Observo enquanto os rapazes conversam e sorrindo vou em direção à aluna nova. Quando me aproximo, ela que está de cabeça baixa.
— Ei, Camila, seu nome, não é?
— Sim.
— Por que está sozinha?
— Estou acostumada. As pessoas não gostam de se sentar perto de mim.
— Oi?
— Nada não, esquece isso. Está tudo bem.
— Posso me sentar com você?
— Você?
— Sim, qual o problema?
— Você é muito bonita para sentar ao meu lado.
— Não fale isso. Você é linda também.
A mesma depois que falo isso me responde com ironia:
— Não, não, eu tenho espelho em casa, por favor.
Não sei o motivo, mas sinto uma simpatia por ela logo de cara. Seguro sua mão e olhando em seus olhos, sou bem sincera.
— Pare com isso a partir de hoje! Todos temos lados bons e ruins. Nem todo dia me sinto bem, sabia? Também tenho problemas.
Camila desprendendo-se de mim.
— Não quero ficar falando disso, tudo bem?
Percebo pela forma como ela se retrai que esconde algum problema. Mas resolvo mudar de assunto, para não deixá-la nervosa, tento tranquilizá-la.
— Tudo bem, fique tranquila. Mas já que estudaremos por esses seis meses na mesma turma, estou aqui se precisar de ajuda, desabafar com alguém, tudo bem, assim?
— Tudo bem, obrigada Melissa! — Ela sorri, isso é um bom sinal.
***
No outro dia, pela manhã, estando com Vitor e meu pai, ouvimos quando ele pergunta:
— O que vocês estão acharam desses dois dias?
— O Vitor notou que há dois alunos bem suspeitos, vamos tentar nos aproximar deles.
Vitor concorda comigo, mas estando com raiva, poucas o vejo assim. Meu pai logo responde a ele:
— Esses idiotas estão crentes, crentes que não vão ser pegos. Hahaha. Se dependesse de mim, acabaria com eles ontem mesmo tio.
— Acalme-se Vitor. Vocês julgam que conseguem resolver isso em quanto tempo?
Não gosto de me precipitar. Nesse quesito sou mais paciente do que o Vitor.
— Seu Carlos, seu Carlos. Ainda não temos uma data definida.
— Ricardo, do jeito que conheço vocês, eu não duvido nada que já estão abrindo as asas para cima das mulheres.
Vitor, mudando da água para o vinho e debochando de mim, fala:
— Eu não fiz isso! Já seu filho.
— Eu?
— Vi os olhares trocados com aquela moça bonita, qual o nome dela mesmo?
Ao me lembrar de Melissa fico deslumbrado e minha voz acaba saindo em um tom diferente do normal e Vitor percebe.
— Melissa.
— Tá vendo, delegado, até o nome dela ele sabe, esse aí já está apaixonado.
— Filho, não se envolva com ninguém.
— Eu não vou me envolver com ninguém, ele está inventando pai. Apenas conheci essa moça, ela é simpática com todos.
Vitor pede licença para sair.
— Tá bom, vamos ver. Bom, vou adiantar algumas coisas. Está muito cansativa essa vida de trabalhar de dia e estudar a noite. Pensei ter me livrado disso, vejo que me enganei.
Dessa vez, sou eu quem debocha de Vitor.
— Se deu mal meu camarada. Hahaha
Meu pai rindo e admirando a amizade e cumplicidade dos dois.
— Vocês dois não mudam. Desde a adolescência assim. Estudaram juntos, fizeram faculdade de direito juntos. E agora, são parceiros.
Vitor debochando de mim novamente.
— Nossa história de amor é mágica!
— Sai pra lá Vitor!
Nós três rimos.
***
No final do dia converso com meu pai após notá-lo estranho por alguns dias.
— Pai, eu estou notando o senhor quieto de uns dias para cá, principalmente hoje. O que está havendo?
— Estava pensando na sua amizade com o Vitor. Eu também já tive um parceiro e amigo assim.
— O senhor nunca me falou disso, o que houve?
— Sim, eu sei! Tem algo que não te contei.
Pego uma cadeira e sento-me para prestar atenção nele.
— O quê, pai? Fale.
— Há quinze anos deixei paralítico um amigo e desde então me culpo por isso.
Aquilo me surpreende de uma maneira que não entendo. Nunca havia passado em minha mente que meu pai tivesse feito algo assim.
— Nossa!
— Me culpo até hoje.
— O senhor teve culpa, de fato?
— Não. Foi acidental! A arma disparou, foi provado. Mas esse fato acabou com a vida desse amigo. Ele se aposentou e assumindo a empresa do pai, tornou-se um grande empresário. Mas não tenho mais contato.
— Se o senhor não teve culpa, então.
— Depois disso, ele contou que a vida dele não tinha mais sentido.
— Ele não se tornou um empresário?
— Sim, mas a mulher o abandonou e ele além de paralítico, ficou com uma filha de cinco anos para criar.
— Nossa! Muito amor que essa aí sentia por ele, não?
— Eles tinham uma relação complicada. Ele só pensava em trabalho. Ela deve ter tido os motivos dela. Ele era o cara, descobria tudo. Tínhamos uma amizade muito leal e eu fiz isso. Sem querer, mas fiz. — Diz meu pai lamentando-se desse fato.
Fico pensativo e pergunto:
— Atualmente a filha dele tem vinte anos, certo?
— Sim, deve ser uma linda mulher, era uma criança muito graciosa. O nome dela é…
Vitor entra na sala e chama por mim.
— Com licença, vamos Ricardo? Colocar nossa, 5° série em ação? Está na hora.
— Isso é cansativo! Enfrentar uma turma de universidade que mais parecem adolescentes em erupção. Estou ficando velho para essas atividades. Não tenho mais paciência.
Meu pai, sorrindo, fala:
— Vocês também já foram assim.
Vitor também fala a ele:
— Vamos, para não nos atrasarmos.
— Fazer o quê? Vamos! — Lamento, mas sigo com Vitor.
***
Carlos, não esquecendo o que aconteceu com o amigo e estando sozinho em sua sala, diz em alto e bom som:
— É Elias, como queria que você me perdoasse.
Ele se lembra de quando ocorreu o episódio. Elias estando caído ao chão.
— É Carlos, você me acertou!
Carlos muito nervoso porque em nenhum momento foi sua intenção causar aquele dano.
— Elias! Tenha calma, por favor. Vou te levar ao hospital. Ficará tudo bem.
— Não sei se vou chegar vivo lá.
***
Alguns dias depois de todo o ocorrido, Elias diz a Carlos:
— Agora estou aqui, sem poder movimentar as pernas. Minha esposa me abandonou e tenho uma filha de cinco anos para criar.
Carlos naquele momento chora na frente de seu melhor amigo.
— Eu te juro meu amigo, que não foi de propósito.
— Eu te entendo, mas é melhor que nossa amizade termine aqui. Siga sua vida, você tem um grande futuro como delegado. Para mim não há mais essa oportunidade.
— Perdoe-me. Não foi minha intenção.
— Preciso ficar sozinho. Vida que segue.
— Não faça isso, meu amigo.
— Saia! — Diz Elias com raiva.
— Tudo bem. Mas caso você mude de ideia, estarei sempre disponível para ajudar.
Elias permanece quieto e Carlos sai.
***
Atualmente Carlos, estando com sessenta anos.
— É, vida que segue.
***
Na universidade, chego com Ricardo, mas logo tratamos de nos afastar e é bom, porque logo de cara, chego e ouço quando três meninas conversam em atitudes suspeitas. Se não me engano, vivem juntas, Carolina, Gaby e Elisa. Ouço quando Carolina diz querendo ser esperta:
— Ontem, Henrique e eu ficamos muito loucos com a balinha que ele me deu. Foi maravilhoso, meninas.
Vejo quando a tal da Gaby olha ao redor e com raiva fala a ela:
— Cala a boca, Carolina. Ninguém pode ouvir isso aqui. Se não estamos perdidas.
Elisa concordando com essa última.
— É uma imbecil mesmo! Se alguém descobre a gente.
Espero um tempo, saio e cumprimento a todas.
— Oi, meninas, tudo bem?
Carolina, estando nervosa, pergunta a mim, gaguejando:
— Oi… Oi… Você está aí há muito tempo?
Disfarço e me finjo de bobo, sempre funciona.
— Não, acabei de chegar, por quê?
— Nada, estávamos falando de homens.
E mais uma vez uso minha versão mais debochada.
— Nossa! Amor, amo falar de homens!
As meninas riem e me sinto vencedor. Como são tolas!
***
Quando me afasto de Vitor, observo o tal do Henrique se aproximar e me chamar.
— Ricardo?
— Oi!
— Seu nome é Ricardo, não é? — Óbvio, se eu respondi. — Sim, posso ajudar?
— Na verdade, eu que posso te ajudar.
Fico interessado. Como pode ser tão idiota.
— Hum! Diga.
— Notei você um pouco sério. Se você estiver a fim de se divertir só falar comigo.
— Sério? Como?
Bem na hora aquele imbecil que disse ser namorado da Melissa chega chamando por ele e ele se afasta dando uma desculpa.
— Henrique, vamos, a aula vai começar.
— Depois conversamos Ricardo.
— Valeu cara. Você é um bom amigo, conversaremos sim.
Cássio e Henrique vão para a sala e eu penso alto.
— Quase. Que miseráveis!
Vejo Melissa passar e penso ser uma excelente oportunidade de me aproximar. Então, eu a chamo:
— Melissa!
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Atualizado até capítulo 43
Comments
Cléia Maria da Silva d Azevedo
Queria saber como ele atirou sem querer. Coisa estranha
2024-07-21
1
Michelly De Jesus
esse amigo é o pai da malissa🤔🤔🤔
2024-02-07
1
Cristiane Paes Fagundes
Pai da Melissa...
2023-09-17
0