Capítulo 02

...atualmente...

Eu cresci dividida entre Los Angeles e o Texas. Minha mãe morava em uma fazenda no Texas, enquanto meu pai vivia em Los Angeles. Naquela época, essa vida entre dois estados não parecia nem um pouco legal, mas acabou me trazendo muitos aprendizados – e, de quebra, me apresentou à minha melhor amiga.

A reconciliação dos meus pais veio no meu aniversário de treze anos, seguida pela chegada da Helena, minha irmãzinha mais nova. Hoje, eles moram juntos em Los Angeles, mas eu não moro mais com eles. Divido um apartamento com Jade.

Jade Leah Attister Di Angelis. Um fenômeno. A melhor atriz da atualidade. Uma das pessoas que eu mais amo no mundo. Minha outra metade. Minha alma gêmea da amizade. Minha contraparte perfeita... exceto quando se trata de dar conselhos. Nesse quesito, Jade é um completo desastre.

— Aceita, Bela! É um passo enorme na sua carreira. Os Scorpions são o melhor time de vôlei dos Estados Unidos! Você vai ser muito renomada.

— Eu já sou bem renomada, Jay — retruquei, ofendida.

— Eu sei que é, Belinha — respondeu, se jogando no sofá. — Mas pensa só: viagens de graça, regalias, tudo o que você quiser. E além de tudo isso, é os Scorpions! Eles são hexacampeões!

— Também é o time onde joga o seu irmão. Aquele que eu odeio e que me odeia.

— Ah, não, Isabela! — Jade se levantou de um pulo. — Você não vai recusar essa oferta só porque Nicholas está nesse time. Eu não aceito isso!

Fiquei em silêncio por um instante. Jade tinha razão. Aceitar o cargo de fisioterapeuta dos Scorpions era uma oportunidade que qualquer profissional da minha área mataria para ter. Mas só de pensar no Nicholas... naquele maldito olhar arrogante e sorriso convencido... meu sangue fervia.

— Não é tão simples, Jay — sussurrei.

— É mais simples do que você acha, Bela. Aceita o trabalho e mostra pro meu irmão que você não está nem aí pra ele! — disse ela, determinada.

Suspirei, olhando para minha melhor amiga. Talvez ela tivesse razão. Talvez essa fosse minha chance de mostrar ao Nicholas que não existia espaço para ele na minha vida... e que eu era muito mais do que ele pensava.

— Tá bom. — cedi, finalmente me dando por vencida.

— Eba! Vamos sair pra comemorar! — Jade pulou animada.

— Você sabe que não pode beber, né? — alertei, cruzando os braços e lançando um olhar sério para ela.

Jade revirou os olhos, mas sabia exatamente do que eu estava falando. Depois do último escândalo na mídia, em que seu nome estava em todas as manchetes por ter bebido em excesso durante um evento, sua “imagem perfeita” estava por um fio.

— Se você quer manter sua reputação intacta até o início das gravações de Golden Lover, precisa se comportar.

Ela suspirou, derrotada.

— Tá bom, tá bom. Você tem razão.

— Ótimo.

— Então vamos pedir uma pizza e comer como as boas melhores amigas que somos. — sugeriu com um sorriso travesso.

— Agora sim você está falando minha língua. — concordei, já pegando o celular para fazer o pedido.

...ᯓᡣ𐭩...

Enviei o e-mail para os Scorpions confirmando que aceitava a oferta, e agora aqui estava eu, no estádio deles. Era imenso. Já tinha passado na frente várias vezes e visto algumas fotos, mas nunca tinha tido a oportunidade de entrar. – nem quando Jade me chamava para assistir os jogos eu aceitava, sempre dava alguma desculpa.

O diretor, Ewan, estava me guiando pela estrutura. O vestiário era impressionante, com as camisas de cada jogador penduradas em seus devidos lugares. Quando passei, vi uma camisa azul, com o sobrenome Attister e o número 24 estampados nela. Não pude deixar de revirar os olhos.

— Agora vamos lá. Os meninos estão treinando. Quero apresentar a nova fisioterapeuta deles. — Ewan falou, quebrando o silêncio.

— Claro. — Respondi, tentando esconder a tensão crescente dentro de mim.

Descemos as escadas em direção à entrada da quadra. As arquibancadas estavam vazias, mas a quadra estava cheia de bolas de vôlei, com os jogadores se exercitando.

Ewan bateu palmas, chamando a atenção de todos. Eles estavam todos suados, as camisetas de vôlei coladas ao corpo, ressaltando músculos e definições impressionantes. Os bíceps deles eram maiores do que minha cabeça — e olha que eu não me considero baixa, tenho 1,64m de altura.

Mas, pelo amor de Deus, esses caras eram enormes.

Engoli em seco, tentando manter a compostura e não deixar transparecer o quão impactada eu estava com a quantidade de testosterona e, bem, beleza ao meu redor. Eu sabia que seria difícil, mas não imaginava que o choque seria tão imediato.

— Pessoal, esta é Isabela Grace Calloway, a nova fisioterapeuta de vocês. Ela é a melhor no que faz. Assistimos alguns de seus vídeos nas redes sociais e enviamos a oferta. E, felizmente, ela aceitou. — Ewan anunciou com entusiasmo.

— Prazer, senhorita Isabela. Eu sou Reymond, o treinador. — Um homem de meia-idade estendeu a mão, e eu a apertei com firmeza, mantendo o sorriso profissional.

— Prazer em conhecê-los. — Respondi, enquanto os jogadores se aproximavam um a um para me cumprimentar.

Todos, menos ele. Ele não estava lá. E eu nem sei por que, mas meus olhos o procuraram instintivamente. Antes que pudesse me perder nesse pensamento, Reymond começou a falar novamente.

— Temos um jogador, Nicholas Attister. — Assenti ao ouvir o nome. — Ele está com uma lesão no calcanhar, resultado de um impacto muito forte no chão.

— Ele está aqui? — Perguntei, sentindo meu coração disparar de um jeito que não era nada profissional.

— Sim, está no ambulatório. Ele precisa estar 100% para a próxima temporada. Nicholas é o capitão do time e meu melhor jogador. Quero ele novo em folha, entendeu?

Fiz uma careta discreta enquanto seguíamos lado a lado em direção ao ambulatório. Esse homem claramente não entendia o que era o processo de recuperação. Lesões não se resolvem com mágica ou força de vontade. Elas exigem tempo, paciência e, às vezes, trabalho árduo.

Quando avistei a placa indicando o ambulatório, senti um gosto amargo na boca. Entramos, e lá estava ele. Nicholas Attister, usando uma bota ortopédica, fazia flexões adaptadas, apoiando-se nos braços musculosos enquanto mantinha a perna lesionada elevada.

— Nicholas! — Reymond o repreendeu imediatamente.

Ele levantou o olhar, visivelmente atrapalhado, tentando se recompor. Mas, ao erguer os olhos, sua visão pousou diretamente em mim. A confusão tomou conta de seu rosto, como se eu fosse a última pessoa que ele esperava encontrar ali.

Três anos. Fazia três anos que eu não o via pessoalmente. E eu odiava admitir, mas ele estava ainda mais bonito. Porra, ele estava sem camisa, e aquele peitoral definido, os bíceps enormes... Tudo nele parecia maior, mais forte, mais intenso. Ele parecia ainda mais alto, com seus quase dois metros de altura dominando o ambiente.

— O que ela tá fazendo aqui? — Ele perguntou, com uma falsa indiferença que não disfarçava o desconforto real.

.........

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Comments

Dulce Gama

Dulce Gama

KKK vai ser divertido essa história ui adrenalina pura 😅😅😅🌟🌟🌟🌟🌟🎁🎁🎁🎁🎁

2024-12-21

1

Vanessa MR.

Vanessa MR.

Já que é vôlei, teria que ser ginásio, não estádio.

2025-02-17

1

Fatima Maria

Fatima Maria

NICHOLAS VC VAI TER ENGOLIR QUE QUEIRAS OU NÃO.😉

2025-02-26

0

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