Capítulo 05 — Amizade rompida

Observo enquanto os rapazes conversam e sorrindo vou em direção à aluna nova. Quando me aproximo, ela que está de cabeça baixa.

— Ei, Camila, seu nome, não é?

— Sim.

— Por que está sozinha?

— Estou acostumada. As pessoas não gostam de se sentar perto de mim.

— Oi?

— Nada não, esquece isso. Está tudo bem.

— Posso me sentar com você?

— Você?

— Sim, qual o problema?

— Você é muito bonita para sentar ao meu lado.

— Não fale isso. Você é linda também.

A mesma depois que falo isso me responde com ironia:

— Não, não, eu tenho espelho em casa, por favor.

Não sei o motivo, mas sinto uma simpatia por ela logo de cara. Seguro sua mão e olhando em seus olhos, sou bem sincera.

— Pare com isso a partir de hoje! Todos temos lados bons e ruins. Nem todo dia me sinto bem, sabia? Também tenho problemas.

Camila desprendendo-se de mim.

— Não quero ficar falando disso, tudo bem?

Percebo pela forma como ela se retrai que esconde algum problema. Mas resolvo mudar de assunto, para não deixá-la nervosa, tento tranquilizá-la.

— Tudo bem, fique tranquila. Mas já que estudaremos por esses seis meses na mesma turma, estou aqui se precisar de ajuda, desabafar com alguém, tudo bem, assim?

— Tudo bem, obrigada Melissa! — Ela sorri, isso é um bom sinal.

***

No outro dia, pela manhã, estando com Vitor e meu pai, ouvimos quando ele pergunta:

— O que vocês estão acharam desses dois dias?

— O Vitor notou que há dois alunos bem suspeitos, vamos tentar nos aproximar deles.

Vitor concorda comigo, mas estando com raiva, poucas o vejo assim. Meu pai logo responde a ele:

— Esses idiotas estão crentes, crentes que não vão ser pegos. Hahaha. Se dependesse de mim, acabaria com eles ontem mesmo tio.

— Acalme-se Vitor. Vocês julgam que conseguem resolver isso em quanto tempo?

Não gosto de me precipitar. Nesse quesito sou mais paciente do que o Vitor.

— Seu Carlos, seu Carlos. Ainda não temos uma data definida.

— Ricardo, do jeito que conheço vocês, eu não duvido nada que já estão abrindo as asas para cima das mulheres.

Vitor, mudando da água para o vinho e debochando de mim, fala:

— Eu não fiz isso! Já seu filho.

— Eu?

— Vi os olhares trocados com aquela moça bonita, qual o nome dela mesmo?

Ao me lembrar de Melissa fico deslumbrado e minha voz acaba saindo em um tom diferente do normal e Vitor percebe.

— Melissa.

— Tá vendo, delegado, até o nome dela ele sabe, esse aí já está apaixonado.

— Filho, não se envolva com ninguém.

— Eu não vou me envolver com ninguém, ele está inventando pai. Apenas conheci essa moça, ela é simpática com todos.

Vitor pede licença para sair.

— Tá bom, vamos ver. Bom, vou adiantar algumas coisas. Está muito cansativa essa vida de trabalhar de dia e estudar a noite. Pensei ter me livrado disso, vejo que me enganei.

Dessa vez, sou eu quem debocha de Vitor.

— Se deu mal meu camarada. Hahaha

Meu pai rindo e admirando a amizade e cumplicidade dos dois.

— Vocês dois não mudam. Desde a adolescência assim. Estudaram juntos, fizeram faculdade de direito juntos. E agora, são parceiros.

Vitor debochando de mim novamente.

— Nossa história de amor é mágica!

— Sai pra lá Vitor!

Nós três rimos.

***

No final do dia converso com meu pai após notá-lo estranho por alguns dias.

— Pai, eu estou notando o senhor quieto de uns dias para cá, principalmente hoje. O que está havendo?

— Estava pensando na sua amizade com o Vitor. Eu também já tive um parceiro e amigo assim.

— O senhor nunca me falou disso, o que houve?

— Sim, eu sei! Tem algo que não te contei.

Pego uma cadeira e sento-me para prestar atenção nele.

— O quê, pai? Fale.

— Há quinze anos deixei paralítico um amigo e desde então me culpo por isso.

Aquilo me surpreende de uma maneira que não entendo. Nunca havia passado em minha mente que meu pai tivesse feito algo assim.

— Nossa!

— Me culpo até hoje.

— O senhor teve culpa, de fato?

— Não. Foi acidental! A arma disparou, foi provado. Mas esse fato acabou com a vida desse amigo. Ele se aposentou e assumindo a empresa do pai, tornou-se um grande empresário. Mas não tenho mais contato.

— Se o senhor não teve culpa, então.

— Depois disso, ele contou que a vida dele não tinha mais sentido.

— Ele não se tornou um empresário?

— Sim, mas a mulher o abandonou e ele além de paralítico, ficou com uma filha de cinco anos para criar.

— Nossa! Muito amor que essa aí sentia por ele, não?

— Eles tinham uma relação complicada. Ele só pensava em trabalho. Ela deve ter tido os motivos dela. Ele era o cara, descobria tudo. Tínhamos uma amizade muito leal e eu fiz isso. Sem querer, mas fiz. — Diz meu pai lamentando-se desse fato.

Fico pensativo e pergunto:

— Atualmente a filha dele tem vinte anos, certo?

— Sim, deve ser uma linda mulher, era uma criança muito graciosa. O nome dela é…

Vitor entra na sala e chama por mim.

— Com licença, vamos Ricardo? Colocar nossa, 5° série em ação? Está na hora.

— Isso é cansativo! Enfrentar uma turma de universidade que mais parecem adolescentes em erupção. Estou ficando velho para essas atividades. Não tenho mais paciência.

Meu pai, sorrindo, fala:

— Vocês também já foram assim.

Vitor também fala a ele:

— Vamos, para não nos atrasarmos.

— Fazer o quê? Vamos! — Lamento, mas sigo com Vitor.

***

Carlos, não esquecendo o que aconteceu com o amigo e estando sozinho em sua sala, diz em alto e bom som:

— É Elias, como queria que você me perdoasse.

Ele se lembra de quando ocorreu o episódio. Elias estando caído ao chão.

— É Carlos, você me acertou!

Carlos muito nervoso porque em nenhum momento foi sua intenção causar aquele dano.

— Elias! Tenha calma, por favor. Vou te levar ao hospital. Ficará tudo bem.

— Não sei se vou chegar vivo lá.

***

Alguns dias depois de todo o ocorrido, Elias diz a Carlos:

— Agora estou aqui, sem poder movimentar as pernas. Minha esposa me abandonou e tenho uma filha de cinco anos para criar.

Carlos naquele momento chora na frente de seu melhor amigo.

— Eu te juro meu amigo, que não foi de propósito.

— Eu te entendo, mas é melhor que nossa amizade termine aqui. Siga sua vida, você tem um grande futuro como delegado. Para mim não há mais essa oportunidade.

— Perdoe-me. Não foi minha intenção.

— Preciso ficar sozinho. Vida que segue.

— Não faça isso, meu amigo.

— Saia! — Diz Elias com raiva.

— Tudo bem. Mas caso você mude de ideia, estarei sempre disponível para ajudar.

Elias permanece quieto e Carlos sai.

***

Atualmente Carlos, estando com sessenta anos.

— É, vida que segue.

***

Na universidade, chego com Ricardo, mas logo tratamos de nos afastar e é bom, porque logo de cara, chego e ouço quando três meninas conversam em atitudes suspeitas. Se não me engano, vivem juntas, Carolina, Gaby e Elisa. Ouço quando Carolina diz querendo ser esperta:

— Ontem, Henrique e eu ficamos muito loucos com a balinha que ele me deu. Foi maravilhoso, meninas.

Vejo quando a tal da Gaby olha ao redor e com raiva fala a ela:

— Cala a boca, Carolina. Ninguém pode ouvir isso aqui. Se não estamos perdidas.

Elisa concordando com essa última.

— É uma imbecil mesmo! Se alguém descobre a gente.

Espero um tempo, saio e cumprimento a todas.

— Oi, meninas, tudo bem?

Carolina, estando nervosa, pergunta a mim, gaguejando:

— Oi… Oi… Você está aí há muito tempo?

Disfarço e me finjo de bobo, sempre funciona.

— Não, acabei de chegar, por quê?

— Nada, estávamos falando de homens.

E mais uma vez uso minha versão mais debochada.

— Nossa! Amor, amo falar de homens!

As meninas riem e me sinto vencedor. Como são tolas!

***

Quando me afasto de Vitor, observo o tal do Henrique se aproximar e me chamar.

— Ricardo?

— Oi!

— Seu nome é Ricardo, não é? — Óbvio, se eu respondi. — Sim, posso ajudar?

— Na verdade, eu que posso te ajudar.

Fico interessado. Como pode ser tão idiota.

— Hum! Diga.

— Notei você um pouco sério. Se você estiver a fim de se divertir só falar comigo.

— Sério? Como?

Bem na hora aquele imbecil que disse ser namorado da Melissa chega chamando por ele e ele se afasta dando uma desculpa.

— Henrique, vamos, a aula vai começar.

— Depois conversamos Ricardo.

— Valeu cara. Você é um bom amigo, conversaremos sim.

Cássio e Henrique vão para a sala e eu penso alto.

— Quase. Que miseráveis!

Vejo Melissa passar e penso ser uma excelente oportunidade de me aproximar. Então, eu a chamo:

— Melissa!

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Comments

Cléia Maria da Silva d Azevedo

Cléia Maria da Silva d Azevedo

Queria saber como ele atirou sem querer. Coisa estranha

2024-07-21

1

Michelly De Jesus

Michelly De Jesus

esse amigo é o pai da malissa🤔🤔🤔

2024-02-07

1

Cristiane Paes Fagundes

Cristiane Paes Fagundes

Pai da Melissa...

2023-09-17

0

Ver todos
Capítulos
1 Capítulo 01 — A missão
2 Capítulo 02 — Quando te conheci
3 Capítulo 03 — O tombo
4 Capítulo 04 — Um anjo
5 Capítulo 05 — Amizade rompida
6 Capítulo 06 — Nosso beijo
7 Capítulo 07 — Convite
8 Capítulo 08 — Minha boca grande
9 Capítulo 09 — Tentativa de assalto
10 Capítulo 10 — Decidida
11 Capítulo 11 — Esperteza
12 Capítulo 12 — Nosso amor
13 Capítulo 13 — O dossiê
14 Capítulo 14 — Ameaçador
15 Capítulo 15 — Sobre preconceito
16 Capítulo 16 — Ele novamente
17 Capítulo 17 — Minha vingança
18 Capítulo 18 — O primeiro beijo
19 Capítulo 19 — A rejeição
20 Capítulo 20 — Amor de pai
21 Capítulo 21 — Amiga que defende
22 Capítulo 22 — Ela voltou
23 Capítulo 23 — Minha mãe
24 Capítulo 24 — Sarna para se coçar
25 Capítulo 25 — Sem vida
26 Capítulo 26 — Indignação
27 Capítulo 27 — Menina esperta
28 Capítulo 28 — O teste
29 Capítulo 29 — Doação de mãe
30 Capítulo 30 — Triste notícia
31 Capítulo 31 — Um tempo
32 Capítulo 32 — Reencontrando você
33 Capítulo 33 — Meu namorado
34 Capítulo 34 — Grávida
35 Capítulo 35 — Uma ameaça
36 Capítulo 36 — Meu filho
37 Capítulo 37 — O sequestro
38 Capítulo 38 — Liberdade
39 Capítulo 39 — Primeira vez
40 Capítulo 40 — Pedidos de casamento
41 Capítulo 41 — A apresentação
42 Capítulo 42 — O contrato
43 Capítulo 43 — Era para ser você
Capítulos

Atualizado até capítulo 43

1
Capítulo 01 — A missão
2
Capítulo 02 — Quando te conheci
3
Capítulo 03 — O tombo
4
Capítulo 04 — Um anjo
5
Capítulo 05 — Amizade rompida
6
Capítulo 06 — Nosso beijo
7
Capítulo 07 — Convite
8
Capítulo 08 — Minha boca grande
9
Capítulo 09 — Tentativa de assalto
10
Capítulo 10 — Decidida
11
Capítulo 11 — Esperteza
12
Capítulo 12 — Nosso amor
13
Capítulo 13 — O dossiê
14
Capítulo 14 — Ameaçador
15
Capítulo 15 — Sobre preconceito
16
Capítulo 16 — Ele novamente
17
Capítulo 17 — Minha vingança
18
Capítulo 18 — O primeiro beijo
19
Capítulo 19 — A rejeição
20
Capítulo 20 — Amor de pai
21
Capítulo 21 — Amiga que defende
22
Capítulo 22 — Ela voltou
23
Capítulo 23 — Minha mãe
24
Capítulo 24 — Sarna para se coçar
25
Capítulo 25 — Sem vida
26
Capítulo 26 — Indignação
27
Capítulo 27 — Menina esperta
28
Capítulo 28 — O teste
29
Capítulo 29 — Doação de mãe
30
Capítulo 30 — Triste notícia
31
Capítulo 31 — Um tempo
32
Capítulo 32 — Reencontrando você
33
Capítulo 33 — Meu namorado
34
Capítulo 34 — Grávida
35
Capítulo 35 — Uma ameaça
36
Capítulo 36 — Meu filho
37
Capítulo 37 — O sequestro
38
Capítulo 38 — Liberdade
39
Capítulo 39 — Primeira vez
40
Capítulo 40 — Pedidos de casamento
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Capítulo 41 — A apresentação
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Capítulo 42 — O contrato
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Capítulo 43 — Era para ser você

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