Capítulo 16 – Enfrentando a Verdade

O ambiente ao redor de Daniel estava completamente sombrio, e ele sentia uma estranha sensação de déjà-vu, como se tivesse estado ali antes, mas nunca de uma maneira tão clara. A sala estava tomada por espelhos empoeirados, refletindo imagens distorcidas e irreconhecíveis. Mas, no centro de tudo, uma figura familiar surgiu das sombras.

Sua mãe.

Ela estava ali, parada, imóvel, como se esperasse por ele. Mas algo estava errado. Ela não era a mulher calorosa e amorosa que ele lembrava de sua infância. Seu rosto estava marcado, envelhecido de uma maneira que Daniel não podia compreender. Havia uma dor silenciosa em seus olhos, como se ela estivesse guardando segredos que ele não estava pronto para ouvir.

“Você... você está aqui,” Daniel sussurrou, seus lábios tremendo. “Mãe... o que está acontecendo? O que é tudo isso?”

Ela não respondeu imediatamente. Seu olhar parecia distante, como se estivesse lutando para encontrar as palavras certas. Mas quando finalmente falou, sua voz soou frágil, carregada de uma tristeza que Daniel nunca havia ouvido antes.

“Daniel, você não deveria estar aqui,” ela disse com uma voz trêmula, olhando para ele com um pesar inconfundível. “Eu tentei... tentei te proteger de tudo isso. Mas agora, parece que o destino de vocês dois está selado. Você não entende o que está acontecendo, não entende o que eu fiz.”

Daniel sentiu um aperto no peito. As palavras de sua mãe pareciam confusas, desconexas, como se ela estivesse falando em enigmas. Mas havia algo ali. Algo que ele não podia ignorar.

“Mãe... o que você fez?” ele perguntou, a ansiedade crescendo dentro dele. “Eu preciso saber. Eu preciso entender o que está acontecendo. A verdade sobre Alice... os espelhos... tudo isso. Me diga o que está acontecendo!”

Ela se aproximou lentamente, o olhar agora fixo nele. Daniel podia ver a dor em seu rosto, mas também algo mais. Algo que ele nunca imaginara: uma culpa profunda, como se o que estivesse acontecendo fosse uma consequência direta de suas próprias ações.

“Eu fiz o que precisava fazer,” ela começou, a voz suave, como se estivesse contando a si mesma uma história. “Os espelhos, Daniel... eles não são apenas reflexos. Eles são portas. Portas para outras realidades, outras versões de nós mesmos. Eu sabia disso, e por isso, por tanto tempo, tentei evitar que você fizesse as escolhas erradas. Mas agora... o que está feito, está feito.”

Daniel ficou em silêncio, absorvendo as palavras dela. As peças do quebra-cabeça estavam começando a se encaixar, mas ainda havia algo faltando. Algo que ele não conseguia compreender.

“E sobre Alice?” ele perguntou, tentando focar na questão que mais o atormentava. “O que aconteceu com ela? Onde está Alice?”

Sua mãe olhou para ele com um olhar carregado de uma tristeza inexplicável, como se soubesse que, ao revelar a verdade sobre Alice, ela também teria que enfrentar algo muito maior.

“Ela não é o que você pensa, Daniel,” ela disse, a voz baixando, como se estivesse lutando contra a verdade. “Alice... Alice é uma peça desse jogo, mas ela não está perdida. Ela está aqui, em algum lugar, mas não da maneira que você imagina. O que você está vendo... os espelhos... tudo isso é uma ilusão, uma ilusão que eu criei para proteger você. Mas agora, você tem que entender que nada é o que parece ser.”

Daniel sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ele estava começando a entender, mas as palavras de sua mãe ainda não faziam sentido completo. Ele queria mais, queria saber tudo, mas a resposta que ele buscava parecia escorregar entre seus dedos, como areia.

“Mãe... por que você fez isso? Por que me manteve longe da verdade?” Daniel perguntou, a frustração crescendo em sua voz. “Por que me deixou viver essa mentira?”

Ela fechou os olhos, parecendo profundamente culpada. Quando os abriu novamente, ela olhou diretamente nos olhos de Daniel, como se estivesse tentando transmitir algo que não poderia ser dito com palavras.

“Porque a verdade é... Daniel, você não estava pronto. E o Ethan... Ethan não é o que você pensa que é.”

Essas palavras a atingiram como um soco. “O que você quer dizer com isso? Ethan é meu amigo! Ele esteve comigo o tempo todo. Ele me ajudou a chegar até aqui!”

Sua mãe suspirou, e algo em sua expressão mudou, como se ela tivesse sido forçada a revelar uma verdade dolorosa.

“Ethan não existe, Daniel. Ele nunca existiu. Tudo o que você viu, tudo o que você vivenciou com ele... é uma construção da sua própria mente.”

As palavras caíram pesadas sobre ele, como uma verdade inaceitável. Daniel deu um passo para trás, os olhos arregalados de incredulidade. “Isso... isso não pode ser verdade. Eu o vi. Ele estava comigo. Ele me ajudou a encontrar as pistas, a enfrentar os desafios... Como você pode dizer que ele não existe?”

“Você não entende, Daniel,” sua mãe continuou, a voz tensa com a urgência da revelação. “O Ethan... ele foi criado por você, pela sua mente, para lidar com a dor, para lidar com a perda, com o vazio que você sentia dentro de si. Ele não é real. Ele é uma alucinação.”

Daniel sentiu o chão desaparecer sob seus pés. Tudo o que ele havia vivido, tudo o que ele pensava saber sobre a jornada que havia empreendido, estava desmoronando. O Ethan, seu amigo, seu companheiro... ele era uma construção de sua mente. A revelação o deixou paralisado, incapaz de processar.

“Mas... mas eu não posso ter imaginado tudo isso,” Daniel sussurrou, sua voz falhando. “Eu... ele... ele me deu forças. Ele me ajudou a sobreviver a tudo isso.”

Sua mãe olhou para ele com uma expressão de pesar, como se soubesse que essa verdade iria devastá-lo.

“Às vezes, Daniel, a mente cria aliados quando não há mais ninguém. Ethan era sua maneira de lidar com tudo o que você perdeu. Ele é uma parte de você, uma projeção da dor que você não podia enfrentar. E agora, você tem que aceitar que ele não faz parte da realidade.”

Daniel caiu de joelhos, a mente girando, tentando processar o que sua mãe acabara de dizer. Ethan, o amigo com quem ele havia compartilhado momentos de tensão e alívio, não passava de uma criação sua, uma ilusão alimentada pela sua própria mente para lidar com a solidão e o medo. Ele estava completamente só.

Mas algo dentro de si dizia que a resposta para o que estava acontecendo não estava apenas em Ethan. Ele sabia que a jornada estava longe de acabar, e que ainda havia muito mais a descobrir. Mas agora, a maior luta seria enfrentá-la sem a presença do amigo imaginário que o acompanhara por tanto tempo.

A mãe de Daniel deu um passo à frente, tocando suavemente seu ombro.

“Daniel... a verdade está dentro de você. Mas você precisa enfrentá-la sozinho agora. O que vem a seguir será muito mais difícil.”

Ele levantou a cabeça, os olhos secos e cansados. A dor era imensa, mas uma nova determinação se formava dentro dele. Ele sabia que a próxima etapa da jornada não seria fácil, mas estava pronto para enfrentá-la. Com ou sem Ethan.

Agora, ele precisava encontrar o verdadeiro significado de tudo isso. E ele faria isso, por Alice, por sua mãe, e por si mesmo.

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Atualizado até capítulo 33

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