Domingo de manhã, olho para a hora em meu celular, levanto apressado e me arrumo rapidamente.
— Melissa, eu preciso ir.
— O que houve?
— Hoje é dia de tomar café, com meu pai, não posso me atrasar.
— Poxa, sério? — Noto-a desapontada, vou em direção à porta, mas volto, beijo-a e falo: — Desculpe-me, mas desde que fui morar sozinho, faço isso.
— Tudo bem, eu entendo.
— Depois conversamos tá?
— Tudo bem.
— Gosto muito de você princesa. Tchau!
— Tchau!
Saio para não me atrasar e a última imagem que vejo é ela voltando a dormir.
***
Chego um pouco atrasado a casa de meu pai. O vejo olhando e marcando o tempo em seu relógio me encarando e falando:
— Atrasado 8 minutos e 47 segundos.
— Pai.
— Se estava com alguma mulher, relevo.
— Estava.
— Ah, que bom! Tenho orgulho de você.
— Estou namorando e…
Vejo Vitor chegar logo após e meu pai fazer a mesma marcação.
— Cheguei!
— Dez minutos e 34 segundos de atraso.
— Que isso, tio, foi tudo isso não.
Falo para descontrair:
— Só não vou comentar muito porque hoje também cheguei atrasado.
— Viu seu Carlos, isso aí. Olhe o exemplo do Ricardo.
— Nesses nossos cafés, sinto-me como se vocês ainda tivessem 10 e 12 anos e daquele terrível dia.
— Ah, pai. Não fique triste. Sei que o senhor lembra quando nossas mães sofreram o acidente.
Vitor, sentindo-se agradecido ao meu pai, eleva seu lado mais sério.
— Sou muito grato ao senhor por, na falta do meu pai, ter me criado também. Ele deixou minha mãe sozinha cuidando de mim até meus doze anos e depois ela sofreu esse acidente.
— Vamos tomar café. Parem com essa tristeza. Aconteceu, acabou! — Diz meu pai limpando rapidamente uma lágrima para não víssemos.
— Acho que alguém chorou Ricardo.
— Também acho Vitor.
— Vocês estão loucos.
— Acalme-se tio Carlos. O importante é que estamos aqui.
— Isso Vitor. Estamos juntos. Isso que importa.
***
Mais tarde, encontro Vitor pensativo e relato tudo sobre Mônica, esperando ouvir sua opinião.
— Caramba! Mas se ela não quer ajuda, fica mais difícil. Não sei o que falar Ricardo.
— Sim. Mas há pouco o encontrei pensativo, o que houve meu amigo?
— Aconteceu algo estranho comigo ontem.
— O quê? Conte-me Vitor. Sabe que pode confiar em mim. — Sento-me e toco em seu ombro.
— Não é que eu possa confiar em você Ricardo. Eu só confio em você. É diferente.
Sorrio e digo àquele é meu amigo irmão:
— Você sabe que isso é recíproco. Conte o que está acontecendo então.
Vitor começa a falar:
***
No sábado à noite, peguei a Fabíola em casa e fomos para um bar. Quando chegamos, estávamos entrando, ela disse haver esquecido seu celular no carro, pediu-me a chave e retornou para buscá-lo. Enquanto adentrei o bar. Bem sossegado com um som ambiente, gostei só lugar. Até que esbarrei em uma moça e ela pediu desculpas.
— Perdão senhor. Por esbarrar…
Quando escutei uma voz e a encarei, vi que era Camila e estranhei sua presença ali.
— Camila?
— Vitor?
Nós dois juntos fizemos a mesma pergunta ao mesmo tempo:
— O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI?
Fui o mais simpático que pude e lhe respondi:
— Vim me divertir e você?
Ela apontando para seu uniforme.
— Trabalhando, aos finais de semana, consigo tirar algum extra para ajudar a pagar a faculdade.
Fabíola, que nesse momento estava voltando, interrompe nossa conversa, vindo me beija na boca.
— Vitor, meu amor, voltei.
A Camila nesse momento fez menção de ir embora e a Fabíola foi bem estúpida com ela quando pediu bebidas e eu não gostei.
— Traga duas bebidas para gente mocinha. AGORA!
— Não fale com ela assim, Fabíola.
— Falo do jeito que eu quiser. Tá ocupando espaço demais aqui sua gorda!
Vejo Camila ficar cheia de raiva, mas respirar fundo e lentamente volta ao normal. Nesse momento, num ato de raiva, peguei Fabíola pelo braço e olhei seriamente em seus olhos.
— Cale a boca, Fabíola! Tá maluca?
Ela desprendeu-se de mim e nem se importou com o que falou. Fiquei incrédulo.
— O que tem?
— Desculpe-me. Ela não quis dizer isso.
Fabíola, sendo bastante grossa, me desmentiu.
— Quis, sim, é gorda mesmo!
Fiquei sem entender tamanha ignorância e preconceito e falei com raiva a ela:
— Ou você para ou vou embora agora!
— Tá bom, meu amor. Fique calmo!
Num tom bem gentil, eu disse à Camila:
— Traga-nos duas bebidas, por favor.
Camila olhou para mim bem séria e respondeu antes de se virar bem chateada.
— Sim, senhor.
De alguma forma, o fato de Camila estar daquele jeito, me incomodou e muito.
***
Chego próximo ao balcão bufando de ódio. Quem essa mulherzinha pensa que é para me tratar assim? E ele também? Fazendo-se de meu amigo. Minha indignação é tão grande que acabo falando tudo o que penso e minha irmã escuta.
— Droga, são todos iguais. Tudo, não valem nada!
— Que foi, por que está chateada?
— Não estou chateada, Magda.
— Está sim! Você não me engana.
— Sim, irmã. Estou. Mas é com muito ódio. Aquela ali, achando-se a própria rainha da Inglaterra. — Aponto para a tal mulher.
— Nossa, que homem lindo! É o namorado dela?
— Deve ser, prepare essas duas bebidas para eu levar, por favor.
— Claro!
Após algum, levando as bebidas para ele, a tal mulher é grossa comigo novamente.
— Ainda bem que chegou sua gorda imprestável, estou morrendo de sede.
Olho para ela com todo ódio do mundo e pergunto ironicamente:
— Está com sede?
— Muita.
— Então mate sua sede agora. Toma! — Digo jogando os líquidos que trouxe em sua cabeça. Um silêncio paira no ar por breves segundos até que vejo Vitor rindo bastante de minha ação. Já a mulher me olha com ódio.
— Sua, sua imbecil. Olha o que você fez?
Ela virando-se Vitor pergunta:
— Você não vai fazer nada contra essa gorda?
Vitor ainda rindo dela e logo após ela fala isso, ele fica sério.
— Primeiramente ela tem nome e em segundo lugar. Vou, claro que vou! — Diz Vitor que logo após vira-se para mim e eu chego a ter medo dele por um momento, até que ele fala. — Parabéns Camila. É essa a reação que eu esperava de você.
Sinto-me aliviada. A mulher que o acompanha tenta me atacar, mas Vitor a segura enquanto ela fala:
— Solte-me. Acabo com ela, Vitor.
Rio bastante e ainda debocho dela.
— Ui! Tô morrendo de medo.
Vitor me olha sério, eu paro de rir e ele fala para ela:
— Não vai mesmo, você mereceu! Garanto que eu faria pior. — Gosto quando ele fala isso.
Olho de relance para trás e vejo meu pai, Benício, aproximando-se de nós três e perguntando:
— O que está acontecendo aqui?
— Olhe o que essa gorda imbecil fez isso comigo. Exijo que ela seja demitida agora.
Dessa vez sou ainda mais irônica e não esquento.
— Nossa. Ela está exigente.
Vitor ri e meu pai incrédulo pergunta a ela:
— Essa o quê, moça?
— Essa gorda, gorda. Imbecil. — Ela grita ainda sendo segurada por Vitor.
Meu pai fica a minha frente com a intenção de me proteger. Isso porque ele não viu quando taquei as bebidas nela. Bem sério, como poucas vezes o vi na vida, ele fala para a moça:
— Saia daqui senhorita, imediatamente! Minha filha não merece esse tratamento, ela está trabalhando. Não está à toa.
Vejo surpresa no rosto de Vitor ao descobrir que ele é meu pai. Eu, por minha vez, cruzo meus braços e fico rindo de Fabíola, que está com muita raiva.
— Que ódio, nunca mais piso nessa espelunca.
— Você que não é bem-vinda aqui! Vá embora! — Meu pai diz.
Ela puxa Vitor pela mão e exige que vá com ela. Ele, por usa vez, pede desculpas.
— Vamos agora Vitor!
— Tenho que ir. Desculpe-me por qualquer coisa, Camila.
— Tudo bem.
Vitor deixa a quantia pelas bebidas na mesa e vai embora com sua namorada. Fico triste ao vê-lo partir. Infelizmente ele tem namorada. Também lindo daquele jeito. A mulher é chata, mas é bonita, não posso negar. Só não tem nada a ver com ele. Ou tem e eu é que não sei. Meu pai, ao observar a cena, pergunta:
— Está tudo bem meu amor?
— Sim, pai. Voltarei ao trabalho. Obrigada por me defender.
— Não foi nada, meu anjo. Se alguém mexer com você de novo só me falar.
— Sim. Pode deixar.
Meu pai fala isso e volta ao seu trabalho. Fico pensativa sobre tudo o que aconteceu em minha vida durante essa semana.
***
Já estando em meu carro junto a Fabíola, começo a fazer o percurso até suas casa. Fico quieto, porque nesse momento minha raiva é grande só de pensar no que ela fez com a Camila. De repente a ouço reclamar novamente:
— Aquela gorda imbecil!
— Você só sabe se referir a ela assim?
— Qual o problema? Tá com peninha? Ela que trate de emagrecer.
Fico quieto e chegamos a casa dela. Continuo sério enquanto ela sai do carro e pergunta com malícia em sua voz:
— Chegamos! Está entregue!
— Você não vai entrar?
— Não!
Fabíola explodindo em sua raiva.
— Droga Vitor! Se você não entrar agora, está tudo terminado entre nós!
Saio de meu carro calmamente, chego perto dela e pergunto:
— Tem certeza, meu amor?
— Sim! — Ela responde estando com os braços cruzados.
— Termina tudo? — Pergunto para me certificar.
— E não vou te procurar nunca mais!
— Ah, então sendo assim.
Aproximo-me dela, faço menção de lhe dar um beijo e a ouço dizer com um sorriso vencedor:
— Eu sabia que você iria ceder, você vai entrar, não vai, Vitor?
Continuo a olhar para ela, pego em seu queixo com gentileza e termino minha frase:
— Sendo assim, estou indo embora, bebê. Vou para casa dormir que será mais emocionante do que ficar aqui com você.
Volto, entro no carro e escuto ela dizer:
— Vitor. Que ódio!
— Adeus Fabíola.
Buzino, saio daquele local e da presença dela que me deu nojo essa noite.
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Atualizado até capítulo 43
Comments
Imaculada Abreu
Gostei da atitude do Vitor.
2023-07-10
5
Neide Lima
Esnobe Fútil Fria e Magrela😂😂😂😂😂
2023-05-11
0
Monique Conceição
Terminou tarde já que ele sabia que ela era vazia
2022-10-29
14