Capítulo 18 – O Preço da Tempestade

A tempestade se acalmava, mas a sensação de vertigem nunca deixou meu corpo. Mesmo com o vento diminuindo de intensidade e o céu agora clareando, algo dentro de mim estava em frangalhos, como se as correntes que atravessavam o ar também tivessem cortado algo profundo dentro de mim. Mas eu não podia me dar o luxo de refletir muito sobre isso. Lyria estava mais distante agora, e Karl... Karl ainda permanecia a uma distância segura, mas seus olhos estavam fixos em mim, observando-me com uma intensidade que eu não conseguia ignorar.

Eu me concentrei na tempestade que agora estava quase em silêncio. Ela ainda ecoava, mas não de forma ameaçadora. As nuvens negras, antes pesadas e opressivas, começaram a se dissipar, como se houvesse algo além da tempestade, algo além do que eu sabia, me chamando. O caminho à frente se abriu diante de mim, mais claro, mais concreto do que antes.

“É isso,” pensei, a palavra ecoando em minha mente. Mas o que exatamente isso significava, eu ainda não sabia.

Olhei para os dois. Lyria estava em silêncio, seus olhos refletindo algo profundo, algo que eu ainda não entendia completamente. Ela não parecia assustada, mas eu percebia que havia algo de diferente nela também. Algo que havia mudado desde que a tempestade tomou nosso mundo. Ela se aproximou devagar, o olhar atento, estudando meu rosto.

— Arlen… você sente isso também? — Ela perguntou, sua voz suave, mas grave.

Eu não sabia como responder. Sentir o quê? Algo estava diferente, claro, mas o que exatamente? Eu podia sentir o ar mais leve, mais aberto, como se o peso que nos cercava tivesse sido dissipado. A verdade estava ao alcance da minha mão, e, no entanto, não sabia como tocá-la.

Eu dei um passo em direção a ela, olhando para os céus que ainda estavam limpos, mas com uma leve tensão pairando no ar, como se tudo estivesse à espera de algo que não podia ser nomeado.

— Eu sinto… algo. Mas não consigo entender. — Eu disse, minhas palavras soando vazias no silêncio que havia se instalado.

Lyria não respondeu imediatamente. Ela apenas olhou para o horizonte, onde o último vestígio de nuvens escuras ainda se desvaneciam.

— A tempestade nos trouxe até aqui, Arlen. Mas o que ela deixou para trás… — Ela parou e olhou para mim, seus olhos agora mais profundos do que nunca. — O que você deixou para trás?

O que eu deixei para trás? A pergunta foi como um soco no estômago. O que eu havia deixado para trás? Eu me vi perdido por um momento, tentando compreender suas palavras. Eu sabia o que isso significava, sabia de forma visceral. Havia algo, dentro de mim, que ainda estava incompleto. Algo que a tempestade havia revelado, mas que eu não queria admitir. Algo relacionado à minha própria jornada, à minha própria identidade.

O som do vento cortando o ar nos interrompeu, e eu vi Karl, mais uma vez, observando-nos de longe. Ele estava quieto, seus braços cruzados sobre o peito, mas seus olhos estavam fixos em mim.

— O que aconteceu com você, Arlen? — Ele perguntou, seu tom quase desinteressado, mas havia uma tensão em sua voz. — Você não parece mais o mesmo.

Eu não soube o que responder de imediato. A tempestade havia mudado algo em mim. Eu sentia isso, sabia disso, mas não tinha as palavras para expressar o que estava acontecendo dentro de mim. Como se a tempestade tivesse deixado uma marca invisível em minha alma, e agora eu estava lutando para compreender.

Lyria olhou para Karl e, sem dizer uma palavra, foi até ele. Ela colocou a mão em seu ombro e, por um instante, parecia que o tempo se estendia, como se o próprio ar ao nosso redor tivesse desacelerado.

— Ele não pode dar respostas agora. — Lyria disse, sua voz mais suave, mas firme.

Karl não respondeu imediatamente, mas deu um passo para trás. Ele olhou para mim uma última vez, e então, como se tivesse tomado uma decisão, começou a caminhar em direção ao ponto onde o horizonte se encontrava com o mar.

A tempestade nos havia dado algo, sim, mas o que seria esse “algo”? Eu ainda não sabia. Cada passo que eu dava era como uma nova descoberta, e cada descoberta era uma provocação. Algo estava se revelando, mas não de uma forma clara. O que me restava era seguir, andar, sem ter certeza do que viria a seguir. Como um barco à deriva, sem mapas, sem rumo, mas ciente de que a tempestade havia nos escolhido para algo maior.

Eu olhei para Lyria, que ainda estava ali, observando-me com atenção. Ela parecia saber algo que eu não sabia. E, no fundo, havia algo em seu olhar que me dizia que ela também estava à beira de uma compreensão que não estava disposta a compartilhar completamente. Como se houvesse algo dentro dela, algo que ela não estava pronta para revelar.

— Lyria… — Minha voz soou quase inaudível, mas ela me ouviu. — O que a tempestade realmente nos deu?

Ela demorou um momento para responder, e quando o fez, suas palavras foram suaves, mas com um peso inegável.

— A tempestade não nos deu nada. Ela apenas nos mostrou quem realmente somos. O que fazemos com isso é o que vai determinar nosso futuro.

Eu olhei para ela, tentando entender a profundidade de suas palavras. A tempestade não nos deu nada. Ela apenas nos revelou. A verdade. Mas, ainda assim, havia algo em mim que não conseguia afastar. Algo que me assombrava.

Lyria pegou a minha mão, interrompendo meus pensamentos.

— Vamos. A jornada ainda não acabou. E agora, mais do que nunca, precisamos estar prontos para o que vem a seguir.

Eu assenti, embora uma parte de mim estivesse hesitante. Algo dentro de mim queria se afastar, queria fugir do que estava prestes a acontecer. Mas, de alguma forma, sabia que não havia mais para onde ir. O caminho à frente, a tempestade que nos guiou até ali, e a verdade que se aproximava de nós — tudo isso estava além de qualquer escolha que eu pudesse ter feito. O que quer que fosse, o que quer que a tempestade fosse, eu teria que enfrentar.

E eu não estava mais sozinho. A tempestade não era apenas minha. Era nossa.

Seguimos em silêncio, nossos passos ecoando no solo rochoso que se estendia à frente. Eu não sabia onde estávamos indo, mas a sensação de que algo grande estava à espreita me acompanhava a cada passo. Eu sentia que estava à beira de algo incompreensível, algo que, ao mesmo tempo, me atraía e me aterrorizava.

Nós caminhamos por horas, talvez mais, sem uma direção clara, mas com a certeza de que a tempestade havia nos levado a um ponto sem retorno. E então, de repente, o terreno sob nossos pés começou a mudar. O ar ficou mais denso, mais pesado, como se estivéssemos entrando em um lugar proibido, um espaço onde o tempo e o espaço não seguiam mais as regras que conhecíamos.

Eu parei por um momento, sentindo a mudança. Algo estava ali, algo profundo, esperando por nós. Não havia mais como voltar atrás. O que quer que fosse, estava ali, à nossa espera.

Olhei para Lyria e Karl. Eles estavam prontos, ou pelo menos pareciam estar. Eu não sabia o que viria a seguir, mas, de uma coisa eu tinha certeza: a tempestade não era apenas um desafio para nossos corpos. Era um desafio para nossas almas.

E eu estava prestes a pagar o preço por aquilo que a tempestade havia revelado.

Capítulos
1 Prólogo + Apresentação
2 Capítulo 1 – O Som do Vento
3 Capítulo 2 – A Dança das Sombras
4 Capítulo 3 – Entre o Céu e a Pedra
5 Capítulo 4 – O Chamado do Vento
6 Capítulo 5 – A Tempestade Dentro de Mim
7 Capítulo 6 – Onde o Vento Nos Leva
8 Capítulo 7 – O Olhar da Tempestade
9 Capítulo 8 – O Fim do Caminho
10 Capítulo 9 – O Abismo da Tempestade
11 Capítulo 10 – A Tempestade Interior
12 Capítulo 11 – O Peso da Tempestade
13 Capítulo 12 – O Caminho dos Ventos
14 Capítulo 13 – No Olho da Tempestade
15 Capítulo 14 – O Coração da Tempestade
16 Capítulo 15 – O Fim e o Começo
17 Capítulo 16 – O Despertar da Tempestade
18 Capítulo 17 – A Força do Vento
19 Capítulo 18 – O Preço da Tempestade
20 Capítulo 19 – O Coração da Tempestade ( Parte 2)
21 Capítulo 20 – O Despertar da Tempestade ( Parte 2)
22 Capítulo 21 – A Essência da Tempestade
23 Capítulo 22 – O Centro da Calmaria
24 Capítulo 23 – A Traição do Vento
25 Capítulo 24 – O Silêncio da Tempestade
26 Capítulo 25 – As Sombras da Verdade
27 Capítulo 26 – Entre o Vento e os Segredos
28 Capítulo 27 – O Último Silêncio
29 Capítulo 28 – O Peso da Escolha
30 Capítulo 29 – O Peso do Amanhã
31 Capítulo 30 – A Jornada Silenciosa
32 Capítulo 31 – O Cume da Verdade
33 Capítulo 32 – Ecos do Destino
34 Capítulo 33 – O Vazio Que Resta
35 Capítulo 34 – O Retorno da Tempestade
Capítulos

Atualizado até capítulo 35

1
Prólogo + Apresentação
2
Capítulo 1 – O Som do Vento
3
Capítulo 2 – A Dança das Sombras
4
Capítulo 3 – Entre o Céu e a Pedra
5
Capítulo 4 – O Chamado do Vento
6
Capítulo 5 – A Tempestade Dentro de Mim
7
Capítulo 6 – Onde o Vento Nos Leva
8
Capítulo 7 – O Olhar da Tempestade
9
Capítulo 8 – O Fim do Caminho
10
Capítulo 9 – O Abismo da Tempestade
11
Capítulo 10 – A Tempestade Interior
12
Capítulo 11 – O Peso da Tempestade
13
Capítulo 12 – O Caminho dos Ventos
14
Capítulo 13 – No Olho da Tempestade
15
Capítulo 14 – O Coração da Tempestade
16
Capítulo 15 – O Fim e o Começo
17
Capítulo 16 – O Despertar da Tempestade
18
Capítulo 17 – A Força do Vento
19
Capítulo 18 – O Preço da Tempestade
20
Capítulo 19 – O Coração da Tempestade ( Parte 2)
21
Capítulo 20 – O Despertar da Tempestade ( Parte 2)
22
Capítulo 21 – A Essência da Tempestade
23
Capítulo 22 – O Centro da Calmaria
24
Capítulo 23 – A Traição do Vento
25
Capítulo 24 – O Silêncio da Tempestade
26
Capítulo 25 – As Sombras da Verdade
27
Capítulo 26 – Entre o Vento e os Segredos
28
Capítulo 27 – O Último Silêncio
29
Capítulo 28 – O Peso da Escolha
30
Capítulo 29 – O Peso do Amanhã
31
Capítulo 30 – A Jornada Silenciosa
32
Capítulo 31 – O Cume da Verdade
33
Capítulo 32 – Ecos do Destino
34
Capítulo 33 – O Vazio Que Resta
35
Capítulo 34 – O Retorno da Tempestade

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