Aquela noite estava perfeita até ele aparecer. Nicolas era um cara divertido e estava fazendo ela sorrir, se divertir, mas algo chamou sua atenção, mesmo sem ele fazer nada. Quando foi buscar uma bebida, um homem e mais dois caras chamaram sua atenção, mas o que estava um pouco afastado foi o que mais a atraiu. Ele era lindo, e “lindo” não descrevia nem de perto a impressão deixada por seu olhar. Talvez ela já estivesse um pouco bêbada, e o calor que subia pelo seu corpo fosse apenas efeito da vodka quente que tinha acabado de beber, mas ela não conseguia parar de olhar para aquele homem. Talvez tivesse ficado um pouco louca, pois ele parecia muito mais velho e muito mais maduro do que ela, mas isso não importava naquele momento. Ela já estava bêbada o suficiente para se aproximar dele, algo que jamais faria se estivesse sóbria. E ela não foi a única a reparar nele. Ele também parecia estar prestando muita atenção nela, talvez porque ela se destacava no meio de tantas pessoas.
Com seu jeito meio ousado, ela percebeu que os caras que estavam com ele a haviam deixado sozinho. Aproveitando a oportunidade, pegou mais um copo de bebida e se aproximou, oferecendo-o a ele.
— Como um rapaz tão lindo fica sozinho no meio dessa multidão? Quer beber?
Com certeza, ela ficaria com vergonha se estivesse sóbria, mas tudo bem, ela não estava, e a cachaça estava no controle. O rapaz apenas sorriu, pegando o copo que ela lhe ofereceu.
— E você, como uma garota linda e bêbada, está sozinha nessa multidão?
Ele riu, tomando um gole da bebida enquanto observava a reação dela. Ela demorou um pouco para processar o que ele tinha dito, seu olhar passando de confuso a levemente desconcertado.
— Primeiramente, obrigado. Mas eu não estou bêbada, muito menos sozinha.
Ele a observou por um momento, os olhos fixos nela enquanto um sorriso se formava nos lábios. "Interessante... Ela não está tão fora de si quanto parece. E não, ela definitivamente não está sozinha" Pensou ele, divertindo-se com a resposta dela. Naquele instante, ele percebeu que havia mais naquela garota do que a ousadia de uma noite embriagada. Algo a fazia se destacar. Ela era mais do que só um cara bonita no meio de uma multidão.
— Realmente, uma garota bonita como você não estaria sozinha. Está com seu namorado?
A garota sorriu de forma ampla, deixando transparecer uma confiança que só a bebida poderia proporcionar.
— Ah, não, moço, eu não tenho namorado. Tô com minhas amigas e um amigo, apenas.
Ele havia imaginado que ela estivesse acompanhada de um namorado, mas agora, ao ouvir sua resposta, sentiu-se mais aliviado. Sua postura relaxou um pouco.
— Mas por que a pergunta?
Ela perguntou, dando um gole generoso na bebida, sentindo a vodka esquentar sua garganta. Ele fez o mesmo, levando o copo aos lábios e aproveitando o momento para observar cada gesto dela, como se aquilo fosse um pequeno jogo de provocações.
— Não sei... Só fiquei curioso. Uma garota linda como você, em uma festa cheia de gente, sem um acompanhante. Ele é só um amigo ou tem algo a mais entre vocês?
A pergunta saiu quase sem pensar, mas sua curiosidade estava estampada no rosto. Ele não conseguia tirar os olhos dela, querendo entender mais sobre aquela garota que parecia tão espontânea, mas ao mesmo tempo, um pouco misteriosa.
Ela sorriu mais uma vez, deixando o copo descansar por um momento, e o encarou com um olhar desafiador.
— Ah, não. Ele é só um amigo que me convidou para esse lugar. Minhas amigas estão ali também. Então, os boys que estavam com você são seus amigos, né? Cadê eles?
Ela riu novamente, um riso leve e natural. Nicolas até parecia ser legal, mas não era o tipo de cara que ela costumava se envolver. Mas o cara à sua frente... puta que pariu, ele definitivamente mexia com ela de uma forma que ela não sabia explicar.
— Bom, se você está dizendo, eles são sim meus amigos. Era para eles pegarem bebidas, mas acho que apareceu alguém interessante lá para eles não aparecerem. E você, seus amigos devem estar preocupados, não?
Ele coçou a nuca enquanto bebia o último gole da bebida, sentindo o calor aumentar. Não era fraco, mas com a presença dela, seu corpo parecia pegar fogo.
— Ah, caraca, verdade... Eu tinha falado que só ia pegar uma bebida. Com certeza, elas deve estar me procurando com...
Ela nem terminou a frase, porque suas amigas apareceram gritando seu nome logo atrás.
— Pelo amor de Deus, Annyh! Como você some assim do nada?! Eu já estava preocupada! Garota, quando for sumir com um boy lindo desse, avisa!
Mariana, sua amiga, falou assim que olhou para o rapaz que ela estava acompanhando. Até ela, que era bem centrada, ficou encantada com o charme dele. Mas Mariana não era de dar em cima de ninguém, e embora estivesse a admirar o cara, respeitava o espaço da amiga. Mesmo assim, não resistiu a dar uma pequena cantada, que fez as bochechas de Annyh ficarem vermelhas de vergonha.
— Pelo amor de Deus, Mariana, olha só, eu só vim pegar uma bebida, mas algo me chamou a atenção. Sabe como é, né? Gente bonita a gente vê de longe.
Sua ousadia agora se destacava, e nem as bochechas vermelhas de vergonha a impediam de continuar. E foi o rapaz à sua frente, aquele que ela nem sabia o nome, que tinha capturado sua atenção.
— Sei bem... Bom, você fica aí e eu e a Carol vamos dar uma voltinha.
Sem esperar nem mesmo uma resposta, Mariana puxou Carol pelo braço, levando-a para o meio da multidão.
— Desculpa, às vezes a Mariana fala demais.
Ela disse com uma carinha de quem tentava se desculpar, mas a expressão era tão falsa que, sem querer, fez o rapaz rir.
— Tudo bem, baby. Bom, já que agora você está comigo, vamos dar uma volta?
Ela não pensou duas vezes e aceitou. Acompanhou-o até a saída, onde se deparou com um carro que parecia de luxo. Ele estava ali, parado, com um veículo incrível — um BMW Série 5. Ela ficou admirada com o carro, mas sua atenção logo foi desviada para ele.
— Eu sei que ele é lindo, mas não quer entrar? Vamos dar uma voltinha?
Sem hesitar, ela entrou no carro. Naquele instante, as palavras da sua mãe ecoaram em sua mente: “Nunca entre em carro de estranho”. Mas ela não se importou. Entrou com vontade, deixando-se levar pelo momento. E logo o carro partiu, cortando a cidade iluminada pela luz da madrugada.
— Então, onde estamos indo... Vai me sequestrar?
Ela riu, e ele também.
— Se fosse para sequestrar, você seria a garota mais fácil de sequestrar.
Ela riu ainda mais, reconhecendo que, de certa forma, ele tinha razão. Tinha se oferecido para entrar no carro sozinha. Mas não era isso que ele queria.
— Vamos dar uma volta? Que tal pegar umas ondas?
Ela parou por um segundo, refletindo. Ondas, uma hora dessas? Talvez fosse uma santa, mas também não era boba. Sabia exatamente o que ele queria.
— Ondas? Que tal minha casa?
O olhar dele se fixou nela por um instante, enquanto ela olhava pela janela, com um sorriso discreto. Ela sabia muito bem o que acabara de sugerir.
— A sua casa?
Ele repetiu a pergunta, quase duvidando do que tinha ouvido.
— Sim, uma hora dessas, a praia deve estar fria. Não sei se reparou na minha roupa, mas ela é curta demais.
Isso fez ele reparar na roupa dela, e ele, com um sorriso, percebeu a intenção por trás das palavras dela. O corpo dela realmente era incrível.
— Já que você quer assim...
E assim ele fez. Conduziu o carro até o apartamento dela, um pequeno, mas bem chique, que ela dividia com as amigas. Quando chegou, ele entrou com a naturalidade de quem já estava acostumado a frequentar aquele tipo de lugar.
— Você quer o quê? Água, bebidas?
Ela deu um sorriso tímido enquanto olhava ao redor, observando as bebidas no aparador. Ela sabia que aquelas eram as bebidas que sobravam quando voltava dos bares com as amigas.
— Uma bebida pode ser?
— Claro.
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Atualizado até capítulo 45
Comments
Lucia Dantas Dantas
Essa não ouviu nenhum conselho da mãe.
2025-04-06
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