Francielle…
Eu não sou uma pessoa que consegue esconder o que está sentindo. O meu semblante diante de tais situações, revelam muito o que estou pensando e não pretendo esconder o que está acontecendo.
Gisele precisa saber, assim como meus pais serão confrontados por mim. Quero saber a verdade, se vivemos uma mentira, temos o direito de saber.
Ouço batidas na porta, guardo as pulseirinhas numa gaveta da cômoda e abro a porta.
— Oi, filha! — diz meu pai, pousando um beijo no alto da minha cabeça e me abraça.
— Oi, pai!
— Vim te chamar para o almoço, sua mãe e irmã nos esperam!
— Que bom que estão todos aqui! — sorri fraco.
— Está tudo bem, filha? Sua audiência não foi como o esperado?
— Foi, sim, pai! Ele foi inocentado…
— E não deveria estar feliz com isso?
Caminho em direção a minha cama e me sento, papai se aproxima e senta-se na minha frente.
— Estou, sim, mas vim para casa, porque quando vi a família do meu cliente toda unida, percebi o quanto estamos afastados nos últimos anos! Me refiro à mamãe e à Gisele…
— Por isso me chamou para o almoço?
— Sim!
— Tem certeza de que é só isso, filha? Está diferente…
— Pai, posso te fazer uma pergunta?
— Todas que quiser!
— A mamãe não gosta de falar disso, mas queria muito saber os detalhes da adoção!
— Filha, o que sei, já te contei! A sua mãe estava grávida, perdeu o bebê e, ao descobrir que não poderia mais ter filhos, optamos pela adoção! Ela cuidou de tudo, enquanto eu me dedicava a terminar os estudos e trabalhar com o seu avô!
— Era o seu sonho… ser pai?
— Sim, sempre sonhei em ter uma família grande com a mulher que eu amava!
— Mesmo não tendo o seu sangue…
— Nem termine, filha! Quando vi vocês pela primeira vez, não dá para explicar as inúmeras emoções que senti! Foi um amor transbordante, inexplicável… — diz ele emocionado, ao relembrar. — E quando peguei vocês no colo, chorei com meu coração aquecido! Amei vocês duas, desde o primeiro instante. Nada nem ninguém pode dizer que não são minhas filhas, porque o meu amor por vocês transcende o sangue, a química, tudo que diga que não são minhas!
O abraço forte, pois meu pai nunca deixou de demonstrar seu amor e cuidado por nós.
— Te amo, filha!
— Eu também te amo, pai!
— Por que todas essas perguntas?
— Na hora do almoço você vai entender!
Espero, do fundo do meu coração, que eles tenham sido enganados e que não tenham mentido para mim.
Descemos abraçados até a sala de estar, cumprimentei minha mãe, Gisele e me acomodei em meu lugar.
Todos almoçavam tranquilamente, mas eu não conseguia comer e apenas mexia na comida com o talher.
— O que foi filha? Por que não está comendo? — pergunta minha mãe.
— Estou sem fome!
— Algum problema?
— Na verdade, sim! Vi a família do meu cliente hoje toda reunida e fiquei pensativa… gostaria que a senhora me desse os documentos da minha adoção, porque quero conhecer a minha mãe biológica! Quero saber as minhas origens!
Ela engasga com a sua bebida.
— Não está feliz com o amor e tudo que eu e seu pai te damos? Eu não fui o suficiente? — pergunta com os olhos marejados, fazendo drama.
Toda vez ela faz isso, mas não vai funcionar sentimentalismo comigo dessa vez.
— Essa história de novo, Francielle? Toda vez tem que ficar tocando nesse assunto e deixando a mamãe mal!
— Fica fora disso, Gisele! Se você não quer saber das nossas origens, eu quero!
— Por que não diz de uma vez o que a nossa filha quer saber? Deixe ela ir atrás das suas origens, isso não significa que vai nos abandonar!
— Até você? — pergunta ela entre lágrimas. — Eu não vou te entregar papel nenhum, os seus pais somos nós! A mulher que lhes deu a vida, abandonou vocês…
— Por que não nos contou que tivemos uma irmã? — pergunto, surpreendendo a todos na mesa.
Retiro do bolso da calça uma das pulseiras e a mulher arregala os olhos.
— Você mexeu nas minhas coisas? Não tinha esse direito!
— Quem não tem o direito de nos privar da verdade é a senhora! Vi a foto dessas pulseiras na internet, num site de pessoas desaparecidas! Como justifica isso?
Cassandra coloca a mão no peito e parece passar mal, mas não consigo acreditar que isso seja verdade, pois toda vez que tocamos nesse assunto ela fica assim.
Meu pai e Gisele a socorrem…
— Mãe… mãe!
A mulher desmaia, meu pai a pega nos braços e a leva para a sala.
Desesperada, Gisele liga para o médico da família e melhor amigo da nossa mãe.
Após falar com o médico, ela vai para cima de mim e me culpa pelo mal-estar de Cassandra. Iniciamos uma discussão, meu pai nos separa…
— Parem com isso agora! A mãe de vocês não está bem!
— Por culpa da Francielle que…
— JÁ CHEGA! — repreende papai a olhando.
Ficamos em silêncio, aguardando a chegada do médico.
Meu pai levou ela para o quarto deles e eu subi para o meu.
Eu não consigo acreditar nesse mal-estar e me sinto mal por isso.
Ao ouvir o médico, fui até o quarto e tanto meu pai como Gisele aguardavam do lado de fora.
Alguns minutos depois, o médico saiu do quarto e disse que ela teve uma crise nervosa e deve ficar de repouso, pois o estresse crônico pode aumentar o risco de hipertensão, ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral.
Minha irmã não disse nada, mas seu olhar me culpava. Confesso que até eu estava me culpando, mas não por esse mal-estar, mas sim pelo fato de não conseguir acreditar nesse mal-estar.
Fui para o meu quarto e tentei descansar a mente de toda essa confusão. Mais uma vez fiquei sem respostas…
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Atualizado até capítulo 101
Comments
Josigg Gomes Galdino
Essa mulher é a Malú
2025-03-16
1
Maria Do Socorro Bezerra
E realmente são suas com a mulher que você ama.
2025-02-09
1
Lia Esposito❤️
Mais que mulher safada, fingiu uma gravidez e um aborto, e depois sequestrou as gêmeas com a ajuda do pilantra do Romero e disse tê-las adotado.
Que fdp cretina , essa cagna.😤
2024-12-20
13