Francielle…
Passei o dia todo trabalhando, mas muito ansiosa para saber o que Victória descobriu.
Havia muitos casos para rever e acabei saindo mais tarde do escritório.
Fui para casa, tomei um banho, me troquei e fui para a mansão da minha amiga.
Assim que cheguei, fui recebida por ela com um beijo e um abraço.
— Entre, Fran, seja bem-vinda!
Leonardo também me cumprimentou.
Na sala principal, havia um casal… A mulher era muito linda, mas o homem... vou te contar era de faltar o ar.
A mulher cobriu a boca, a princípio surpresa, mas depois parecia emocionada.
— Francielle, essa é a Lia Esposito e seu marido Marcus Campbell!
Nos cumprimentamos com um aperto de mão. Lia se aproximou de mim, segurou as minhas mãos e me encarava com os olhos marejados.
— Você é tão linda, tão parecida com a sua irmã… posso te dar um abraço? — pergunta e apenas assenti com a cabeça.
Estou muito confusa, mas deixei e me senti muito bem naquele abraço.
— Por favor, sentem-se! Fiquem à vontade!
Nos acomodamos e me sentei ao lado de Lia.
Leonardo pegou um envelope e me entregou:
— Está tudo aí, Francielle! O que queria saber… toda a verdade está nesse envelope!
Meu coração bateu em ritmo acelerado, peguei o envelope e o olhava com uma mistura de sensações, o medo era o maior deles.
— Como conseguiram essas informações tão rápido?
— Um amigo da nossa família tem amigos no FBI…
— Marcus e Lia são do FBI! — completa Leonardo.
— As informações que tem aí são muito sérias e seus pais adotivos podem ser indiciados, como cúmplices!
— Como?… É tão grave assim?
— Muito! — afirma Lia.
Respirei fundo, abri o envelope e retirei a pasta de papel.
— Esse é um dossiê escrito por mim, para alertar o mundo do que estamos vivendo! — diz Lia.
Meus olhos fixam naquele papel lendo todas as informações que constam ali…
Dossiê:
Este dossiê tem como objetivo detalhar o caso de uma mãe que, ao dar à luz a trigêmeas, foi enganada por profissionais de saúde, que informaram que duas de suas filhas haviam falecido devido a uma doença contagiosa. Na realidade, as crianças foram traficadas e vendidas para uma família milionária. Anos depois, uma sobrinha da mulher, que é cabo da polícia militar, começou a investigar o caso e levantou suspeitas sobre o sequestro das meninas ao notar a ausência de ossadas no caixão.
Em **/**/****, Maria, uma mãe dedicada, deu à luz a trigêmeas em um hospital no Brasil, especialmente Rio de Janeiro.
A gravidez foi marcada por complicações, mas Maria Lúcia estava animada com a chegada de suas filhas. Após o parto, no entanto, sua alegria rapidamente se transformou em desespero.
Após o nascimento das meninas, os médicos informaram à Maria Lúcia que duas delas haviam contraído uma doença grave e contagiosa e que não sobreviveriam. Para evitar uma possível epidemia no hospital, disseram-lhe ser necessário sepultar as crianças imediatamente. Em estado de choque e sem apoio familiar presente naquele momento crítico, Maria Lúcia acreditou na versão apresentada.
Os profissionais de saúde alegaram que as meninas faleceram devido à gravidade da doença e que os corpos deveriam ser tratados com urgência para evitar contaminação. Com isso, a mulher não teve a oportunidade de ver suas filhas pela última vez ou realizar um funeral adequado. O hospital organizou rapidamente o sepultamento.
Após o sepultamento, até começou a ter dúvidas sobre a versão apresentada pelos médicos. No entanto, a dor da perda e a falta de respostas concretas começaram a consumir sua sanidade. Contudo, sem evidências ou apoio para questionar as autoridades do hospital, ela se sentiu impotente.
Anos depois do ocorrido, sua sobrinha Lia Esposito, cabo da polícia militar e especialista, começou a investigar casos relacionados ao tráfico humano na região. Ao ouvir sobre a história de sua tia e notar algumas inconsistências, como a falta de ossadas no caixão, Lia decidiu aprofundar-se no caso.
Lia requisitou registros do sepultamento e conduziu entrevistas com testemunhas do hospital, mas sem sucesso. Durante sua investigação, ela descobriu que não havia documentação adequada sobre as mortes e nem mesmo sobre a gestação das trigêmeas, e que o caixão estava vazio ao ser exumado para verificação.
A partir desses dados, Lia suspeitou fortemente que as meninas não haviam morrido como alegado e poderia haver um esquema maior envolvendo tráfico de crianças.
Ao aprofundar-se ainda mais na investigação, Lia encontrou evidências de que outras mães também foram enganadas em circunstâncias semelhantes no mesmo hospital. Relatos de pessoas desaparecidas começaram a surgir, levando à conclusão de que um grupo criminoso estava operando em conluio com alguns funcionários do hospital e toda a região. Infiltrada com o FBI, foi levada à organização criminosa e, com todos os presos e outros mortos, ainda não havia provas ou indícios de onde as meninas poderiam estar.
Por meio de amigos e com investigações, levaram Lia até uma família rica conhecida por adotar crianças sob circunstâncias duvidosas anteriormente. Ao cruzar informações financeiras e registros de adoção, ficou claro que duas das trigêmeas estavam com essa família.
Com as provas reunidas por Lia e pela equipe policial, foi possível abrir um inquérito formal contra os envolvidos no tráfico de crianças e os funcionários do hospital que participaram do esquema. Vários indivíduos foram presos enquanto os detalhes do caso ganhavam atenção em um grande patamar.
Maria foi reavivada pela esperança ao saber que sua história estava sendo investigada novamente e poderia haver uma chance de reencontrar suas filhas desaparecidas. O impacto emocional foi profundo, ela passou anos lidando com o luto sem saber a verdade sobre suas filhas.
A luta contínua da mulher pela justiça culminou em um movimento maior contra o tráfico humano na região.
O caso das trigêmeas traficadas é um exemplo trágico das falhas nas instituições responsáveis pela proteção das crianças e das famílias em momentos vulneráveis como o nascimento. A investigação liderada por Lia não apenas revisitou verdades dolorosas para Maria Lúcia, mas também trouxe esperança para muitas outras famílias afetadas pelo tráfico humano.
Este dossiê serve como um chamado à ação para melhorar os sistemas de proteção infantil e garantir que tragédias como esta nunca mais ocorram na sociedade moderna.
Estamos falando de milhares de famílias no mundo, que passam por algo semelhante, sejam com seus filhos recém-nascidos ou até na fase adulta. São enganados, levados para outro país com promessas de melhoria de vida, com um emprego bom, mas quando chegam são obrigados a se prostituir. No meio de todo o terror, não sobrevivem. Alguns vêm a óbito e muitas vezes se suicidam para acabar com o pesadelo!
Esse é o meu alerta para o mundo, para as famílias e para as leis! Vamos abrir nossos olhos, vamos lutar contra o tráfico humano!”
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Atualizado até capítulo 101
Comments
Anonymous
Uma abordagem de uma tema totalmente relevante, preocupante e que sempre acontece no mundo afora. Devemos sempre estar em alerta quando nosso sexto sentido dá um aviso sobre algo. Fiquemos de olho!
2025-01-11
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Ana Maria Sá
na infância, ouvíamos falar, do bicho papão, do velho do saco, do carro preto. histórias que eram contatadas para assustar, mas que na verdade, eram todas verdadeiras.
uma realidade assustadora!
2025-03-08
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Ana Maria Sá
parabéns 👏 autora!
esse realidade é cruel e verdadeira em todo o mundo.
infelizmente, os envolvidos em toda essa crueldade, são pessoas de alta patente, na política, na segurança, nos hospitais,etc.
2025-03-08
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