Capítulo 07

Um mês. Trinta dias inteiros de fisioterapia, restrições, e a insistência constante de Isabela Calloway em me lembrar que eu não era invencível. Mas agora eu estava aqui, no vestiário, amarrando minhas chuteiras e sentindo aquele nervosismo familiar que sempre vinha antes de um jogo. Era um amistoso, nada muito importante no calendário oficial, mas, para mim, era tudo. Era minha chance de provar que estava pronto.

Reymond passou por mim, batendo nas minhas costas.

— Pronto pra voltar, capitão? — perguntou com um sorriso satisfeito.

— Mais do que pronto. — respondi, ajustando a camisa com o número 24 nas costas.

A verdade era que eu estava ansioso pra caramba. Não por medo de não estar à altura, mas porque fazia tempo demais que eu não sentia a adrenalina de estar em quadra. A recuperação foi uma droga, e, por mais que Isabela tenha feito um trabalho impecável, ela tornava o processo insuportável com sua postura mandona. Claro, ela estava certa na maior parte do tempo, mas isso não tornava as coisas mais fáceis.

Quando entrei na quadra, os aplausos da torcida me atingiram em cheio. O ginásio estava lotado, e eu senti aquele calor familiar, como se cada pessoa ali estivesse depositando todas as esperanças em mim. Era exatamente disso que eu precisava.

Olhei para o banco de reservas, e lá estava Isabela, com os braços cruzados e uma expressão de quem estava avaliando cada passo meu. Eu não precisava nem adivinhar o que ela estava pensando: "Se ele fizer alguma coisa estúpida, eu mato."

O apito soou, e o jogo começou. Assim que toquei na bola pela primeira vez, tudo voltou a fazer sentido. A movimentação, o ataque, o trabalho em equipe... era como se eu nunca tivesse parado. O calcanhar respondia bem, sem dor, sem limitações. Cada vez que saltava para bloquear ou atacar, era como se eu estivesse reafirmando que estava de volta.

Quando marquei meu primeiro ponto, o ginásio explodiu em aplausos. Olhei para o banco novamente, e Isabela tinha um pequeno sorriso no canto dos lábios. Não durou mais do que dois segundos, mas foi suficiente para que eu percebesse que, apesar de todo o sarcasmo e broncas, ela estava satisfeita com meu progresso.

O jogo terminou com a nossa vitória, e eu não conseguia conter o sorriso no rosto enquanto apertava a mão dos adversários e ouvia o treinador gritar elogios para o time. A sensação de estar de volta era indescritível.

Mais tarde, enquanto guardava meus pertences no vestiário, ouvi passos atrás de mim. Me virei e vi Isabela, com o tablet em mãos e aquele olhar sério de sempre.

— Parabéns pelo jogo. — disse ela, encostando-se na porta.

— Obrigado. — respondi, me preparando para o sermão que provavelmente viria em seguida.

— Não se empolgue demais. — continuou, apontando para mim com o tablet. — Ainda precisamos fazer acompanhamento para garantir que sua recuperação esteja 100%.

— Você não consegue nem aproveitar um momento de glória, né? — brinquei, fechando a mochila.

— Não quando o meu paciente tem um histórico de ser teimoso e irresponsável. — retrucou, mas havia um brilho nos olhos dela que não passava despercebido.

Eu ri, balançando a cabeça.

— Valeu por não desistir de mim.

Ela pareceu surpresa por um momento, mas logo deu de ombros.

— Não tinha escolha. Você é um dos melhores jogadores que eu já vi. Seria um desperdício se você estragasse tudo por causa de orgulho.

Ela saiu antes que eu pudesse responder, deixando um silêncio que parecia ecoar no vestiário. Apesar de todos os atritos, eu sabia que ela tinha sido essencial para eu estar aqui hoje. E, por mais que eu odiasse admitir, estava grato.

Quando saí do vestiário, já pronto para ir embora, fui recebido por um alvoroço na entrada do estádio dos Scorpions. Eram fãs, repórteres, flashes de câmeras e gritos. Esse tipo de cena era comum depois de jogos importantes, mas fazia tanto tempo que eu não passava por isso que, por um segundo, fiquei meio paralisado.

Assim que me viram, os fãs começaram a gritar meu nome, e uma multidão se aproximou rapidamente. Assinei alguns autógrafos, tirei fotos com alguns torcedores, e era impossível não sorrir com a energia contagiante deles.

Mas os repórteres eram outra história. Eles eram mais insistentes, e as perguntas vinham de todos os lados, sobre o jogo, minha recuperação e a temporada que estava por vir. Eu respondia de forma educada, mantendo o tom profissional, mas sabia que, eventualmente, uma pergunta inconveniente surgiria.

E não demorou.

— Nicholas! — chamou uma jornalista loira com um microfone na mão, conseguindo se destacar no meio da confusão. — Você está de volta em grande estilo, e as fãs querem saber... você ainda está solteiro?

A pergunta fez a multidão explodir em gritos, risadas e até alguns assobios. Algumas meninas próximas pareciam prender a respiração, esperando minha resposta.

Eu sabia que era o tipo de pergunta que alimentava os tabloides, mas resolvi brincar com a situação. Olhei diretamente para a jornalista, com um sorriso no rosto que sabia que ia virar manchete no dia seguinte, e respondi:

— Sim, ainda estou solteiro.

Os gritos ficaram ainda mais altos, e algumas das fãs levantaram cartazes como se aquilo fosse algum tipo de competição. A jornalista sorriu, satisfeita, já imaginando a repercussão da resposta.

Enquanto continuava caminhando em direção ao carro, Isabela surgiu na entrada do estádio, me encarando com uma expressão que era uma mistura de incredulidade e diversão.

— Sério? — ela disse, cruzando os braços. — Você precisa mesmo alimentar o ego dessas meninas?

— Por que não? Faz parte do show. — respondi, ainda sorrindo, enquanto destrancava o carro.

— Você é inacreditável. — ela revirou os olhos, mas havia um leve sorriso nos lábios que entregava que, no fundo, ela achava graça.

— E você gosta disso. — retruquei, provocando.

— Nem nos seus melhores sonhos, Attister. — ela disparou, virando as costas e indo para o carro dela.

Eu ri, ligando o carro e deixando o estádio com a certeza de que os próximos dias seriam cheios de manchetes sobre meu retorno e, claro, sobre minha vida pessoal. Mas, sinceramente, eu não me importava. Estava de volta ao meu jogo, e isso era tudo o que importava.

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Comments

Paty Helena

Paty Helena

o cara é teimoso e indisciplinado só pode colocar a culpa na Bella 🤭

2025-01-05

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Paty Helena

Paty Helena

Lógico que a Bella sorriu Ede satisfação com seu trabalho né , cabe a vc capitão agradecer a ela pelo seu bom trabalho já q vc sempre tão imprudente,dificultando a recuperação né 😁

2025-01-05

0

Maria Lima De Souza

Maria Lima De Souza

Ele não aceita que é apaixonado por ela rs

2025-01-21

1

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