Ouço atentamente Ricardo falar sobre o que descobriu até que fico embasbacado com essa revelação.
— Que merda, Ricardo!
— É, e para piorar a situação…
— O que houve?
— Estou apaixonado por essa mulher.
Brinco e rio de Ricardo, já que nunca pensei que esse tipo de situação pudesse acontecer com ele.
— Em cinco dias? Depois eu é que me apaixonava rápido demais.
— Não brinque Vitor! Eu não sei como isso aconteceu, mas é verdade! Nunca senti por ninguém o que sinto pela Melissa.
— E se ela tiver algum envolvimento?
— Espero que não. Se não, não sei o que farei.
— Complicado, meu amigo. Mas estamos juntos nessa, já sabe que pode contar comigo.
— Já sabe quem não pode saber, não é?
Faço-me de desentendido. Afinal somos como irmãos.
— Saber o quê? Eu não sei de nada!
Rimos como para finalizar aquela conversa.
***
Ainda em minha casa, olho para meu celular e penso alto.
— Ligo para ele, ou não? — Liga Melissa.
— Não, não vou ligar! — Se me quisesse por perto, teria ficado. — Pare de ser medrosa, liga logo. — Não, chega!
— Preciso jogar fora essa energia. Vou para o clube de tiro. Tá certo que hoje não é o dia em que costumava ir. Mas vou, é isso! Só estando lá é que conseguirei relaxar nesse momento.
***
Ainda conversando com Ricardo tento animá-lo e me animar também depois de tudo que presenciei com a Camila ontem.
— Vamos cara, chegou a hora da diversão, estou indo para o clube agora.
— Não sei Vitor. Não estou a fim. Vá você!
— Não! Você vem comigo, está muito estressado!
— Meu estresse só tem um nome: Melissa!
— Exatamente por isso. Vamos!
Enfim, convenço meu amigo a se distrair um pouco.
***
Chego ao clube e encontro com o senhor Tadeu, responsável pelo local. Ele, muito feliz em me rever, me recebe carinhosamente.
— Boa tarde, Melissa, veio treinar hoje? Por que não veio na terça?
— Boa tarde! Tudo bem, senhor Tadeu? Vim sim. Na verdade, não estou querendo mais vir, mas hoje estou muito estressada e isso aqui tira todo o meu estresse.
— Sair por quê? Você realiza isso tão bem. Seu pai já sabe disso?
— É uma decisão! Posso vir ocasionalmente, mas não com regularidade como antes. Sim, já contei a ele.
— Fez bem. Tudo bem, se sinta à vontade.
— Obrigada!
O cumprimento com um beijo no rosto e com um abraço, pois ele já é amigo de meu pai há muitos anos.
***
Chego com Ricardo ao clube para fazer com que ele se anime e o escuro dizer:
— Pelo menos aqui posso tirar todo o estresse acumulado durante a semana e parar de pensar nela um pouco.
Estando de frente para ele, concordo:
— É verdade, Ricardo, tente mudar esse ânimo.
Quando olho ao redor, vejo Melissa e toco no ombro de Ricardo.
— Ricardo.
— Oi!
— Acredito que teu estresse vai aumentar.
— Como assim? Por que está falando isso?
— Olhe quem está ali.
***
Viro-me e observo Melissa. Fico admirando-a. Como é linda! Até atirar ela sabe? — Mas voltando à realidade. — Não é possível! Tanto lugar para ela estar, vai estar aqui, hoje?
Escuto Vitor sendo debochado.
— É estou acreditando que você não vai se livrar desse estresse hoje. Pelo contrário… Melhor aferir essa pressão aí, meu amigo.
— Não brinque Vitor.
— Tudo bem, mas você tem que admitir. Não estava esperando que ela atirasse tão bem.
— É não esperava por isso. É linda demais!
— Oi? Ouvi um elogio para a menina?
— Sim, ouviu.
Tadeu chegando até a nós dois.
— Vitor, Ricardo. Que bom recebê-los!
Vitor, sempre animado, apertando a mão dele.
— Fala Tadeu. Viemos para nosso treino.
Fico preocupado com o fato de Melissa estar ali.
— Oi, Tadeu, aquela garota. — Aponto para Melissa e Tadeu a elogia.
— Melissa? É uma de minhas melhores alunas. Mas não quer vir mais.
— Mas ela aqui? — Insisto para saber mais.
— Ah, sim! Ela é filha de um ex-policial, um grande amigo, Elias Ribeiro. Ela treina já há dois anos.
— Hum, interessante. — Surpreendo-me e me dirijo a Vitor. — Vitor, melhor irmos embora.
— Ah, Ricardo. Acabamos de chegar.
— Será melhor.
***
Termino o tempo que estipulei e quando olho para o lado, vejo Ricardo e Vitor conversando. Acho estranho. O que será que eles estão fazendo aqui? Será que o que está passando em minha cabeça, procede? Pelo, o que vi ontem, só pode ser isso. É claro! Não tem outra explicação.
***
Tento convencer Ricardo a ficar, mas ele teima em querer ir embora.
— Temos que ir Vitor.
— Não adianta mais Ricardo. Ela acaba de ver a gente!
— Isso não era para acontecer!
Para implicar com ele que está de costas, falo como ela está.
— Seu estresse está vindo em nossa direção! Cabelos presos no alto da cabeça. Calça, blusa e bota de cor preta, bem justa. Provavelmente combinando, que combinação linda.
— Dá para parar com isso? — Responde Ricardo enciumado.
Coloco a mão em seu ombro e pergunto:
— Ciúmes?
— Claro que não!
— Porque de mim, você sabe que pode ser a mais linda do universo, se você gostar, nem mexo, mas ela está linda.
— Para Vitor.
— Estou brincando com você. Seu estresse está andando rápido agora. E que estresse hein.
Ricardo me olha bem sério e sorrio.
— Acalme-se. Não está mais aqui quem falou.
Ricardo fecha os olhos em sinal de descontentamento. Melissa chega e me cumprimenta com um beijo no rosto.
— Tudo bem, Vitor?
— Sim, claro! Vou resolver algumas coisas, já volto. Com licença. — Digo olhando para Ricardo e deixando os dois sozinhos.
***
Viro-me para Ricardo, tento decifrar sua expressão, mas não consigo. Ele permanece calado. Resolvo terminar com esse silêncio.
— Oi, Ricardo! Não vai falar comigo? Nem parece que dormimos juntos hoje.
— Você falando assim, parece que fizemos mais que dormir Melissa.
— Não foi minha intenção. Desculpe-me se passei essa impressão.
— Não tem problema.
Faço-me de curiosa, pergunto e ele desconversa.
— O que vocês estão fazendo aqui? Posso saber?
— Sabia que fico sem ação quando estou perto de você?
Ricardo me beija de uma forma que eu também correspondo e não consigo resistir. Após nos beijarmos por longos minutos como sempre gosto, fico impactada com aquele beijo.
— Nossa, hoje você tá, hein! Se no beijo está assim, imagine na cama. Podemos até dormir abraçados novamente.
Ricardo ri e acredito que fica mais tranquilo ao meu lado após esse beijo. Sinto abertura para perguntar o que realmente quero saber.
— Porém, você não me respondeu. O que estão fazendo aqui?
Sinto que Ricardo tenta me despistar.
— Vim acompanhar o Vitor, ele quer aprender e…
Vitor volta, percebo que ele ouviu parte da conversa pela forma como ele entra no jogo de Ricardo.
— Exatamente Melissa! Começo hoje, pedi ao Ricardo que me acompanhasse.
Só que sou mais esperta do que esses dois imaginam. Se eles pensam que podem me enganar, eles é que estão enganados. Fuzilo os dois com meu olhar e rio deles para parecer que estou um passo a frente do que eles querem me esconder. Meu pai me ensinou esse truque. Lembro-me de quando ele falava que sempre que o outro tentar te passar a perna ou mentir para você, mostre seu sorriso de superioridade, mesmo que você não tenha as armas certas naquele momento. Intimide seu oponente. Exatamente isso que faço nesse momento. Jogo na fogueira as cartas que tenho na manga.
— Ah, sim! Com todas as características que vocês têm de policiais, pensam que me enganam, não é?
Vejo que estou na direção certa quando os dois se assustam de uma só vez. Aprendi a decifrar o comportamento dos outros com meu pai também e isso está me causando uma angústia nesse momento por eu estar entrando no caminho certo. Ricardo desconversa mais uma vez, querendo me fazer enveredar por outros caminhos.
— Não sei sobre o que você está falando Melissa.
Só por essa fala de Ricardo, tenho certeza do que está em minha mente. Rodeio os dois como se eu fosse um animal que rodeia sua presa. Observo cada detalhe. Lembro-me de meu pai em casa segundo. “Melissa, olhe nos olhos”. “Seja audaciosa”. “Faça sua pergunta com segurança, mesmo que não esteja sentindo-se assim”. Lembrando-me de tudo isso, fico certa de minha convicção e rodeando os dois, começo a dissertar:
— Ricardo, eu cresci com meu pai recebendo vários amigos policiais em casa. Participando de inúmeras investigações. Sempre frequentei lugares como esse aqui acompanhando ele e de dois anos para cá, praticando. Ontem, eu vi quando você pegou sua arma. Só nada falei porque sabia que se precisasse você usaria. Agora, minha intuição me diz que vocês dois estão investigando algo na faculdade. É simples! Provavelmente tem a ver com as drogas que estão sendo distribuídas. Até porque você me perguntou sobre isso. Fingir não se conhecerem foi apenas um truque. Eu já imagino isso também. Infelizmente não poderei ajudar, pois, não me meto com esses assuntos.
Paro e fixo meus olhos em Ricardo, como se só existissem nós dois ali, até que ouço Vitor brincando e rindo e eu dirigindo meu olhar a ele, falo bem séria.
— Menina, você tem a imaginação muito fértil.
— A arma que vi ontem foi de verdade Vitor e pelo que vocês puderam perceber. — Indico o local em que realizei a aula e continuo — Sei muito bem o que é uma arma de verdade. Vamos fazer assim? Eu não sei de nada. Você, Vitor que a essa altura já tem ciência de que sou filha de um ex-policial, também não sabe de nada e sigamos nossas vidas. Não vou ajudar e nem atrapalhar vocês. Tudo bem? Temos um acordo?
Ricardo chega mais perto de mim, me pegando pelo braço gentilmente fala:
— Melissa, eu preciso…
Não o deixo terminar, olho com uma expressão séria para ele e meus olhos se enchem de lágrimas involuntariamente.
— Eu só estou com medo de ter sido usada por você. — Digo desprendendo-me dele e indo em direção a saída para ir embora.
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Atualizado até capítulo 43
Comments
Ivanilda Santos
Melissa tem personalidade forte!
2023-10-05
4
Francisca Azevedo
maravilhoso!
2023-09-14
0
Imaculada Abreu
A Melissa vai se afastar dele e com razão.
2023-07-10
0