Depois do susto no ônibus, fomos levados direto para a delegacia. O ambiente era frio e austero, com paredes cheias de cartazes desgastados e policiais correndo de um lado para o outro. Tive que responder a perguntas intermináveis sobre o que aconteceu, detalhar como os homens entraram, o que disseram, o que levaram... Meu cérebro parecia estar em piloto automático.
Quando finalmente nos liberaram, eu estava exausta, tanto mental quanto fisicamente. Entramos no ônibus novamente para ir ao hotel, mas o clima estava pesado, e ninguém dizia uma palavra. Cada um parecia perdido em seus próprios pensamentos, digerindo o que tinha acabado de acontecer.
Sentei na mesma fileira de antes, desta vez ainda mais desgastada. Nicholas veio logo depois e se jogou no banco ao meu lado, parecendo tão cansado quanto eu.
O ônibus começou a se mover, e o balanço leve foi suficiente para meus olhos começarem a pesar. Não sei exatamente quando aconteceu, mas acabei encostando a cabeça no ombro dele. Foi involuntário, eu estava tão esgotada que nem percebi.
Quando finalmente chegamos ao hotel, senti um leve toque em meu braço.
— Isabela, acorda. — a voz dele soou baixa, quase rouca, mas gentil.
Abri os olhos devagar, piscando algumas vezes para ajustar a visão. A luz fraca do ônibus iluminava apenas metade do rosto de Nicholas, e ele tinha um meio sorriso nos lábios.
— Você dormiu. — ele comentou, como se eu não tivesse percebido.
— Desculpa... — murmurei, me afastando rapidamente e ajeitando o cabelo, constrangida.
— Relaxa. — Ele deu de ombros, mas seus olhos ainda tinham um brilho de cansaço e algo mais que eu não consegui identificar.
Descemos do ônibus juntos e entramos no hotel, onde nos entregaram as chaves dos quartos. Antes de subir, ele me chamou.
— Ei... Você tá bem? — perguntou, e por um instante parecia genuinamente preocupado.
— Tô, só preciso dormir um pouco. — respondi, forçando um sorriso.
Ele assentiu, mas parecia que queria dizer mais alguma coisa. No entanto, deixou passar. Subi para o meu quarto e me joguei na cama, desejando que aquela noite terminasse logo.
Mal sabia eu que, apesar de o susto ter diminuído, os comentários e as perguntas que viriam no dia seguinte ainda iam me perseguir.
...ᯓᡣ𐭩...
Acordei no dia seguinte e já passava das onze da manhã. Rolei na cama, sentindo o peso da noite anterior ainda pairando sobre mim, e alcancei o celular na mesa de cabeceira. Havia dezenas de mensagens e ligações perdidas da Jade, dos meus pais e da Helena. Fora as incontáveis notificações de matérias e posts no Instagram sobre o que havia acontecido.
Soltei um suspiro pesado, tentando ignorar o turbilhão de informações. Decidi ligar primeiro para os meus pais, tranquilizando-os e dizendo que estava tudo bem. Em seguida, liguei para a Jade e depois para Helena, que aproveitou para reclamar que eu deveria ter contado sobre o assalto antes de qualquer notícia.
— Eu tava ocupada tentando sobreviver, Helena. Desculpa, tá? — retruquei, com a voz ainda sonolenta, arrancando uma risada dela do outro lado da linha.
Depois de encerrar as chamadas, forcei meu corpo a levantar. Fui para o banheiro e tomei um banho longo e demorado, deixando a água quente relaxar meus músculos tensos. Fechei os olhos por alguns instantes, tentando me acalmar e colocar os pensamentos em ordem.
Quando finalmente saí do banho, me senti um pouco mais leve. Me vesti e voltei para o quarto, decidida a encarar o que quer que estivesse acontecendo. Peguei o celular novamente e abri o Instagram. Meu coração deu um salto ao ver meu nome marcado em diversas publicações, a maioria relacionada ao assalto. Fotos minhas e de Nicholas saindo da delegacia estavam por toda parte.
Alguns fãs do time estavam romantizando o fato de termos sido vistos juntos. "Eles são perfeitos!", dizia um dos comentários. "O casal que o destino uniu!", dizia outro. Revirei os olhos, incrédula com a capacidade das pessoas de criarem narrativas onde não existia nada.
Suspirei, bloqueando a tela do celular. Eu precisava sair do quarto e enfrentar o dia, mas uma parte de mim queria apenas voltar para a cama e ignorar o mundo. No fundo, sabia que Nicholas provavelmente também estava lidando com o caos, mas eu não tinha energia para pensar nele agora.
Tudo o que eu precisava era de um café forte e um pouco de silêncio antes de decidir como encarar o restante do dia.
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Atualizado até capítulo 29
Comments
Paty Helena
A mídia viaja e força relacionamentos msm kkk
2025-01-05
1
Lyra Long
mds kkkkkk os dois números susto do caramba e o povo romantizando
2025-01-13
1
Maria Lima De Souza
Né mesmo kkk
2025-01-21
1