Empatamos o segundo set e vencemos o terceiro. Foi um jogo bastante acirrado, mas conseguimos a vitória. Ainda assim, não estava nem um pouco orgulhoso de termos passado por aquele sufoco em quadra hoje.
Após o apito final, dei uma entrevista para o jornal local, respondendo mecanicamente às perguntas de sempre. Minha mente ainda estava presa nos erros cometidos e nas oportunidades desperdiçadas durante o jogo.
Com a entrevista concluída, segui para o vestiário, ainda sentindo a adrenalina e a frustração pulsando. Tomei um banho rápido, tentando lavar não apenas o suor, mas também a raiva que insistia em permanecer. Vesti roupas limpas, coloquei os fones de ouvido e deixei o vestiário, imerso em meus pensamentos.
No ônibus, procurei um lugar nos fundos, desejando um pouco de isolamento. O interior estava parcialmente iluminado, com sombras dançando a cada movimento.
Ao me acomodar, percebi uma presença ao meu lado. Quando a luz interna se acendeu brevemente, vi Isabela me observando, uma sobrancelha arqueada em uma expressão que misturava curiosidade e preocupação.
— Você está bem? — ela perguntou, sua voz suave contrastando com o barulho abafado do motor do ônibus.
Assenti, embora soubesse que meu semblante provavelmente contava outra história.
— Só preciso de um tempo para processar tudo.
Isabela manteve o olhar fixo em mim por um momento, como se avaliasse a veracidade das minhas palavras. Então, soltou um suspiro leve e ofereceu um sorriso compreensivo.
— Se precisar conversar, estou aqui.
Agradeci com um aceno, voltando minha atenção para a paisagem noturna que passava pela janela. As luzes da cidade brilhavam lá fora, mas dentro de mim, tudo parecia um pouco mais escuro.
A presença silenciosa de Isabela ao meu lado era um lembrete de que, mesmo nos momentos de frustração, eu não estava sozinho.
E talvez, apenas talvez, isso fosse o suficiente por enquanto.
O silêncio que dominava o ônibus foi rompido por um barulho repentino e estridente. O motorista freou bruscamente, jogando todos nós para frente. Tirei os fones no mesmo instante, sentindo a tensão subir ao máximo. Pela janela, vi três homens armados saindo de um carro preto estacionado na beira da estrada. Meu coração disparou.
— Isso só pode ser brincadeira... — murmurei, vendo os homens se aproximarem do ônibus com armas nas mãos.
— Todo mundo quieto! — um deles gritou assim que entrou. O som da arma sendo engatilhada ecoou no espaço pequeno e apertado. — Isso é um assalto!
Meu corpo entrou em modo de alerta. Estava no banco de trás, o que, de certa forma, me mantinha afastado dos olhares deles. Isabela, ao meu lado, respirava rápido, o pânico evidente em seus olhos. Instintivamente, coloquei minha mão sobre a dela para tentar acalmá-la.
— Relaxa... — sussurrei baixinho, mais para ela do que para mim mesmo.
Os assaltantes começaram a andar pelo corredor, ordenando que todos entregassem celulares, carteiras e qualquer coisa de valor. O líder, um homem alto de voz rouca, passou de banco em banco, arrancando objetos das mãos de jogadores e equipe técnica.
— Você! — ele apontou para o treinador, que hesitou em entregar o relógio caro no pulso. — Eu falei pra colaborar, porra!
A tensão era insuportável. Ninguém ousava se mover, e o ar parecia pesado, quase irrespirável.
Quando chegaram perto de nós, vi Isabela começar a tremer. Tentei ao máximo manter a calma.
— E vocês dois aí no fundo? — o líder gritou, caminhando em nossa direção.
Levantei as mãos devagar, tentando parecer cooperativo.
— Tá aqui o meu celular e a carteira, cara. Só isso. — disse, entregando o que tinha.
Ele me lançou um olhar desconfiado antes de se virar para Isabela.
— E você, gata? Cadê o celular?
Ela hesitou, seus olhos indo rapidamente de mim para o assaltante. Antes que ela pudesse responder, um dos outros homens gritou da parte da frente do ônibus:
— A polícia! Estão vindo!
O líder xingou alto, pegando os itens rapidamente antes de dar o sinal para que fossem embora.
— Isso não acabou! — ele rosnou, encarando o grupo inteiro antes de sair às pressas com os outros dois.
O ônibus ficou em um silêncio mortal. O som das sirenes se aproximava, e era como se todos tivessem prendido a respiração.
Olhei para Isabela, que ainda estava pálida, mas respirava fundo para tentar se acalmar.
— Tá tudo bem agora. Acabou. — murmurei, minha voz mais suave do que eu esperava.
Ela apenas assentiu, apertando minha mão levemente antes de soltá-la.
A polícia chegou minutos depois, mas para nós parecia que tinha sido uma eternidade. O motorista, jogadores e equipe explicaram a situação enquanto eu apenas observava, tentando processar o que tinha acabado de acontecer.
— Que viagem maldita... — Falei.
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Atualizado até capítulo 29
Comments
Meire
Eu sei que no Rio a coisa é mais complicada do que no resto do Brasil, por ser uma das cidades turísticas mais procuradas por estrangeiros, MAS achei desnecessário essa parte da estória isso não vai acrescentar em nada, e só vai denegrir ainda mais a imagem do nosso Brasil!
2025-02-22
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Fatima Maria
O RIO DE JANEIRO É CONHECIDO UM LUGAR PERIGOSO, ISTO É UMA PENA PORQUE ISTO AFUGENTA MUITOS TURISTAS EU NÃO CONHEÇO MAIS EU VEJO NAS REVISTAS É UMA CIDADE MUITO LINDA.
2025-02-26
0
Lyra Long
só lembrei do Toretto "aqui é o Brasil" desculpa mas eu ri/Sweat//Frown//Frown/
2025-01-13
2