Gisele...
Eu tentei não me abater com todas as coisas que li naquele dossiê e com o que a minha mãe contou, mas fiquei com muita raiva vendo meus pais brigando e o nosso mundo parecia desmoronar.
Eu e Francielle tivemos uma briga horrível. Nunca havíamos tido uma discussão tão pesada e ainda por cima nos pegamos de tapas, estou muito arrependida das coisas que disse e fiz, mas agora já foi.
Sinto que daqui para frente, a nossa vida nunca mais será a mesma.
Hoje acordei mascarando tudo o que aconteceu no dia anterior.
Mal dormi essa noite e terei que caprichar na maquiagem para disfarçar os olhos inchados e as olheiras.
Fui até o banheiro, fiz a minha higiene pessoal e me olhei no espelho e disse a mim mesmo:
— Eu sou! Eu posso!
Tomei um banho de banheira com óleos e sais, me permitindo relaxar. Após o banho, me arrumei e desci para o café da manhã.
Apenas mamãe estava na mesa.
— Bom dia, mãe! — digo, deixando um beijo em sua testa.
— Bom dia, filha!
— Onde estão todos?
— Seu pai dormiu fora e sua irmã saiu cedo! Ela mal falou comigo! — diz triste.
— Não fica assim, mãe! Logo ela vai se arrepender do que está fazendo!
— Eu te imploro que não me deixe, filha! Eu sempre dei o melhor de mim por vocês, sinto que não fui o suficiente, mas...
— Mas nada, mãe! Nada nem ninguém nos fará deixar de te amar e agradecer tudo o que fez por nós! Francielle só está perdida, mas logo ela volta! Principalmente quando perceber que tudo o que fez foi por amor a nós...
— A mãe de vocês é uma pobretona, filha, mora numa favela...
— O quê? — pergunto espantada.
— Vai querer ir nesse lugar?
— Nunca!
— Isso não é uma opção! — diz papai, entrando e nos assustando. — Pode preparar as suas malas, pois vamos acompanhar a sua irmã até o Brasil!
— Como? — perguntamos juntas.
— Isso mesmo que ouviu! Essa pobre mulher foi enganada, deve estar ansiosa para conhecê-las!
— Eu não quero...
— Não tem conversa, Gisele, se não for, terá todos os seus cartões de crédito cancelados e não vou bancar todas as mordomias do seu casamento!
— Não pode fazer isso! — digo irritada, me colocando de pé.
— Não vou permitir que faça isso com a nossa filha!
— Não só posso fazer, como farei! E você, Cassandra, deveria estar preocupada no que dirá no seu depoimento! Sabe que pode ser indiciada, então não queira perder tempo fazendo a cabeça da nossa filha!
Minha mãe ficou irritada e subiu para o seu quarto.
— Pai, por favor, não pode fazer isso comigo...
— Me perdoa, filha, mas se não for conosco, não estará me dando muita escolha!
Irritada, peguei a minha bolsa e saí de casa.
Aquele caipira já estava aguardando, com o meu carro estacionado em frente à minha casa.
— Bom dia, senhorita!
Ignoro e entro no banco de trás.
Ele fica parado me olhando.
— O que está esperando, seu caipira ridículo? Assuma a direção! Já que vai ser meu cão de guarda, dirija também!
Ele revira os olhos e solta o ar pela boca, frustrado e faz o que mandei.
— Para onde a senhorita vai?
— Shopping!
Preciso relaxar um pouco e fazer compras me ajuda a extravasar.
Durante o caminho, o cheiro desse imbecil me deixava inebriada, meu coração batia em ritmo acelerado e fico ainda mais cheia de ódio por essas sensações e lembrando do que minha mãe falou. E durante todo o caminho, fiz comentários sarcásticos e ele permanecia em silêncio.
O shopping estava cheio, pessoas circulando e o som de suas risadas e conversas ao fundo. Passei em várias lojas, andava com passos decididos, segurando várias sacolas de marcas luxuosas.
Como sempre, estava impecável, usando um vestido justo que destacava a minha figura e um salto alto que me fazia parecer ainda mais confiante.
Davi estava logo atrás, não estou facilitando a vida dele.
Enquanto caminhávamos pelo shopping, avistei uma loja de sex shop e meus olhos brilharam com uma ideia travessa.
— Vamos entrar lá! Quero ver o que tem de novo!
Davi hesitou, mas sabia que era mais fácil me acompanhar do que tentar me impedir.
Dentro da loja, comecei a explorar as prateleiras com entusiasmo. Peguei alguns itens provocativos e olhei para Davi.
— Você não acha que meu noivo vai adorar isso? Ele realmente sabe como tratar uma mulher! — provoco.
Davi tentou manter a compostura, mas as minhas provocações estavam o deixando desconfortável.
— Coisa que um caipira como você nunca poderia dar a pobretona que caiu nos seus encantos! Sabe que tenho pena dela... O que achou?
— Isso não é nada que eu deveria estar vendo, senhorita! — responde rapidamente, desviando o olhar.
Peguei um chicote decorativo e o segurei em frente ao rosto dele.
— Olha só! Meu noivo adoraria isso para apimentar as coisas. Você deveria se sentir honrado por estar aqui comigo!
O olhar de Davi era uma mistura de incredulidade e frustração.
Eu continuava a fazer provocações enquanto experimentava diferentes acessórios e lingeries, sempre lançando olhares sugestivos para ele.
Minhas provocações eram para fazer com que se sentisse mal, mas eu era a que mais ficava irritada.
Entrei no provador da loja com uma lingerie que havia escolhido... uma peça bem ousada, um conjunto vermelho que realçava as minhas curvas. Experimentei e saí do provador com um sorriso debochado e o chamei.
— O que você acha? Meu noivo vai amar isso na lua de mel! — digo, virando-me para mostrar todos os ângulos.
Ainda sério e focado em seu trabalho, ele tentou manter a calma, mas não pôde evitar uma rápida avaliação.
— É... é uma... peça bonita! — respondeu, tentando não deixar transparecer sua reação e pigarreou.
Percebi a sua hesitação e decidi intensificar o jogo, mexendo na lateral da calcinha.
Com um movimento rápido, ele entrou no provador e entrou, fechando-a atrás de si e me assustei.
— O que pensa que está fazendo, seu caipira?
Ele me encurrala na parede, imprensando o seu corpo contra o meu e fico toda quente por dentro com tal proximidade.
— Precisa parar de agir como se fosse melhor do que eu! — diz entre os dentes. — Pare de me provocar!
A proximidade fez o clima entre nós mudar instantaneamente, a tensão era palpável.
— Você acha que pode me dizer o que fazer? Que pode me controlar? — desafio.
Nossos corpos estavam tão próximos que a eletricidade no ar era inegável, podíamos ouvir as batidas de nossos corações e nossas respirações estavam entrecortadas.
— Não é isso... estou apenas fazendo meu trabalho, mas não facilita as coisas! Sente prazer em me provocar, em me humilhar... Por que me odeia tanto, Gisele?
Não respondo nada, pois estamos muito próximos. Sua respiração quente no meu rosto me deixa arrepiada. Sua mão quente segura a minha cintura, apertando-a e estremeço toda.
Ele hesita, por alguns segundos, com nossos olhos fechados, o nariz toca o meu, mas ele se afasta rapidamente, frustrando-me.
Fiquei irritada com a sua recusa e o empurrei para fora do provador.
Troquei, paguei as coisas que havia comprado e quis voltar para casa.
Não tive mais coragem de olhá-lo.
Estou fora de controle...
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Atualizado até capítulo 101
Comments
Marcia Cavalcanti
Fica umilhada o coitado vai ficar um lixo quando descobrir que tudo que a mãe cobra falou é mentira que só fez pra ela se afastar dele por ele ser pobre
2024-12-22
3
Lia Esposito❤️
Se não fosse uma babaca, poderia ouvir o outro lado da história, iria descobrir que está sendo enganada por todos esses anos. E que a verdadeira pilantra é a tal Cassandra, ela quem te prejudica.
2024-12-23
1
Helena
kkkkkkkk tá provocando ele,mas saiu queimada hein.é muito.imatura mesmo.vc nunca vai sentir pelo canalha do seu "noivo" o que sente por esse gostosao..
2024-12-23
2