O avião estava relativamente silencioso, o som do motor sendo um fundo constante enquanto sobrevoávamos as nuvens. Nicholas estava sentado ao meu lado, um livro aberto em suas mãos, mas parecia tão concentrado nele quanto eu estava na paisagem lá fora — ou seja, nada. Eu não conseguia evitar ficar conferindo meu celular, trocando mensagens com Jade, minha melhor amiga, que tinha acabado de começar as gravações do novo filme dela.
Jade: “Primeiro dia no set e já quero arrancar os cabelos! O diretor é um perfeccionista maluco!”
Eu: “Bem-vinda ao mundo de Hollywood, onde todo mundo acha que é um gênio incompreendido." – mandei um emoji rindo.
Jade: “Rindo de nervoso. Mas e você? Como foi o Brasil? Preciso de fofocas detalhadas quando você voltar.”
Olhei de canto de olho para Nicholas, que tinha um sorrisinho discreto no rosto enquanto virava a página do livro. Ele parecia tão relaxado, tão... irresistível. Só de pensar em tudo o que aconteceu nos últimos dias, meu rosto esquentava.
Eu: “O Brasil foi... intenso. Mas sim, vou te contar TUDO. Só posso dizer que Nicholas está mais insuportável do que nunca, mas de um jeito bom, sabe?”
Jade: “Pera aí. Insuportável do jeito que você gostava de reclamar ou do jeito que te faz suspirar?”
Eu ri baixo, balançando a cabeça. Jade nunca perdia a chance de provocar.
Eu: “Um pouco dos dois. Talvez mais o segundo. A gente está voltando juntos, se isso responde à sua pergunta.”
Jade: “VOCÊS O QUÊ??? Mulher, não me faça gritar no meio do set!”
— Conversando com quem? — A voz de Nicholas cortou meus pensamentos, e eu levantei o olhar para ele, que tinha abaixado o livro e agora me encarava com um olhar curioso.
— Jade. Ela está surtando porque começou a gravar um filme novo. Mas e você, o que está lendo?
— Um thriller. Mas confesso que você é muito mais interessante que o assassino da história.
Revirei os olhos, mas não consegui esconder o sorriso. Nicholas sabia exatamente como mexer comigo, e isso era ao mesmo tempo frustrante e encantador.
Minha atenção voltou ao celular, onde Jade tinha mandado mais mensagens frenéticas.
Jade: “Ok, mas sério. O que aconteceu? Eu sabia que tinha algo entre vocês! Foi o Brasil? Foi o calor? A caipirinha? ME DÁ DETALHES.”
Eu: “Foi... tudo isso e mais um pouco. Mas calma, vou te contar quando chegar. Você vai pirar.”
Jade: “Vou esperar ansiosamente. E por favor, se ele for um idiota, me avisa que eu cuido dele.”
— Ela está ameaçando minha integridade física, não está? — Nicholas perguntou, inclinando-se para espiar a tela do meu celular.
— Talvez, — respondi, rindo. — Mas só se você merecer.
Ele ergueu as mãos em rendição, o sorriso brincando em seus lábios.
Enquanto o avião seguia seu curso, voltei a olhar para as mensagens de Jade, e não pude evitar me sentir grata. Grata por ela, grata por essa viagem e, principalmente, grata por Nicholas.
Porque, mesmo que eu ainda estivesse tentando entender tudo o que estava acontecendo entre nós, algo me dizia que essa era apenas a primeira página de uma história que eu nunca quis tanto escrever.
...ᯓᡣ𐭩...
A cidade de Los Angeles nos recebia com o céu azul típico e um calor agradável que fazia tudo parecer mais vibrante. O motorista manobrava pelas ruas movimentadas, e eu observava a paisagem familiar enquanto tentava organizar meus pensamentos. Era estranho voltar para casa depois dos dias intensos no Brasil, principalmente com Nicholas ao meu lado, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Ele estava sentado ao meu lado, o braço apoiado no encosto do banco, e eu sentia seu olhar em mim de vez em quando, como se estivesse tentando decifrar algo. Sempre tão observador, tão atento a cada detalhe...
— Parece feliz em estar de volta, — ele comentou casualmente, quebrando o silêncio confortável.
— Acho que sim. É bom voltar pra casa, — respondi, embora houvesse uma pontinha de dúvida na minha voz. Não sabia se queria mesmo que tudo voltasse ao normal.
Nicholas arqueou uma sobrancelha, como se tivesse percebido a hesitação. Ele era bom nisso, em ler além do que eu dizia.
— Não parece tão convencida.
— Talvez porque... não sei o que esperar daqui pra frente.
Era uma resposta honesta, e ele sorriu de leve, como se entendesse exatamente o que eu estava tentando dizer.
Quando o carro parou em frente ao meu prédio, o motorista desceu rapidamente para abrir a porta. Nicholas saiu primeiro, estendendo a mão para me ajudar a descer, um gesto tão cavalheiro que me arrancou um sorriso.
— Pronta para voltar à rotina? — ele perguntou, os olhos presos nos meus enquanto eu pegava minha bolsa.
— Nem um pouco, — admiti, rindo. — Mas não acho que tenho escolha.
Nicholas pegou minha mala e me acompanhou até a entrada do prédio. Era engraçado como ele parecia tão à vontade, como se já fizesse parte do meu mundo há muito mais tempo do que realmente fazia.
— Eu levo isso até lá em cima, se quiser, — ele ofereceu, segurando a mala com facilidade.
— Não precisa, eu consigo sozinha.
Ele me olhou com aquela expressão teimosa, como se não acreditasse em mim.
— Eu sei que consegue, mas isso não significa que vai.
Acabei rindo e cedendo. Ele entrou comigo no saguão, atraindo olhares curiosos de alguns moradores que passavam por ali. Não era difícil entender o porquê; Nicholas tinha uma presença que era impossível ignorar.
Quando chegamos à porta do meu apartamento, ele colocou a mala no chão e se encostou na parede, os braços cruzados.
— Então, — ele começou, o sorriso de lado surgindo. — É aqui que eu faço meu grande adeus dramático?
— Acho que sim, — respondi, brincando, mas a ideia de me despedir dele me incomodava mais do que eu esperava.
— Sabe, Isabela... — Ele inclinou a cabeça, me observando com intensidade. — Eu poderia dizer um monte de coisas agora, mas acho que vou deixar você descansar.
Eu sorri, sentindo o coração acelerar um pouco com o tom da sua voz.
— Obrigada por me trazer até aqui.
— Sempre.
Ele se inclinou, beijando minha bochecha lentamente, mas não foi um beijo inocente. Foi o tipo de beijo que fazia meu corpo inteiro ficar em alerta, como se dissesse que isso não era o fim, apenas uma pausa.
— Nos vemos em breve, — ele disse antes de se afastar e desaparecer pelo corredor.
Fiquei parada ali por alguns segundos, tentando processar tudo. Eu sabia que voltar para Los Angeles significava lidar com a rotina, com o trabalho, com tudo que parecia tão distante nos últimos dias. Mas uma coisa era certa: Nicholas tinha virado minha vida de cabeça para baixo, e, de alguma forma, eu sabia que ele não iria embora tão cedo.
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Atualizado até capítulo 29
Comments
Maria Lima De Souza
Nossa, como você escreve com detalhes, pensamentos, falas, tudo sincronizado, colocando emoção em um livro curto mas intenso, estou perplexa, e olha que me perdi de quantos já li, estou maravilhada.
2025-01-21
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Paty Helena
Ó autora que foi isso nessa despedida heim???
2025-01-05
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