Francielle…
A minha mãe está com seu rosto banhado em lágrimas, Gisele está sentada ao seu lado segurando a sua mão, enquanto Luidi está calado. Ele não teve reação nenhuma, é como se soubesse de tudo.
— PROSSIGA! — grita papai impaciente, a assustando.
Nunca vi meu pai desse jeito.
— Eu… eu saí do orfanato arrasada! Foi quando encontrei uma mulher na porta, ela veio até mim e começou a conversar comigo! Disse que me entendia e que, se eu quisesse, ela poderia me ajudar! Fiquei com medo inicialmente, mas ela me mostrou a foto daquelas pequenas gêmeas que ela dizia terem sido vendidas por sua própria mãe! Eu me apaixonei assim que as vi na minha frente, ela disse precisar pagar um valor para trazê-las e realizar todos os trâmites! Paguei com muito gosto… por amor a elas! Eu não me arrependo, porque quando as paguei no colo, meu coração transbordou, amor! — diz entre lágrimas.
Gisele se colocou de pé, espantada com tudo o que ouviu, pegou a folha e começou a ler, suas mãos tremiam e lágrimas rolavam por sua face.
— A senhora mentiu? — pergunta com sua voz embargada.
— Por amor a vocês, então não me julguem!
— Amor? Você não pode justificar um ato assim como amor! Uma mulher inteligente, fingir que caiu num golpe como esse? — afirm com sarcasmo.
Nossos pais começam a discutir, enquanto eu e Gisele ficamos paralisadas os observando.
Tento me aproximar dela, mas ela nega com a cabeça.
— Isso tudo é culpa sua! — grita.
— O quê?
— A nossa vida estava muito bem, antes de começar a mexer no que estava quieto…
Ela saiu correndo, indo para o seu quarto, Luidi foi embora e eu subi atrás da minha irmã.
Entro em seu quarto e ela está olhando pela janela com o olhar vago.
— Você não pode me culpar, Gisele! Não pode!
— Por que tinha que mexer no que estava quieto? Destruiu a nossa família, com essa pilhação toda em conhecer pessoas que nunca fizeram parte da nossa vida!
— Por que cansei de viver enganada? Cansei de viver uma mentira! Você não é obrigada a ir conhecer a nossa mãe, mas tinha que conhecer a verdade, saber que não fomos abandonadas! Você tem a opção de fingir que nada aconteceu, ou aceitar a realidade! Abra os olhos, esse mundo que criou a sua volta não existe! Acorde!
Ela se colocou de pé e veio me enfrentar, nós duas começamos a discutir. Não foi uma simples discussão, com os nervos à flor da pele, nos fez ficar agressivas. Falamos palavras que não têm volta, xingamentos ofensivos e desabafei tudo o que penso dela, e por fim grudamos no cabelo uma da outra e rolamos no chão.
Os gritos fizeram nossos pais e os seguranças correrem até lá. Meu pai me puxou pela cintura e Davi puxou Gisele.
— Que pouca-vergonha é essa? — braveja, papai.
— O que estão pensando? Duas irmãs brigando como duas mulheres de rua! — diz Cassandra. — Viu o que fez, Francielle? Está feliz?
— Estou cansada de Gisele achar que o mundo é essa bolha de egoísmo, luxo e soberba…
— E você, que se acha a melhor de todas? A queridinha, a filha perfeita que nunca erra, que nunca se engana! Se vivo numa bolha, você também vive se fingindo de boa moça, que se esconde atrás dessa sua carreira, não vive e nunca soube o que é amar e ser amada por um homem de verdade!
… Aquilo doeu!…
— Como se você soubesse o que é esse sentimento? Você vai terminar sozinha, sem ninguém ao seu lado… todos te toleram, nem mesmo o Luidi vai te suportar! Ninguém gosta de pessoas superficiais!
— Já chega! Pare de falar assim com a sua irmã! — diz Cassandra. — Eu sempre estarei ao lado dela, sempre!
Ri com ironia.
— Claro! Você a transformou na sua cópia exata!
Parei de me contorcer e meu pai me soltou.
— Vocês duas se merecem!
Sai do quarto e fui para o meu.
Entrei e fui direto para o closet, peguei a minha mala, joguei em cima da cama e comecei a pegar as minhas roupas e jogar na mala.
— O que está fazendo, filha? — pergunta papai, entrando.
— Eu vou para o Brasil, pai! Vou ligar para a Lia e amanhã mesmo quero ir conhecer a minha mãe!
Ele me puxa para perto dele, afago o rosto em seu peito e choro compulsivamente.
— Eu não fiz isso para destruir a nossa família, pai… não fiz!
— Eu sei, meu amor! Eu sei! — diz acariciando meus cabelos.
— Eu sempre senti que havia um vínculo a mais… algo faltando, mas a Gisele nunca sentiu isso, porque ela não tem coração!
— Ela tem sim! Sua irmã só se fechou e criou esse muro à sua volta, é como se as suas atitudes fossem para se proteger!
— Não quero que fique magoado comigo, pai, eu te amo e fico muito feliz em saber que não teve nada a ver com tudo isso!
— A minha relação com a sua mãe sempre foi complicada... talvez eu tenha sido o culpado por suas atitudes!
— Nada justifica, uma pessoa comprar outra pessoa como se fossem dois objetos! Mesmo que tenha feito por amor a nós, devia ter agido dentro da lei! O tráfico de pessoas existe há muitos anos...
— Sei e se soubesse disso, jamais teria concordado com isso!
Fiquei em seus braços até me acalmar.
Ele me senta na cama, ajoelha-se na minha frente e segura as minhas mãos.
— Tem certeza de que é isso que quer? Deixar toda a sua vida aqui e ir assim para o Brasil? Eu te apoio em qualquer decisão!
— Eu... vou deixar tudo ajeitado antes, pai! Não serei irresponsável!
Ele sorri fraco.
— Você quer que eu te acompanhe?
— Sim! Seu apoio e presença... serão muito importantes pra mim!
Ele sorri e me abraça.
— Vou cuidar de tudo na empresa e vou com você! Também vou convencer Gisele de ir!
Meu pai pousa um beijo no alto da minha cabeça e me deixa sozinha.
Organizo a minha mala com calma e depois tento dormir um pouco.
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Atualizado até capítulo 101
Comments
Josigg Gomes Galdino
rsrsrs gostei da briga delas, Gisele precisa amadurecer e ver que as coisas não são como ela imagina e quer que seja,acordar pra vida ,pra realidade.
Tomara que Franciele,desconfie do Luidi também.
2025-03-17
3
Lívia Maria Esf
Quando ela descobrir tudo o querida mãezinha faz. A vida de Gisele será diferente.
2024-12-22
4
Deise
Ah Gisele, nunca achei que fosse sentir ódio por uma protagonista mas estás a superar as expectativas
2024-12-22
3