade rompida
6
Capítulo 06 — Nosso beijo
7
Capítulo 07 — Convite
8
Capítulo 08 — Minha boca grande
9
Capítulo 09 — Tentativa de assalto
10
Capítulo 10 — Decidida
11
Capítulo 11 — Esperteza
12
Capítulo 12 — Nosso amor
13
Capítulo 13 — O dossiê
14
Capítulo 14 — Ameaçador
15
Capítulo 15 — Sobre preconceito
16
Capítulo 16 — Ele novamente
17
Capítulo 17 — Minha vingança
18
Capítulo 18 — O primeiro beijo
19
Capítulo 19 — A rejeição
20
Capítulo 20 — Amor de pai
21
Capítulo 21 — Amiga que defende
22
Capítulo 22 — Ela voltou
23
Capítulo 23 — Minha mãe
24
Capítulo 24 — Sarna para se coçar
25
Capítulo 25 — Sem vida
26
Capítulo 26 — Indignação
27
Capítulo 27 — Menina esperta
28
Capítulo 28 — O teste
29
Capítulo 29 — Doação de mãe
30
Capítulo 30 — Triste notícia
31
Capítulo 31 — Um tempo
32
Capítulo 32 — Reencontrando você
33
Capítulo 33 — Meu namorado
34
Capítulo 34 — Grávida
35
Capítulo 35 — Uma ameaça
36
Capítulo 36 — Meu filho
37
Capítulo 37 — O sequestro
38
Capítulo 38 — Liberdade
39
Capítulo 39 — Primeira vez
40
Capítulo 40 — Pedidos de casamento
41
Capítulo 41 — A apresentação
42
Capítulo 42 — O contrato
43
Capítulo 43 — Era para ser você

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