Amábel estava no quarto, observando o céu noturno pela janela. O vento frio que entrava carregava o cheiro das flores do jardim, mas não era suficiente para acalmar sua alma. Seus olhos estavam marejados, refletindo as estrelas enquanto as lágrimas deslizavam silenciosamente pelo rosto.
De repente, a porta foi aberta com força, e Eadric entrou no quarto. Seu olhar estava carregado de autoridade e um certo desprezo. Ele caminhou rapidamente até Amábel, agarrando seu braço sem delicadeza e inclinando-se para beijar seu pescoço.
— Não me toque! — exclamou Amábel, afastando-se bruscamente.
Eadric parou por um momento, surpreso com a resistência, mas logo deu um sorriso sarcástico.
— Como não lhe tocar? — disse ele, com um tom frio. — Sou seu marido, e você me pertence.
Amábel recuou até a cama e sentou-se, tentando manter a calma.
— Você fala como se eu fosse um objeto.
Eadric ignorou a acusação, aproximando-se dela novamente. Ele tocou suavemente o rosto de Amábel, mas seu toque era carregado de ameaça.
— Tão bela, mas tão tonta... — murmurou, com um sorriso cruel. — Não pense que eu esqueci o que fez no dia do nosso casamento. Tentou fugir, desonrando a mim e ao reino.
Amábel desviou o olhar, mas suas mãos tremiam de raiva e medo.
— Eu só queria liberdade...
— Liberdade? — Eadric riu, inclinando-se para mais perto. — Lembre-se, Amábel, eu serei o rei de Loran em breve. E você será minha rainha, queira ou não.
— Você fala isso com tanta certeza... — respondeu ela, com um tom desafiador, embora sua voz estivesse embargada.
— Porque ninguém me impedirá, nem mesmo você — retrucou Eadric, suas palavras cortantes como lâminas.
Ele deu um passo para trás, cruzando os braços e observando-a com superioridade.
— E se tentar fugir novamente — continuou ele, com um tom sombrio — eu a colocarei no porão. Ficará dias no escuro, sem ver a luz do sol.
Amábel arregalou os olhos, sua respiração ficando mais pesada.
— Não! Você não pode ser tão cruel assim.
Eadric riu alto, o som ecoando pelo quarto como um trovão.
— Ah, Amábel, você ainda não me conhece. Eu posso ser muito mais cruel do que imagina. E não pense que sua rebeldia ficará sem punição. Se tentar me desafiar de novo, descontarei essa ousadia na sua preciosa família.
Amábel sentiu o chão desaparecer sob seus pés.
— Não! Por favor, não faça isso... Eles não têm culpa de nada.
Eadric se inclinou novamente, seu sorriso cruel mais evidente do que nunca.
— Então seja uma boa esposa, Amábel. Não me dê motivos para agir. Quando eu for rei, o povo de Loran saberá o que é ter um verdadeiro governante.
Amábel olhava para Eadric com os olhos arregalados de medo, enquanto ele se aproximava sem dar espaço para recusa. Suas mãos eram firmes, e seu toque, embora aparentemente delicado, carregava a força opressora de um homem que sabia que tinha poder absoluto.
Ele deslizava as alças do vestido de Amábel pelos seus ombros, beijando sua pele exposta.
— Quero um sucessor — murmurou Eadric, sua voz grave e fria. — Quero um filho meu com você.
Amábel tentou recuar, mas não havia para onde fugir. Seu corpo tremia, e ela lutava para segurar as lágrimas, mesmo que fosse impossível esconder o terror em seus olhos.
— Por favor, Eadric... — tentou ela, com a voz embargada, mas ele a silenciou com um olhar.
— Quero que seja um menino — continuou ele, ignorando o apelo. — Quero que nasça o mais rápido possível.
As palavras caíram como um golpe pesado, e Amábel sentiu que o ar estava sendo arrancado de seus pulmões.
— Não é justo... — sussurrou, mais para si mesma do que para ele.
Eadric se afastou por um momento, apenas o suficiente para encará-la diretamente. Seu olhar era cortante, cruel, e sua boca se contorceu em um sorriso frio.
— E pare de chorar como uma mula — disparou ele, o tom repleto de desprezo.
Amábel apertou os lábios, tentando conter os soluços. Cada palavra dele era como uma faca perfurando seu coração. Ela sabia que, naquele momento, sua resistência seria inútil.
Eadric voltou a se aproximar, sem se importar com o sofrimento que via em seus olhos. Para ele, ela não era uma pessoa; era apenas um instrumento para consolidar seu poder, um meio de garantir sua linha de sucessão.
No silêncio pesado que preenchia o quarto, Amábel sentiu a sombra da submissão pairar sobre ela. O futuro que a aguardava parecia cada vez mais sombrio, e a chama da esperança diminuía a cada instante.
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Claudia
Coitada da Amábel 😥😥♾🧿
2024-12-23
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