Capítulo 4 – O Chamado do Vento

A luz dentro da caverna era estranha. Não se parecia com nada que eu já tivesse visto. Não era quente, nem fria. Não forte o suficiente para cegar, mas lá estava ela — envolvente, como se o próprio tempo se dobrasse ao seu redor. A cada passo que eu dava, o ar ficava mais espesso, pesado, como se correntes invisíveis se entrelaçar à nossa respiração.

Lyria seguia à frente, firme como sempre. Ela nunca hesitava. Mas eu? Eu sentia a tensão que se arrastava em minhas costas, um presságio que não conseguia decifrar. Detestava essa sensação. O vento sempre foi meu aliado, mas agora ele parecia distante, oculto, como se suas intenções estivessem veladas.

"Isso não pode ser só magia. Não pode." O pensamento se repetia em minha mente. Eu nunca fui fã do inexplicável. Preferia o tangível, o lógico. O vento, eu compreendia. Ele guiava as marés, ditava os rumos das viagens. Mas aqui... aqui parecia que algo além do que eu conhecia nos puxava, sutil e inevitável.

Lyria parou de súbito. Seus olhos dourados brilharam na penumbra, e soube que ela sentiu. Não foi uma intuição comum, mas um alerta primal, como se algo antigo sussurrasse apenas a ela. Seus dedos tocaram os lábios, em um gesto silencioso, e apontaram adiante.

Karl se aproximou, com a calma irritante de quem não leva nada a sério. Ele olhou ao redor, impassível. Para Karl , tudo era diversão. Um jogo. Mas eu não compartilhava dessa leveza. Sabia o peso do momento. O que buscávamos não era uma relíquia qualquer.

"Vamos." A voz de Karl rompeu o silêncio, sem esperar por respostas. Ele sabia que estávamos além do ponto de retorno.

Lyria seguiu, deslizando como uma sombra. Caminhei atrás dela, Karl logo em seguida. O túnel se estreitava, a pedra sob nossos pés tornava-se traiçoeira, mas a luz que preenchia a caverna parecia nos guiar.

Então o som começou.

Não um ruído comum, mas um eco. Um sussurro. O vento não mais passava por nós. Ele falava.

Parei. Algo invisível me puxava, me ancorava ao chão. O ar, denso como água, estava carregado de uma energia antiga. Familiar, mas diferente.

"O Coração." A palavra soou em minha mente, tão clara quanto a presença de Lyria à frente.

Ela parou também. Sentiu o mesmo. Karl , no entanto, seguiu como se não percebesse. Olhava ao redor, à espera de algo tangível.

"Então?" Ele resmungou, impaciente, a mão sobre a espada. "Nada? Esse lugar vai nos levar ao tal Coração ou só estamos passeando?"

Lyria ignorou, e eu respondi.

"Não é um tesouro, Karl . É um destino."

Ele riu. Mas não de desdém. Riu nervoso, como quem ri para espantar o medo.

Continuamos. As paredes agora estavam gravadas com runas que brilhavam fracamente. A magia delas vibrava, viva. Sabia que o vento corria por aquelas marcas, guiando o caminho.

O túnel se abriu em um salão vasto, que parecia não ter fim. O teto desaparecia na escuridão. No centro, um altar.

Feito de pedra negra, absorvia a luz ao redor. Era simples, mas pulsava com algo vivo. Sobre ele, uma gema.

A pedra irradiava a mesma luz da caverna, mas mais intensa. Vibrante. Eu soube no instante em que a vi.

Era o Coração da Tempestade.

Lyria avançou, a mão estendida, mas hesitou antes de tocar. Seus olhos encontraram os meus.

"Você sente isso, Arlen?" Sua voz era um sussurro.

Eu não precisava responder. Sentia. O vento se aglomerava ali, como se estivéssemos no olho de uma tormenta.

"Isso não é um tesouro," Lyria murmurou, os olhos fixos na gema. "Não podemos simplesmente pegar e sair. Há algo mais aqui."

Eu ia responder, mas o chão tremeu. Um rugido profundo ecoou, e o altar moveu-se.

A gema brilhou intensamente. A luz pulsava, um batimento de coração. O vento aumentava.

Lyria recuou. Karl observava, tenso. Não havia saída.

"Arlen..." A voz dela tremia, mas seu olhar permanecia firme. "O que faremos?"

Eu encarei o altar. O Coração brilhava. Não era uma pedra. Era vivo. Respirava com o vento.

"Não sei." As palavras escaparam. "Mas não vamos parar agora."

E então, o rugido final preencheu a caverna. O vento nos envolveu.

Ali, no coração da tempestade, entendemos.

O Coração não era um destino.

Ele era o caminho.

Capítulos
1 Prólogo + Apresentação
2 Capítulo 1 – O Som do Vento
3 Capítulo 2 – A Dança das Sombras
4 Capítulo 3 – Entre o Céu e a Pedra
5 Capítulo 4 – O Chamado do Vento
6 Capítulo 5 – A Tempestade Dentro de Mim
7 Capítulo 6 – Onde o Vento Nos Leva
8 Capítulo 7 – O Olhar da Tempestade
9 Capítulo 8 – O Fim do Caminho
10 Capítulo 9 – O Abismo da Tempestade
11 Capítulo 10 – A Tempestade Interior
12 Capítulo 11 – O Peso da Tempestade
13 Capítulo 12 – O Caminho dos Ventos
14 Capítulo 13 – No Olho da Tempestade
15 Capítulo 14 – O Coração da Tempestade
16 Capítulo 15 – O Fim e o Começo
17 Capítulo 16 – O Despertar da Tempestade
18 Capítulo 17 – A Força do Vento
19 Capítulo 18 – O Preço da Tempestade
20 Capítulo 19 – O Coração da Tempestade ( Parte 2)
21 Capítulo 20 – O Despertar da Tempestade ( Parte 2)
22 Capítulo 21 – A Essência da Tempestade
23 Capítulo 22 – O Centro da Calmaria
24 Capítulo 23 – A Traição do Vento
25 Capítulo 24 – O Silêncio da Tempestade
26 Capítulo 25 – As Sombras da Verdade
27 Capítulo 26 – Entre o Vento e os Segredos
28 Capítulo 27 – O Último Silêncio
29 Capítulo 28 – O Peso da Escolha
30 Capítulo 29 – O Peso do Amanhã
31 Capítulo 30 – A Jornada Silenciosa
32 Capítulo 31 – O Cume da Verdade
33 Capítulo 32 – Ecos do Destino
34 Capítulo 33 – O Vazio Que Resta
35 Capítulo 34 – O Retorno da Tempestade
Capítulos

Atualizado até capítulo 35

1
Prólogo + Apresentação
2
Capítulo 1 – O Som do Vento
3
Capítulo 2 – A Dança das Sombras
4
Capítulo 3 – Entre o Céu e a Pedra
5
Capítulo 4 – O Chamado do Vento
6
Capítulo 5 – A Tempestade Dentro de Mim
7
Capítulo 6 – Onde o Vento Nos Leva
8
Capítulo 7 – O Olhar da Tempestade
9
Capítulo 8 – O Fim do Caminho
10
Capítulo 9 – O Abismo da Tempestade
11
Capítulo 10 – A Tempestade Interior
12
Capítulo 11 – O Peso da Tempestade
13
Capítulo 12 – O Caminho dos Ventos
14
Capítulo 13 – No Olho da Tempestade
15
Capítulo 14 – O Coração da Tempestade
16
Capítulo 15 – O Fim e o Começo
17
Capítulo 16 – O Despertar da Tempestade
18
Capítulo 17 – A Força do Vento
19
Capítulo 18 – O Preço da Tempestade
20
Capítulo 19 – O Coração da Tempestade ( Parte 2)
21
Capítulo 20 – O Despertar da Tempestade ( Parte 2)
22
Capítulo 21 – A Essência da Tempestade
23
Capítulo 22 – O Centro da Calmaria
24
Capítulo 23 – A Traição do Vento
25
Capítulo 24 – O Silêncio da Tempestade
26
Capítulo 25 – As Sombras da Verdade
27
Capítulo 26 – Entre o Vento e os Segredos
28
Capítulo 27 – O Último Silêncio
29
Capítulo 28 – O Peso da Escolha
30
Capítulo 29 – O Peso do Amanhã
31
Capítulo 30 – A Jornada Silenciosa
32
Capítulo 31 – O Cume da Verdade
33
Capítulo 32 – Ecos do Destino
34
Capítulo 33 – O Vazio Que Resta
35
Capítulo 34 – O Retorno da Tempestade

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