O céu cinzento de Paris refletia exatamente o caos na mente de Sebastian. Ele não planejava sumir daquela forma, mas não teve escolha. O chamado veio rápido, sem tempo para despedidas ou explicações. Sua presença era necessária na França — o império da máfia que ele ajudava a comandar estava sob ataque. Uma facção rival tentou tomar territórios que pertenciam à sua família há gerações. Não era só uma disputa de poder, era uma guerra.
Ao chegar, percebeu que a situação era ainda pior do que imaginava. Traições dentro da própria organização, ataques planejados em silêncio, ameaças chegando cada vez mais perto. Durante uma emboscada, ele perdeu o celular— a única conexão que tinha com o mundo fora da máfia. O aparelho foi destruído no meio de um confronto e, desde então, ele ficou isolado. Sem comunicação, sem forma de explicar sua ausência.
Por mais que quisesse voltar, não podia. Seu nome nunca foi vinculado ao submundo do crime, e ele precisava manter assim. Se a máfia rival descobrisse quem ele era de verdade, usariam cada detalhe contra ele — e contra quem ele amava. Ele não podia colocar Anne em risco. Ela não tinha ideia do que realmente acontecia nos bastidores da vida dele. Era melhor deixá-la acreditar que ele a abandonou do que envolvê-la nesse inferno.
Mas todas as noites, quando a cidade ficava silenciosa, ele se pegava pensando nela. No sorriso dela. No jeito que ela falava demais quando estava nervosa. No toque dela. Ele tinha tudo ali na França: dinheiro, poder, influência. Mas nada disso significava alguma coisa sem ela.
Por um momento, Sebastian considerou deixar tudo para trás. Fugir. Viver uma vida comum ao lado dela, sem precisar olhar por cima do ombro a cada passo. Mas isso era impossível. Ele estava preso naquele mundo e não havia saída sem consequências.
Tudo o que podia fazer era esperar. Resolver os problemas. Manter sua identidade oculta. E um dia, quando tudo estivesse seguro, voltar para ela… Se ela ainda quisesse vê-lo.
A noite estava densa, o cheiro de pólvora e sangue impregnado no ar. O beco onde Sebastian se encontrava era estreito demais para uma saída rápida. Ele sabia que aquela era uma armadilha. O inimigo tinha planejado tudo meticulosamente, esperando o momento perfeito para pegá-lo desprevenido.
Ele sentiu a ardência no ombro antes mesmo de ouvir o disparo. O impacto o jogou para trás, e ele caiu contra a parede suja do beco. Mas não havia tempo para dor. Com a mão ensanguentada, puxou sua arma e atirou de volta, acertando um dos homens à sua frente. Outro tiro passou de raspão pelo seu abdômen, queimando sua pele como ferro quente.
Seus movimentos estavam mais lentos. A visão começava a ficar turva. Ele sabia que estava perdendo sangue rápido. Quando tentou correr para a saída do beco, outro disparo acertou sua perna. Ele caiu de joelhos, arfando, enquanto os inimigos se aproximavam.
Por um segundo, ele achou que seria ali. Seu fim.
Mas então tudo ficou silencioso.
A dor se dissolveu em um calor estranho, e de repente ele não estava mais naquele beco escuro. Ele estava em um lugar iluminado, quente, familiar. E ali, no meio desse vazio reconfortante, estava ela. Annyh.
Ela não falava nada. Apenas o olhava com aqueles olhos grandes e cheios de vida, um sorriso leve nos lábios. Sebastian tentou se aproximar, mas sentiu o corpo travar. Ele percebeu que não podia tocá-la, não podia alcançá-la. Ela estava ali, mas ao mesmo tempo tão longe.
E foi aí que o medo verdadeiro o atingiu.
Ele não sabia como ela estava. Se ela seguiu em frente, se ainda pensava nele ou se tinha odiado cada momento que passaram juntos. Ele queria perguntar, queria ouvir sua voz. Mas tudo o que conseguiu foi sussurrar seu nome antes de a escuridão tomar conta.
Quando abriu os olhos novamente, estava de volta ao inferno. Sirenes ao fundo, gritos, o gosto metálico de sangue na boca. Ele estava em uma ambulância, com dois de seus homens segurando sua mão e o mantendo consciente.
— Aguenta firme, chefe! Você não pode morrer agora!
Ele riu, mesmo com a dor cortante no peito. Não, ele não podia morrer agora. Ele ainda tinha algo para resolver.
Dias depois, já no hospital, ele leu os relatórios de seus informantes. A guerra ainda não tinha acabado, mas ele não ia cair de novo. Recuperado e mais frio do que nunca, voltou para a liderança, tomando cada decisão com um único objetivo: encerrar aquilo de uma vez por todas.
Ele não podia voltar ainda. Mas quando voltasse, nada o impediria de encontrar Annyh novamente.
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Atualizado até capítulo 45
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