Capítulo 11

A bola voava de um lado para o outro da quadra, e o som característico das palmas batendo na bola ecoava pelo ginásio. Era o tipo de som que me fazia sentir em casa. Subi para mais um bloqueio, tentando ignorar Christopher, que não parava de me olhar com aquele sorriso provocador.

Treinar com Christopher era sempre assim, competitivo e divertido, até ele resolver mudar o assunto para a minha vida pessoal.

Na pausa para a água, ele se aproximou com aquele olhar de quem estava prestes a dizer algo que eu não queria ouvir.

— Então... como estão as coisas com a Isabela? — ele perguntou casualmente, mas o tom de voz entregava que ele estava só esperando para tocar no assunto.

— Você não cansa disso? — perguntei, pegando uma toalha para enxugar o suor.

— Nem um pouco. — Ele sorriu.

— Eu não estou agindo estranho.

— Está, sim. Olha só pra você. Toda vez que o nome dela é mencionado, você fica nervoso. E não adianta negar.

Suspirei, já cansado daquela conversa.

— Chris, ela é minha fisioterapeuta. Mas é só isso.

Ele me olhou como se eu fosse um péssimo mentiroso.

— Só isso, né? É por isso que você defende ela sempre que alguém fala alguma besteira? Por isso que você estava quase arrancando a cabeça de quem comentou que ela só conseguiu o emprego por sua causa?

— Porque é injusto, e ninguém deveria ser tratado dessa forma. — Respondi, tentando parecer firme, mas sabia que Christopher não ia deixar passar.

— Claro, claro. O cavaleiro de armadura brilhante. — eu revirei os olhos. — Só admita, Nicholas, você está na dela.

— Chris, para. Eu estou focado no treino e no campeonato. Não tem espaço pra outra coisa.

Ele soltou uma gargalhada e deu um tapa no meu ombro.

— Você pode até tentar se enganar, mas eu sei o que vejo. E vou te avisar desde já: quando você admitir, vou ser o primeiro a dizer “eu avisei”.

Balancei a cabeça, irritado e ao mesmo tempo tentando não rir.

— Volta pra quadra, vai. — Falei, jogando a toalha nele.

Christopher voltou para o treino, mas eu fiquei parado por um momento, olhando para a bola no chão. Ele podia estar errado... ou talvez estivesse mais certo do que eu gostaria de admitir.

...ᯓᡣ𐭩...

Eu estava organizando minha mala para a viagem que faríamos no dia seguinte. O destino? Brasil. Mais precisamente, o Rio de Janeiro, a icônica "Cidade Maravilhosa", como diziam em todas as pesquisas que fiz sobre o país.

Todos sabemos que o Brasil é um lugar incrível, cheio de energia e cultura vibrante, mas não vou mentir: o time de lá estava me deixando um pouco inquieto. Eles tinham fama de ser extremamente competitivos, e, pelo que analisamos, não seria um jogo fácil.

Por outro lado, havíamos treinado incansavelmente, e perder num país que nem era o nosso não estava nos planos. O foco era total.

A agenda também seria puxada. Dois jogos decisivos e apenas cinco dias na cidade. Apesar do curto tempo, eu não conseguia evitar a curiosidade de explorar um pouco o que o Rio tinha a oferecer. Talvez desse tempo de ver a praia de Copacabana ou dar uma passada no Cristo Redentor. Quem sabe?

Mas, no momento, minha cabeça estava no campeonato. A mala estava quase pronta, cheia de uniformes, equipamentos e, claro, meu tênis da sorte. Amanhã, o Brasil nos aguardava, e a batalha dentro de quadra começaria.

Na manhã seguinte, o aeroporto estava um caos, como sempre acontece em dias de viagem. Entre vozes apressadas, malas arrastadas e companheiros de time discutindo sobre quem havia esquecido o passaporte (de novo, Christopher), embarcamos rumo ao Rio de Janeiro.

O voo foi tranquilo, tirando as piadas sem graça de um lado e outro do avião. Eu tentava me concentrar ouvindo música, mas era impossível não perceber o clima de expectativa que pairava sobre todos nós. Esse era um jogo importante, e sabíamos que os olhos da imprensa e dos fãs de voleibol estariam voltados para nós.

Quando finalmente aterrissamos, o calor nos recebeu como um soco no rosto. Mesmo em pleno inverno brasileiro, o clima era muito mais quente do que estávamos acostumados. No caminho para o hotel, a cidade mostrava toda sua grandiosidade: montanhas, praias, um céu azul quase cinematográfico e o Pão de Açúcar despontando no horizonte.

Chegamos ao hotel e, como esperado, já havia fãs nos esperando na entrada. Assinamos alguns autógrafos e seguimos para o check-in. Meu quarto tinha uma vista incrível para a praia de Copacabana, e, por um momento, quase esqueci que estávamos ali para jogar.

Depois de desfazer parte da mala e descansar um pouco, descemos para o primeiro treino de adaptação no ginásio onde os jogos aconteceriam. O lugar era gigantesco, com capacidade para milhares de torcedores. Apenas imaginar a energia da torcida brasileira ali dentro era suficiente para me fazer sentir um arrepio.

No final do treino, enquanto todos se alongavam, Christopher se aproximou com aquele sorriso travesso que eu conhecia bem.

— Então, Nick, pronto pra encarar o calor da torcida brasileira? — ele perguntou, jogando uma garrafa de água pra mim.

— Sempre pronto — respondi, tentando parecer mais confiante do que realmente estava.

Ele deu uma risada.

— Claro, só não esquece de olhar pra arquibancada. Dizem que a torcida daqui é apaixonada... em todos os sentidos.

Revirei os olhos, mas não pude evitar um sorriso. Amanhã seria o grande dia, e eu estava pronto para dar o meu melhor. O Brasil tinha seu charme, mas estávamos aqui para vencer. Nada mais importava.

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Comments

F Valeria Feliciano

F Valeria Feliciano

só tem uma coisa errada... california não é um país, então não teria como competir com o BR! pode sim competir com o Osasco, SESI, Flamengo e etc...

2025-02-10

1

Maria Lima De Souza

Maria Lima De Souza

Sério, que vão competir com o Brasil autora kkkk você é má kkkkk mas eu amei sua idéia rs

2025-01-21

2

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