Francielle…
Não sei explicar, mas quando vi José e sua esposa abraçando seus tres filhos, todo feliz, senti uma tristeza. Não por eles, mas por minha família, nos últimos tempos estamos cada vez mais afastados, principalmente eu e Gisele.
Eramos tão unidas!
É estranho, depois que nos unimos, até mesmo a nossa ligação de gêmeas pareceu se romper!
Eu até tentei me incluir em sua vida, mas suas atitudes mesquinhas e egoístas me tiram do sério. Sem contar que seu único assunto é sobre o anel de brilhantes e presentes caros que Luidi lhe deu, outrora sobre esse casamento que não consigo encontrar sentido.
Decido cancelar toda a minha agenda do dia e ir para casa.
Chego na enorme mansão e a governanta me recebe educadamente.
— Mas já em casa minha filha?
— Sim, bá! Cancelei a minha agenda, estou precisando ficar em casa!
— Vou mandar preparar aquele chocolate quente e os biscoitinhos que adora!
— Obrigada, bá! — digo, me aproximando e a abraço. — Por isso que eu te amo! Me conhece tão bem e sabe tudo o que preciso, no momento em que eu preciso!
Dona Gláucia foi a nossa babá e agora é a governanta da casa, cuida de tudo por aqui. Ela conhece cada um de nós, mas do que a nossa mãe, que só se dedica ao trabalho.
Não que eu esteja desmerecendo a sua profissão, mas acho estranho que numa agência tenha a imensa quantidade de trabalho que ela diz ter.
Deixo um beijo no rosto da bá e subo para o meu quarto. Tomei um banho, coloquei o meu pijama favorito, uma calça larga e croped, pantufa e desci para tomar meu leite e comer os biscoitos deliciosos das cozinheiras.
Fiz a refeição, ouvindo as fofocas delas sobre os casos de amor dos funcionários, elas são hilárias e dou altas risadas.
— Então, amiga… os rumores são de que aqueles dois seguranças gostosos que ficam na guarita de que são um casal! — diz uma delas.
— To passada, amiga! — diz a outra com semblante de espanto.
— Não é, imagina eu que dei uns pegas nele!
— Séri? — pergunto curiosa. — Mas não percebeu nada, na hora H!
— Não, menina, ele é bruto na cama, mas deve ser o homem da relação, né!
A fofoca estava boa, até a bá entrar na cozinha fazendo cada uma voltar para o trabalho e eu fiquei curiosa, para mais detalhes.
Subia para o meu quarto, quando me deu uma louca vontade de ver as fotos da nossa infância, então me viro e pergunto.
— Bá, onde estão os álbuns da nossa infância e adolescência? Será que a mamãe guardou no quarto dela?
— A última vez que vi, estava no closet dela!
— Obrigada!
Subo as escadas e entro no quarto dos meus pais e vou até o closet.
Encontro alguns dos nossos álbuns, estava na última prateleira, quando mexo uma caixa de joias cai no chão.
… Que estranho! A mamãe é sempre muito organizada, por qual motivo essa caixa está aqui?...
Coloco os álbuns no chão e pego a caixinha, abro lentamente e nesse momento meu coração dispara…
Sorrio em meio a emoção de ver duas lindas pulseirinhas de ouro.
Pego a que tem a inicial do meu nome e admiro a delicadeza e cuidado, até que vejo algo grafado atrás do pingente, a letra é bem pequena, mas dá para ler.
Para sempre, minhas trigêmeas: Francielle, Gisele e Tatiane…
Meu coração erra as batidas.
— Trigêmeas… Tatiane?
Minha cabeça parece girar, meu coração disparar e minha respiração oscilar.
Ouço som de carro entrando na propriedade. Então me apresso em guardar os álbuns do jeitinho que estavam e saio do quarto levando comigo a caixinha com as pulseirinhas.
Entro no meu quarto e tranco a porta.
Abro novamente a caixa e meu coração bate em ritmo acelerado, não sei como explicar esse sentimento. Acaricio aquela joia com grande emoção e sinto que não foram dadas pelos nossos pais adotivos.
E aí vem a pergunta que não quer calar! Se nossa mãe nos vendeu, de onde tirou dinheiro para mandar fazer essas pulseiras de ouro e com tanta delicadeza?
… Eu não sei o que pensar! Será que os nossos pais mentiram?…
Nego com a cabeça, não posso pensar mal das pessoas que nos criaram, que nos deram a possibilidade de ter uma família e que não faltou amor.
Deixo as pulseiras na caixa sobre a minha cama e ando de um lado para outro.
— Se temos outra irmã, onde ela pode estar?
Só de pensar que tenho outra irmã, faz uma emoção invadir o meu ser.
Fiquei um longo tempo em meu quarto, tentando digerir e entender o que pode ter acontecido.
Ligo para o meu pai e peço para vir almoçar em casa.
Tiro uma foto das pulseiras…
Sentei-me à mesa, cercada por alguns papéis, livros e fotos de lembranças da infância. Segurei as duas pulseirinhas de bebê em minhas mãos, observando-as com um misto de nostalgia, confusão e curiosidade. As pulseirinhas, de ouro, têm detalhes que demonstram o cuidado e amor de quem mandou confeccioná-las.
Com um olhar pensativo, abri meu notebook e comecei a digitar. A tela brilha enquanto pesquiso sobre as pulseirinhas, digitando palavras-chave que imediatamente me levam a uma série de imagens e informações. Rolei para baixo em várias páginas até que algo chama a minha atenção, a foto de uma pulseira idêntica às que estavam bem na minha frente.
Intrigada, clico na imagem e sou levada a um site dedicado a pessoas desaparecidas. A página contém uma história comovente, o relato do sequestro de suas irmãs gêmeas logo após o nascimento em um hospital do Rio de Janeiro. A garota, com o mesmo nome na pulseira, descreve que as pulseirinhas eram suas marcas de identificação, um símbolo do amor e felicidade pela vida ter lhe dado três joias preciosas.
Leio atentamente cada palavra, meu coração acelera à medida que a verdade se torna mais clara. A foto da pulseira no site é exatamente como a minha, um objeto único com os mesmos detalhes únicos. Começo a imaginar o que teria acontecido com a minha irmã e mãe, pensando na dor e na luta da mulher que nos deu a vida e naquela que escreveu aquele relato.
Sentia uma mistura de empatia e determinação, meu interior dizia precisar saber mais. Peguei a minha agenda e anotei as informações da história e me perguntava se havia alguma maneira de ajudar ou me conectar com elas e se tudo isso é verdade. O ambiente ao meu redor parece silenciar ainda mais enquanto reflito sobre o significado de tudo aquilo e de toda a mentira que nos foi contada durante toda a nossa vida.
Olhava fixamente para a tela do notebook, meu rosto iluminado pela luz suave do computador e meu semblante transmitia a minha determinação em descobrir mais sobre as minhas origens e a verdadeira história, que está ligada às pulseirinhas. A busca por respostas se transforma numa jornada emocional, cheia de esperança e coragem.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 101
Comments
Eliene Gândara
Acho que o motivo da Gisele ter se fechado é justamente a falta de sua mãe biológica, algo que ela mesmo não soube identificar. Já quero logo o encontro de Greco com a Franciele.
2025-02-20
0
Eliene Gândara
Coitado do Elias, criou as próprias filhas sem saber que eram dele e da Maria Lúcia. E a safada da Cassandra sabia de tudo e continua sendo mafiosa a maldita.
2025-02-20
0
Maria Do Socorro Bezerra
É sobre isso! Uma pessoa inteligente que sempre enxerga o óbvio 👏👏👏👏👏
2025-02-09
1