Capítulo 12 – O Caminho dos Ventos

A sensação que pairava no ar era de uma quietude tensa, como se o mundo tivesse parado por um breve momento, aguardando para ver qual seria o próximo movimento. Mesmo com a tempestade se aproximando, o vento parecia ter se acalmado, como se estivesse aguardando um comando para retomar sua fúria. Mas dentro de mim, ele ainda estava lá. Eu podia sentir sua presença, sua força, sua voz. Ela sussurrava em meus ouvidos, imperturbável, como se soubesse que agora fazia parte de mim.

Aquela sombra no horizonte, que eu havia visto pela primeira vez, estava se aproximando lentamente. O que era aquilo? A tempestade não era algo que pudesse ser contida ou compreendida facilmente, mas aquela sensação de que algo estava se aproximando, algo grande e implacável, me fazia sentir como se eu estivesse à beira de um abismo, sem saber se seria engolido por ele ou se conseguiria sobreviver.

Lyria estava a meu lado, mas eu sabia que sua mente estava em outro lugar. Ela não estava mais tão atenta ao ambiente, mas sim a mim. Seus olhos estavam fixos em mim, como se estivesse esperando que eu dissesse alguma coisa. Como se estivesse esperando que eu, finalmente, encontrasse uma resposta. Mas eu não tinha nenhuma. Nenhuma resposta, nenhuma explicação. Tudo o que eu sabia era que a tempestade estava se tornando mais forte a cada segundo e que, a cada passo que dávamos, estávamos mais próximos de seu centro. Mas até o que estava no centro ainda era um mistério.

— O que é isso? — Ela perguntou, sua voz quebrando o silêncio de forma abrupta. Eu podia ouvir a preocupação em seu tom. Ela não estava apenas falando sobre a sombra que se aproximava, mas sobre mim também. Sobre o que eu me tornara.

— Não sei — respondi, a voz carregada com a incerteza que me consumia. — Mas sinto que não podemos ignorar isso. Não podemos mais fugir.

Karl, que estava um pouco mais distante, mas sempre atento, se aproximou com uma expressão de pura desconfiança. Ele sabia que algo estava errado, sabia que eu estava perdendo o controle. Mas, ao mesmo tempo, não sabia o que fazer com isso.

— O que você quer dizer com isso, Arlen? — Ele perguntou, com uma leve exasperação. — Não podemos fugir da tempestade, não é isso? Mas o que isso significa para nós? O que você está dizendo?

Eu olhei para ele, tentando encontrar as palavras certas. Mas tudo o que eu sentia era um turbilhão de emoções que não sabia expressar. A tempestade estava dentro de mim, e eu estava começando a entender que ela não era apenas uma força externa. Era algo que me transformava. Ela não era apenas uma ameaça à minha vida ou ao nosso mundo, mas à minha identidade. Eu já não sabia mais quem eu era. Não sabia mais o que era real.

— Não sei, Karl. Mas eu sinto que, se não entendermos o que está acontecendo, não teremos chance de sobreviver a isso.

Havia uma verdade crua e dolorosa nas minhas palavras, e eu sabia que Karl sentia isso. Ele podia ser cínico, impiedoso até, mas não era burro. Ele sabia que o que estava acontecendo não era algo que poderíamos controlar com nossas armas ou com nossa astúcia. Ele sabia, assim como eu, que a tempestade estava nos forçando a encarar algo muito maior do que qualquer um de nós poderia suportar.

Lyria deu um passo à frente, seu arco agora de volta às suas costas, mas suas mãos ainda estavam tensas, prontas para agir a qualquer momento. Ela olhou para mim, e foi a primeira vez em muito tempo que vi uma vulnerabilidade tão clara em seus olhos. Ela estava com medo. Não de mim, mas do que eu estava prestes a fazer. Do que essa tempestade poderia fazer a todos nós.

— Arlen, não podemos deixar que a tempestade nos destrua — ela disse, a suavidade de sua voz contrastando com o tom urgente de sua fala. — Não podemos deixar que ela nos controle.

Eu fechei os olhos por um momento, sentindo o peso das palavras dela. Mas eu sabia que não estava tentando controlar nada. A tempestade já estava dentro de mim. Eu era apenas uma parte disso agora. Eu não podia controlá-la, mas talvez pudesse aprender a coexistir com ela.

— Não se trata de controle, Lyria — respondi, minha voz rouca. — Se fosse só isso, eu já teria tentado. Não temos mais controle sobre nada, apenas a capacidade de reagir.

Karl bufou, impaciente, mas eu podia ver que havia algo mais profundo se formando dentro dele. Ele sabia que a luta não seria contra algo que podíamos vencer com uma espada ou uma flecha. Era uma luta interna, uma batalha que não tinha um vencedor claro. E ele sabia que, ao final, isso afetaria não apenas nós três, mas todos ao nosso redor.

Eu senti, então, uma mudança no vento. Algo diferente, mais pesado, mais carregado. Eu sabia que estava vindo, mesmo antes de vê-lo. Eu sabia que, de alguma forma, ele estava se aproximando de nós com uma velocidade que não era normal. Não era o vento que eu costumava sentir. Era algo mais. Algo poderoso.

Olhei para Lyria e Karl, vendo a mesma inquietação em seus rostos.

— Está vindo — falei, com uma firmeza que surpreendeu até a mim. — Algo está vindo. E precisamos estar prontos.

A sombra, agora claramente visível, se aproximava rapidamente. Não era uma nuvem comum. Não era um fenômeno natural. Era algo diferente. Era a própria tempestade, encarnada de forma mais visível. A massa de ar que se aproximava tinha uma forma que não poderia ser explicada por simples ciência. Era como uma entidade, uma força, uma coisa viva, uma presença que nos observava, nos testava. E era mais forte do que qualquer coisa que já havia se aproximado de nós.

Eu podia sentir minha respiração ficando mais difícil, como se o ar ao redor de nós estivesse se tornando mais denso. O vento estava em harmonia comigo, mas também estava me empurrando, testando minha resistência. Ele queria que eu cedesse. Queria que eu me rendesse.

Eu apertei os olhos, tentando focar. Não sabia o que fazer. Eu queria entender o que estava acontecendo, mas, por mais que eu tentasse, não conseguia encontrar as respostas. Só sabia que a tempestade estava se aproximando. E nós estávamos prestes a ser testados de uma forma que jamais imaginamos.

Lyria deu um passo atrás, seus olhos fixos na sombra. Ela estava tensa, preparada para qualquer coisa, mas também sabia que não podíamos lutar contra aquilo. Ela sabia que precisávamos encontrar uma maneira de sobreviver àquilo. Para todos nós.

Karl estava quieto agora, observando a tempestade com a mesma intensidade. Ele sabia, assim como eu, que isso não era apenas sobre nós. Isso era maior. Isso era sobre o destino de tudo o que existia, o destino de um mundo que estava à beira de ser consumido.

— O que fazemos agora? — Karl perguntou, sua voz baixando em um tom mais grave. Ele sabia que tínhamos pouco tempo. Sabíamos que a resposta não estava nas nossas mãos. Mas ainda assim, sentíamos o peso da responsabilidade.

Eu olhei para ele, e então para Lyria. A resposta estava dentro de mim, mas eu não sabia como explicá-la. Eu não sabia o que significava. Eu só sabia que a tempestade estava aqui, e nós não tínhamos escolha a não ser enfrentá-la.

— Agora — falei, com a voz mais firme que eu consegui reunir —, nós seguimos em frente.

Capítulos
1 Prólogo + Apresentação
2 Capítulo 1 – O Som do Vento
3 Capítulo 2 – A Dança das Sombras
4 Capítulo 3 – Entre o Céu e a Pedra
5 Capítulo 4 – O Chamado do Vento
6 Capítulo 5 – A Tempestade Dentro de Mim
7 Capítulo 6 – Onde o Vento Nos Leva
8 Capítulo 7 – O Olhar da Tempestade
9 Capítulo 8 – O Fim do Caminho
10 Capítulo 9 – O Abismo da Tempestade
11 Capítulo 10 – A Tempestade Interior
12 Capítulo 11 – O Peso da Tempestade
13 Capítulo 12 – O Caminho dos Ventos
14 Capítulo 13 – No Olho da Tempestade
15 Capítulo 14 – O Coração da Tempestade
16 Capítulo 15 – O Fim e o Começo
17 Capítulo 16 – O Despertar da Tempestade
18 Capítulo 17 – A Força do Vento
19 Capítulo 18 – O Preço da Tempestade
20 Capítulo 19 – O Coração da Tempestade ( Parte 2)
21 Capítulo 20 – O Despertar da Tempestade ( Parte 2)
22 Capítulo 21 – A Essência da Tempestade
23 Capítulo 22 – O Centro da Calmaria
24 Capítulo 23 – A Traição do Vento
25 Capítulo 24 – O Silêncio da Tempestade
26 Capítulo 25 – As Sombras da Verdade
27 Capítulo 26 – Entre o Vento e os Segredos
28 Capítulo 27 – O Último Silêncio
29 Capítulo 28 – O Peso da Escolha
30 Capítulo 29 – O Peso do Amanhã
31 Capítulo 30 – A Jornada Silenciosa
32 Capítulo 31 – O Cume da Verdade
33 Capítulo 32 – Ecos do Destino
34 Capítulo 33 – O Vazio Que Resta
35 Capítulo 34 – O Retorno da Tempestade
Capítulos

Atualizado até capítulo 35

1
Prólogo + Apresentação
2
Capítulo 1 – O Som do Vento
3
Capítulo 2 – A Dança das Sombras
4
Capítulo 3 – Entre o Céu e a Pedra
5
Capítulo 4 – O Chamado do Vento
6
Capítulo 5 – A Tempestade Dentro de Mim
7
Capítulo 6 – Onde o Vento Nos Leva
8
Capítulo 7 – O Olhar da Tempestade
9
Capítulo 8 – O Fim do Caminho
10
Capítulo 9 – O Abismo da Tempestade
11
Capítulo 10 – A Tempestade Interior
12
Capítulo 11 – O Peso da Tempestade
13
Capítulo 12 – O Caminho dos Ventos
14
Capítulo 13 – No Olho da Tempestade
15
Capítulo 14 – O Coração da Tempestade
16
Capítulo 15 – O Fim e o Começo
17
Capítulo 16 – O Despertar da Tempestade
18
Capítulo 17 – A Força do Vento
19
Capítulo 18 – O Preço da Tempestade
20
Capítulo 19 – O Coração da Tempestade ( Parte 2)
21
Capítulo 20 – O Despertar da Tempestade ( Parte 2)
22
Capítulo 21 – A Essência da Tempestade
23
Capítulo 22 – O Centro da Calmaria
24
Capítulo 23 – A Traição do Vento
25
Capítulo 24 – O Silêncio da Tempestade
26
Capítulo 25 – As Sombras da Verdade
27
Capítulo 26 – Entre o Vento e os Segredos
28
Capítulo 27 – O Último Silêncio
29
Capítulo 28 – O Peso da Escolha
30
Capítulo 29 – O Peso do Amanhã
31
Capítulo 30 – A Jornada Silenciosa
32
Capítulo 31 – O Cume da Verdade
33
Capítulo 32 – Ecos do Destino
34
Capítulo 33 – O Vazio Que Resta
35
Capítulo 34 – O Retorno da Tempestade

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