Capítulo 12

O Rio de Janeiro era quente. Muito quente mesmo. Parecia que o sol estava com raiva de alguém e descontava em nós. Eu já tinha passado quase um litro de protetor solar no corpo e ainda assim sentia minha pele queimar. Meu cabelo grudava na nuca, e o uniforme leve que vestia parecia pesado demais para aquele clima.

Agora, estava focada no preparo físico dos jogadores antes do jogo à tarde. Era um momento crucial, não só para eles, mas para mim também. O trabalho de um fisioterapeuta vai além de cuidar de lesões; é também sobre prevenir, manter o time inteiro em condições perfeitas e, acima de tudo, lidar com a pressão.

O ginásio onde estávamos tinha uma estrutura incrível, mas o calor parecia não dar trégua nem ali. Mesmo com o ar-condicionado ligado, era impossível ignorar as gotas de suor escorrendo pelo rosto dos jogadores enquanto realizavam os exercícios.

— Atenção com o alongamento, pessoal! Quero todo mundo preparado e sem risco de lesão hoje! — avisei, andando entre eles e ajustando algumas posturas.

Nicholas, como sempre, estava entre os últimos a terminar o circuito. Ele era excelente em quadra, mas às vezes parecia que relaxava demais na preparação.

— Attister, dá pra levar isso a sério? Ou vou precisar te lembrar que sou eu quem cuida de você quando faz besteira? — provoquei, cruzando os braços e encarando-o.

Ele sorriu de lado, aquele sorriso que parecia feito para irritar qualquer pessoa que tentasse ser profissional perto dele.

— Tô levando a sério, Calloway. Mas confessa, você gosta de me dar ordens, né?

Revirei os olhos, mas não respondi. Tinha trabalho a fazer, e ele sabia muito bem como testar minha paciência.

No entanto, era impossível ignorar o clima no ginásio. Todos estavam tensos, mas também empolgados. O jogo de hoje não era apenas importante para o time; era também uma oportunidade de mostrar ao público brasileiro do que eles eram capazes.

— Lembrem-se: sem exageros. É pra aquecer, não pra desgastar. Quero vocês inteiros no final do dia — finalizei, voltando minha atenção para os outros jogadores.

Por mais que Nicholas adorasse me provocar, eu sabia que, quando o jogo começasse, ele daria tudo de si. E, de alguma forma, isso me fazia sentir mais confiante. Afinal, eu também precisava estar no meu melhor.

...ᯓᡣ𐭩...

Os Scorpions estavam perdendo o segundo set por 8 pontos de diferença, e a tensão no ar era palpável. Eu conseguia sentir o peso da frustração nos jogadores, mas nenhum deles parecia mais irritado que Nicholas. A raiva estava estampada em seu rosto, transbordando em cada movimento que fazia. Cada vez que ele acertava a bola, parecia querer perfurar o chão do outro lado da quadra.

— Estamos perdendo feio. — Lion, um dos jogadores no banco de reservas, resmungou com um suspiro frustrado.

— Não vamos nos desesperar. Vai dar certo. — Julie, a filha do treinador e jogadora do time feminino dos Scorpions, tentou apaziguar. Sua voz tinha um tom confiante, mas o olhar de preocupação entregava que ela também estava tensa. — O Nicholas precisa se acalmar.

— Impossível. — Falei de repente, sem pensar muito, e percebi todos os olhares voltando para mim. — Quer dizer... — me corrigi, um pouco desconfortável com a atenção repentina. — Ele está com raiva, e estamos perdendo. Não é o cenário ideal pra ele manter a calma. — Dei de ombros, tentando parecer casual.

Julie estreitou os olhos para mim, como se tentasse decifrar algo nas entrelinhas.

— Você o conhece melhor que a maioria. Não acha que é justamente nessa hora que ele precisa de alguém pra trazê-lo de volta ao jogo?

Pensei naquilo por um momento, observando Nicholas em quadra. Ele era um jogador incrível, mas sua intensidade às vezes era sua maior fraqueza. Quando a pressão aumentava, ele tendia a deixar a raiva dominar, e isso podia atrapalhar mais do que ajudar.

— Ele precisa de um ponto de equilíbrio, mas eu não acho que ele aceite isso agora. Não no meio de um set. — Respondi, sabendo que, do jeito que ele estava, qualquer tentativa de acalmá-lo poderia ser vista como uma afronta.

Lion soltou uma risada curta, sem humor.

— Então é torcer pra ele transformar essa raiva em pontos, porque, do jeito que estamos, o terceiro set vai ser nossa única chance.

Eu sabia que ele estava certo, mas a inquietação não me deixava. Olhei de novo para Nicholas, e, por um segundo, nossos olhares se encontraram. Ele parecia exausto, mas determinado.

Suspirei. Talvez fosse isso que fazia dele um jogador tão excepcional. Mesmo com a pressão esmagadora e a raiva pulsando em cada fibra do seu corpo, ele ainda era capaz de carregar o time. Agora, só restava torcer para que ele conseguisse manter o foco e levar os Scorpions à virada.

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Comments

Fatima Maria

Fatima Maria

EU NUMCA VI OU OUVI UMA PESSOA COM RAIVA VÁ PARA ALGUM LUGAR. A RAIVA TE LEVA PARA DESTRUIÇÃO TEM QUE SE CALMAR MESMO NA TEMPESTADE 🌪

2025-02-26

0

Maria Lima De Souza

Maria Lima De Souza

kkk Pura adrenalina rs amo esportes, estou me sentindo lá

2025-01-21

2

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