Capítulo 18 – O Enigma da Verdade

Daniel acordou com o som do vento batendo nas janelas. Era um vento gelado, e uma sensação estranha se espalhou por seu corpo, como se o ambiente ao seu redor estivesse vibrando com algo invisível, algo que ele não conseguia entender ainda. Ele sabia que, em algum lugar ali, nas sombras da casa, estava uma resposta para a pergunta que o atormentava há dias: o que realmente aconteceu com sua mãe? E o que isso tinha a ver com ele, com sua vida e sua identidade?

O reflexo da manhã estava opaco através da janela. O sol ainda não havia nascido completamente, e a luz fraca parecia se arrastar lentamente pelo horizonte, como se algo estivesse tentando evitar seu surgimento. O silêncio estava denso, mas carregado de tensão. Como se, em qualquer momento, o próprio ar fosse exalar algum tipo de resposta, uma verdade reprimida, um segredo antigo.

Desde o dia em que a verdade sobre Ethan foi revelada, Daniel vinha se sentindo mais estranho do que nunca. Ele acreditava que estava perdendo o controle sobre sua mente, que os fantasmas de sua própria sanidade estavam surgindo. Mas havia algo dentro dele que não poderia ignorar. Ele sabia que Ethan não era uma mera alucinação. Ele sabia, no fundo, que a presença dele, por mais irracional que fosse, não era apenas fruto de sua mente perturbada.

Levou um tempo até que ele conseguisse se levantar da cama, seus músculos pesados, o corpo ainda sem forças para enfrentar o que estava por vir. Mas uma força estranha o movia, como se algo o estivesse empurrando para frente, forçando-o a buscar mais, a entender o que estava acontecendo.

Ele se levantou, caminhando lentamente até a janela. O vento continuava a assobiar lá fora, mas dentro da casa tudo estava em silêncio. Quando seus olhos se fixaram na janela, Daniel sentiu o peito apertar. Ele olhou fixamente para o reflexo e, por um momento, quase teve certeza de que estava vendo coisas. Mas não, não era isso. Ethan estava lá.

Ele estava parado atrás dele, como sempre, com aquele sorriso enigmático e um olhar que parecia saber mais do que Daniel jamais poderia. O rosto de Ethan não era claro, como se estivesse envolto em uma névoa, mas seus olhos eram visíveis, penetrantes e estranhamente familiares.

— Você sabe o que está acontecendo — disse Ethan, a voz suave, mas com um tom de urgência que Daniel não conseguia ignorar.

Ele sentiu um calafrio percorrer sua espinha. A presença de Ethan estava ficando cada vez mais intensa, e o que antes parecia ser uma mera alucinação agora parecia real, tão real quanto o próprio Daniel. Mas como isso era possível? Como ele poderia continuar vendo alguém que sabia ser uma invenção de sua mente?

— Não, não pode ser. Você não existe... — Daniel murmurou para si mesmo, mas mesmo enquanto falava, ele sentia a força das palavras de Ethan, como se tudo o que estava acontecendo fosse parte de um quebra-cabeça que ele ainda não sabia como montar.

Ethan simplesmente sorriu, um sorriso enigmático, como se soubesse que Daniel estava mais perto da resposta do que ele próprio imaginava.

— Não subestime sua mente, Daniel. Você está mais perto do que pensa. A verdade está lá fora, mas você precisa olhar mais de perto.

Daniel virou-se rapidamente, mas, quando o fez, Ethan desapareceu. Era como se ele nunca tivesse estado lá, mas a sensação de sua presença permaneceu, pulsando no ar. O vazio no estômago de Daniel ficou maior, e uma dúvida inquietante o invadiu. Como isso era possível? Como ele ainda via Ethan? E, pior, por que ele não conseguia afastá-lo?

Ele caminhou até o espelho grande no corredor, seus passos ecoando pelo vazio da casa. O reflexo nele não parecia o de um homem em controle de sua vida, mas o de alguém perdido, tentando entender os próprios pensamentos. O vidro estava frio ao toque, mas algo estava diferente. Algo estava se destacando ali, algo que ele não havia notado antes.

Daniel tocou a superfície do espelho, sentindo um arrepio percorrer sua pele. Foi quando ele notou. O reflexo que ele via não era mais o seu próprio rosto, mas uma cena do passado, uma lembrança fragmentada, misturada com as imagens borradas da sua mente. Sua mãe estava lá. Ele a via em uma sala escura, como se estivesse tentando esconder algo de Daniel. Seus olhos estavam fixos em algo, em um objeto pequeno que ela mantinha escondido debaixo da mesa. Ela parecia nervosa, como se temesse ser descoberta.

O ambiente estava pesado, sombrio, e as sombras da sala pareciam se esticar ao redor dela, como se algo estivesse prestes a engolir o momento. Daniel se aproximou do espelho, e sua respiração ficou mais curta. Ele não conseguia ouvir as palavras da memória, mas sabia que ela estava falando com alguém. Não podia ser ele, ele era muito jovem na época para entender aquilo. Então, quem mais estava lá?

Sua mãe se virou de repente, e seus olhos se encontraram com os de Daniel no reflexo. Um instante de pânico tomou conta dele, como se ele tivesse invadido um lugar que não deveria. Ela sorriu fraco, como se tentasse acalmá-lo, mas não parecia convencida. O livro estava ali, na sua mão. Mas não estava mais intacto. Estava envelhecido, desgastado, como se o tempo tivesse consumido suas páginas.

A imagem desapareceu tão repentinamente quanto surgiu. Daniel se afastou do espelho, o coração batendo forte no peito. A sensação de que algo importante havia sido revelado, mas que ele ainda não entendia completamente, o consumiu. Ele sabia que aquilo não era um simples reflexo. Havia algo ali, escondido nas memórias de sua mãe. Algo que ela havia tentado esconder dele por toda a sua vida.

De repente, a dor na cabeça começou a surgir, uma pressão intensa que o fez se apoiar na parede. O reflexo de Ethan apareceu novamente, mas agora ele não estava mais atrás de Daniel. Ele estava diante dele, a figura familiar, mas mais sólida do que antes.

— Você está perto, Daniel. Não ignore os sinais — disse Ethan mais uma vez, a voz mais clara agora, mais direta, como se estivesse realmente se comunicando com ele.

Daniel olhou para o lado, e pela primeira vez, sentiu uma sensação de compreensão. Ethan não era apenas uma ilusão. Ele estava relacionado a essa busca pela verdade, e talvez, finalmente, Daniel estivesse entendendo o que ele representava. Mas isso não significava que ele tivesse todas as respostas. A presença de Ethan era uma pista, e ele precisava seguir aquilo.

Ele sabia que sua mãe tinha escondido o livro, mas por quê? O que ele significava? E por que ele se sentia cada vez mais atraído para entender isso?

Com a mente ainda em turbilhão, Daniel saiu da casa, sentindo o vento gelado cortar sua pele. Mas, ao contrário do que sentia antes, ele agora estava mais certo do que nunca de que a próxima etapa dessa busca estava próxima. Ele precisava desvendar o que sua mãe havia deixado escondido, e por mais que isso significasse cavar mais fundo em seu passado, ele não podia mais ignorar.

Ethan, a figura fantasmagórica que o havia perseguido, agora parecia ser sua única aliada. O caminho à frente seria mais difícil, ele sabia disso. Mas ele não tinha escolha. Algo estava ali, naquelas páginas antigas, naquelas sombras que ele ainda não compreendia.

A verdade estava ao alcance de sua mão, e ele estava determinado a encontrá-la.

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Atualizado até capítulo 33

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