Capítulo 15 – O Fim e o Começo

Eu estava completamente imerso no caos. O vento cortava minha pele com a precisão de lâminas afiadas, e o som das correntes de ar era ensurdecedor, como se uma imensa besta estivesse rugindo no horizonte. Mas, à medida que me aprofundava no coração da tempestade, uma sensação de estranha clareza começou a se formar dentro de mim. Como se, finalmente, eu estivesse entendendo o que estava acontecendo. Não havia mais mistério. A tempestade era uma extensão de mim, e eu... eu era a tempestade.

O mundo à minha volta girava. A escuridão parecia tomar forma, mas, ao mesmo tempo, ela era viva, pulsando com uma energia indescritível. As nuvens se retorciam, se contorcendo em padrões que eu não conseguia decifrar, e o solo abaixo de nós tremia como se a terra estivesse prestes a rachar ao meio. Meus olhos estavam fixos no centro da tormenta, onde um brilho opaco começava a se formar, um ponto de luz que parecia chamar por mim, como um farol perdido na escuridão.

“Arlen!” Lyria gritou, mas sua voz se perdeu no uivo do vento. “Onde estamos?”

Eu a vi se afastando um pouco, sua figura se contorcendo contra o vento, sua expressão decidida, mas de alguma forma distorcida pela força da tempestade. Karl estava ao meu lado, mais quieto do que nunca, com os olhos fixos no que parecia ser a origem da tempestade.

Não era mais apenas uma questão de sobrevivência. Eu sabia, de alguma forma, que o que quer que estivesse acontecendo aqui não era uma batalha para ser vencida com espadas ou arcos. Era algo muito mais profundo, algo que tinha a ver com o que eu realmente era.

O centro da tempestade parecia se distorcer à minha frente, como se estivesse se desintegrando e reconstruindo, um processo de destruição e criação. Era difícil manter os olhos abertos, a força do vento ameaçando arrancar qualquer traço de sanidade que ainda restasse. Mas, mesmo assim, eu conseguia ver. Eu conseguia entender.

Eu sou a tempestade.

A realização me atingiu como um raio. Não de uma maneira consciente, mas visceral, como se meu corpo e minha alma finalmente tivessem se fundido com o que estava acontecendo. Não era apenas o vento ou as correntes de ar que me rodeavam. Eu era parte disso. Tudo ao meu redor estava em um estado constante de transformação, e eu... eu também estava.

Lyria estava se aproximando, agora mais próxima, com seu arco firme em suas mãos. Seus olhos estavam arregalados, e eu podia ver a dúvida em seu olhar. Ela sabia que algo estava acontecendo. Sabia que, de alguma forma, a tempestade não era apenas uma ameaça, mas uma chave. A chave para o que, eu não sabia ainda, mas ela estava começando a perceber também.

“Arlen, o que está acontecendo? O que você sabe sobre isso?” Ela perguntou, sua voz ainda abafada pelo vento. Eu não podia mais ignorar a verdade. Não havia mais como esconder o que estava diante de nós. A tempestade era a única coisa que restava, e nós, de alguma forma, éramos partes dessa força caótica.

Eu não sabia como responder. Não havia palavras que pudessem expressar o que eu estava sentindo. Mas eu sabia uma coisa: nós estávamos prontos para o que fosse acontecer.

A tempestade parecia se intensificar, e o brilho no centro da tormenta se tornava mais forte, mais intenso. Eu podia sentir a energia em meu corpo, vibrando como um tambor, como se o próprio céu estivesse sendo comprimido e expandido em um ritmo frenético. O medo já não fazia mais sentido. Eu não tinha mais medo. O que quer que estivesse acontecendo, eu sabia que não era um fim, mas um começo. E, de alguma forma, éramos nós que precisávamos atravessar essa barreira.

“Karl, Lyria, estamos próximos,” disse eu, minha voz mais firme do que imaginava. “Precisamos ir mais fundo.”

Eu não os vi, mas eu soube que eles me ouviram. Eu sabia, de algum modo, que ambos estavam tão conectados a mim quanto eu estava com a tempestade. Nós éramos peças de um quebra-cabeça que, finalmente, estava se encaixando.

O chão se estremeceu ainda mais, e eu senti uma pressão intensa em minha cabeça, como se algo estivesse tentando sair de dentro de mim. Algo que eu não sabia que existia. Era como se a tempestade estivesse me forçando a liberar uma parte de mim que eu sempre tinha mantido trancada. Algo primitivo e antigo. Algo ligado à própria essência da tempestade.

O brilho no centro da tempestade ficou ainda mais intenso, e eu sabia que estávamos diante de algo que não poderia ser revertido. O destino estava se cumprindo.

“Isso... isso não pode ser...” Lyria murmurou, com a voz trêmula, mas de alguma forma calma. Ela parecia ter entendido, da mesma maneira que eu, que não havia como voltar atrás. Algo estava nos chamando, algo estava nos testando, e nós estávamos diante da última oportunidade de compreender o que significava estar verdadeiramente vivos.

“Eu... eu sinto isso também, Arlen,” Karl disse, e eu o ouvi com clareza, apesar do barulho ensurdecedor. Ele parecia tão perplexo quanto eu, mas também tão determinado. “Estamos em algum lugar entre o fim e o começo.”

O vórtice à nossa frente estava agora em plena erupção. Um som profundo, como o rugido de um dragão adormecido, começou a emergir de seu centro. Era a tempestade tomando forma, ganhando uma consciência que não era mais apenas da natureza. Eu senti, profundamente, que o que estávamos prestes a enfrentar não era uma força elementar, mas algo muito mais antigo. Algo relacionado à própria origem da vida.

O que estava ali, à nossa frente, não era apenas uma tempestade. Era uma revelação.

Eu respirei fundo, sentindo o ar espesso, como se fosse parte de mim. As correntes do céu, as mesmas que eu tinha aprendido a entender durante toda a minha vida, agora estavam interligadas a mim de uma forma que eu não conseguia mais explicar. Era como se tudo o que eu soubera até então tivesse se dissolvido, e eu fosse apenas uma parte de algo maior. Uma parte da tempestade.

"É isso," disse eu, quase sem querer, as palavras saindo com uma clareza que eu não esperava. "Nós somos a tempestade."

E, naquele momento, algo se iluminou dentro de mim. Eu não estava mais apenas seguindo a tempestade. Eu estava a conduzindo. O brilho no centro da tormenta não era um inimigo a ser derrotado, mas uma chave para algo mais. Algo que só poderia ser desbloqueado quando compreendêssemos a verdadeira natureza do que estávamos enfrentando.

O chão sob nossos pés ruiu de repente, e a sensação de cair em um abismo imenso tomou conta de mim. Mas não havia mais medo. Não havia mais dúvida. Eu sabia que não cairíamos. Não cairíamos, porque éramos parte disso. Nós não estávamos sendo engolidos. Nós éramos a tempestade, e a tempestade, como tudo, era cíclica.

Era o fim, mas também o começo.

Com um último olhar para Karl e Lyria, eu dei o passo final em direção ao centro da tempestade, onde o brilho se intensificava. Juntos, como sempre fomos, caminhamos para aquilo que nos aguardava.

Capítulos
1 Prólogo + Apresentação
2 Capítulo 1 – O Som do Vento
3 Capítulo 2 – A Dança das Sombras
4 Capítulo 3 – Entre o Céu e a Pedra
5 Capítulo 4 – O Chamado do Vento
6 Capítulo 5 – A Tempestade Dentro de Mim
7 Capítulo 6 – Onde o Vento Nos Leva
8 Capítulo 7 – O Olhar da Tempestade
9 Capítulo 8 – O Fim do Caminho
10 Capítulo 9 – O Abismo da Tempestade
11 Capítulo 10 – A Tempestade Interior
12 Capítulo 11 – O Peso da Tempestade
13 Capítulo 12 – O Caminho dos Ventos
14 Capítulo 13 – No Olho da Tempestade
15 Capítulo 14 – O Coração da Tempestade
16 Capítulo 15 – O Fim e o Começo
17 Capítulo 16 – O Despertar da Tempestade
18 Capítulo 17 – A Força do Vento
19 Capítulo 18 – O Preço da Tempestade
20 Capítulo 19 – O Coração da Tempestade ( Parte 2)
21 Capítulo 20 – O Despertar da Tempestade ( Parte 2)
22 Capítulo 21 – A Essência da Tempestade
23 Capítulo 22 – O Centro da Calmaria
24 Capítulo 23 – A Traição do Vento
25 Capítulo 24 – O Silêncio da Tempestade
26 Capítulo 25 – As Sombras da Verdade
27 Capítulo 26 – Entre o Vento e os Segredos
28 Capítulo 27 – O Último Silêncio
29 Capítulo 28 – O Peso da Escolha
30 Capítulo 29 – O Peso do Amanhã
31 Capítulo 30 – A Jornada Silenciosa
32 Capítulo 31 – O Cume da Verdade
33 Capítulo 32 – Ecos do Destino
34 Capítulo 33 – O Vazio Que Resta
35 Capítulo 34 – O Retorno da Tempestade
Capítulos

Atualizado até capítulo 35

1
Prólogo + Apresentação
2
Capítulo 1 – O Som do Vento
3
Capítulo 2 – A Dança das Sombras
4
Capítulo 3 – Entre o Céu e a Pedra
5
Capítulo 4 – O Chamado do Vento
6
Capítulo 5 – A Tempestade Dentro de Mim
7
Capítulo 6 – Onde o Vento Nos Leva
8
Capítulo 7 – O Olhar da Tempestade
9
Capítulo 8 – O Fim do Caminho
10
Capítulo 9 – O Abismo da Tempestade
11
Capítulo 10 – A Tempestade Interior
12
Capítulo 11 – O Peso da Tempestade
13
Capítulo 12 – O Caminho dos Ventos
14
Capítulo 13 – No Olho da Tempestade
15
Capítulo 14 – O Coração da Tempestade
16
Capítulo 15 – O Fim e o Começo
17
Capítulo 16 – O Despertar da Tempestade
18
Capítulo 17 – A Força do Vento
19
Capítulo 18 – O Preço da Tempestade
20
Capítulo 19 – O Coração da Tempestade ( Parte 2)
21
Capítulo 20 – O Despertar da Tempestade ( Parte 2)
22
Capítulo 21 – A Essência da Tempestade
23
Capítulo 22 – O Centro da Calmaria
24
Capítulo 23 – A Traição do Vento
25
Capítulo 24 – O Silêncio da Tempestade
26
Capítulo 25 – As Sombras da Verdade
27
Capítulo 26 – Entre o Vento e os Segredos
28
Capítulo 27 – O Último Silêncio
29
Capítulo 28 – O Peso da Escolha
30
Capítulo 29 – O Peso do Amanhã
31
Capítulo 30 – A Jornada Silenciosa
32
Capítulo 31 – O Cume da Verdade
33
Capítulo 32 – Ecos do Destino
34
Capítulo 33 – O Vazio Que Resta
35
Capítulo 34 – O Retorno da Tempestade

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