Franciele…
Cheguei ao tribunal e, no corredor, me encontro com a esposa e irmão do meu cliente. Cumprimenta-os e nos dirigimos à sala de audiência e nos posicionamos em nossos respectivos lugares.
O tribunal está cheio, o juiz, um homem de olhar firme, entra e senta-se em sua cadeira. Do outro lado, está o advogado de acusação, coincidentemente meu ex-namorado. Ele sempre foi o preferido da minha mãe, porém, somos muito diferentes. O mesmo sempre gostou de defender bandidos da pesada, um advogado criminalista de merda, um advogado porta de cadeia. Ele apresenta suas evidências com confiança, com aquele olhar arrogante.
A esposa da vítima me procurou para ser a advogada de acusação, oferecendo uma fortuna. Obviamente, me recusei, por acreditar na inocência do meu cliente.
No banco dos réus, está José, um homem simples de aparência sofrida com um semblante angustiado. A todo momento, olha para a sua esposa com tristeza, pareci pedir perdão com o olhar por estarem passando por isso. Estava sentada ao lado do homem com um olhar confiante, deixando transparecer a minha determinação e persuasão.
O juiz Dr. Leonardo bateu o martelo, pedindo ordem no tribunal.
— Estamos aqui reunidos para o julgamento do réu José Silva, acusado de assassinato em primeiro grau! A acusação tem a palavra!
O advogado de acusação se levanta e caminha em direção ao júri.
— Senhores jurados, as provas apresentadas mostram claramente que José Silva estava no local do crime na noite em que a vítima foi assassinada. Testemunhas o viram entrar e sair do condomínio e há impressões digitais dele na cena do crime.
Ele faz uma pausa dramática e reviro os olhos, sempre foi um péssimo ator.
— É inegável que ele é culpado! — afirma.
Observo atentamente, sabendo que as evidências não contam toda a real história.
Levantando-me após a acusação, o juiz permite que eu me manifeste.
— Excelência, senhores jurados, eu peço que considerem com atenção as palavras da acusação! É verdade que meu cliente estava no local, mas isso não significa que ele seja culpado.
Virei para o juiz.
— Com a permissão do tribunal, gostaria de apresentar minha primeira prova!
— Permissão concedida! — diz o juiz com seu olhar sério.
Coloquei um vídeo na tela do tribunal. A imagem mostra José em um restaurante com amigos e sua família na mesma noite do crime.
— Este vídeo demonstra que meu cliente estava longe da cena do crime durante o horário em que a vítima foi assassinada. As testemunhas que o viram saindo do condomínio confundiram-no com outra pessoa!
O júri observa atentamente enquanto prossigo:
— Além disso, temos uma gravação da conversa entre José e sua filha naquela noite. Ele estava preocupado com sua filha mais velha, que ainda não havia chegado da faculdade! Em todas as ligações do aparelho celular dele, nenhuma menciona estar envolvido em qualquer atividade ilegal!
Dou um passo à frente e apelo para as emoções dos jurados.
— Senhores jurados, imaginem estar no lugar de José! Um homem inocente sendo acusado de algo terrível. Ele não só perdeu sua liberdade como também sua reputação. A verdade aqui deve prevalecer!
O advogado de acusação tenta interromper.
— Isso é irrelevante!
— Silêncio na corte! — exclama o juiz. — Prossiga! — diz fazendo sinal para eu continuar.
— Obrigada, Excelência! Agora, gostaria de chamar a atenção para as evidências forenses apresentadas pela acusação. — digo, me dirigindo ao júri novamente. — A análise das impressões digitais foi feita sem o devido rigor científico. Não há como garantir que essas impressões pertencem exclusivamente a José!
Apresento uma pasta com documentos com uma nova prova.
— Aqui estão os laudos periciais que comprovam falhas nos procedimentos seguidos pela polícia durante a coleta das evidências. Isso é uma violação dos direitos do meu cliente! Ainda tenho aqui o horário exato em que o meu cliente chegou à propriedade e encontro o corpo, já sem vida!
O júri murmura entre si enquanto finalizo a minha argumentação.
— Em resumo, senhores jurados, não há provas concretas que liguem José ao crime. Há apenas suposições e erros cometidos pela investigação. Peço que considerem os fatos e deixem a verdade brilhar através da escuridão da dúvida!
Retorno ao meu lugar ao lado do meu cliente, que me observa com admiração e esperança.
— O júri se retirará para deliberar!
Um tenso silêncio se instala no tribunal, enquanto todos aguardam a decisão do júri sobre a inocência ou culpa de José.
Me retiro por breves minutos para realizar uma ligação importante e resolver algo pendente em meu escritório.
Volto e o tribunal está em silêncio, a tensão no ar é palpável.
O júri retorna e senta-se, o juiz observa cada um deles antes de falar.
— O tribunal agora ouvirá o veredicto do júri. Senhoras e senhores jurados, vocês chegaram a uma decisão? — pergunta o juiz.
— Sim, Excelência, chegamos! Após todas as evidências e provas da defesa… Nós, o júri, declaramos o réu José Silva… inocente das acusações de assassinato!
Um misto de alívio e alegria toma conta da sala. As lágrimas de felicidade enchem os olhos do homem. José, que estava tenso até aquele momento, soltou um suspiro profundo e seu rosto se iluminou, mas o choro vem e chora como uma criança agradecendo simultaneamente.
— Eu não consigo acreditar… obrigado, doutora… muito obrigado! — diz humildemente.
— Só fiz o meu trabalho! Eu sempre acreditei em você. A verdade prevaleceu!
— Obrigado por não desistir de mim! Eu não sei como te agradecer…
— Não precisa me agradecer. Apenas viva sua vida agora. Isso é tudo que eu quero! Faça a sua família feliz, cuide e ame eles!
As pessoas na sala começam a aplaudir, e os amigos e familiares de José se levantam, celebrando a vitória do homem.
Observo os rostos felizes ao meu redor e sinto uma onda de emoção e de dever cumprido aquecendo o meu coração.
A mulher do homem se aproxima e me abraça emocionada.
… É por momentos como este que faço o que faço!…
O juiz bate o martelo novamente para restaurar a ordem na sala.
— Ordem! Este tribunal está encerrado!
Enquanto todos começam a sair do tribunal, permanecemos ali por um momento.
— Agora posso recomeçar minha vida. Não sei o que seria de mim se não fosse a senhorita e a sua bondade!
— Você é forte, José! Lembre-se disso sempre. A luta pode ser difícil, mas você saiu vencedor hoje! Tem o meu cartão, caso precise de emprego!
Ele concordou com a cabeça.
Saímos juntos do tribunal, rodeados pela felicidade de seus amigos e familiares, prontos para enfrentar um novo capítulo na vida de José.
Saímos para a luz do dia, cheios de esperança e gratidão pelo resultado do julgamento. Guardar cada cena dessas vitórias em minha mente, é gratificante.
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Atualizado até capítulo 101
Comments
Josigg Gomes Galdino
O Ex namorado dela, que é agressivo e que tinha fugido,ou esse é outro canalha
2025-03-16
2
Sheila Machado
como já li o vol 1,sei q o 2 vai arrasar como a magia arrasa tbm ,uma das minhas autoras favoriras
2025-02-13
1
Josigg Gomes Galdino
Esse é o mesmo juiz que falou ,com Lia e Marcus
2025-03-16
1