Meu coração se despedaçada em mil quando vejo Melissa chorar e falar essa última frase. Estamos nos encarando seriamente quando ouço Vitor dizer algo fora do comum.
— Vitor sai de conversa. Com licença.
Se a intenção dele era ser engraçado, entre mim e Melissa, não foi. Mas ela, estando muito séria, ainda responde a ele, porém ainda olhando para mim.
— Não precisa Vitor, quem sai, sou eu. Vou embora. Solte-me Ricardo.
Solto Melissa, ela se vira para ir embora de novo e eu sendo insistente a faço parar gentilmente, agora segurando em sua mão.
— Espere, por favor.
Limpo uma lágrima que cisma em cair de seus olhos. Não gosto de vê-la chorando.
— Diga Ricardo.
— Podemos conversar em um lugar mais calmo?
— Não sei. Não estou muito bem com essa situação. Quero ir embora.
— Só me escute. Depois que você me escutar, se quiser ir, não terá problema.
Melissa reluta, mas concorda comigo.
— Ok. Podemos sim.
— Vamos, então?
— Vamos.
Vamos e deixamos Vitor que ainda fala em um tom que só eu escuto:
— E você, Vitor, o trouxa. Fica aqui. Só você meu irmão. Tomara que se resolvam.
Olho para ele seriamente, ele entende que ouvi, mas naquele momento o mais importante é cuidar de Melissa. Vitor entende e faz menção para eu ir embora.
Levo Melissa e durante a viagem nada falamos um com o outro. Quando chegamos ao meu apartamento, ela, estando curiosa, olha ao redor e pergunta:
— Que lugar é esse Ricardo?
— Fique tranquila. É minha casa. — Digo abrindo passagem para ela. — Entre, por favor.
— Obrigada! — Agradece ela que aceita e entra.
— Quer algo para beber?
— Água, por favor. Não bebo nada alcoólico.
— Faz muito bem.
Pego um copo com água e entrego a ela.
— Obrigada! Seu apartamento é muito bonito!
— Obrigado!
Melissa fica sentada e eu, agachando-me em frente a ela, resolvo contar toda a verdade. Afinal, não tem escapatória. Estou perdidamente apaixonado.
— Suas conclusões estão todas certas. No primeiro dia, esbarrei de propósito em você. No nosso primeiro beijo, também só queria me aproximar para ter mais intimidade, ter alguma ligação com você. Mas depois que te beijei Melissa, tudo mudou. Senti algo que não sei explicar ainda. Por mais experiência que eu tenha, nunca senti isso por ninguém. Ontem, quando você me pediu para dormir com você e pediu que eu te protegesse, acredito que meu sentimento tenha aumentado. Isso nunca me aconteceu antes, parece até mentira, mas estou apaixonado por você.
Melissa levanta, chora e fica de costas para mim quando fala:
— E agora você está me dizendo isso por que eu disse que sou virgem?
Vou até a ela, puxo-a com gentileza e seguro em seu queixo, dizendo-lhe com muito amor:
— Óbvio que não menina! Estou gostando de você de verdade. Tanto que nesse momento estou louco para fazer amor com você. Mas se não quiser, pode sair por aquela porta agora. — Digo indicando a saída.
***
Engulo em seco com o que Ricardo acaba de falar, mas tomo uma decisão.
— Eu não vou sair!
Ele se surpreende com minha atitude. Pulo em seu colo e nos beijamos ainda mais apaixonados. Por outro lado, Ricardo me segura firme em seus braços e também é recíproco a cada carinho meu. Ele me leva para o quarto dele e me deita em sua cama. É muito carinhoso comigo. Sempre sonhei com várias formas de me entregar, de como seria minha primeira vez, mas em nenhuma pensei que pudesse ser tão amada, tão bem tratada como Ricardo está fazendo. Ele é carinhoso em cada investida. Dá-me todo o amor que eu sempre busquei, com todo carinho. Fazemos amor de uma forma que nunca mais esquecerei. Se eu era apaixonada antes de me entregar, agora serei dela completamente. Não tem escapatória.
***
Depois que conheço o lado mais romântico e cuidadoso de Ricardo, dormimos abraçados. Acordo e ainda sinto seus braços me protegerem. Faço um carinho em seu rosto, ele acorda sorrindo e eu para ter certeza ainda pergunto:
— Estou aqui com você mesmo?
— Sim, minha princesa!
Ricardo, sendo bem cuidadoso em cada detalhe me beijando, pergunta:
— Você gostou?
— Sim. Escolhi você!
— Como você descobriu isso?
— Sobre a gente ou sobre vocês na faculdade?
Ricardo ri, fala fazendo-me um carinho em meus cabelos e eu rio também.
— As duas coisas.
— Bom, sobre vocês, digamos que os vi em atitudes bem suspeitas e quando vi sua arma, elas se confirmaram.
— Quer dizer que a mocinha estava investigando a gente também?
— Fique tranquilo! Não atrapalharei vocês em absolutamente nada. Sei que é preciso!
— Mas você sabe de algo?
— O que sei é o que todos sabem. O Cássio mexeu com drogas, mas nunca falei abertamente com ele sobre isso. Até porque assim que meu pai descobriu disse para eu me afastar dele. Falo com todos, mas não sou amiga deles, entende? Pode perceber que nem sento tão perto.
— Sim, percebi! Então o Cássio tem ligação com drogas?
— Sim. Quando meu pai descobriu ficou uma fera. Queria me tirar da universidade. Mas como só faltava esse período e ele nunca me ofereceu nada, pedi a meu pai para me deixar ficar. Agora, se mais alguém ali usa, nunca me deixaram saber. Sempre falei que sou totalmente contra.
— Ótimo saber disso. Mas e sobre nós dois?
— Quando nós nos beijamos, para mim, algo mágico aconteceu, Ricardo.
— Para mim também! E estou querendo que essa magia se repita agora, o que você acha?
— Ideia excelente!
Ricardo novamente me beija e nos amamos mais uma vez com ele agindo da mesma forma.
Depois, quando estamos novamente nos recuperando de nosso amor, me lembro de um detalhe.
— Ricardo, eu quero dizer… Seu nome é Ricardo mesmo?
Ele ri e faz um carinho em mim.
— Sim, é!
— Ah, que bom! Pelo menos isso! Preciso ir para a aula. Estou atrasada.
— Nossa! Eu também.
— Pare de ser bobo. Posso tomar um banho aqui?
— Só se eu for junto.
— Hoje vai ser minha primeira vez em tudo, então?
— Isso é ruim?
— Não. É bom demais! Só é tudo uma grande novidade.
— Então vamos!
— Só se me levar. — Faço bico.
— Com todo prazer.
Ricardo me leva para o banho, me amando e cuidando de mim.
— Ricardo, não precisa me tratar como uma boneca de porcelana.
Ele ri e fico pensando se foi certo eu ter falado isso já estando com a água caindo em nós dois pelados no banho.
— E você quer que te trate como?
— Como uma mulher que está muito apaixonada.
— Com todo o prazer.
Ricardo me levanta com facilidade em seu colo com minhas pernas entrelaçadas em suas costas e ali ele me ama novamente. Só sei que nunca senti nada parecido. É uma sensação maravilhosa ser tratada da forma que peço a ele, mas acima de tudo ser amada e respeitada com seus gestos. Que sorte a minha. Encontrei um homem de verdade.
***
À noite, chego à faculdade e depois do que fizeram comigo ontem, decido ficar quieta. Não ficarei pedindo atenção de ninguém. Se falarem comigo, bem, se não falarem, o problema não é meu. Sempre agi assim e sempre funcionou. Sento-me para fazer um lanche rápido e estando sozinha vejo de relance as mesmas meninas que me trataram mal ontem se aproximando. Gaby, Elisa e Carolina. Está última jogando sua bolsa na mesa e me fuzilando com os olhos.
— Saia da minha mesa agora, sua gorda nojenta!
Assusto-me porque além de serem três de uma vez, a sua amiga Elisa ainda enfatiza.
— Você não deveria nem estar frequentando um lugar como esse. Deveria ficar trancada em casa.
A tal da Gaby reforça a fala das duas:
— Nós não gostamos de você. Você é gorda demais. Sai daqui.
As três ficam debochando e rindo de mim. Fico trêmula, começo a arrumar minhas coisas quando Vitor, que parece ter assistido a tudo de longe pela atitude que toma, chega com um lanche e sentando-se ao meu lado fala com deboche:
— Obrigado Camila! Por guardar esse lugar para mim, estou cheio de fome! Pensei que fosse me atrasar, você acredita? — Ele morde um pedaço e logo após fala: — Isso aqui está muito gostoso! — Diz Vitor experimentando um pedaço do sanduíche e depois apontando para as três meninas, pergunta: — Querem?
As três saem bufando e Vitor pergunta a mim, achando que não percebi o que ele fez.
— Ué! O que houve com elas? Não entendi.
Ri bastante nesse momento: ele que me “salvou” daquelas cobras. Por que ele está fazendo isso? Não sei. O ruim é que estou me apaixonando ainda mais e nunca, nunca em minha vida terei chance com esse homem. Tento descontrair para passar uma imagem mais normal possível.
— Por que você fez isso, Vitor?
Vitor fazendo-se de desentendido.
— Isso o quê?
— Essa encenação toda Vitor. Foi por pena, não é? Eu sei. — Fico séria e o encaro.
— Não, eu vim aqui comer um lanche. Hummm! — Diz ele mordendo mais um pedaço. E continua. — Então, vi que você estava sentada sozinha e quis te fazer companhia. Não pode?
— Vitor, eu já passei por essa situação várias vezes na vida. Não precisa sentir pena de mim, ok? Fique tranquilo.
Faço menção de me levantar, mas sou impedida por ele, que segura em minha mão e olha meus olhos seriamente. Estranho sua atitude.
— Sente-se e escute o que vou falar.
Fico trêmula, sento-me novamente, mas agora é por Vitor estar me olhando com aquele olhar de anjo.
— Você tem que parar com esse seu complexo. Se você não está satisfeita com sua vida, com seu corpo, vá e busque melhorar. Você pode continuar parada, mas também pode decidir mudar agora.
Meus olhos enchem-se de lágrimas. Que droga de lágrimas que não peço para saírem.
— Infelizmente ainda não é tão simples assim, para mim. Você não sabe o que está dizendo. — Digo afastando minhas mãos da dele e ele continua.
— Sim! Eu não sei o que você passou. Mas estou aqui para te ajudar agora. Se você quiser falar disso, estou aqui. Mas para, não chore. Senão aquelas imbecis ali vão pensar que ganharam a batalha, entendeu?
Pela primeira vez na vida, sinto confiança em um amigo, limpo minhas lágrimas.
— Entendi. Obrigada!
— Gosto assim. De você calma e sorridente.
Rio com a fala dele e ele continua.
— Esse sanduíche está maravilhoso, toma um pedaço. — Diz ele oferendo a mim.
Pego, experimento e depois rindo falo:
— Você é louco! Sabia?
— Que bom que você está sorrindo. Isso, para mim, é uma vitória.
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Atualizado até capítulo 43
Comments
Ivanilda Santos
Monique, o conceito de gorda, está na cabeça e não no corpo em si
2023-10-05
5
Teresinha Galvão
E eu com 103..
2023-09-18
0
Imaculada Abreu
vou ter emagrecer.
2023-07-10
0