Gisele…
Cheia de ódio, voltei para o meu quarto e bati a porta com toda força.
— Meu pai não tem o direito de fazer isso comigo! Não tem! — choramingo, entre os dentes.
Minha mãe entra no quarto e fecha a porta.
— Calma, filha, não se estresse! Vou convencer seu pai de que esse homem não pode ficar nessa casa! — diz pousando a sua mão sobre o meu ombro.
— Por que ele voltou, mãe? Porque esse caipira não ficou sabe-se lá onde estava? — perguntei com amargura.
— Não percebeu, filha?
— O quê? — pergunto a olhando com espanto.
— Ele quer fazer com você, o que não deu certo há anos atrás! Deve ter quebrado a cara e agora quer colocar o seu plano em prática! Não pode ceder, Gisele!
— A senhora acredita mesmo que eu cederia? Por favor… tenho nojo, asco desse sujeito, eu o odeio com todas as minhas forças! — digo entre os dentes, lágrimas nos olhos e punho cerrado.
— Não deixe ele chegar perto de você, não permita que ele lhe dirija a palavra! — diz, segurando os meus braços suavemente.
— Quanto a isso, pode ficar tranquila! Pode ter certeza, que farei da vida desse caipira um verdadeiro inferno para ele peça demissão!
— Isso mesmo, filha! Faça isso! — encoraja.
Minha mãe me deixa sozinha, tranco a porta e vou até a janela. Por uma pequena abertura na cortina, o vejo lá embaixo, está tão lindo, forte… seu olhar vem na minha direção.
O seu olhar fixa no meu por alguns longos segundos que pareciam intermináveis.
A voz da minha mãe ecoa na minha mente:
“Não deixe ele chegar perto de você, não permita que ele lhe dirija a palavra!”
Fecho a cortina e vou para a frente do espelho. Olho para a minha imagem refletida nele e algumas lembranças invadem a minha mente…
“Era uma tarde ensolarada, a brisa leve soprava suavemente pelos campos da fazenda, trazendo consigo o perfume das flores silvestres e o som distante dos animaizinhos pastando. Recordo-me de como ele me surpreendeu ao me convidar para um piquenique improvisado no meio do campo. Ele trouxe uma cesta cheia de sanduíches caseiros, frutas frescas e um bolo de chocolate que a avó dele fazia. O jeito que ele me olhou ao abrir a cesta, com aquele sorriso tímido e encantador, fez meu coração acelerar.
Nos sentamos na grama conversando e rindo, e ele tentava me impressionar contando piadas bobas e fazendo caretas. Nossas risadas ecoavam pelos campos, o tempo parecia parar enquanto compartilhávamos histórias sobre nossas vidas. Naquele momento simples, sentia que havia encontrado alguém especial, eu me sentia especial ao seu lado. Nossas trocas de olhares eram de cumplicidade, nossos beijos apaixonados… tudo era novo para ambos.
Outra lembrança que surgiu foi de uma tarde em que decidimos explorar a parte mais distante da fazenda. Subimos em um velho trator abandonado, onde ele brincou de ser o “maior fazendeiro do mundo”. Eu ria descontroladamente feito uma boba, enquanto ele fazia gestos exagerados com as mãos, imitando um agricultor experiente. Depois, corremos até o lago próximo e nos molhamos até os joelhos, jogando água um no outro e fazendo promessas. Entre beijos e abraços fortes, ele me tirava do chão e dizia o quanto eu lhe fazia bem.
As noites também eram mágicas em sua companhia, uma noite estrelada em que nos deitamos na grama macia, observando as constelações. Ele apontou cada estrela e contou histórias sobre mitologia grega, envolvendo-nos em um mundo de fantasia. No silêncio daquela noite tranquila, ele segurou a minha mão e sussurrou:
— Quero estar sempre ao seu lado! Eu te amo, Gi! — se declara pela primeira vez e meu coração saltou no peito.
Naquele instante, eu senti que nada poderia ser mais perfeito.
E havia tantas lembranças… de tantos momentos, como o dia em que me ensinou a andar a cavalo pela primeira vez. Eu estava nervosa no início, mas ele estava lá ao meu lado, segurando firme na rédea enquanto me encorajava com palavras doces. Quando finalmente consegui controlar o cavalo sozinha, a sensação indescritível de liberdade e alegria tomou conta de todo o meu ser. Ele me observava, todo orgulhoso por ver o meu progresso.
Os momentos mais simples também eram especiais, as tardes passadas ajudando nas tarefas da fazenda, ríamos juntos enquanto alimentávamos os animais ou colhendo verduras da horta. O jeito como ele sempre encontrava tempo para brincar e fazer piadas durante essas tarefas fez com que cada dia fosse uma nova aventura especial e única.
A última vez que estivemos juntos depois das férias de verão, prometemos não deixar a distância estragar esse sentimento e relação que havíamos construído. Trocamos cartas cheias de promessas e planos quando nos reencontrássemos. O nosso primeiro beijo doce que trocamos sob o velho carvalho ficou gravado em minha memória como um símbolo do amor inocente e verdadeiro que vivemos naquele verão."
Caio, ajoelhada em frente ao espelho, choro compulsivamente. O passado chega a doer o mais profundo da minha alma.
Em frente ao espelho, não me reconheço.
Na penteadeira, tem um globo de bailarina que ganhei quando criança. Intensa, irritada, pega o pego e arremesso contra a parede.
— Eu te odeio, Davi! Te odeio com todo o meu coração, acabou com a minha vida! Vou fazer da sua vida um inferno!
Me lavantei e praticamente me arrasto até a minha cama, deito e abraço o meu corpo, com as piores lembranças da minha vida.
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Atualizado até capítulo 101
Comments
Josigg Gomes Galdino
Mais uma armação da velha bruxa, enganou a Gisele com mentiras, a separando do Davi, fez a cabeça da Gisele, a convenceu a ser como ela e se casar sem amor, e agora está com medo, que Gisele volte a se apaixonar por Davi e descobrir a verdade
2025-03-17
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Elivone🐕❤️
o que essa cobra 🐍 inventou pra Gisele sobre o Davi ?e essa criatura não percebe que o que sente por ele é amor ❤️ ? sento em lhe informar que você não vai casar com este homem rico não .
2025-04-01
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Josigg Gomes Galdino
Se ela era tão amiga da Franciele, então porque ela nunca soube desse namoro da irmã, não faz sentido
2025-03-17
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