Após a noite tensa com seus pais, Annyh se sentiu dividida entre a culpa e a gratidão. Ela sabia que Gabriel tinha mentido para sua família, assumindo a paternidade da criança, mas ao mesmo tempo, ela sabia que ele o fez para protegê-la. Ele não só assumiu a responsabilidade pelo que estava acontecendo, mas também lhe deu o espaço necessário para lidar com tudo de forma que ela ainda não estava preparada para enfrentar.
Enquanto os meses de gestação passavam, o bebê crescia e se mexia cada vez mais. Ela sentia uma conexão forte, e o nome "Noah Gabriel" parecia ser o mais perfeito. "Noah" era um nome que ela achava bonito e que, de alguma forma, a conectava à figura do pai verdadeiro, que um dia talvez ela tivesse que explicar a ele. "Gabriel", por outro lado, era um símbolo da pessoa que estava ao seu lado, cuidando dela, sendo o apoio que ela precisava. Não se tratava de querer que o bebê tivesse o nome do verdadeiro pai, mas ela sentia que isso de alguma forma representava o que aquele nome significava: um novo começo.
No entanto, algo inesperado aconteceu quando ela estava no sétimo mês de gestação. Um dia, ao sair para uma viagem de carro, sua vida virou de cabeça para baixo. Ela estava dirigindo tranquila, ouvindo uma música suave, quando de repente, outro carro invadiu a pista e houve uma colisão fatal. O impacto foi brutal e, naquele momento, tudo que Annyh viu foi um borrão de cores antes de perder a consciência.
Quando acordou, estava em um leito de hospital. A dor em seu corpo era insuportável, e ela se sentiu tonta, como se estivesse flutuando. Gabriel estava ali, de pé, com os olhos fixos nela, mas sua expressão não era de alívio. Ele sabia o que estava prestes a acontecer, e não queria aquilo. Ele sabia que, se não fizessem algo rapidamente, tanto ela quanto o bebê poderiam não sobreviver.
Ele era o médico obstetra que tinha acompanhado Annyh durante a gravidez, mas devido à situação, os especialistas não permitiram que ele participasse diretamente da decisão. Os médicos estavam divididos. A vida de Annyh estava em risco, e o bebê também. O que mais a assustava era que eles teriam que fazer uma escolha impossível: salvar a mãe ou salvar o bebê.
Na área de acompanhante, uma das amigas de Annyh, Mariana, estava com Gabriel. Ela o olhou, sem saber o que dizer. Ele parecia em choque, mas também determinado. Ele estava dividindo sua atenção entre a mulher que ele amava e o bebê que ele sabia que precisava proteger.
– Gabriel, o que você vai fazer? – Mariana perguntou, nervosa, olhando para o médico.
– Eu não posso decidir entre a Annyh e o bebê. Eu... não consigo... – Gabriel murmurou, a voz falhando.
Mas Annyh, mesmo sem consciência plena, ouviu o nome de Gabriel sendo dito. Ela sabia que a situação estava difícil, e seu corpo já sentia os efeitos da gravidade da situação. Ela sabia que, de alguma forma, o que estava acontecendo ali era decisivo. Sentindo uma força interior, Annyh abriu os olhos e, com toda a energia que restava, disse, com dificuldade:
– Retirem o bebê... faça o que for necessário, Gabriel. Não importa... – sua voz estava fraca, mas firme.
Ela sabia o que estava dizendo. Apesar de todo o amor que sentia pelo filho, ela sabia que sua vida estava em risco, e, por mais difícil que fosse, tinha que tomar uma decisão. Ela não tinha mais força para lutar contra a realidade. Gabriel olhou para ela, os olhos cheios de dor e de respeito, mas também de um amor incondicional.
Com a aprovação dos médicos, a decisão foi tomada. Gabriel assistiu, impotente, enquanto os especialistas faziam o procedimento. Ele tinha que ser forte por ela, por eles dois. Quando o bebê nasceu, mesmo com sete meses de gestação, o milagre aconteceu. Ele estava saudável, forte, e a única coisa que Gabriel conseguia fazer era segurar a mão de Annyh enquanto ela lutava pela sua vida.
A operação para salvar a vida de Annyh foi delicada, mas ela sobreviveu. Ela estava em coma induzido, mas os médicos estavam otimistas. O bebê, Noah Gabriel, foi transferido para a UTI neonatal, mas já estava estável.
Alguns dias depois, Annyh acordou, com uma dor intensa, mas com uma sensação de alívio ao perceber que estava viva, e que seu filho também estava ali, em boa saúde. O médico que a acompanhava lhe deu a notícia com um sorriso gentil, e ao olhar para Gabriel, ela sorriu fraco, mas agradecida.
O nome já estava decidido: "Noah Gabriel". Ela sabia que, embora ele nunca crescesse ao lado de Sebastian, ele teria o nome de quem cuidou dele, de quem esteve ali quando ela mais precisou. Gabriel, com um sorriso triste, olhou para ela. Ele sabia que aquele era apenas o começo de uma nova jornada para ambos.
E assim, no final, Noah Gabriel recebeu o sobrenome de Annyh, pois, de alguma maneira, ele era o legado de ambos. Uma nova vida, que cresceria com os cuidados e amor de Gabriel, que prometeu ser o melhor pai que poderia ser, não apenas para o bebê, mas para Annyh também.
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Atualizado até capítulo 45
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