Capítulo 8 – A Trilha Oculta

Depois da noite inquieta em que o espelho trincou, Daniel acordou com uma sensação estranha. Algo dentro de si parecia estar chamando por respostas, e o livro com a dedicatória misteriosa agora parecia mais pesado, como se contivesse um segredo esperando para ser desvendado. O brilho do dia anterior havia se dissipado, e a inquietação voltou a preenchê-lo.

Ele segurou o livro novamente e o examinou minuciosamente, desta vez com mais atenção. Passou os dedos pela lombada, pelas bordas das páginas, e finalmente percebeu algo curioso: uma linha quase imperceptível na capa, como se ela fosse uma camada solta. Usando uma faca pequena, deslizou a lâmina com cuidado, revelando um compartimento oculto.

Dentro havia um pedaço de papel envelhecido com um mapa rudimentar. O traço, feito com tinta desbotada, mostrava uma área da ilha onde ele nunca tinha ido. No canto inferior direito, escrito em letras pequenas, estava o nome “Faroeste Escondido”.

Daniel franziu o cenho. O lugar soava familiar, mas ao mesmo tempo distante, como se fizesse parte de memórias esquecidas. Ele colocou o mapa no bolso e saiu de casa com uma determinação que há muito não sentia.

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O Faroeste Escondido era uma área isolada, marcada por penhascos íngremes e uma vegetação densa que parecia proteger algo. Ao chegar, Daniel ficou surpreso com o quão silencioso o lugar era, como se até os sons da natureza fossem abafados ali.

Seguindo as marcações no mapa, encontrou uma trilha estreita que serpenteava até uma clareira escondida. No centro da clareira, uma cabana velha e desgastada pelo tempo esperava por ele. A madeira estava apodrecida, e a porta rangeu quando ele a empurrou.

O interior estava escuro, exceto por uma luz suave que filtrava pelas tábuas quebradas das paredes. Em uma das mesas, Daniel encontrou algo que o fez prender a respiração: um diário. A capa estava desgastada, mas quando abriu, viu algo que o deixou sem palavras. O nome dele estava escrito na primeira página.

"Daniel. O que está procurando começa aqui, mas o verdadeiro segredo está onde o oceano encontra a verdade."

As palavras pareciam escritas recentemente, a tinta ainda fresca. Ele virou algumas páginas, mas o diário estava quase vazio, exceto por algumas notas que pareciam pistas criptografadas, rabiscadas em um canto:

"Reflexos mostram, mas também escondem. Procure o símbolo na velha torre."

Ele franziu o cenho. Velha torre? Havia muitas construções antigas na ilha, mas uma torre em particular veio à sua mente: o farol no extremo sul.

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A caminhada até o farol não foi fácil. O caminho era irregular, e a sensação de estar sendo observado não o deixava em paz. Por diversas vezes, ele parava, olhando ao redor, mas nunca via ninguém. Quando finalmente chegou ao farol, o céu já começava a se tingir de laranja com o pôr do sol.

O farol parecia ainda mais imponente àquela hora. As paredes brancas desgastadas pareciam conter histórias que jamais seriam contadas. Ele empurrou a pesada porta de madeira, que se abriu com um rangido. O cheiro de mofo e sal invadiu suas narinas.

Dentro, tudo estava empoeirado, mas os degraus que levavam ao topo estavam intactos. Ele começou a subir, cada passo ecoando pelo espaço estreito. Quando chegou ao topo, encontrou uma sala circular com janelas que ofereciam uma vista deslumbrante do oceano.

No centro da sala, algo inesperado: um espelho redondo, com uma moldura ornamentada de ouro. Daniel hesitou antes de se aproximar, o coração acelerado. Quando finalmente se posicionou diante dele, percebeu algo que não havia notado antes. Gravado na moldura, quase imperceptível, estava o mesmo símbolo que vira no diário.

Ele tocou o símbolo, e o espelho começou a vibrar levemente. De repente, uma rachadura se formou, mas em vez de se quebrar, revelou um compartimento oculto atrás da superfície. Dentro, havia um pequeno pedaço de papel com outra mensagem:

"Você está mais perto. Mas cuidado: nem todos os aliados são confiáveis."

Daniel olhou para o papel, sentindo um frio na espinha. O que isso significava? Quem estava deixando essas pistas? E por que estavam tão obcecados por ele?

De repente, ouviu um barulho vindo de baixo, como passos. Seu corpo congelou. Ele se escondeu atrás de uma das colunas, esperando para ver quem estava lá. Uma voz masculina ecoou escada acima:

"Ele chegou aqui. Verifique tudo. Não podemos deixá-lo sair com nada."

O coração de Daniel disparou. Ele sabia que, seja quem fosse, não estava ali para ajudá-lo. Sem fazer barulho, ele pegou o papel e desceu rapidamente por outra saída, que o levou diretamente ao lado dos penhascos.

Enquanto o sol se punha, Daniel parou por um momento para olhar o oceano. O lugar onde "o oceano encontra a verdade". O que quer que isso significasse, ele sabia que estava apenas no começo. Atrás dele, as vozes ainda ecoavam no farol, e ele sabia que o tempo estava se esgotando.

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Atualizado até capítulo 33

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