Capítulo 6 – O Encontro Inesperado

Daniel não conseguia mais ignorar a crescente sensação de que algo estava fora de controle. Cada página virada do livro parecia um chamado, uma convocação que ele não podia desobedecer. A cada dia, os ecos do passado o assombravam mais, enquanto o presente se tornava uma teia de ilusões que ele não conseguia entender. O espelho que o observava, as palavras que pareciam ecoar em sua mente, e a constante sensação de que alguém o vigiava tornavam seu mundo cada vez mais claustrofóbico.

Naquela manhã, ele decidiu sair. Precisava fazer algo para espairecer. Quando o relógio bateu 11 horas, ele se levantou e se vestiu apressado. Um passeio pelo parque, talvez. Ou quem sabe uma ida ao café local. Ele não sabia exatamente o que buscava, mas sabia que não poderia continuar em casa, preso entre as paredes que pareciam se fechar a cada hora que passava.

Enquanto caminhava pelas ruas, algo inusitado aconteceu. Ele parou por um momento, como se o chão debaixo de seus pés tivesse se movido. Alguém estava lhe observando. Não era uma sensação vaga ou uma impressão passageira. Ele sentiu como se os olhos de uma pessoa estivessem fixados em sua nuca, acompanhando cada passo seu.

Ele olhou rapidamente ao redor, mas não viu ninguém que parecesse prestar atenção nele. As pessoas passavam apressadas, perdidas em seus próprios mundos, sem notar sua inquietação. Mas ele sabia o que sentia. Era o mesmo pressentimento que tivera na cafeteria semanas atrás, o mesmo que o havia acompanhado desde que o livro entrou em sua vida.

Quando chegou à praça, um local conhecido e tranquilo, ele sentou em um banco vazio e tentou se acalmar. O movimento ao redor, as crianças correndo, os casais passeando, tudo parecia tão comum. E ainda assim, ele não conseguia afastar a sensação de que havia algo estranho no ar.

Foi então que a viu.

Ela apareceu sem aviso, caminhando pelo caminho de pedras que cruzava a praça. Daniel a reconheceu imediatamente, embora ela fosse uma completa estranha. Era uma mulher de cabelos loiros e curtos, vestindo uma jaqueta de couro marrom e jeans escuros. Seu olhar era penetrante, com uma expressão de quem carregava segredos que não estava disposta a compartilhar. Ela parecia estar em seu próprio mundo, mas, ao mesmo tempo, suas mãos se moveram de maneira quase mecânica, como se estivesse em busca de algo, ou alguém.

Daniel sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Algo sobre ela estava profundamente familiar. Não que ele soubesse de onde a conhecia, mas a sensação era inegável. Era como se uma parte de seu cérebro estivesse tentando conectar os pontos que ele não conseguia entender. Mas a mulher simplesmente continuou seu caminho, sem olhar para ele, até que desapareceu entre as árvores do outro lado da praça.

Ele não sabia o que havia acontecido. Talvez fosse apenas mais uma estranha coincidência. Mas algo no fundo de sua mente começou a gritar. Ele não podia ignorar. Havia algo sobre ela que parecia conectar-se ao enigma que o consumia. Seu olhar, seus gestos, a maneira como ela parecia imune ao seu redor. Era como se ela estivesse em um plano paralelo ao dele, um plano onde ele não deveria estar.

---

Nos dias que se seguiram, Daniel não conseguia tirar a mulher da cabeça. Ele tentava racionalizar a sensação, convencendo-se de que ela não tinha nada a ver com o que estava acontecendo com ele, mas a inquietação não desaparecia. Ela estava lá, em sua mente, como uma presença fantasmagórica.

Foi na noite de uma terça-feira, uma semana após o encontro na praça, que a mulher reapareceu. Dessa vez, não foi apenas uma visão fugaz. Ela estava parada na porta da cafeteria onde Daniel costumava ir, observando a rua com um olhar distante. O vento fazia seus cabelos flutuarem suavemente, mas sua postura permanecia rígida, quase tensa.

Daniel não soube o que o fez se aproximar, mas seus pés se moveram sozinhos, e, antes que pudesse perceber, estava a poucos metros dela. Quando ela virou a cabeça, ele quase deu um passo atrás, mas algo em seu olhar o impediu. Ela o reconheceu. Ele não sabia como, mas os olhos dela brilharam com um tipo de conhecimento que o deixou desconcertado.

“Você está procurando por respostas, não está?” ela disse, a voz suave, mas carregada de uma autoridade que Daniel não compreendia.

Ele ficou paralisado, sem saber como reagir. Não havia como negar que aquilo o surpreendera, mas, antes que pudesse responder, ela continuou.

“Eu sei o que você está vivendo. Sei o que você viu. Mas não é só você, Daniel. O que está acontecendo vai muito além de você.” Ela fez uma pausa, como se medisse suas palavras. “A verdade está em seu passado, mas você precisa entender que o que você está prestes a descobrir pode mudar tudo. E você não está sozinho nisso.”

Daniel sentiu uma onda de confusão invadir sua mente. Quem era ela? O que ela queria? Como sabia tanto sobre ele?

“Você… me conhece?” Daniel finalmente conseguiu perguntar, sua voz falhando.

Ela sorriu, um sorriso triste, quase melancólico, e deu um passo para trás, como se estivesse se preparando para ir embora.

“Nos veremos novamente, Daniel. E quando isso acontecer, você saberá a verdade. Mas lembre-se: o espelho não mente.”

Com isso, ela desapareceu na noite, como uma sombra se desvanecendo no escuro.

---

Daniel ficou ali, paralisado, absorvendo as palavras dela. “Nos veremos novamente.” O que isso significava? E o que ela sabia sobre o que ele estava passando?

Ele não conseguia mais ignorar. A mulher não era uma coincidência. Ela fazia parte do enigma que o estava consumindo, e, de alguma forma, ele sabia que ela teria uma parte crucial na resolução do mistério. Ele só não sabia ainda como ela estava conectada ao seu passado, ao livro e ao que estava acontecendo com ele.

E mais importante ainda: o que ela quis dizer quando falou sobre o espelho?

---

A mulher, cujo nome ainda era um mistério, havia desaparecido tão rapidamente quanto surgiu, mas sua presença permaneceu com Daniel. Ele sabia, no fundo, que a história dele estava se entrelaçando com a dela de maneiras que ele ainda não podia compreender.

Mas, conforme a escuridão da noite se aprofundava, uma coisa estava clara: Daniel não estava mais sozinho.

Capítulos
Capítulos

Atualizado até capítulo 33

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!